antigas Publicado: 27/11/2007 | 09:43

Planalto tenta seduzir senadores um a um

Leandro Colon e Helayne Boaventura
Correio Braziliense

Estratégia é negociar com cada parlamentar, independentemente de partido e articular uma sucessão tranqüila na Presidência do Senado
 
O governo já traçou a estratégia final para conseguir os votos necessários para aprovar no Senado a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF): conquistar individualmente o voto dos indecisos e garantir uma sucessão tranqüila do cargo de presidente da Casa com a provável renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL).

Ontem, o Palácio do Planalto deu o primeiro passo no tratamento especial a cada senador. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebeu Cristovam Buarque (PDT-DF) em seu gabinete. Cristovam exige que a Desvinculação de Receitas da União (DRU) deixe de incidir sobre a verba destinada à educação. A DRU é um mecanismo pelo qual o governo utiliza livremente 20% das receitas carimbadas, a maior parte destinada à área social. A renovação da DRU está prevista no mesmo projeto que prorroga o imposto do cheque. Mantega aceitou a exigência de Cristovam. Prometeu apresentar amanhã uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) com a redução gradual, até 2011, da DRU sobre a educação.

A tática do governo de afagar um por um dos considerados votos em risco foi traçada no domingo à noite pelo novo ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Ambos dividirão a responsabilidade de assumir essa tarefa. Hoje, por exemplo, Múcio deve se reunir com a bancada de senadores do PTB, seu partido. Na semana passada, o PTB anunciou a saída do bloco do governo, causando preocupação em relação à CPMF.

Esse cenário foi entregue ontem pela manhã por Múcio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O próprio Lula admitiu que pode conversar pessoalmente com alguns senadores. “Será dada uma atenção individual, personalizada”, disse Jucá.

Calendário
Pelas contas deles, o governo pode não só chegar aos 49 votos necessários para aprovar a CPMF como atingir 55, contando, nesse caso, com senadores de DEM e PSDB, partidos que anunciaram voto contrário ao imposto do cheque. Em relação aos tucanos, Múcio e Jucá vão esperar os próximos passos do partido. Se a legenda não fechar posição contra a CPMF, o governo vai tentar convencer alguns tucanos a votar a favor do imposto.

Outro problema do Palácio do Planalto está no calendário apertado para promulgar a CPMF até 31 de dezembro. Múcio e Jucá descartaram qualquer possibilidade de deixar a proposta para janeiro. Sabem, entretanto, que, para isso, nada pode dar errado no cronograma estabelecido por eles, inclusive a provável sucessão de Renan da presidência do Senado, que pode coincidir com o primeiro turno da CPMF (leia mais na página 6).

Se depender do governo, a primeira votação da emenda que prorroga o imposto está prevista para acontecer entre 12 e 13 de dezembro. O segundo turno ficaria para a semana seguinte. Ciente de que a oposição pode tentar atrapalhar esses planos, o Palácio do Planalto admite deixar o segundo turno para os dias 26 ou 27. Seria, na análise feita por Múcio e Jucá, uma “margem técnica” de segurança. Dentro de sua estratégia, o governo tentará hoje aprovar as duas medidas provisórias que trancam a pauta. Somente depois disso, é que a CPMF passa a tramitar no plenário.


PR DE SAÍDA
O PR avalia hoje a possibilidade de deixar o bloco de apoio do governo no Senado, repetindo postura adotada pelo PTB na semana passada. Se depender dos senadores Expedito Júnior (PR-RR) e César Borges (DEM-BA), o partido tomará esse caminho. Os dois dizem que votarão contra a prorrogação da CPMF. Para deixar o bloco do governo, eles precisarão, porém, convencer os outros dois colegas de bancada, João Ribeiro (PR-TO) e Magno Malta (PR-ES).

Leandro Colon e Helayne Boaventura
Correio Braziliense

Estratégia é negociar com cada parlamentar, independentemente de partido e articular uma sucessão tranqüila na Presidência do Senado
 
O governo já traçou a estratégia final para conseguir os votos necessários para aprovar no Senado a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF): conquistar individualmente o voto dos indecisos e garantir uma sucessão tranqüila do cargo de presidente da Casa com a provável renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL).

Ontem, o Palácio do Planalto deu o primeiro passo no tratamento especial a cada senador. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebeu Cristovam Buarque (PDT-DF) em seu gabinete. Cristovam exige que a Desvinculação de Receitas da União (DRU) deixe de incidir sobre a verba destinada à educação. A DRU é um mecanismo pelo qual o governo utiliza livremente 20% das receitas carimbadas, a maior parte destinada à área social. A renovação da DRU está prevista no mesmo projeto que prorroga o imposto do cheque. Mantega aceitou a exigência de Cristovam. Prometeu apresentar amanhã uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) com a redução gradual, até 2011, da DRU sobre a educação.

A tática do governo de afagar um por um dos considerados votos em risco foi traçada no domingo à noite pelo novo ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Ambos dividirão a responsabilidade de assumir essa tarefa. Hoje, por exemplo, Múcio deve se reunir com a bancada de senadores do PTB, seu partido. Na semana passada, o PTB anunciou a saída do bloco do governo, causando preocupação em relação à CPMF.

Esse cenário foi entregue ontem pela manhã por Múcio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O próprio Lula admitiu que pode conversar pessoalmente com alguns senadores. “Será dada uma atenção individual, personalizada”, disse Jucá.

Calendário
Pelas contas deles, o governo pode não só chegar aos 49 votos necessários para aprovar a CPMF como atingir 55, contando, nesse caso, com senadores de DEM e PSDB, partidos que anunciaram voto contrário ao imposto do cheque. Em relação aos tucanos, Múcio e Jucá vão esperar os próximos passos do partido. Se a legenda não fechar posição contra a CPMF, o governo vai tentar convencer alguns tucanos a votar a favor do imposto.

Outro problema do Palácio do Planalto está no calendário apertado para promulgar a CPMF até 31 de dezembro. Múcio e Jucá descartaram qualquer possibilidade de deixar a proposta para janeiro. Sabem, entretanto, que, para isso, nada pode dar errado no cronograma estabelecido por eles, inclusive a provável sucessão de Renan da presidência do Senado, que pode coincidir com o primeiro turno da CPMF (leia mais na página 6).

Se depender do governo, a primeira votação da emenda que prorroga o imposto está prevista para acontecer entre 12 e 13 de dezembro. O segundo turno ficaria para a semana seguinte. Ciente de que a oposição pode tentar atrapalhar esses planos, o Palácio do Planalto admite deixar o segundo turno para os dias 26 ou 27. Seria, na análise feita por Múcio e Jucá, uma “margem técnica” de segurança. Dentro de sua estratégia, o governo tentará hoje aprovar as duas medidas provisórias que trancam a pauta. Somente depois disso, é que a CPMF passa a tramitar no plenário.


PR DE SAÍDA
O PR avalia hoje a possibilidade de deixar o bloco de apoio do governo no Senado, repetindo postura adotada pelo PTB na semana passada. Se depender dos senadores Expedito Júnior (PR-RR) e César Borges (DEM-BA), o partido tomará esse caminho. Os dois dizem que votarão contra a prorrogação da CPMF. Para deixar o bloco do governo, eles precisarão, porém, convencer os outros dois colegas de bancada, João Ribeiro (PR-TO) e Magno Malta (PR-ES).