antigas
Publicado: 20/09/2007 | 11:54
Um Senado à beira do estresse
Gustavo Krieger e Leandro Colon
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Renan agora enfrenta pressão de petistas para que deixe a Presidência da Casa. E reagiu: “Ninguém vai levar no grito. Se eu tivesse perdido a votação por um voto, teria arrumado minhas gavetas”
O clima entre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e parte da bancada do PT azedou de vez. Ele está convencidos que senadores petistas trabalham para enfraquecê-lo e forçar seu afastamento da Presidência. A situação, que já era tensa, piorou ontem. Pelo segundo dia seguido, não houve quorum para votar a nomeação de Luiz Antônio Pagot para a direção geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). Renan irritou-se porque sabe que o resultado será visto como uma derrota dele. A oposição obstrui as sessões em protesto contra sua permanência na Presidência. O PMDB suspeita que PT ajudou nessa derrota. Senadores do partido acusam Aloizio Mercadante (PT-SP) de esvaziar a sessão.
Uma parte da PT quer passar a idéia de que a presença de Renan na Presidência atrapalha as votações e ameaça projetos de interesse do governo, como a prorrogação da CPMF. Seria uma forma de forçá-lo a licenciar-se e deixar o Senado nas mãos do vice-presidente, Tião Viana (PT-AC).
A nomeação de Pagot é um problema que vai além da crise de Renan. Indicado há mais de quatro meses pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até agora seu nome não foi aprovado pelo Senado. O PSDB transformou sua rejeição em questão de honra. Ex-funcionário do Senado, ele é acusado de receber ao mesmo tempo salários do Congresso e de uma empresa privada. Na terça-feira, ao colocar a indicação em pauta, o presidente do Senado esperava dar uma demonstração de força. O resultado foi contrário.
Na sessão de terça-feira, a justificativa foi que os líderes governistas estavam despreparados para a votação e não mobilizaram suas bancadas. O argumento não valeu para ontem, quando a votação estava agendada. Para votar a nomeação de autoridades, é necessária a presença de 41 senadores. Só 37 registraram presença. Se todos os governistas comparecessem, haveria quorum. Ontem, depois da sessão, um Renan muito nervoso fechou-se em seu gabinete com peemedebistas, em busca de culpados. Apontaram para Mercadante. Em conversa com senadores, o petista disse que colocar em votação o nome de Pagot era um erro. Propunha votar primeiro a indicação de Paulo Lacerda para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Mercadante está na mira do PMDB desde que se absteve no julgamento de Renan. Depois, propôs publicamente que ele se licenciasse.
Ontem, Renan mostrou sua irritação em plenário. O PT aliara-se à oposição num acordo para acelerar a votação da proposta que acaba com o voto secreto em casos de cassação. A proposta tem o presidente do Senado como alvo. Renan negou o rito sumário. Quando o petista Eduardo Suplicy (SP) insistiu, ele explodiu: “Ninguém vai levar no grito. Se eu tivesse perdido a votação por um voto, teria arrumado minhas gavetas e saído daqui. Mas eu não perdi, eu ganhei”.
Tensão
A sessão já vinha em clima tenso. A previsão era de que a votação de projetos começasse às 16h, mas foi adiada por duas horas e meia. Renan estava no Palácio do Planalto, à espera de uma conversa com o presidente Lula e pediu a Tião Viana que não fizesse nenhuma votação. Temia dar a impressão de que o Senado só vota se ele estiver ausente.
Renan teve de esperar um bom tempo para conversar reservadamente com Lula. Ele e o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), encontraram-se com o presidente na ante-sala do gabinete do presidente. Lula falou com eles rapidamente e seguiu para uma reunião com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Quando a audiência acabou, desceu com os dois senadores para uma cerimônia pública. Ele e Renan ficaram lado a lado. No início falaram pouco, mas no final trocaram cochichos e risadas. Quando a cerimônia acabou, tiveram uma conversa de 20 minutos no gabinete presidencial.
Na conversa, Renan disse a Lula que o problema para aprovar projetos não é ele, mas a dificuldade de articulação política do governo. Prometeu trabalhar pela CPMF, mas sugeriu que o governo negocie concessões para estados e municípios.
Sem unificar processos
Não há acordo ainda sobre a proposta do PT de unificar os dois processos que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sofre no Conselho de Ética. Para avançar nessa negociação, os senadores aguardam a decisão de hoje da Mesa Diretora sobre a abertura de uma terceira investigação. Nela, o PSol pede para que sejam apuradas as denúncias de que Renan participou de um esquema de desvio de dinheiro de ministérios comandados pelo PMDB.
A reunião da Mesa será presidida pelo vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC). Até agora, nenhum integrante quis arriscar qual será o resultado da análise do pedido do PSol.
Caso a Mesa autorize a abertura desse processo, o PT vai insistir na sugestão para que as conclusões das três investigações sejam votadas num só dia. Senadores do Conselho de Ética, porém, recorreram ontem a consultores legislativos para avaliar a proposta petista. Ouviram que, se isso ocorrer, Renan pode pedir no Supremo Tribunal Federal (STF) a nulidade dos processos.
Gustavo Krieger e Leandro Colon
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Renan agora enfrenta pressão de petistas para que deixe a Presidência da Casa. E reagiu: “Ninguém vai levar no grito. Se eu tivesse perdido a votação por um voto, teria arrumado minhas gavetas”
O clima entre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e parte da bancada do PT azedou de vez. Ele está convencidos que senadores petistas trabalham para enfraquecê-lo e forçar seu afastamento da Presidência. A situação, que já era tensa, piorou ontem. Pelo segundo dia seguido, não houve quorum para votar a nomeação de Luiz Antônio Pagot para a direção geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). Renan irritou-se porque sabe que o resultado será visto como uma derrota dele. A oposição obstrui as sessões em protesto contra sua permanência na Presidência. O PMDB suspeita que PT ajudou nessa derrota. Senadores do partido acusam Aloizio Mercadante (PT-SP) de esvaziar a sessão.
Uma parte da PT quer passar a idéia de que a presença de Renan na Presidência atrapalha as votações e ameaça projetos de interesse do governo, como a prorrogação da CPMF. Seria uma forma de forçá-lo a licenciar-se e deixar o Senado nas mãos do vice-presidente, Tião Viana (PT-AC).
A nomeação de Pagot é um problema que vai além da crise de Renan. Indicado há mais de quatro meses pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até agora seu nome não foi aprovado pelo Senado. O PSDB transformou sua rejeição em questão de honra. Ex-funcionário do Senado, ele é acusado de receber ao mesmo tempo salários do Congresso e de uma empresa privada. Na terça-feira, ao colocar a indicação em pauta, o presidente do Senado esperava dar uma demonstração de força. O resultado foi contrário.
Na sessão de terça-feira, a justificativa foi que os líderes governistas estavam despreparados para a votação e não mobilizaram suas bancadas. O argumento não valeu para ontem, quando a votação estava agendada. Para votar a nomeação de autoridades, é necessária a presença de 41 senadores. Só 37 registraram presença. Se todos os governistas comparecessem, haveria quorum. Ontem, depois da sessão, um Renan muito nervoso fechou-se em seu gabinete com peemedebistas, em busca de culpados. Apontaram para Mercadante. Em conversa com senadores, o petista disse que colocar em votação o nome de Pagot era um erro. Propunha votar primeiro a indicação de Paulo Lacerda para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Mercadante está na mira do PMDB desde que se absteve no julgamento de Renan. Depois, propôs publicamente que ele se licenciasse.
Ontem, Renan mostrou sua irritação em plenário. O PT aliara-se à oposição num acordo para acelerar a votação da proposta que acaba com o voto secreto em casos de cassação. A proposta tem o presidente do Senado como alvo. Renan negou o rito sumário. Quando o petista Eduardo Suplicy (SP) insistiu, ele explodiu: “Ninguém vai levar no grito. Se eu tivesse perdido a votação por um voto, teria arrumado minhas gavetas e saído daqui. Mas eu não perdi, eu ganhei”.
Tensão
A sessão já vinha em clima tenso. A previsão era de que a votação de projetos começasse às 16h, mas foi adiada por duas horas e meia. Renan estava no Palácio do Planalto, à espera de uma conversa com o presidente Lula e pediu a Tião Viana que não fizesse nenhuma votação. Temia dar a impressão de que o Senado só vota se ele estiver ausente.
Renan teve de esperar um bom tempo para conversar reservadamente com Lula. Ele e o líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), encontraram-se com o presidente na ante-sala do gabinete do presidente. Lula falou com eles rapidamente e seguiu para uma reunião com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Quando a audiência acabou, desceu com os dois senadores para uma cerimônia pública. Ele e Renan ficaram lado a lado. No início falaram pouco, mas no final trocaram cochichos e risadas. Quando a cerimônia acabou, tiveram uma conversa de 20 minutos no gabinete presidencial.
Na conversa, Renan disse a Lula que o problema para aprovar projetos não é ele, mas a dificuldade de articulação política do governo. Prometeu trabalhar pela CPMF, mas sugeriu que o governo negocie concessões para estados e municípios.
Sem unificar processos
Não há acordo ainda sobre a proposta do PT de unificar os dois processos que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sofre no Conselho de Ética. Para avançar nessa negociação, os senadores aguardam a decisão de hoje da Mesa Diretora sobre a abertura de uma terceira investigação. Nela, o PSol pede para que sejam apuradas as denúncias de que Renan participou de um esquema de desvio de dinheiro de ministérios comandados pelo PMDB.
A reunião da Mesa será presidida pelo vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC). Até agora, nenhum integrante quis arriscar qual será o resultado da análise do pedido do PSol.
Caso a Mesa autorize a abertura desse processo, o PT vai insistir na sugestão para que as conclusões das três investigações sejam votadas num só dia. Senadores do Conselho de Ética, porém, recorreram ontem a consultores legislativos para avaliar a proposta petista. Ouviram que, se isso ocorrer, Renan pode pedir no Supremo Tribunal Federal (STF) a nulidade dos processos.