antigas Publicado: 18/09/2007 | 09:42

Planalto ganha mais uma na CPMF

Solano Nascimento e Gulherme Queiroz
Correio Braziliense

Pressionados pelos líderes partidários, deputados governistas garantem quorum para abrir sessão na segunda-feira e apressam calendário de votação. Oposição anuncia que vai tentar obstruir reuniões
 
O governo conseguiu ontem a primeira vitória para tentar apressar a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prorroga a CPMF até 2011. Deputados da base atenderam o chamado do Palácio do Planalto e garantiram, em plena segunda-feira, quorum para abrir a primeira das duas sessões ordinárias que a Câmara precisa fazer antes da votação. O presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), marcou sessões extraordinárias para acelerar o processo e o governo estuda a revogação de medidas provisórias que trancam a pauta, mas a oposição prepara requerimentos e questões de ordem para tentar protelar a votação.

A obtenção do quorum mínimo de 52 parlamentares para abrir a sessão foi articulada no final da semana passada, quando a Secretaria de Relações Institucionais contatou líderes de partidos da base solicitando a presença em plenário. Isso é necessário porque existem os chamados “interstícios” para a votação. Como o relatório sobre a PEC só foi aprovado na sexta-feira na comissão especial criada para discutir a CPMF, são necessárias duas sessões ordinárias para a matéria entrar na pauta do plenário. Se não houvesse quorum ontem — quando foi registrada a presença de 68 deputados —, como é comum às segundas-feiras, a sessão de hoje seria a primeira do interstício. E o prazo, já estouradíssimo para os planos do governo, ficaria ainda mais apertado.

Com a garantia de abertura da sessão ontem, a PEC da CPMF fica pronta para ir à votação já na primeira sessão extraordinária da semana, marcada para o final da tarde de hoje. Além dessa, Chinaglia acertou a realização de outras quatro sessões extraordinárias na semana. O esforço dele se deve também ao fato de haver quatro medidas provisórias trancando a pauta da Câmara. Com as cinco sessões extraordinárias, além das três ordinárias, o petista pretende ver a pauta liberada para votar a CPMF.

Ontem, Chinaglia sugeriu que o governo revogue as MPs que estão trancando a pauta, pois sem isso ele considera difícil colocar a PEC em votação nesta semana. “Após a revogação, o governo poderia editar novas medidas provisórias, que passariam a contar novamente o prazo, liberando a pauta. Isso facilitaria a votação da CPMF”, disse.

Obstrução
Deputados da oposição tentarão tornar o processo mais difícil para o governo. “Vamos reforçar a obstrução”, diz Fernando Coruja (SC), líder do PPS. “Vamos usar o regimento para debater esta matéria no maior tempo possível”, endossa Ronaldo Caiado (GO), vice-líder do DEM. Os dois partidos tentaram, junto com o PSDB, impedir na quinta-feira da semana passada a votação do relatório da PEC na comissão especial. Conseguiram prolongar a sessão por mais de oito horas, mas não impediram a aprovação do parecer de Antonio Palocci (PT-SP).

Agora, em plenário, os dois líderes oposicionistas acreditam que terão mais sorte. Para Coruja, na comissão especial houve atropelos ao regimento da Câmara que fragilizaram a oposição. “No plenário, eu espero que o presidente da Casa continue respeitando o regimento, e aí há muito mais manobras a serem feitas”, diz o líder do PPS. As armas são requerimentos para retirar a PEC da pauta, inverter a ordem de votação das matérias e fazer análise em separado de artigos da proposta, além de questões de ordem alegando dúvidas sobre o cumprimento do regimento. Ronaldo Caiado acha que o Palácio do Planalto não vai conseguir, em plenário, ter uma unanimidade governista tão maciça como a obtida na comissão, que aprovou o relatório por 13 votos a cinco. “Não sei se haverá apoio em bloco na base do governo”, diz o deputado.

Se depender dos líderes governistas, Caiado vai se frustrar. Luciano Castro (RR), líder do PR, foi pessoalmente acompanhar a votação na comissão para apressar a aprovação do relatório. Miro Teixeira (RJ), líder do PDT, que algumas vezes destoa do Planalto, também quer votar a CPMF esta semana. “Não há razões para esperar”, afirma. “Não estamos em obstrução.” Caso o governo consiga a aprovação da PEC na Câmara, onde tem maioria ampla, há um novo interstício — de cinco sessões ordinárias — para um segundo turno antes de a proposta seguir para o Senado.

MANTEGA ADMITE ALÍQUOTA MENOR
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu ontem reduzir a alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) no próximo ano. “Neste momento queremos aprovar (a prorrogação da CPMF) sem a mudança da alíquota. Depois de aprovada nas duas Casas, há um dispositivo na emenda da CPMF que nos permite, por lei ordinária ou medida provisória, propor uma redução na alíquota ou uma redução de outros tributos”, disse, após participar do Fórum de Economia promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Solano Nascimento e Gulherme Queiroz
Correio Braziliense

Pressionados pelos líderes partidários, deputados governistas garantem quorum para abrir sessão na segunda-feira e apressam calendário de votação. Oposição anuncia que vai tentar obstruir reuniões
 
O governo conseguiu ontem a primeira vitória para tentar apressar a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prorroga a CPMF até 2011. Deputados da base atenderam o chamado do Palácio do Planalto e garantiram, em plena segunda-feira, quorum para abrir a primeira das duas sessões ordinárias que a Câmara precisa fazer antes da votação. O presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), marcou sessões extraordinárias para acelerar o processo e o governo estuda a revogação de medidas provisórias que trancam a pauta, mas a oposição prepara requerimentos e questões de ordem para tentar protelar a votação.

A obtenção do quorum mínimo de 52 parlamentares para abrir a sessão foi articulada no final da semana passada, quando a Secretaria de Relações Institucionais contatou líderes de partidos da base solicitando a presença em plenário. Isso é necessário porque existem os chamados “interstícios” para a votação. Como o relatório sobre a PEC só foi aprovado na sexta-feira na comissão especial criada para discutir a CPMF, são necessárias duas sessões ordinárias para a matéria entrar na pauta do plenário. Se não houvesse quorum ontem — quando foi registrada a presença de 68 deputados —, como é comum às segundas-feiras, a sessão de hoje seria a primeira do interstício. E o prazo, já estouradíssimo para os planos do governo, ficaria ainda mais apertado.

Com a garantia de abertura da sessão ontem, a PEC da CPMF fica pronta para ir à votação já na primeira sessão extraordinária da semana, marcada para o final da tarde de hoje. Além dessa, Chinaglia acertou a realização de outras quatro sessões extraordinárias na semana. O esforço dele se deve também ao fato de haver quatro medidas provisórias trancando a pauta da Câmara. Com as cinco sessões extraordinárias, além das três ordinárias, o petista pretende ver a pauta liberada para votar a CPMF.

Ontem, Chinaglia sugeriu que o governo revogue as MPs que estão trancando a pauta, pois sem isso ele considera difícil colocar a PEC em votação nesta semana. “Após a revogação, o governo poderia editar novas medidas provisórias, que passariam a contar novamente o prazo, liberando a pauta. Isso facilitaria a votação da CPMF”, disse.

Obstrução
Deputados da oposição tentarão tornar o processo mais difícil para o governo. “Vamos reforçar a obstrução”, diz Fernando Coruja (SC), líder do PPS. “Vamos usar o regimento para debater esta matéria no maior tempo possível”, endossa Ronaldo Caiado (GO), vice-líder do DEM. Os dois partidos tentaram, junto com o PSDB, impedir na quinta-feira da semana passada a votação do relatório da PEC na comissão especial. Conseguiram prolongar a sessão por mais de oito horas, mas não impediram a aprovação do parecer de Antonio Palocci (PT-SP).

Agora, em plenário, os dois líderes oposicionistas acreditam que terão mais sorte. Para Coruja, na comissão especial houve atropelos ao regimento da Câmara que fragilizaram a oposição. “No plenário, eu espero que o presidente da Casa continue respeitando o regimento, e aí há muito mais manobras a serem feitas”, diz o líder do PPS. As armas são requerimentos para retirar a PEC da pauta, inverter a ordem de votação das matérias e fazer análise em separado de artigos da proposta, além de questões de ordem alegando dúvidas sobre o cumprimento do regimento. Ronaldo Caiado acha que o Palácio do Planalto não vai conseguir, em plenário, ter uma unanimidade governista tão maciça como a obtida na comissão, que aprovou o relatório por 13 votos a cinco. “Não sei se haverá apoio em bloco na base do governo”, diz o deputado.

Se depender dos líderes governistas, Caiado vai se frustrar. Luciano Castro (RR), líder do PR, foi pessoalmente acompanhar a votação na comissão para apressar a aprovação do relatório. Miro Teixeira (RJ), líder do PDT, que algumas vezes destoa do Planalto, também quer votar a CPMF esta semana. “Não há razões para esperar”, afirma. “Não estamos em obstrução.” Caso o governo consiga a aprovação da PEC na Câmara, onde tem maioria ampla, há um novo interstício — de cinco sessões ordinárias — para um segundo turno antes de a proposta seguir para o Senado.

MANTEGA ADMITE ALÍQUOTA MENOR
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu ontem reduzir a alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) no próximo ano. “Neste momento queremos aprovar (a prorrogação da CPMF) sem a mudança da alíquota. Depois de aprovada nas duas Casas, há um dispositivo na emenda da CPMF que nos permite, por lei ordinária ou medida provisória, propor uma redução na alíquota ou uma redução de outros tributos”, disse, após participar do Fórum de Economia promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).