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Publicado: 29/08/2007 | 10:12
Servidor da UnB decide hoje se mantém greve
Luciana Navarro e Luciano Pires
Correio Braziliense
Correio Braziliense
As aulas na Universidade de Brasília (UnB) estão previstas para iniciar na segunda-feira, mas o semestre letivo ainda pode começar sem que os funcionários da instituição voltem da greve. A paralisação dos trabalhadores técnicos administrativos das universidades federais já alcança três meses e pode acabar hoje, dependendo de mais uma reunião dos líderes do movimento. Ontem, no fim do dia, o comando de greve recebeu, por escrito, as propostas que vinham sendo negociadas com o governo.
Para Léia de Souza Oliveira, coordenadora-geral da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra), as paralisações poderiam ser evitadas se os funcionários das instituições de ensino superior tivessem direito a negociação coletiva, como ocorre com boa parte das categorias da iniciativa privada, com data-base e possibilidade de dissídio. Apesar da proposta apresentada pelo governo não estar perto do que o grupo de 156 mil servidores ligados à entidade pleiteia, Léia acredita que a greve possa chegar ao fim hoje. “Nossa greve está chegando ao limite político”, afirmou.
Na UnB, os funcionários suspenderam a greve para garantir o registro dos 2.041 calouros e a matrícula dos estudantes. No primeiro dia de matrículas, os alunos enfrentaram filas. Calouros que foram ao câmpus reclamaram da demora e das dificuldades em concluir o processo de registro (confirmação de que os aprovados no vestibular ingressarão na universidade). Os novatos têm até hoje para cumprir essa etapa. Após o registro, eles precisam confirmar a inscrição nas matérias, que é realizada pela internet. Até a tarde de ontem, 7.115 dos cerca de 21 mil estudantes de graduação se cadastraram — a maior parte pelo www.matriculaweb.unb.br.
Feliz por ter sido aprovada para o curso de Letras (japonês) sem ao menos ter concluído o terceiro ano, Camila Yumy Kubota, 17 anos, precisou de paciência. Na fila por cerca de 30 minutos, e tendo à frente cerca de 30 pessoas, ela se queixou da falta de informações. “Fiquei andando pela universidade até descobrir que a fila era essa”, disse. Com medo de perder a vaga, Camila disse que esperaria o quanto fosse necessário e ainda brincou com a possibilidade de greve na UnB. “Meu curso é de quatro anos, mas eu digo para todo mundo que vou me formar em seis. Essa universidade faz greve a cada dois anos”, lamentou. Outra caloura, Naiara Luana, 16 anos, também se assustou com as filas. “É terrível, mas pelo menos está andando”, disse.
As matrículas poderão ser realizadas até as 22h de sexta-feira. Em caso de dúvida, os alunos devem recorrer aos coordenadores dos cursos. Se as aulas começarem, de fato, na segunda-feira, o semestre se estenderá até 19 de dezembro. Mesmo com o grande volume de acessos ao site, a universidade informou que não houve problemas significativos na rede de informática. Técnicos de suporte admitiram que podem ocorrer períodos de lentidão e recomendaram que os alunos façam as matrículas pela manhã ou à noite, considerados horários de menor congestionamento. “Vou tentar fazer a matrícula, mas o site está muito devagar, não sei se vou conseguir”, reclamou o calouro Jouderfran de Moura, 19 anos.
Fiscais param
Depois de um período de trégua, os fiscais federais agropecuários voltaram a cruzar os braços ontem. A paralisação por tempo indeterminado é uma forma de pressionar o governo a apresentar uma nova proposta de reajuste salarial. “Com a paralisação, a expectativa é que o governo volte a chamar a categoria para negociar”, afirmou Luiz Fernando Santos Carvalho, diretor da Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa). A reivindicação inicial era para reajuste de 45%, mas a última proposta do governo foi de 20,3%. Em todo o país, são cerca de 2.500 fiscais na ativa. Eles são bioquímicos, zootecnistas, agrônomos, químicos, farmacêuticos e veterinários responsáveis pela fiscalização das cargas nos portos, aeroportos e fronteiras do país, além do abastecimento interno.
CNI investe em qualificação
Mesmo com a taxa de desemprego de 9,5% registrada em julho, sobram vagas no Brasil por falta de qualificação. Para reverter este quadro e garantir o preenchimento dos postos de trabalho, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou ontem o programa Educação para a Nova Indústria, que prevê investimentos de R$ 10,45 bilhões na educação básica e profissional de 16,2 milhões de brasileiros. Os recursos serão aplicados de 2007 a 2010 na ampliação e modernização da rede de escolas e laboratórios do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), na capacitação dos professores e na revisão dos conteúdos dos cursos.
Com o investimento, a entidade espera melhorar o nível escolar dos trabalhadores da indústria e, assim, torná-los capazes de se adaptar às mudanças tecnológicas do setor. As exigências estão cada vez maiores. Na extração de petróleo e na fabricação de máquinas e equipamentos eletrônicos, 85% das contratações envolveram trabalhadores com nível médio ou superior. “As modificações em curso na economia brasileira estimulam novas organizações. O programa é uma resposta da indústria aos desafios que se colocam para o Brasil”, afirmou o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, na cerimônia de lançamento do programa.
Solução
Para Décio Silva, presidente da Weg, uma das maiores fabricantes de motores elétricos do mundo, a educação do trabalhador é a solução para o progresso industrial brasileiro. “Formação de pessoal não é despesa, é investimento”, analisou o empresário, que começou no chão de fábrica, após ter estudado no Senai. “Assim como a educação contribui para a o desenvolvimento da indústria, esta favorece o processo produtivo”, acrescentou Monteiro Neto.
Os recursos do programa educacional lançado ontem pela CNI serão empregados em todas as unidades da federação. No DF, serão R$ 48,8 milhões só nos cursos promovidos pelo Senai. Desse total, R$ 5,8 milhões serão consumidos em infra-estrutura física e técnica até 2010. A expectativa é que 104,1 mil alunos se inscrevam nas aulas profissionalizantes. Em todo o país, o programa prevê 7,1 milhões de matrículas na educação básica da rede Sesi e 9,1 milhões na educação técnica promovida pelo Senai.
Luciana Navarro e Luciano Pires
Correio Braziliense
Correio Braziliense
As aulas na Universidade de Brasília (UnB) estão previstas para iniciar na segunda-feira, mas o semestre letivo ainda pode começar sem que os funcionários da instituição voltem da greve. A paralisação dos trabalhadores técnicos administrativos das universidades federais já alcança três meses e pode acabar hoje, dependendo de mais uma reunião dos líderes do movimento. Ontem, no fim do dia, o comando de greve recebeu, por escrito, as propostas que vinham sendo negociadas com o governo.
Para Léia de Souza Oliveira, coordenadora-geral da Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra), as paralisações poderiam ser evitadas se os funcionários das instituições de ensino superior tivessem direito a negociação coletiva, como ocorre com boa parte das categorias da iniciativa privada, com data-base e possibilidade de dissídio. Apesar da proposta apresentada pelo governo não estar perto do que o grupo de 156 mil servidores ligados à entidade pleiteia, Léia acredita que a greve possa chegar ao fim hoje. “Nossa greve está chegando ao limite político”, afirmou.
Na UnB, os funcionários suspenderam a greve para garantir o registro dos 2.041 calouros e a matrícula dos estudantes. No primeiro dia de matrículas, os alunos enfrentaram filas. Calouros que foram ao câmpus reclamaram da demora e das dificuldades em concluir o processo de registro (confirmação de que os aprovados no vestibular ingressarão na universidade). Os novatos têm até hoje para cumprir essa etapa. Após o registro, eles precisam confirmar a inscrição nas matérias, que é realizada pela internet. Até a tarde de ontem, 7.115 dos cerca de 21 mil estudantes de graduação se cadastraram — a maior parte pelo www.matriculaweb.unb.br.
Feliz por ter sido aprovada para o curso de Letras (japonês) sem ao menos ter concluído o terceiro ano, Camila Yumy Kubota, 17 anos, precisou de paciência. Na fila por cerca de 30 minutos, e tendo à frente cerca de 30 pessoas, ela se queixou da falta de informações. “Fiquei andando pela universidade até descobrir que a fila era essa”, disse. Com medo de perder a vaga, Camila disse que esperaria o quanto fosse necessário e ainda brincou com a possibilidade de greve na UnB. “Meu curso é de quatro anos, mas eu digo para todo mundo que vou me formar em seis. Essa universidade faz greve a cada dois anos”, lamentou. Outra caloura, Naiara Luana, 16 anos, também se assustou com as filas. “É terrível, mas pelo menos está andando”, disse.
As matrículas poderão ser realizadas até as 22h de sexta-feira. Em caso de dúvida, os alunos devem recorrer aos coordenadores dos cursos. Se as aulas começarem, de fato, na segunda-feira, o semestre se estenderá até 19 de dezembro. Mesmo com o grande volume de acessos ao site, a universidade informou que não houve problemas significativos na rede de informática. Técnicos de suporte admitiram que podem ocorrer períodos de lentidão e recomendaram que os alunos façam as matrículas pela manhã ou à noite, considerados horários de menor congestionamento. “Vou tentar fazer a matrícula, mas o site está muito devagar, não sei se vou conseguir”, reclamou o calouro Jouderfran de Moura, 19 anos.
Fiscais param
Depois de um período de trégua, os fiscais federais agropecuários voltaram a cruzar os braços ontem. A paralisação por tempo indeterminado é uma forma de pressionar o governo a apresentar uma nova proposta de reajuste salarial. “Com a paralisação, a expectativa é que o governo volte a chamar a categoria para negociar”, afirmou Luiz Fernando Santos Carvalho, diretor da Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa). A reivindicação inicial era para reajuste de 45%, mas a última proposta do governo foi de 20,3%. Em todo o país, são cerca de 2.500 fiscais na ativa. Eles são bioquímicos, zootecnistas, agrônomos, químicos, farmacêuticos e veterinários responsáveis pela fiscalização das cargas nos portos, aeroportos e fronteiras do país, além do abastecimento interno.
CNI investe em qualificação
Mesmo com a taxa de desemprego de 9,5% registrada em julho, sobram vagas no Brasil por falta de qualificação. Para reverter este quadro e garantir o preenchimento dos postos de trabalho, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou ontem o programa Educação para a Nova Indústria, que prevê investimentos de R$ 10,45 bilhões na educação básica e profissional de 16,2 milhões de brasileiros. Os recursos serão aplicados de 2007 a 2010 na ampliação e modernização da rede de escolas e laboratórios do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), na capacitação dos professores e na revisão dos conteúdos dos cursos.
Com o investimento, a entidade espera melhorar o nível escolar dos trabalhadores da indústria e, assim, torná-los capazes de se adaptar às mudanças tecnológicas do setor. As exigências estão cada vez maiores. Na extração de petróleo e na fabricação de máquinas e equipamentos eletrônicos, 85% das contratações envolveram trabalhadores com nível médio ou superior. “As modificações em curso na economia brasileira estimulam novas organizações. O programa é uma resposta da indústria aos desafios que se colocam para o Brasil”, afirmou o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, na cerimônia de lançamento do programa.
Solução
Para Décio Silva, presidente da Weg, uma das maiores fabricantes de motores elétricos do mundo, a educação do trabalhador é a solução para o progresso industrial brasileiro. “Formação de pessoal não é despesa, é investimento”, analisou o empresário, que começou no chão de fábrica, após ter estudado no Senai. “Assim como a educação contribui para a o desenvolvimento da indústria, esta favorece o processo produtivo”, acrescentou Monteiro Neto.
Os recursos do programa educacional lançado ontem pela CNI serão empregados em todas as unidades da federação. No DF, serão R$ 48,8 milhões só nos cursos promovidos pelo Senai. Desse total, R$ 5,8 milhões serão consumidos em infra-estrutura física e técnica até 2010. A expectativa é que 104,1 mil alunos se inscrevam nas aulas profissionalizantes. Em todo o país, o programa prevê 7,1 milhões de matrículas na educação básica da rede Sesi e 9,1 milhões na educação técnica promovida pelo Senai.