antigas
Publicado: 19/11/2007 | 09:15
Senado aguarda renúncia de Renan
Leandro Colon e Helayne Boaventura
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Base aliada e oposição esperam que senador alagoano desista da Presidência da Casa como sinal de que pode preservar o mandato. Com isso, abre caminho para sucessão. Garibaldi é um dos mais cotados
Senadores da oposição e da base do governo aguardam com expectativa a renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL) à Presidência do Senado até quinta-feira, dia do julgamento em plenário sobre a acusação de que ele usou laranjas para comprar veículos de comunicação em Alagoas. Parlamentares que conversaram com Renan nos últimos dias confirmam que o peemedebista está disposto a deixar de vez o cargo na quarta ou até mesmo durante a sessão de quinta-feira.
O senador, porém, estuda e negocia as garantias de que, em troca, será absolvido em plenário. Por isso, pediu a aliados que estejam a partir de hoje em Brasília. Renan quer avaliar até amanhã à noite o cenário a seu favor.
Embora o Senado espere o gesto da renúncia antes do julgamento, o peemedebista não descarta deixar essa decisão para depois da votação, caso seja absolvido, prorrogando a licença de 45 dias que se encerra no próximo dia 26. Isso dependerá dos sinais de que não há qualquer risco de ser cassado mesmo com a renúncia ao cargo. Segundo aliados, a presidência é o trunfo que Renan tem em suas mãos.
O Palácio do Planalto teme que a disputa sucessória pelo comando do Senado prejudique a votação do primeiro turno da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Pelo Regimento Interno, o substituto tem que ser escolhido dentro de cinco dias úteis em cima de um nome do PMDB, que, por ter a maior bancada, tem direito de indicar o novo presidente. O primeiro turno da votação do imposto está previsto para 6 de dezembro. Ou seja, na semana seguinte a uma eventual discussão sobre sucessão no Senado.
Ciente disso, o partido já trabalha para acalmar o governo e evitar uma disputa interna. Cresce a cada dia a adesão da legenda em torno de Garibaldi Alves Filho (RN), único senador que se lançou publicamente candidato à vaga. Até a cúpula do PMDB já topou fechar a favor de Garibaldi. A única resistência, segundo peemedebistas, seria do próprio Renan, já que o colega de partido manifestou voto por sua cassação no primeiro julgamento, em setembro. Agora, espera-se que Garibaldi anuncie um voto pela absolvição do senador alagoano nos próximos dias. Com isso, aumentaria o clima favorável à sua candidatura.
Outros nomes surgem na bolsa de apostas do PMDB, mas, por enquanto, atrás de Garibaldi: Edison Lobão (MA), Valdir Raupp (RO) e Gerson Camata (ES). O sonho do governo era emplacar José Sarney (AP), que tem dito não querer voltar ao cargo que já ocupou no passado.
Resolvido o impasse da sucessão, o senador alagoano contaria com o apoio da base do governo na votação de quinta-feira. “O Renan sabe que não retorna mais à Presidência. O que ele fará a partir de agora é uma tentativa de salvar o mandato”, diz o senador Renato Casagrande (PSB-ES), que votou pela cassação no Conselho de Ética na semana passada.
Oposição
Votos garantidos na base aliada, faltaria apenas o sinal dos senadores da oposição, alvo principal de Renan com a renúncia nesta semana. O peemedebista aposta nos votos de amigos no DEM e no PSDB para confirmar de vez sua absolvição. E abrir mão da Presidência do Senado seria a iniciativa que eles esperariam para votar a favor do colega na sessão de quinta-feira.
Nas contas da própria oposição, Renan tem hoje, pelo menos, 44 votos a seu favor entre os 81 senadores. São necessários, no mínimo, 41 para cassá-lo. Tanto que a oposição chegou a discutir alternativas para evitar ser acusada de, pela segunda vez, salvar do senador. Uma das hipóteses seria faltar em massa à votação do pedido de cassação e deixar na conta da base aliada a absolvição de Renan. “Não me arrisco a fazer prognóstico. Meu partido deverá votar pela absolvição”, assegura o líder do DEM, José Agripino (RN).
Enquanto Renan garante sua sorte, a oposição já avalia uma forma de manter a crise em torno dele, mesmo com a saída da Presidência. Até como arma de pressão contra a CPMF. O outro processo que corre no Conselho de Ética sobre a participação do peemedebista em um esquema de desvios em dinheiro em ministérios comandados pelo PMDB pode ser o alvo. “Temos de analisar com profundidade a denúncia. Para o PSDB, que apresentou a representação, essa é a mais forte de todas”, justifica o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
análise da notícia
Bem perto da salvação
Nas conversas reservadas sobre a possível renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL) à Presidência do Senado nos próximos dias, nenhum senador aposta em cassação no julgamento de quinta-feira.
Nas contas feitas por aliados e adversários no Senado, o peemedebista já contaria com votos suficientes para se salvar em plenário. Até mesmo a mais do que conseguiu no julgamento em setembro, quando obteve 40 votos pela absolvição e seis abstenções. Nessa votação, apenas 35 senadores votaram pela cassação, seis a menos que o necessário.
O gesto de abrir mão de vez do comando da Casa nesta semana seria apenas o argumento que a oposição precisaria para despejar votos a favor de Renan. Na interpretação corporativista do Senado, a perda da cadeira de presidente já é um preço caro e suficiente pago por ele nessa crise.
E como o senador avisou que renunciará de qualquer jeito em caso de absolvição, tomar essa iniciativa até quinta seria somente a antecipação de algo já sacramentado. A diferença é que isso selaria de vez a salvação do senador alagoano. Num acordo fechado, vale lembrar, sob a proteção do voto secreto.
Leandro Colon e Helayne Boaventura
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Base aliada e oposição esperam que senador alagoano desista da Presidência da Casa como sinal de que pode preservar o mandato. Com isso, abre caminho para sucessão. Garibaldi é um dos mais cotados
Senadores da oposição e da base do governo aguardam com expectativa a renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL) à Presidência do Senado até quinta-feira, dia do julgamento em plenário sobre a acusação de que ele usou laranjas para comprar veículos de comunicação em Alagoas. Parlamentares que conversaram com Renan nos últimos dias confirmam que o peemedebista está disposto a deixar de vez o cargo na quarta ou até mesmo durante a sessão de quinta-feira.
O senador, porém, estuda e negocia as garantias de que, em troca, será absolvido em plenário. Por isso, pediu a aliados que estejam a partir de hoje em Brasília. Renan quer avaliar até amanhã à noite o cenário a seu favor.
Embora o Senado espere o gesto da renúncia antes do julgamento, o peemedebista não descarta deixar essa decisão para depois da votação, caso seja absolvido, prorrogando a licença de 45 dias que se encerra no próximo dia 26. Isso dependerá dos sinais de que não há qualquer risco de ser cassado mesmo com a renúncia ao cargo. Segundo aliados, a presidência é o trunfo que Renan tem em suas mãos.
O Palácio do Planalto teme que a disputa sucessória pelo comando do Senado prejudique a votação do primeiro turno da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Pelo Regimento Interno, o substituto tem que ser escolhido dentro de cinco dias úteis em cima de um nome do PMDB, que, por ter a maior bancada, tem direito de indicar o novo presidente. O primeiro turno da votação do imposto está previsto para 6 de dezembro. Ou seja, na semana seguinte a uma eventual discussão sobre sucessão no Senado.
Ciente disso, o partido já trabalha para acalmar o governo e evitar uma disputa interna. Cresce a cada dia a adesão da legenda em torno de Garibaldi Alves Filho (RN), único senador que se lançou publicamente candidato à vaga. Até a cúpula do PMDB já topou fechar a favor de Garibaldi. A única resistência, segundo peemedebistas, seria do próprio Renan, já que o colega de partido manifestou voto por sua cassação no primeiro julgamento, em setembro. Agora, espera-se que Garibaldi anuncie um voto pela absolvição do senador alagoano nos próximos dias. Com isso, aumentaria o clima favorável à sua candidatura.
Outros nomes surgem na bolsa de apostas do PMDB, mas, por enquanto, atrás de Garibaldi: Edison Lobão (MA), Valdir Raupp (RO) e Gerson Camata (ES). O sonho do governo era emplacar José Sarney (AP), que tem dito não querer voltar ao cargo que já ocupou no passado.
Resolvido o impasse da sucessão, o senador alagoano contaria com o apoio da base do governo na votação de quinta-feira. “O Renan sabe que não retorna mais à Presidência. O que ele fará a partir de agora é uma tentativa de salvar o mandato”, diz o senador Renato Casagrande (PSB-ES), que votou pela cassação no Conselho de Ética na semana passada.
Oposição
Votos garantidos na base aliada, faltaria apenas o sinal dos senadores da oposição, alvo principal de Renan com a renúncia nesta semana. O peemedebista aposta nos votos de amigos no DEM e no PSDB para confirmar de vez sua absolvição. E abrir mão da Presidência do Senado seria a iniciativa que eles esperariam para votar a favor do colega na sessão de quinta-feira.
Nas contas da própria oposição, Renan tem hoje, pelo menos, 44 votos a seu favor entre os 81 senadores. São necessários, no mínimo, 41 para cassá-lo. Tanto que a oposição chegou a discutir alternativas para evitar ser acusada de, pela segunda vez, salvar do senador. Uma das hipóteses seria faltar em massa à votação do pedido de cassação e deixar na conta da base aliada a absolvição de Renan. “Não me arrisco a fazer prognóstico. Meu partido deverá votar pela absolvição”, assegura o líder do DEM, José Agripino (RN).
Enquanto Renan garante sua sorte, a oposição já avalia uma forma de manter a crise em torno dele, mesmo com a saída da Presidência. Até como arma de pressão contra a CPMF. O outro processo que corre no Conselho de Ética sobre a participação do peemedebista em um esquema de desvios em dinheiro em ministérios comandados pelo PMDB pode ser o alvo. “Temos de analisar com profundidade a denúncia. Para o PSDB, que apresentou a representação, essa é a mais forte de todas”, justifica o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
análise da notícia
Bem perto da salvação
Nas conversas reservadas sobre a possível renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL) à Presidência do Senado nos próximos dias, nenhum senador aposta em cassação no julgamento de quinta-feira.
Nas contas feitas por aliados e adversários no Senado, o peemedebista já contaria com votos suficientes para se salvar em plenário. Até mesmo a mais do que conseguiu no julgamento em setembro, quando obteve 40 votos pela absolvição e seis abstenções. Nessa votação, apenas 35 senadores votaram pela cassação, seis a menos que o necessário.
O gesto de abrir mão de vez do comando da Casa nesta semana seria apenas o argumento que a oposição precisaria para despejar votos a favor de Renan. Na interpretação corporativista do Senado, a perda da cadeira de presidente já é um preço caro e suficiente pago por ele nessa crise.
E como o senador avisou que renunciará de qualquer jeito em caso de absolvição, tomar essa iniciativa até quinta seria somente a antecipação de algo já sacramentado. A diferença é que isso selaria de vez a salvação do senador alagoano. Num acordo fechado, vale lembrar, sob a proteção do voto secreto.