antigas Publicado: 23/07/2007 | 10:52

Medo de voar cresce nas filas de aeroportos

Felipe Murta
Jornal do Brasil

Seis dias depois do acidente com o Airbus da TAM em Congonhas, já é possível constatar qual será um dos maiores prejuízos que a aviação nacional vai sofrer com o trágico episódio: a perda da confiança dos passageiros no sistema aéreo. No Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Galeão, Rio, os relatos de quem desembarcava ontem mostravam que os passageiros, depois do desastre, passaram a sentir mais medo de voar.

Voar pelo Brasil está se tornando uma verdadeira roleta-russa - constata a empresária Mônica Andrade, 56 anos, que desembarcava de um vôo vindo de Salvador. - Medo, eu tenho até de sair de casa. Moro entre a Tijuca e o Andaraí, aprendi a conviver com a insegurança. Tenho medo de voar, assim como tenho medo de voltar para casa. Mas não posso deixar de visitar meus parentes.

De Maceió, chegava o engenheiro civil José Celso Sette, 45 anos. Acostumado a voar por causa do trabalho, ele admitiu que ontem viveu seu primeiro momento de insegurança dentro de um avião.

Depois desse episódio em Congonhas, admito que fiquei receoso antes de decolar hoje. Foi meu primeiro vôo desde o acidente - conta. - Meu trabalho exige que eu faça inúmeros vôos por mês. Já vivenciei algumas situações de risco durante alguns trajetos. Eu poderia estar no avião da Gol, que caiu ano passado em Mato Grosso. Ainda assim, nunca tinha ficado com medo.

Pouco depois do desembarque do vôo de José Celso, chegava ao terminal a delegação do time de futebol do América. O atacante da equipe Anderson Amaral confirmou um temor entre os jogadores antes da decolagem:

Todos nós ficamos apreensivos antes de o avião levantar vôo. Depois, esquecemos e conseguimos relaxar, mas o que preocupa é saber que teremos de fazer muitas outras viagens longas até o fim do ano - disse, lembrando que o time do Grêmio deixou de embarcar no vôo 3054 momentos antes da decolagem, em Porto Alegre.

Reflexos da pane em um dos geradores do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) 4, sábado em Manaus, ainda engrossaram as filas nos saguões dos principais aeroportos do país, durante todo o dia de ontem.

Segundo a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), da meia-noite até as 19h foram registrados 584 atrasos de mais de uma hora (44%) e 137 cancelamentos (10,3%) entre os 1.326 vôos programados para o período.

O Aeroporto de Congonhas, com 53 atrasos (32,1%) e 45 cancelamentos (27,2%), foi um dos que mais contribuíram com as estatísticas. No Galeão, dos 132 vôos de ontem, 50 atrasaram mais de uma hora e 19 foram cancelados.

Uma das medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sexta-feira depois de reunião extraordinária do Conselho de Aviação Civil (Conac) é que o redirecionamento de parte do movimento de pousos e decolagens em Congonhas para os aeroportos do Rio.

Essa é uma solução que vínhamos pedindo ao governo há tempos. Pena que só foi tomada depois de quase 200 vidas perdidas - comentou o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), Celso Klafke.

Felipe Murta
Jornal do Brasil

Seis dias depois do acidente com o Airbus da TAM em Congonhas, já é possível constatar qual será um dos maiores prejuízos que a aviação nacional vai sofrer com o trágico episódio: a perda da confiança dos passageiros no sistema aéreo. No Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Galeão, Rio, os relatos de quem desembarcava ontem mostravam que os passageiros, depois do desastre, passaram a sentir mais medo de voar.

Voar pelo Brasil está se tornando uma verdadeira roleta-russa - constata a empresária Mônica Andrade, 56 anos, que desembarcava de um vôo vindo de Salvador. - Medo, eu tenho até de sair de casa. Moro entre a Tijuca e o Andaraí, aprendi a conviver com a insegurança. Tenho medo de voar, assim como tenho medo de voltar para casa. Mas não posso deixar de visitar meus parentes.

De Maceió, chegava o engenheiro civil José Celso Sette, 45 anos. Acostumado a voar por causa do trabalho, ele admitiu que ontem viveu seu primeiro momento de insegurança dentro de um avião.

Depois desse episódio em Congonhas, admito que fiquei receoso antes de decolar hoje. Foi meu primeiro vôo desde o acidente - conta. - Meu trabalho exige que eu faça inúmeros vôos por mês. Já vivenciei algumas situações de risco durante alguns trajetos. Eu poderia estar no avião da Gol, que caiu ano passado em Mato Grosso. Ainda assim, nunca tinha ficado com medo.

Pouco depois do desembarque do vôo de José Celso, chegava ao terminal a delegação do time de futebol do América. O atacante da equipe Anderson Amaral confirmou um temor entre os jogadores antes da decolagem:

Todos nós ficamos apreensivos antes de o avião levantar vôo. Depois, esquecemos e conseguimos relaxar, mas o que preocupa é saber que teremos de fazer muitas outras viagens longas até o fim do ano - disse, lembrando que o time do Grêmio deixou de embarcar no vôo 3054 momentos antes da decolagem, em Porto Alegre.

Reflexos da pane em um dos geradores do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) 4, sábado em Manaus, ainda engrossaram as filas nos saguões dos principais aeroportos do país, durante todo o dia de ontem.

Segundo a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), da meia-noite até as 19h foram registrados 584 atrasos de mais de uma hora (44%) e 137 cancelamentos (10,3%) entre os 1.326 vôos programados para o período.

O Aeroporto de Congonhas, com 53 atrasos (32,1%) e 45 cancelamentos (27,2%), foi um dos que mais contribuíram com as estatísticas. No Galeão, dos 132 vôos de ontem, 50 atrasaram mais de uma hora e 19 foram cancelados.

Uma das medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sexta-feira depois de reunião extraordinária do Conselho de Aviação Civil (Conac) é que o redirecionamento de parte do movimento de pousos e decolagens em Congonhas para os aeroportos do Rio.

Essa é uma solução que vínhamos pedindo ao governo há tempos. Pena que só foi tomada depois de quase 200 vidas perdidas - comentou o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), Celso Klafke.