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Publicado: 17/12/2007 | 09:16
Lula desautoriza Mantega por sugerir mais imposto
Correio Braziliense
Presidente considera “loucura” o aumento da carga tributária e avisa que lançará uma política industrial e manterá investimentos do PAC
Na próxima quarta-feira, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunir com auxiliares para discutir uma solução para o buraco de R$ 40 bilhões no Orçamento, aberto com o fim da CPMF, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, terá que colocar em números e gráficos justificativas para a criação de mais um imposto. Lula criticou ontem o ministro ao classificar como “loucura” o aumento da carga tributária. Mantega declarou, mais de uma vez, que a saúde do Brasil só sobrevive com um novo tributo permanente que incida sobre a movimentação financeira.
“Ele (Mantega) vai ter que me convencer da necessidade disso. Ou seja, ele falou para vocês (jornalistas) e agora vai ter que colocar na minha mesa e eu vou decidir se vamos ou não vamos, se precisamos ou não precisamos (de um novo imposto)”, disse Lula na manhã de ontem, logo depois de votar para a eleição interna do PT (leia mais na página 5). O presidente quer ver as contas e os números levantados pelo Ministério da Fazenda. A lógica de Lula é simples: ele trabalha com a expectativa de que a economia vai crescer e o país vai arrecadar mais. “O que eu quero é que tudo fique na normalidade. Não existe nenhuma razão para ninguém estar nervoso. Não existe nenhuma razão para que alguém faça alguma loucura de tentar aumentar a carga tributária”, assegurou Lula, visivelmente insatisfeito com o fato de o ministro ter anunciado os planos sem falar com ele antes.
O presidente não apenas desautorizou Mantega como desmentiu declarações dadas pelo responsável da área econômica do governo. “A orientação que dei ao ministro da Fazenda quando viajei é que é preciso neste momento contar até 10. Não tem nenhuma medida precipitada”, garantiu. Em seguida, Lula afirmou que pretende apresentar, a partir de janeiro, um programa de política industrial.
Outro baque para Mantega que, em entrevista coletiva na última quinta-feira, havia anunciado a suspensão dos projetos para a área industrial. “Tínhamos a intenção de fazer um programa robusto de desonerações. Porém, com a frustração da arrecadação da CPMF nós temos que suspender essas medidas”, declarou o ministro. Ontem, Lula disse que o programa para o setor só não será lançado neste Natal porque as pessoas estão com a cabeça na “festa do ano novo”.
Saída
O pacote de medidas que o ministro da Fazenda prepara para apresentar pode contrariar o presidente. Além da proposta do novo tributo, Mantega cogita fazer cortes em programas sociais e investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para compensar o fim da CPMF. É tudo o que Lula não quer. “Nós vamos ter que encontrar uma saída, porque nós não vamos parar nenhuma obra do PAC, não vamos parar nenhuma política social que estamos fazendo”, prometeu ontem.
Com as declarações, Lula tenta colocar um ponto final na repercussão negativa criada por Mantega ao revelar que a solução para o fim da CPMF está em um novo imposto. Base e oposição reagiram à possibilidade de o tributo ser criado por meio de medida provisória. Ontem, por meio de nota, o Ministério da Fazenda esclareceu que Mantega nunca especificou como o governo resolveria a questão. O ministro está convencido de que a saúde não sobrevive sem tributos adicionais e que é preciso pensar em outra medida para suprir o que faltou.
A derrota no Senado — faltaram quatro votos para Lula conseguir prorrogar a CPMF — não muda a relação do governo com os parlamentares, na avaliação do presidente. Para ele, quem votou contra não quer que o governo dê certo e acredita na teoria “do quanto pior melhor” ou ficou com medo de ser cassado pelos partidos. O presidente prefere pensar que foi um gesto impensado da oposição. “Se foi pensado, foi por má-fé de algumas pessoas que votaram contra sabendo que causaram um prejuízo de R$ 24 bilhões na saúde.”
ORDEM NA CASA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende reunir ainda nesta semana o Conselho Político do governo para pôr um pouco de ordem na base aliada. A derrota na semana passada da emenda constitucional que prorrogava a CPMF explicitou o descompasso entre o Palácio do Planalto e o Senado, quando a oposição se fortaleceu com a ajuda de sete senadores infiéis, e deixou a base do governo atarantada. “Tem muita gente batendo a cabeça”, comentou um auxiliar do presidente, ao destacar a falta de rumo dos parlamentares governistas e ministros.
Correio Braziliense
Presidente considera “loucura” o aumento da carga tributária e avisa que lançará uma política industrial e manterá investimentos do PAC
Na próxima quarta-feira, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunir com auxiliares para discutir uma solução para o buraco de R$ 40 bilhões no Orçamento, aberto com o fim da CPMF, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, terá que colocar em números e gráficos justificativas para a criação de mais um imposto. Lula criticou ontem o ministro ao classificar como “loucura” o aumento da carga tributária. Mantega declarou, mais de uma vez, que a saúde do Brasil só sobrevive com um novo tributo permanente que incida sobre a movimentação financeira.
“Ele (Mantega) vai ter que me convencer da necessidade disso. Ou seja, ele falou para vocês (jornalistas) e agora vai ter que colocar na minha mesa e eu vou decidir se vamos ou não vamos, se precisamos ou não precisamos (de um novo imposto)”, disse Lula na manhã de ontem, logo depois de votar para a eleição interna do PT (leia mais na página 5). O presidente quer ver as contas e os números levantados pelo Ministério da Fazenda. A lógica de Lula é simples: ele trabalha com a expectativa de que a economia vai crescer e o país vai arrecadar mais. “O que eu quero é que tudo fique na normalidade. Não existe nenhuma razão para ninguém estar nervoso. Não existe nenhuma razão para que alguém faça alguma loucura de tentar aumentar a carga tributária”, assegurou Lula, visivelmente insatisfeito com o fato de o ministro ter anunciado os planos sem falar com ele antes.
O presidente não apenas desautorizou Mantega como desmentiu declarações dadas pelo responsável da área econômica do governo. “A orientação que dei ao ministro da Fazenda quando viajei é que é preciso neste momento contar até 10. Não tem nenhuma medida precipitada”, garantiu. Em seguida, Lula afirmou que pretende apresentar, a partir de janeiro, um programa de política industrial.
Outro baque para Mantega que, em entrevista coletiva na última quinta-feira, havia anunciado a suspensão dos projetos para a área industrial. “Tínhamos a intenção de fazer um programa robusto de desonerações. Porém, com a frustração da arrecadação da CPMF nós temos que suspender essas medidas”, declarou o ministro. Ontem, Lula disse que o programa para o setor só não será lançado neste Natal porque as pessoas estão com a cabeça na “festa do ano novo”.
Saída
O pacote de medidas que o ministro da Fazenda prepara para apresentar pode contrariar o presidente. Além da proposta do novo tributo, Mantega cogita fazer cortes em programas sociais e investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para compensar o fim da CPMF. É tudo o que Lula não quer. “Nós vamos ter que encontrar uma saída, porque nós não vamos parar nenhuma obra do PAC, não vamos parar nenhuma política social que estamos fazendo”, prometeu ontem.
Com as declarações, Lula tenta colocar um ponto final na repercussão negativa criada por Mantega ao revelar que a solução para o fim da CPMF está em um novo imposto. Base e oposição reagiram à possibilidade de o tributo ser criado por meio de medida provisória. Ontem, por meio de nota, o Ministério da Fazenda esclareceu que Mantega nunca especificou como o governo resolveria a questão. O ministro está convencido de que a saúde não sobrevive sem tributos adicionais e que é preciso pensar em outra medida para suprir o que faltou.
A derrota no Senado — faltaram quatro votos para Lula conseguir prorrogar a CPMF — não muda a relação do governo com os parlamentares, na avaliação do presidente. Para ele, quem votou contra não quer que o governo dê certo e acredita na teoria “do quanto pior melhor” ou ficou com medo de ser cassado pelos partidos. O presidente prefere pensar que foi um gesto impensado da oposição. “Se foi pensado, foi por má-fé de algumas pessoas que votaram contra sabendo que causaram um prejuízo de R$ 24 bilhões na saúde.”
ORDEM NA CASA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende reunir ainda nesta semana o Conselho Político do governo para pôr um pouco de ordem na base aliada. A derrota na semana passada da emenda constitucional que prorrogava a CPMF explicitou o descompasso entre o Palácio do Planalto e o Senado, quando a oposição se fortaleceu com a ajuda de sete senadores infiéis, e deixou a base do governo atarantada. “Tem muita gente batendo a cabeça”, comentou um auxiliar do presidente, ao destacar a falta de rumo dos parlamentares governistas e ministros.