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Publicado: 3/09/2007 | 09:58
Gabinetes tentam explicar
Lúcio Vaz
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Suposta falta de computadores e espaço é citada para justificar deslocamento de funcionários
O presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PTB-SP), procurou justificar a contratação de uma família inteira no órgão que preside. “Eu tenho confiança neles. O Vilson trabalha comigo há 21 anos. A Iara trabalha há 18 anos. E eles são excelentes. Vou trazer gente da minha confiança”. Ele também procurou uma explicação para a lotação de Iara no seu gabinete pessoal: “O meu gabinete é uma extensão do conselho. Ela me acompanha onde vou. Faz de tudo, inclusive avalia processos”.
Contratada como assessora técnica, Iara tem um CNE-7 (salário de R$ 8,2 mil). Entre as tarefas do conselho estão instaurar processo disciplinar e processar os acusados nos casos de quebra de decoro, mas o assessor técnico Vilson Silva Leite, marido de Iara, é o único da família formado em direito. Iara é formada em comunicação e marketing. Vanderci Leite, irmão de Vilson, é estudante de direito. Luciara Malaquias, prima de Iara, é estudante de fisioterapia, mas já cursou direito, esclarece Izar.
O chefe de gabinete do deputado Marcelo Ortiz (PV-SP), Enildo Cardozo, justifica a contratação da sua família: “A gente trabalha há 20 anos com a mesma equipe. A minha secretária, que é uma ex-cunhada, trabalha há 12 anos”. Ele contou por que decidiu trabalhar com Ortiz. “Eu havia sido convidado para trabalhar com um deputado mineiro. Mas ele queria eu sozinho. O Ortiz também me convidou. Então, eu falei que tinha uma equipe. Ele perguntou: ‘E se eu convidar toda a sua equipe?’ Eu aceitei. A minha equipe é formada pelos meus parentes”.
“Às vezes”
A contratação da mulher de Cardozo, Denise Guardieiro, pela liderança do PV foi justificada pelo chefe de gabinete da liderança, Jair Tota: “Ela assessora o líder na CCJ”. Questionado sobre os ocupantes de CNE que foram encontrados nos gabinetes de deputados do partido, respondeu: “Às vezes, eles vão, porque fazem trabalho nas comissões. O nosso espaço na liderança é muito pequeno. Quando aumentou a nossa infra-estrutura administrativa, disponibilizaram servidores para atender os deputados nas comissões técnicas, para dar apoio a cada um deles. Muitas vezes, essa pessoa que está apoiando, como não tem computador na liderança, vai no gabinete deles”.
O vice-presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, afirmou que utiliza o espaço de liderança do partido exclusivamente para atender deputados: “O partido tem a sua sede, mas aqui eu atendo os deputados federais. Tratamos de problemas de disputas na regionais”. Ao seu lado estava o deputado Takayama (PSC-PR), que afirmou estar enfrentando uma disputa política com o deputado Ratinho Júnior (PSC) no seu estado. Everaldo negou que o servidor Adolfo Lúcio esteja à sua disposição, embora eventualmente conte com os seus serviços.
O Correio solicitou uma entrevista com o líder do PSC na Câmara, Hugo Leal (RJ), mas não houve resposta. A reportagem também telefonou para o líder do PV e deixou recado na secretária eletrônica, mas não houve resposta até o fechamento da edição.
A minha equipe é formada pelos meus parentes
Enildo Cardozo, chefe de gabinete
“Não é aqui no conselho”
Na quinta-feira pela manhã, a reportagem do Correio telefonou para o Conselho de Ética da Câmara, para checar se a servidora Iara Malaquias Leite estava lotada naquele órgão ou no gabinete do deputado Ricardo Izar (PTB-SP), presidente do conselho. A lotação no gabinete implicaria uma irregularidade, já que ela tem CNE para trabalhar no conselho.
Correio — É do Conselho de Ética?
Secretária — Sim
Correio — Queria falar com a Iara. Ela está?
Secretária — Com quem? Iaaara? Não trabalha nenhuma Iara.
Correio — Trabalha sim, a Iara Malaquias.
Secretária — Iara Malaquias? Ah! Mas não é aqui no conselho. Ela trabalha no gabinete do deputado.
Correio — Sabe qual o gabinete, qual deputado?
Secretária — Só um minutinho? (A secretária pergunta a uma colega se Iara “trabalha lá no gabinete, com o deputado?”) Alô? É 55634.
Correio — Gabinete de qual deputado?
Secretária — Ixe! Não sei. Só um minutinho. (pausa) Querido, a gente não sabe, ela só deixou esse número. Vou transferir.
Iara — Gabinete do deputado Ricardo Izar, bom dia!
Correio — Bom dia, o deputado está.
Iara — Está em reunião, quem gostaria?
Correio — Eu estou precisando falar com a Iara. Ela está aí?
Iara — É ela.
Correio — Aqui é Lúcio Vaz, do Correio Braziliense. Preciso falar com o deputado.
Lúcio Vaz
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Suposta falta de computadores e espaço é citada para justificar deslocamento de funcionários
O presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PTB-SP), procurou justificar a contratação de uma família inteira no órgão que preside. “Eu tenho confiança neles. O Vilson trabalha comigo há 21 anos. A Iara trabalha há 18 anos. E eles são excelentes. Vou trazer gente da minha confiança”. Ele também procurou uma explicação para a lotação de Iara no seu gabinete pessoal: “O meu gabinete é uma extensão do conselho. Ela me acompanha onde vou. Faz de tudo, inclusive avalia processos”.
Contratada como assessora técnica, Iara tem um CNE-7 (salário de R$ 8,2 mil). Entre as tarefas do conselho estão instaurar processo disciplinar e processar os acusados nos casos de quebra de decoro, mas o assessor técnico Vilson Silva Leite, marido de Iara, é o único da família formado em direito. Iara é formada em comunicação e marketing. Vanderci Leite, irmão de Vilson, é estudante de direito. Luciara Malaquias, prima de Iara, é estudante de fisioterapia, mas já cursou direito, esclarece Izar.
O chefe de gabinete do deputado Marcelo Ortiz (PV-SP), Enildo Cardozo, justifica a contratação da sua família: “A gente trabalha há 20 anos com a mesma equipe. A minha secretária, que é uma ex-cunhada, trabalha há 12 anos”. Ele contou por que decidiu trabalhar com Ortiz. “Eu havia sido convidado para trabalhar com um deputado mineiro. Mas ele queria eu sozinho. O Ortiz também me convidou. Então, eu falei que tinha uma equipe. Ele perguntou: ‘E se eu convidar toda a sua equipe?’ Eu aceitei. A minha equipe é formada pelos meus parentes”.
“Às vezes”
A contratação da mulher de Cardozo, Denise Guardieiro, pela liderança do PV foi justificada pelo chefe de gabinete da liderança, Jair Tota: “Ela assessora o líder na CCJ”. Questionado sobre os ocupantes de CNE que foram encontrados nos gabinetes de deputados do partido, respondeu: “Às vezes, eles vão, porque fazem trabalho nas comissões. O nosso espaço na liderança é muito pequeno. Quando aumentou a nossa infra-estrutura administrativa, disponibilizaram servidores para atender os deputados nas comissões técnicas, para dar apoio a cada um deles. Muitas vezes, essa pessoa que está apoiando, como não tem computador na liderança, vai no gabinete deles”.
O vice-presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, afirmou que utiliza o espaço de liderança do partido exclusivamente para atender deputados: “O partido tem a sua sede, mas aqui eu atendo os deputados federais. Tratamos de problemas de disputas na regionais”. Ao seu lado estava o deputado Takayama (PSC-PR), que afirmou estar enfrentando uma disputa política com o deputado Ratinho Júnior (PSC) no seu estado. Everaldo negou que o servidor Adolfo Lúcio esteja à sua disposição, embora eventualmente conte com os seus serviços.
O Correio solicitou uma entrevista com o líder do PSC na Câmara, Hugo Leal (RJ), mas não houve resposta. A reportagem também telefonou para o líder do PV e deixou recado na secretária eletrônica, mas não houve resposta até o fechamento da edição.
A minha equipe é formada pelos meus parentes
Enildo Cardozo, chefe de gabinete
“Não é aqui no conselho”
Na quinta-feira pela manhã, a reportagem do Correio telefonou para o Conselho de Ética da Câmara, para checar se a servidora Iara Malaquias Leite estava lotada naquele órgão ou no gabinete do deputado Ricardo Izar (PTB-SP), presidente do conselho. A lotação no gabinete implicaria uma irregularidade, já que ela tem CNE para trabalhar no conselho.
Correio — É do Conselho de Ética?
Secretária — Sim
Correio — Queria falar com a Iara. Ela está?
Secretária — Com quem? Iaaara? Não trabalha nenhuma Iara.
Correio — Trabalha sim, a Iara Malaquias.
Secretária — Iara Malaquias? Ah! Mas não é aqui no conselho. Ela trabalha no gabinete do deputado.
Correio — Sabe qual o gabinete, qual deputado?
Secretária — Só um minutinho? (A secretária pergunta a uma colega se Iara “trabalha lá no gabinete, com o deputado?”) Alô? É 55634.
Correio — Gabinete de qual deputado?
Secretária — Ixe! Não sei. Só um minutinho. (pausa) Querido, a gente não sabe, ela só deixou esse número. Vou transferir.
Iara — Gabinete do deputado Ricardo Izar, bom dia!
Correio — Bom dia, o deputado está.
Iara — Está em reunião, quem gostaria?
Correio — Eu estou precisando falar com a Iara. Ela está aí?
Iara — É ela.
Correio — Aqui é Lúcio Vaz, do Correio Braziliense. Preciso falar com o deputado.