antigas Publicado: 7/01/2008 | 08:14

Lula espera que IOF maior derrube juros

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Presidente acredita que restrição ao crédito ajudará a controlar inflação nos próximos seis meses. A expectativa é de que o Banco Central volte a cortar a taxa básica (Selic) em junho ou julho
 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está convencido de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) voltará a reduzir a taxa básica de juros (Selic) nas reuniões de junho ou de julho. Foi com essa perspectiva que ele apoiou o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), no pacote para cobrir o rombo de R$ 40 bilhões deixado pelo fim da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Lula acredita que seis meses é um prazo mais do que suficiente para que o IOF maior reduza o ritmo de crescimento do crédito — dos atuais 27% para menos de 20% ao ano —, esfrie um pouco o consumo das famílias e derrube a inflação. “Se a Selic — que está em 11,25% ao ano — cair 0,25 ponto em junho ou julho, já será uma boa coisa e poderemos fechar o ano com taxa de 10,50%”, tem ressaltado Lula a assessores.

Para o presidente, hoje, com os índices de preços rondando 1% ao mês, o que projeta inflação de dois dígitos no ano, não há como o governo ficar impassível. “Por isso, dei todo o meu apoio às medidas preparadas pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, com o aval do Banco Central”, assinalou o presidente a interlocutores nos últimos dias.

Às mesmas pessoas, Lula não escondeu o temor de que se repita, em 2008, o que se viu em 2001, quando fatores externos, como o calote na dívida da Argentina e os atentados terroristas em Nova York, abortaram um ciclo de crescimento iniciado dois anos antes. “Não quero nenhuma semelhança com o governo Fernando Henrique, de ciclos curtos de crescimento. O avanço na economia atualmente é sustentado e vai durar por muitos anos”, afirmou Lula. “Também não quero inflação de dois dígitos, o que prejudicaria os mais pobres e obrigaria o BC a elevar a Selic, tirando os ânimos dos empresários em investir”, complementou o presidente.

A preocupação de Lula em manter a inflação sob controle tem um componente político: é entre os mais pobres que está a maioria de seu eleitorado, que lhe garantiu o segundo mandato, a despeito das denúncias de corrupção em seu governo. “O presidente quer consolidar o bom cenário para a economia neste ano, traçado pelos analistas. É ano de eleições municipais, a economia e o governo são cabos eleitorais influentes”, contou um dos interlocutores. “O presidente acredita que os preços dos alimentos, que subiram mais de 10% em 2007, vão dar uma esfriada neste primeiro trimestre, fazendo com que a inflação volte ao patamar mensal abaixo de 0,4%, o que permitirá ao BC cumprir a meta de 4,5% definida para 2008”, acrescentou.

Lula também mostrou preocupação com os efeitos na economia brasileira de uma possível recessão no EUA. “Esse foi outro fator que pesou para o apoio do presidente ao pacote. Lula acredita que, além de sinalizar que não deixará a inflação fugir do controle, conseguiu manter a credibilidade no ajuste fiscal, com o anúncio de cortes de R$ 20 bilhões nas despesas do governo”, frisou um assessor do Planalto. A única ressalva que o presidente fez ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando conheceu as medidas anunciadas na semana passada, foi que deixasse os financiamentos da casa própria fora do aumento do IOF.

Os empréstimos imobiliários são fundamentais para que uma parcela importante do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) saia do papel. Entre recursos do FGTS e da poupança, o governo espera investir cerca de R$ 120 bilhões na casa própria de 2007 a 2010. “Não havia porque encarecer esses financiamentos”, explicou o assessor.


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Para STF, medidas seguem a lei

BC não quer bolhas no crédito e no consumo
O Banco Central não permitirá que bolhas de consumo e no mercado de crédito coloquem em risco o controle da inflação. Foi o que garantiu o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em entrevista ao Correio Braziliense, pouco antes de o governo anunciar, na semana passada, o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para esfriar um pouco a demanda e conter a velocidade de crescimento dos financiamentos e empréstimos a pessoas físicas, que, em 2007, aumentaram quase 30%. “O BC tem que se manter vigilante, porque exageros e bolhas existem. Então, compete ao BC estar atento e evitar o surgimento de bolhas”, afirmou.

Indagado sobre as preocupações mais relevantes do BC na atual conjuntura, Meirelles foi taxativo: “Estamos, hoje, vigilantes na expansão do crédito e na relação entre oferta e demanda”. Segundo o presidente do BC, quando se fala em riscos para a inflação, a instituição tem de estar vigilante sobre todos os aspectos da economia. “A vigilância é constante sobre a persistência inflacionária. O BC tem que olhar todos os fatores”, frisou.

Para Meirelles, que se reuniu com Lula na semana passada e avalizou o aumento do IOF e os cortes de R$ 20 bilhões em despesas para compensar o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), apesar do ritmo acelerado de crescimento, a qualidade do crédito tem sido boa, pois a inadimplência está em baixa, o mercado, mais competitivo, os bancos, mais bem preparados para julgar a clientela e os consumidores, mais conscientes da capacidade de pagamento.

Sobre o forte aumento da inflação nos últimos meses, que levou o mercado a apostar em quatro altas de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic) ao longo deste ano — dos atuais 11,25% para 12,25% —, o presidente do BC admitiu que tal movimento está no radar da instituição. Mas o importante, segundo ele, é que as expectativas dos formadores de preços e dos agentes econômicos estão ancoradas no centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5% ao ano. As estimativas do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para o sistema de metas, vão de 4,2% a 4,6%.

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Presidente acredita que restrição ao crédito ajudará a controlar inflação nos próximos seis meses. A expectativa é de que o Banco Central volte a cortar a taxa básica (Selic) em junho ou julho
 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está convencido de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) voltará a reduzir a taxa básica de juros (Selic) nas reuniões de junho ou de julho. Foi com essa perspectiva que ele apoiou o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), no pacote para cobrir o rombo de R$ 40 bilhões deixado pelo fim da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Lula acredita que seis meses é um prazo mais do que suficiente para que o IOF maior reduza o ritmo de crescimento do crédito — dos atuais 27% para menos de 20% ao ano —, esfrie um pouco o consumo das famílias e derrube a inflação. “Se a Selic — que está em 11,25% ao ano — cair 0,25 ponto em junho ou julho, já será uma boa coisa e poderemos fechar o ano com taxa de 10,50%”, tem ressaltado Lula a assessores.

Para o presidente, hoje, com os índices de preços rondando 1% ao mês, o que projeta inflação de dois dígitos no ano, não há como o governo ficar impassível. “Por isso, dei todo o meu apoio às medidas preparadas pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, com o aval do Banco Central”, assinalou o presidente a interlocutores nos últimos dias.

Às mesmas pessoas, Lula não escondeu o temor de que se repita, em 2008, o que se viu em 2001, quando fatores externos, como o calote na dívida da Argentina e os atentados terroristas em Nova York, abortaram um ciclo de crescimento iniciado dois anos antes. “Não quero nenhuma semelhança com o governo Fernando Henrique, de ciclos curtos de crescimento. O avanço na economia atualmente é sustentado e vai durar por muitos anos”, afirmou Lula. “Também não quero inflação de dois dígitos, o que prejudicaria os mais pobres e obrigaria o BC a elevar a Selic, tirando os ânimos dos empresários em investir”, complementou o presidente.

A preocupação de Lula em manter a inflação sob controle tem um componente político: é entre os mais pobres que está a maioria de seu eleitorado, que lhe garantiu o segundo mandato, a despeito das denúncias de corrupção em seu governo. “O presidente quer consolidar o bom cenário para a economia neste ano, traçado pelos analistas. É ano de eleições municipais, a economia e o governo são cabos eleitorais influentes”, contou um dos interlocutores. “O presidente acredita que os preços dos alimentos, que subiram mais de 10% em 2007, vão dar uma esfriada neste primeiro trimestre, fazendo com que a inflação volte ao patamar mensal abaixo de 0,4%, o que permitirá ao BC cumprir a meta de 4,5% definida para 2008”, acrescentou.

Lula também mostrou preocupação com os efeitos na economia brasileira de uma possível recessão no EUA. “Esse foi outro fator que pesou para o apoio do presidente ao pacote. Lula acredita que, além de sinalizar que não deixará a inflação fugir do controle, conseguiu manter a credibilidade no ajuste fiscal, com o anúncio de cortes de R$ 20 bilhões nas despesas do governo”, frisou um assessor do Planalto. A única ressalva que o presidente fez ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando conheceu as medidas anunciadas na semana passada, foi que deixasse os financiamentos da casa própria fora do aumento do IOF.

Os empréstimos imobiliários são fundamentais para que uma parcela importante do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) saia do papel. Entre recursos do FGTS e da poupança, o governo espera investir cerca de R$ 120 bilhões na casa própria de 2007 a 2010. “Não havia porque encarecer esses financiamentos”, explicou o assessor.


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BC não quer bolhas no crédito e no consumo
O Banco Central não permitirá que bolhas de consumo e no mercado de crédito coloquem em risco o controle da inflação. Foi o que garantiu o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em entrevista ao Correio Braziliense, pouco antes de o governo anunciar, na semana passada, o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para esfriar um pouco a demanda e conter a velocidade de crescimento dos financiamentos e empréstimos a pessoas físicas, que, em 2007, aumentaram quase 30%. “O BC tem que se manter vigilante, porque exageros e bolhas existem. Então, compete ao BC estar atento e evitar o surgimento de bolhas”, afirmou.

Indagado sobre as preocupações mais relevantes do BC na atual conjuntura, Meirelles foi taxativo: “Estamos, hoje, vigilantes na expansão do crédito e na relação entre oferta e demanda”. Segundo o presidente do BC, quando se fala em riscos para a inflação, a instituição tem de estar vigilante sobre todos os aspectos da economia. “A vigilância é constante sobre a persistência inflacionária. O BC tem que olhar todos os fatores”, frisou.

Para Meirelles, que se reuniu com Lula na semana passada e avalizou o aumento do IOF e os cortes de R$ 20 bilhões em despesas para compensar o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), apesar do ritmo acelerado de crescimento, a qualidade do crédito tem sido boa, pois a inadimplência está em baixa, o mercado, mais competitivo, os bancos, mais bem preparados para julgar a clientela e os consumidores, mais conscientes da capacidade de pagamento.

Sobre o forte aumento da inflação nos últimos meses, que levou o mercado a apostar em quatro altas de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic) ao longo deste ano — dos atuais 11,25% para 12,25% —, o presidente do BC admitiu que tal movimento está no radar da instituição. Mas o importante, segundo ele, é que as expectativas dos formadores de preços e dos agentes econômicos estão ancoradas no centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5% ao ano. As estimativas do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para o sistema de metas, vão de 4,2% a 4,6%.