antigas
Publicado: 31/08/2007 | 09:54
Ação contra CPMF no orçamento
Sandro Lima
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Integrantes do DEM tentam impedir que expectativa de receitas futuras, como as do imposto do cheque para 2008, seja incluída na lei de diretrizes, e cobram do presidente da Câmara calendário das votações
O DEM entrou ontem no Supremo Tribunal Federal com Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a inclusão dos recursos provenientes da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o imposto do cheque, e da Desvinculação das Receitas da União (DRU) no orçamento de 2008. O partido alega que o tributo tem previsão de término em 31 de dezembro deste ano, caso não seja prorrogado pelo Congresso, e por isso não poderia estar incluído na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
“Estamos entrando com a Adin cobrando esse absurdo que é você ter um orçamento de ficção em cima de uma receita fantasma. É inconstitucional o governo contar com uma contribuição provisória que pode ser extinta, sem base na legislação, como recurso de previsão orçamentária”, reclamou o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC).
Bornhausen, que protocolou a Adin no Supremo, reclamou da atitude do governo em incluir a previsão de recursos na LDO, pois “o Congresso Nacional ainda está debatendo o assunto e não votou em nenhuma instância o mérito da renovação da CPMF e da DRU”. A previsão de arrecadação com a cobrança da CPMF em 2008 é de R$ 38 bilhões.
O Judiciário não é a única frente de combate da oposição contra a prorrogação da CPMF. Na Câmara, a oposição trava a pauta de votações no plenário e se opõe à tramitação do projeto do imposto sobre o cheque. “Vamos trabalhar para que a CPMF não seja adotada, ou que seja aprovada no maior tempo possível. Os democratas são contra a CPMF”, disse o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). Ontem pela manhã, Aleluia cobrou do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), uma posição a respeito do calendário de votações na Casa.
Acordo
Chinaglia respondeu que nunca cogitou levar a votação do projeto da CPMF diretamente para o plenário e que pretende reunir-se com os líderes partidários para fechar um acordo para limpar a pauta, trancada por quatro medidas provisórias, e votar vários projetos de interesse do governo, entre eles o da CPMF. “Vamos conversar com os líderes para ver como pode ser equacionado”, afirmou Chinaglia.
Segundo o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e integrante da Comissão Especial que analisa a prorrogação do tributo, o projeto estará pronto para ir a votação no plenário da Câmara no máximo no dia 18 de setembro. Pelos cálculos de Cunha, a votação do projeto em segundo turno deve ocorrer entre os dias 25 e 27 de setembro. Cunha, entretanto, não descarta atrasos. “Na Comissão Especial vamos conseguir votar, mas depois, no plenário da Casa, é outra guerra”, afirmou.
O relator da matéria na Comissão Especial, deputado Antonio Palocci (PT-SP), deve apresentar o relatório no dia 11 de setembro. O prazo mínimo de tramitação do projeto na Comissão Especial é de 10 sessões. Na próxima semana, Palocci analisará as emendas apresentadas. Ele já adiantou que é contra a repartição da CPMF com os estados. “Ainda vou olhar as emendas, mas não é recomendável distribuir para os estados”, afirmou.
De acordo com o ex-ministro da Fazenda, a divisão da arrecadação com estados e municípios desfiguraria a contribuição e impediria a futura redução da alíquota, que atualmente é de 0,38%. A mudança, segundo Palocci, embute o risco de tornar o imposto permanente. O deputado pretende manter a proposta original, mas não descartou mudanças em seu relatório. “Se as emendas trouxerem algo inovador, podemos analisar”, prometeu.
É um absurdo ter um orçamento de ficção em cima de uma receita fantasma
Paulo Bornhausen (DEM-SC), deputado federal
Sandro Lima
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Integrantes do DEM tentam impedir que expectativa de receitas futuras, como as do imposto do cheque para 2008, seja incluída na lei de diretrizes, e cobram do presidente da Câmara calendário das votações
O DEM entrou ontem no Supremo Tribunal Federal com Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a inclusão dos recursos provenientes da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o imposto do cheque, e da Desvinculação das Receitas da União (DRU) no orçamento de 2008. O partido alega que o tributo tem previsão de término em 31 de dezembro deste ano, caso não seja prorrogado pelo Congresso, e por isso não poderia estar incluído na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
“Estamos entrando com a Adin cobrando esse absurdo que é você ter um orçamento de ficção em cima de uma receita fantasma. É inconstitucional o governo contar com uma contribuição provisória que pode ser extinta, sem base na legislação, como recurso de previsão orçamentária”, reclamou o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC).
Bornhausen, que protocolou a Adin no Supremo, reclamou da atitude do governo em incluir a previsão de recursos na LDO, pois “o Congresso Nacional ainda está debatendo o assunto e não votou em nenhuma instância o mérito da renovação da CPMF e da DRU”. A previsão de arrecadação com a cobrança da CPMF em 2008 é de R$ 38 bilhões.
O Judiciário não é a única frente de combate da oposição contra a prorrogação da CPMF. Na Câmara, a oposição trava a pauta de votações no plenário e se opõe à tramitação do projeto do imposto sobre o cheque. “Vamos trabalhar para que a CPMF não seja adotada, ou que seja aprovada no maior tempo possível. Os democratas são contra a CPMF”, disse o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). Ontem pela manhã, Aleluia cobrou do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), uma posição a respeito do calendário de votações na Casa.
Acordo
Chinaglia respondeu que nunca cogitou levar a votação do projeto da CPMF diretamente para o plenário e que pretende reunir-se com os líderes partidários para fechar um acordo para limpar a pauta, trancada por quatro medidas provisórias, e votar vários projetos de interesse do governo, entre eles o da CPMF. “Vamos conversar com os líderes para ver como pode ser equacionado”, afirmou Chinaglia.
Segundo o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e integrante da Comissão Especial que analisa a prorrogação do tributo, o projeto estará pronto para ir a votação no plenário da Câmara no máximo no dia 18 de setembro. Pelos cálculos de Cunha, a votação do projeto em segundo turno deve ocorrer entre os dias 25 e 27 de setembro. Cunha, entretanto, não descarta atrasos. “Na Comissão Especial vamos conseguir votar, mas depois, no plenário da Casa, é outra guerra”, afirmou.
O relator da matéria na Comissão Especial, deputado Antonio Palocci (PT-SP), deve apresentar o relatório no dia 11 de setembro. O prazo mínimo de tramitação do projeto na Comissão Especial é de 10 sessões. Na próxima semana, Palocci analisará as emendas apresentadas. Ele já adiantou que é contra a repartição da CPMF com os estados. “Ainda vou olhar as emendas, mas não é recomendável distribuir para os estados”, afirmou.
De acordo com o ex-ministro da Fazenda, a divisão da arrecadação com estados e municípios desfiguraria a contribuição e impediria a futura redução da alíquota, que atualmente é de 0,38%. A mudança, segundo Palocci, embute o risco de tornar o imposto permanente. O deputado pretende manter a proposta original, mas não descartou mudanças em seu relatório. “Se as emendas trouxerem algo inovador, podemos analisar”, prometeu.
É um absurdo ter um orçamento de ficção em cima de uma receita fantasma
Paulo Bornhausen (DEM-SC), deputado federal