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Publicado: 27/08/2007 | 10:25
Corte de juros perto do fim
Vicente Nunes
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Consumo e inflação serão decisivos para a definição do Copom sobre a taxa Selic. Banqueiros e analistas apostam em queda de 0,25 ponto
Campos do Jordão (SP) – A despeito dos alertas feitos por diretores do Banco Central em recentes encontros com economistas, de que a alta do dólar, devido à atual crise financeira mundial, e a forte subida da inflação exigem maior prudência do Comitê de Política Monetária (Copom), a maioria dos representantes do sistema financeiro ainda vê espaço para novos cortes da taxa básica de juros (Selic). Pesquisa realizada pelo Correio Braziliense durante o 3º Congresso Internacional de Derivativos e Mercado Financeiro, realizado na última semana, mostra que entre 10 banqueiros e executivos do sistema financeiro oito acreditam em redução de 0,25 ponto percentual da Selic nos próximos dias 4 e 5 de setembro. Dos dois votos destoantes, um foi pela redução de 0,50 ponto, outro, pela manutenção dos juros em 11,50%.
Os entrevistados foram unânimes, porém, ao afirmar que o processo de redução dos juros, que vem se estendendo desde setembro de 2005 — o ciclo mais longo de afrouxamento da política monetária da história do Brasil — está chegando ao fim. O principal argumento é o forte ritmo da atividade econômica, que exigirá uma postura mais cautelosa do BC. É justamente em períodos de consumo aquecido, como agora, que indústria e comércio se sentem confortáveis para fazer remarcações e ampliar as margens de lucro. A seguir os argumentos de cada entrevistado.
O repórter viajou a convite da BM&F
As apostas
Edgar Ramos, presidente da Ágora Corretora
Corte de 0,25 ponto
“O BC será bastante comedido no processo de redução dos juros a partir de agora. Ninguém sabe, exatamente, o tamanho do estrago da crise financeira mundial. Isso só ficará claro na primeira quinzena de setembro, quando os grandes operadores voltarão de férias no Hemisfério Norte. Com os mercados operando a pleno vapor, vamos ver se realmente o pior já passou.”
Ney Castro Alves, presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Valores (Adeval)
Corte de 0,25 ponto
“Ainda que o dólar fique ligeiramente acima dos R$ 2, vejo espaço para o BC fazer pelo menos mais dois cortes da Selic de 0,25 ponto cada um. A crise financeira que balançou o mundo nos últimos dias não muda os bons fundamentos da economia brasileira. A inflação continuará dentro das metas definidas pelo governo.”
Paulino Botelho, diretor da Coinvalores Corretora
Corte de 0,25 ponto
“Eu acredito que os juros poderiam continuar caindo 0,50 ponto. Mas o BC não vai querer se arriscar em meio a uma crise financeira mundial que ainda não se sabe aonde vai parar. Estou bastante otimista. A economia real brasileira não foi afetada e a inflação continuará dentro das metas perseguidas pelo BC.”
Alfried Plöger, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Capital Aberto (Abrasca)
Manutenção da Selic
“O Copom não cortará os juros na reunião de setembro. Vai preferir esperar por dados mais consistentes do tamanho da crise internacional que abalou o mundo. Se constatar que o estrago não foi dos piores e que a economia brasileira continuará crescendo sem descontrole da inflação, voltará a derrubar a Selic
Alfredo Moraes, presidente da Associação Brasileira das Instituições do Mercado Aberto (Andima)
Corte de 0,25 ponto
“A atividade econômica realmente está bem forte, o que sempre abre espaço para aumentos de preços. Mas não creio que a inflação deste ano e de 2008 fique muito distante dos 4%. Nada aponta para isso. Também não vejo como o dólar ir além de R$ 2,10, aí, sim, um problema para o BC. A Selic pode cair até os 10% tranqüilamente.”
Álvaro Augusto Vidigal, presidente do Banco Paulista
Corte de 0,25 ponto
“Não há muita opção para o Copom. O melhor a fazer neste momento é continuar derrubando a Selic de forma prudente, até para dar um voto de confiança aos agentes de mercado. Se o BC suspender os cortes da Selic agora passará o recado aos investidores de que a crise afetou o Brasil muito mais do que todos pensam.”
Paulo Pinho, presidente do Banif Banco de Investimentos
Corte de 0,25 ponto
“No cenário principal com o qual estamos trabalhando, o Copom promoverá três cortes seguidos da Selic, com a taxa fechando o ano em 10,75%. A inflação deste ano já está dada, e ficará muito próxima de 4%. Para 2008, as quedas serão mais pontuais, de forma que o BC possa manejar melhor o cenário econômico.”
Alexandre Guimarães, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais do Mercado de Capitais do Distrito Federal (Apimec-DF)
Corte de 0,25
“Estamos passando por um momento sério de turbulência nos mercados mundiais. Mesmo que os estragos não tenham sido grandes no Brasil, o país não está de todo seguro, pois não fez reformas fundamentais para consolidar sua blindagem a choques externos. Só vejo espaço para mais duas quedas de 0,25 ponto cada. A Selic fechará o ano em 11%.”
Antonio Jorge da Cruz, diretor-superintendente da Sociedade de Previdência Privada das Instituições do Mercado Aberto (Previma)
Corte de 0,25 ponto
“O presidente do BC, Henrique Meirelles, diz que a inflação está convergindo para o centro da meta, depois de ficar um bom tempo abaixo de 4%. Então, ainda não vejo motivos para que o Copom suspenda os cortes da Selic. Porém, não me surpreenderei se o BC recorrer à maior parcimônia que tanto fala e suspender a baixa dos juros.”
Edson Menezes, presidente do Banco Prosper
Corte de 0,50 ponto
“A maioria dos analistas prevê redução para a Selic de 0,25 ponto. Mas vejo isso como um soluço. Mesmo com toda a turbulência das últimas semanas nos mercados mundiais, a situação no Brasil está sob controle. A inflação está dentro da meta e dificilmente o dólar se manterá acima dos R$ 2. Portanto, o BC deve ser ousado.”
Vicente Nunes
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Consumo e inflação serão decisivos para a definição do Copom sobre a taxa Selic. Banqueiros e analistas apostam em queda de 0,25 ponto
Campos do Jordão (SP) – A despeito dos alertas feitos por diretores do Banco Central em recentes encontros com economistas, de que a alta do dólar, devido à atual crise financeira mundial, e a forte subida da inflação exigem maior prudência do Comitê de Política Monetária (Copom), a maioria dos representantes do sistema financeiro ainda vê espaço para novos cortes da taxa básica de juros (Selic). Pesquisa realizada pelo Correio Braziliense durante o 3º Congresso Internacional de Derivativos e Mercado Financeiro, realizado na última semana, mostra que entre 10 banqueiros e executivos do sistema financeiro oito acreditam em redução de 0,25 ponto percentual da Selic nos próximos dias 4 e 5 de setembro. Dos dois votos destoantes, um foi pela redução de 0,50 ponto, outro, pela manutenção dos juros em 11,50%.
Os entrevistados foram unânimes, porém, ao afirmar que o processo de redução dos juros, que vem se estendendo desde setembro de 2005 — o ciclo mais longo de afrouxamento da política monetária da história do Brasil — está chegando ao fim. O principal argumento é o forte ritmo da atividade econômica, que exigirá uma postura mais cautelosa do BC. É justamente em períodos de consumo aquecido, como agora, que indústria e comércio se sentem confortáveis para fazer remarcações e ampliar as margens de lucro. A seguir os argumentos de cada entrevistado.
O repórter viajou a convite da BM&F
As apostas
Edgar Ramos, presidente da Ágora Corretora
Corte de 0,25 ponto
“O BC será bastante comedido no processo de redução dos juros a partir de agora. Ninguém sabe, exatamente, o tamanho do estrago da crise financeira mundial. Isso só ficará claro na primeira quinzena de setembro, quando os grandes operadores voltarão de férias no Hemisfério Norte. Com os mercados operando a pleno vapor, vamos ver se realmente o pior já passou.”
Ney Castro Alves, presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Valores (Adeval)
Corte de 0,25 ponto
“Ainda que o dólar fique ligeiramente acima dos R$ 2, vejo espaço para o BC fazer pelo menos mais dois cortes da Selic de 0,25 ponto cada um. A crise financeira que balançou o mundo nos últimos dias não muda os bons fundamentos da economia brasileira. A inflação continuará dentro das metas definidas pelo governo.”
Paulino Botelho, diretor da Coinvalores Corretora
Corte de 0,25 ponto
“Eu acredito que os juros poderiam continuar caindo 0,50 ponto. Mas o BC não vai querer se arriscar em meio a uma crise financeira mundial que ainda não se sabe aonde vai parar. Estou bastante otimista. A economia real brasileira não foi afetada e a inflação continuará dentro das metas perseguidas pelo BC.”
Alfried Plöger, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Capital Aberto (Abrasca)
Manutenção da Selic
“O Copom não cortará os juros na reunião de setembro. Vai preferir esperar por dados mais consistentes do tamanho da crise internacional que abalou o mundo. Se constatar que o estrago não foi dos piores e que a economia brasileira continuará crescendo sem descontrole da inflação, voltará a derrubar a Selic
Alfredo Moraes, presidente da Associação Brasileira das Instituições do Mercado Aberto (Andima)
Corte de 0,25 ponto
“A atividade econômica realmente está bem forte, o que sempre abre espaço para aumentos de preços. Mas não creio que a inflação deste ano e de 2008 fique muito distante dos 4%. Nada aponta para isso. Também não vejo como o dólar ir além de R$ 2,10, aí, sim, um problema para o BC. A Selic pode cair até os 10% tranqüilamente.”
Álvaro Augusto Vidigal, presidente do Banco Paulista
Corte de 0,25 ponto
“Não há muita opção para o Copom. O melhor a fazer neste momento é continuar derrubando a Selic de forma prudente, até para dar um voto de confiança aos agentes de mercado. Se o BC suspender os cortes da Selic agora passará o recado aos investidores de que a crise afetou o Brasil muito mais do que todos pensam.”
Paulo Pinho, presidente do Banif Banco de Investimentos
Corte de 0,25 ponto
“No cenário principal com o qual estamos trabalhando, o Copom promoverá três cortes seguidos da Selic, com a taxa fechando o ano em 10,75%. A inflação deste ano já está dada, e ficará muito próxima de 4%. Para 2008, as quedas serão mais pontuais, de forma que o BC possa manejar melhor o cenário econômico.”
Alexandre Guimarães, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais do Mercado de Capitais do Distrito Federal (Apimec-DF)
Corte de 0,25
“Estamos passando por um momento sério de turbulência nos mercados mundiais. Mesmo que os estragos não tenham sido grandes no Brasil, o país não está de todo seguro, pois não fez reformas fundamentais para consolidar sua blindagem a choques externos. Só vejo espaço para mais duas quedas de 0,25 ponto cada. A Selic fechará o ano em 11%.”
Antonio Jorge da Cruz, diretor-superintendente da Sociedade de Previdência Privada das Instituições do Mercado Aberto (Previma)
Corte de 0,25 ponto
“O presidente do BC, Henrique Meirelles, diz que a inflação está convergindo para o centro da meta, depois de ficar um bom tempo abaixo de 4%. Então, ainda não vejo motivos para que o Copom suspenda os cortes da Selic. Porém, não me surpreenderei se o BC recorrer à maior parcimônia que tanto fala e suspender a baixa dos juros.”
Edson Menezes, presidente do Banco Prosper
Corte de 0,50 ponto
“A maioria dos analistas prevê redução para a Selic de 0,25 ponto. Mas vejo isso como um soluço. Mesmo com toda a turbulência das últimas semanas nos mercados mundiais, a situação no Brasil está sob controle. A inflação está dentro da meta e dificilmente o dólar se manterá acima dos R$ 2. Portanto, o BC deve ser ousado.”