antigas Publicado: 11/12/2007 | 09:35

Sem votos, governo pede tempo

Leandro Colon e Gustavo Krieger
Correio Braziliense

Roseana Sarney está hospitalizada e Flávio Arns faz exames médicos hoje. Sem esses aliados, o governo prefere deixar a votação do imposto do cheque para amanhã e espera conseguir apoio de 49 senadores
 
Com o tempo curto e ainda sem os votos, o governo quer usar cada minuto que tem para conseguir o apoio suficiente a favor da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. Após uma reunião na noite de ontem, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, anunciaram que não pretendem votar hoje o primeiro turno da emenda constitucional que prorroga o imposto. Alegaram a ausência de dois senadores da base aliada: Roseana Sarney (PMDB-MA) e Flávio Arns (PT-PR). “Não posso perder dois votos”, afirmou Jucá.

Roseana quebrou o pulso esquerdo na última sexta-feira e se encontra internada em um hospital de Brasília. Uma cadeira de rodas está pronta para a senadora votar em plenário. Já Arns está no seu estado fazendo exames médicos e argumentou que correria risco de não aparecer no Senado na votação.

Mesmo que os dois queiram, o governo prefere que não eles estejam no Senado hoje. Quer aproveitar as ausências para ganhar mais 24 horas de negociação atrás dos 49 votos necessários entre os 81 senadores para aprovar a CPMF. Se depender de Jucá, o plenário do Senado inicia hoje a discussão da proposta, votando-a somente amanhã. Para isso ocorrer sem problemas, no entanto, ele terá que superar dois obstáculos: a resistência da oposição e a eleição do novo presidente do Senado, também marcada para amanhã. O Palácio do Planalto torce para que o PMDB encontre hoje um nome de consenso na bancada, e que a eleição seja realizada amanhã cedo, antes da provável votação da CPMF.

Vencidas as resistências, o governo vai intensificar duas frentes de articulação: uma institucional com o PSDB e outra em cima de senadores da base aliada considerados indecisos. Da tribuna do Senado, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), criticou a ameaça de mais um adiamento e afirmou que o Palácio do Planalto está sem votos para aprovar a CPMF. “O governo não tem como obter votos, a menos que figuras que julgo morais, corretas, capazes de honrar as palavras que empenham, a menos que essas figuras caiam em alguma tentação, em algum canto de sereia”, afirmou.

De olho nos tucanos
Apesar do discurso de Virgílio, o Planalto não esconde que espera o apoio dos governadores do partido, liderados por Aécio Neves (Minas Gerais) e José Serra (São Paulo). Estuda, por exemplo, entregar a eles nas próximas horas uma proposta aumentando o repasse para a saúde do dinheiro arrecadado com a CPMF. Hoje, da alíquota de 0,38% do imposto, 0,20% para a área. O governo pode subir esse percentual a 0,30%, como defendem os dois tucanos.

Apesar da resistência da maioria da bancada do PSDB, o governo espera, pelo menos, conseguir de dois a quatro votos do partido, vindos de senadores alvos de pressões regionais. Favorável à CPMF, o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), estará em Brasília para convencer o senador tucano e alagoano João Tenório a votar pelo tributo.

A mesma tática do governo vale para o DEM. O palácio não desistiu dos votos de Jayme Campos (DEM-MT) e Jonas Pinheiro (DEM-MT). Ontem, o presidente da legenda, Rodrigo Maia (RJ), avisou que, como o partido fechou posição contra o imposto, pode punir quem seguir caminho contrário.

Na reunião de ontem, Jucá e Múcio chegaram a contabilizar 47 votos, dois a menos que o exigido para a CPMF ser aprovada. Eles escondem o jogo, mas incluem nessa soma dois entre os quatro apontados como indecisos: Expedito Júnior (PR-RO), Geraldo Mesquita (PMDB-AC), César Borges (PR-BA) e Romeu Tuma (PTB-SP). Expedito tem sido cobrado pelo governador de Rondônia, Ivo Cassol, a votar com o governo. Cassol avisou o Palácio do Planalto que garante o voto do senador caso a equipe econômica ceda a apelos a favor do estado. 
 

Análise da notícia
Estresse tucano

O governo assiste de camarote ao racha no PSDB. O líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), não escondeu no plenário a irritação com os governadores Aécio Neves (Minas Gerais) e José Serra (São Paulo), que negociam a aprovação da CPMF. “Não sou nenhum soldado raso que esteja devendo satisfação ao general fulano ou ao general beltrano”, disse o senador.

A briga pela CPMF expôs a divisão interna do PSDB em relação a que tipo de oposição o partido fará nos próximos anos ao governo do presidente Lula. De um lado, estão Virgílio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente do partido, Sérgio Guerra (PE), e o ex-governador paulista Geraldo Alckmin. Se depender deles, o PSDB até negocia a CPMF. Mas só em janeiro, depois de impor uma derrota a Lula agora em dezembro.

Na outra ala, Aécio e Serra preferem garantir seus recursos estaduais e, principalmente, dinheiro em caixa na expectativa de uma eventual vitória na eleição presidencial de 2010. Por isso, negociam nos bastidores um acordo com o Palácio do Planalto. Querem mais recursos para a Saúde como motivo para convencer senadores a votar pela CPMF. De olho nessa divisão tucana, o governo não vê a hora de encarar o painel de votação e verificar, pelo menos, que três senadores do PSDB votaram pelo tributo. Votos que acabariam com a agonia palaciana.

Leandro Colon e Gustavo Krieger
Correio Braziliense

Roseana Sarney está hospitalizada e Flávio Arns faz exames médicos hoje. Sem esses aliados, o governo prefere deixar a votação do imposto do cheque para amanhã e espera conseguir apoio de 49 senadores
 
Com o tempo curto e ainda sem os votos, o governo quer usar cada minuto que tem para conseguir o apoio suficiente a favor da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. Após uma reunião na noite de ontem, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, anunciaram que não pretendem votar hoje o primeiro turno da emenda constitucional que prorroga o imposto. Alegaram a ausência de dois senadores da base aliada: Roseana Sarney (PMDB-MA) e Flávio Arns (PT-PR). “Não posso perder dois votos”, afirmou Jucá.

Roseana quebrou o pulso esquerdo na última sexta-feira e se encontra internada em um hospital de Brasília. Uma cadeira de rodas está pronta para a senadora votar em plenário. Já Arns está no seu estado fazendo exames médicos e argumentou que correria risco de não aparecer no Senado na votação.

Mesmo que os dois queiram, o governo prefere que não eles estejam no Senado hoje. Quer aproveitar as ausências para ganhar mais 24 horas de negociação atrás dos 49 votos necessários entre os 81 senadores para aprovar a CPMF. Se depender de Jucá, o plenário do Senado inicia hoje a discussão da proposta, votando-a somente amanhã. Para isso ocorrer sem problemas, no entanto, ele terá que superar dois obstáculos: a resistência da oposição e a eleição do novo presidente do Senado, também marcada para amanhã. O Palácio do Planalto torce para que o PMDB encontre hoje um nome de consenso na bancada, e que a eleição seja realizada amanhã cedo, antes da provável votação da CPMF.

Vencidas as resistências, o governo vai intensificar duas frentes de articulação: uma institucional com o PSDB e outra em cima de senadores da base aliada considerados indecisos. Da tribuna do Senado, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), criticou a ameaça de mais um adiamento e afirmou que o Palácio do Planalto está sem votos para aprovar a CPMF. “O governo não tem como obter votos, a menos que figuras que julgo morais, corretas, capazes de honrar as palavras que empenham, a menos que essas figuras caiam em alguma tentação, em algum canto de sereia”, afirmou.

De olho nos tucanos
Apesar do discurso de Virgílio, o Planalto não esconde que espera o apoio dos governadores do partido, liderados por Aécio Neves (Minas Gerais) e José Serra (São Paulo). Estuda, por exemplo, entregar a eles nas próximas horas uma proposta aumentando o repasse para a saúde do dinheiro arrecadado com a CPMF. Hoje, da alíquota de 0,38% do imposto, 0,20% para a área. O governo pode subir esse percentual a 0,30%, como defendem os dois tucanos.

Apesar da resistência da maioria da bancada do PSDB, o governo espera, pelo menos, conseguir de dois a quatro votos do partido, vindos de senadores alvos de pressões regionais. Favorável à CPMF, o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), estará em Brasília para convencer o senador tucano e alagoano João Tenório a votar pelo tributo.

A mesma tática do governo vale para o DEM. O palácio não desistiu dos votos de Jayme Campos (DEM-MT) e Jonas Pinheiro (DEM-MT). Ontem, o presidente da legenda, Rodrigo Maia (RJ), avisou que, como o partido fechou posição contra o imposto, pode punir quem seguir caminho contrário.

Na reunião de ontem, Jucá e Múcio chegaram a contabilizar 47 votos, dois a menos que o exigido para a CPMF ser aprovada. Eles escondem o jogo, mas incluem nessa soma dois entre os quatro apontados como indecisos: Expedito Júnior (PR-RO), Geraldo Mesquita (PMDB-AC), César Borges (PR-BA) e Romeu Tuma (PTB-SP). Expedito tem sido cobrado pelo governador de Rondônia, Ivo Cassol, a votar com o governo. Cassol avisou o Palácio do Planalto que garante o voto do senador caso a equipe econômica ceda a apelos a favor do estado. 
 

Análise da notícia
Estresse tucano

O governo assiste de camarote ao racha no PSDB. O líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), não escondeu no plenário a irritação com os governadores Aécio Neves (Minas Gerais) e José Serra (São Paulo), que negociam a aprovação da CPMF. “Não sou nenhum soldado raso que esteja devendo satisfação ao general fulano ou ao general beltrano”, disse o senador.

A briga pela CPMF expôs a divisão interna do PSDB em relação a que tipo de oposição o partido fará nos próximos anos ao governo do presidente Lula. De um lado, estão Virgílio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente do partido, Sérgio Guerra (PE), e o ex-governador paulista Geraldo Alckmin. Se depender deles, o PSDB até negocia a CPMF. Mas só em janeiro, depois de impor uma derrota a Lula agora em dezembro.

Na outra ala, Aécio e Serra preferem garantir seus recursos estaduais e, principalmente, dinheiro em caixa na expectativa de uma eventual vitória na eleição presidencial de 2010. Por isso, negociam nos bastidores um acordo com o Palácio do Planalto. Querem mais recursos para a Saúde como motivo para convencer senadores a votar pela CPMF. De olho nessa divisão tucana, o governo não vê a hora de encarar o painel de votação e verificar, pelo menos, que três senadores do PSDB votaram pelo tributo. Votos que acabariam com a agonia palaciana.