antigas Publicado: 24/07/2007 | 09:43

Brasília herda vôos

Luís Osvaldo Grossmann e Lilian Tahan
Correio Braziliense

Pousos e decolagens cortados de Congonhas passarão ao Aeroporto JK e a outros quatro destinos

O pior desastre da aviação brasileira obrigou as autoridades a retirar vôos do aeroporto de Congonhas. Pela localização e estrutura, Brasília passará a abrigar parte das conexões que hoje sobrecarregam os terminais de São Paulo. Por isso, foram retomadas ontem as discussões sobre a construção de um novo terminal de passageiros na capital da República.

Nos planos da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), estatal que administra a maioria dos aeroportos brasileiros, Brasília passará a ser destino central junto com outras quatro praças —Guarulhos e Campo de Marte (SP), Viracopos (Campinas), Galeão (Rio) e Confins (Belo Horizonte). A medida atingirá sete dos 20 milhões de passageiros previstos para circularem por Congonhas em um ano.

Enquanto aeroportos como Confins e Galeão ainda têm capacidade ociosa, o Juscelino Kubitschek já trabalha com sobrecarga. É o terceiro mais movimentado do país e o segundo em número de conexões, perdendo apenas justamente para Congonhas. Com estrutura para receber 7,4 milhões de passageiros por ano, atendeu no ano passado 9,6 milhões.

Há dinheiro
A construção do novo terminal no aeroporto de Brasília foi discutida no início da tarde de ontem durante audiência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador José Roberto Arruda. Este sugeriu ao presidente que o aeroporto de Brasília não só aumente a capacidade de conexões locais, mas passe a operar vôos internacionais. Recentemente o Juscelino Kubitschek foi ampliado e ganhou nova pista própria para aviões maiores – que fazem percursos internacionais. “Já temos a pista, agora falta um segundo terminal”, disse Arruda. O trecho de pousos e decolagens, que era de 2,5 mil metros, passou a 3,3 mil metros.

O entendimento entre Arruda e Lula para uma nova ampliação do aeroporto, no entanto, não chegará a tempo de resolver os problemas atuais da aviação comercial. A obra está prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a Infraero garante que dispõe dos recursos necessários para a construção, calculados em cerca de R$ 130 milhões. Mas o começo da reforma ainda depende do Tribunal de Contas da União (texto ao lado).

Mesmo que não houvesse a questão jurídica, no entanto, um novo satélite no aeroporto — semelhante ao que já foi construído, onde ficará o novo terminal de embarque e desembarque — levará cerca de dois anos para ser concluído. Precisamos lançar o edital até o final deste ano. Daí até o início das obras deve levar, como acontece normalmente, uns oito meses. Com otimismo, em um ano e meio as obras estarão prontas, avalia o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira. O novo terminal deve mais do que duplicar a capacidade atual do aeroporto, elevando o número de passageiros para 16 milhões por ano.  

Sem aval do TCU

A ampliação do aeroporto de Brasília, com a construção de um novo terminal de passageiros, depende de um entendimento entre a Infraero e o Tribunal de Contas da União (TCU). Auditoria do TCU assinalou sobrepreço no orçamento de 29 itens e no demonstrativo de custos das pontes de embarque e sistemas operacionais, na última reforma. O relatório também apontou percentuais incorretos de taxas de encargos sociais incidente sobre mão-de-obra.

Para a Infraero, no entanto, as divergências se devem ao tipo de comparação feita pelo TCU. “Estão considerando os valores previstos nos sistemas para a construção de casas e de rodovias, mas um aeroporto é diferente”, afirma o presidente da estatal, brigadeiro José Carlos Pereira. Segundo ele, a Caixa Econômica Federal está desenvolvendo um sistema específico de comparações de preços para aeroportos. Com isso, espera convencer os ministros do TCU a liberarem a construção do novo terminal. “Temos recursos para a construção do novo satélite, mas só vamos lançar o edital depois de superadas as pendências com o TCU”, afirma Pereira. (LOG)

Luís Osvaldo Grossmann e Lilian Tahan
Correio Braziliense

Pousos e decolagens cortados de Congonhas passarão ao Aeroporto JK e a outros quatro destinos

O pior desastre da aviação brasileira obrigou as autoridades a retirar vôos do aeroporto de Congonhas. Pela localização e estrutura, Brasília passará a abrigar parte das conexões que hoje sobrecarregam os terminais de São Paulo. Por isso, foram retomadas ontem as discussões sobre a construção de um novo terminal de passageiros na capital da República.

Nos planos da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), estatal que administra a maioria dos aeroportos brasileiros, Brasília passará a ser destino central junto com outras quatro praças —Guarulhos e Campo de Marte (SP), Viracopos (Campinas), Galeão (Rio) e Confins (Belo Horizonte). A medida atingirá sete dos 20 milhões de passageiros previstos para circularem por Congonhas em um ano.

Enquanto aeroportos como Confins e Galeão ainda têm capacidade ociosa, o Juscelino Kubitschek já trabalha com sobrecarga. É o terceiro mais movimentado do país e o segundo em número de conexões, perdendo apenas justamente para Congonhas. Com estrutura para receber 7,4 milhões de passageiros por ano, atendeu no ano passado 9,6 milhões.

Há dinheiro
A construção do novo terminal no aeroporto de Brasília foi discutida no início da tarde de ontem durante audiência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador José Roberto Arruda. Este sugeriu ao presidente que o aeroporto de Brasília não só aumente a capacidade de conexões locais, mas passe a operar vôos internacionais. Recentemente o Juscelino Kubitschek foi ampliado e ganhou nova pista própria para aviões maiores – que fazem percursos internacionais. “Já temos a pista, agora falta um segundo terminal”, disse Arruda. O trecho de pousos e decolagens, que era de 2,5 mil metros, passou a 3,3 mil metros.

O entendimento entre Arruda e Lula para uma nova ampliação do aeroporto, no entanto, não chegará a tempo de resolver os problemas atuais da aviação comercial. A obra está prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a Infraero garante que dispõe dos recursos necessários para a construção, calculados em cerca de R$ 130 milhões. Mas o começo da reforma ainda depende do Tribunal de Contas da União (texto ao lado).

Mesmo que não houvesse a questão jurídica, no entanto, um novo satélite no aeroporto — semelhante ao que já foi construído, onde ficará o novo terminal de embarque e desembarque — levará cerca de dois anos para ser concluído. Precisamos lançar o edital até o final deste ano. Daí até o início das obras deve levar, como acontece normalmente, uns oito meses. Com otimismo, em um ano e meio as obras estarão prontas, avalia o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira. O novo terminal deve mais do que duplicar a capacidade atual do aeroporto, elevando o número de passageiros para 16 milhões por ano.  

Sem aval do TCU

A ampliação do aeroporto de Brasília, com a construção de um novo terminal de passageiros, depende de um entendimento entre a Infraero e o Tribunal de Contas da União (TCU). Auditoria do TCU assinalou sobrepreço no orçamento de 29 itens e no demonstrativo de custos das pontes de embarque e sistemas operacionais, na última reforma. O relatório também apontou percentuais incorretos de taxas de encargos sociais incidente sobre mão-de-obra.

Para a Infraero, no entanto, as divergências se devem ao tipo de comparação feita pelo TCU. “Estão considerando os valores previstos nos sistemas para a construção de casas e de rodovias, mas um aeroporto é diferente”, afirma o presidente da estatal, brigadeiro José Carlos Pereira. Segundo ele, a Caixa Econômica Federal está desenvolvendo um sistema específico de comparações de preços para aeroportos. Com isso, espera convencer os ministros do TCU a liberarem a construção do novo terminal. “Temos recursos para a construção do novo satélite, mas só vamos lançar o edital depois de superadas as pendências com o TCU”, afirma Pereira. (LOG)