antigas Publicado: 20/12/2007 | 10:12

Acordo permite aprovação da DRU no Senado

Correio Braziliense

Oposição suaviza o discurso que derrubou a CPMF, Planalto aceita negociar e recebe de bandeja de fim de ano a autorização para usar 20% dos recursos do Orçamento como que bem entender

A oposição chegou a ameaçar os planos do governo, mas ajudou a aprovar a proposta de emenda constitucional (PEC) que prorroga a Desvinculação de Receitas da União (DRU) até 2011. Por 65 votos favoráveis e seis contrários, a PEC foi aprovada (precisava de 49) em segundo turno no Senado e serviu de alento aos principais articuladores do Palácio do Planalto naquela Casa, que na semana passada amargaram a derrota na votação da CPMF. A DRU permite à União gastar livremente 20% da arrecadação dos principais impostos — algo em torno de R$ 90 bilhões do Orçamento de 2008.

Em troca do apoio do PSDB e do DEM, que haviam votado em bloco contra o imposto do cheque, o governo se comprometeu a engavetar rascunhos de planos econômicos, propostas de aumento de impostos ou esboços de mudanças radicais na economia que eventualmente estiverem sobre a mesa do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Especulava-se de ação do Planalto para compensar a perda de arrecadação, cerca de R$ 40 bilhões com o fim do imposto do cheque.

“O compromisso do presidente Lula é que não haverá pacote ou sobressaltos à economia. Nós trabalharemos com a palavra. Esse é o posicionamento do governo”, afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá, ao deixar o gabinete da liderança do PSDB, onde foi selado o acordo com tucanos e representantes do DEM. Depois do entendimento, a votação da DRU, que esteve ameaçada de não ocorrer no início da tarde, levou cerca de 30 minutos para ser concluída.

O Palácio do Planalto prometeu mais em troca da aprovação da DRU. O ajuste no Orçamento da União do próximo ano, uma decorrência do fim da CPMF, será discutido em parceria pelo governo e pela oposição no âmbito da Comissão Mista de Orçamento do Congresso. O órgão marcou o dia 11 de fevereiro para a votação da proposta orçamentária de 2008 para que, até lá, o governo federal possa definir os cortes que serão realizados como contrapartida ao fim do tributo.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), apresentou a Jucá uma das propostas que o partido defenderá no debate: cortes lineares de 60% nas emendas parlamentares para compensar a perda de arrecadação com a extinção do tributo. O senador tucano defende que essa economia seja transferida à saúde, uma vez que o imposto do cheque direcionava sua arrecadação para o setor.

“Estamos abrindo um crédito de confiança ao governo. Mas há compromissos que deverão ser cumpridos”, disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). “Votando a DRU, deixamos o governo com recursos na mão que ele pode destinar à Saúde se quiser. Nós continuamos desconfiados (do governo). Mas pior seria não aprovar a DRU”, argumentou Virgílio. O tucano afirmou também que o governo se comprometeu com a não reedição da CPMF ano que vem.

Emenda 29
Ficaram empenhados outros dois temas pelo acordo costurado nessa quarta-feira. Os governistas se comprometeram a discutir na retomada dos trabalhos legislativos, a partir de fevereiro, a Emenda 29, mecanismo que fixa os percentuais mínimos a serem investidos anualmente em saúde pela União, estados e municípios. Também será retomado o debate da reforma tributária.

A votação foi considerada pelo governo uma vitória parcial, já que a proposta estava vinculada ao texto que pedia a prorrogação da CPMF, derrotado pelo plenário há uma semana. “A aprovação da DRU contribui para o ajuste fiscal, para o superávit e dá a garantia de continuação de vários projetos prioritários”, comemorou Jucá.

O acordo entre governo e oposição permitiu a quebra de interstício — que determina prazo de cinco sessões ordinárias entre o primeiro e o segundo turno, além de mais três dias de discussões — e a matéria pôde ser votada. Na sessão de ontem, por exigência das normas da Casa, três sessões foram abertas e fechadas sucessivamente para cumprir o regimento.

O número
R$ 90 BILHÕES
do Orçamento de 2008 é a estimativa de quanto o governo terá para gastar livremente com a prorrogação da DRU até 2011


O número
60%
das emendas parlamentares apresentadas ao Orçamento da União de 2008 é o corte proposto pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM) para compensar a perda de arrecadação com o fim da CPMF

As promessas de Lula, segundo Romero Jucá

Saiba o que foi oferecido à oposição em troca de apoio para aprovar a prorrogação, até 2011, da Desvinculação de Receitas da União (DRU), que libera 20% das receitas para o governo gastar livremente:


Compromisso de que não haverá pacotes econômicos, aumento de impostos nem mudanças radicais na economia para compensar a perda de arrecadação com a derrubada da CPMF


O ajuste no Orçamento da União, decorrência do fim do imposto do cheque, será discutido pelo governo e pela oposição na Comissão Mista de Orçamento. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), propõe corte linear de 60% nas emendas parlamentares para compensar a perda de arrecadação com a extinção da CPMF
Discussão, a partir de fevereiro, da Emenda 29, que fixa os percentuais mínimos a serem investidos anualmente em saúde pela União, estados e municípios

Debate da reforma tributária também a partir de fevereiro

Correio Braziliense

Oposição suaviza o discurso que derrubou a CPMF, Planalto aceita negociar e recebe de bandeja de fim de ano a autorização para usar 20% dos recursos do Orçamento como que bem entender

A oposição chegou a ameaçar os planos do governo, mas ajudou a aprovar a proposta de emenda constitucional (PEC) que prorroga a Desvinculação de Receitas da União (DRU) até 2011. Por 65 votos favoráveis e seis contrários, a PEC foi aprovada (precisava de 49) em segundo turno no Senado e serviu de alento aos principais articuladores do Palácio do Planalto naquela Casa, que na semana passada amargaram a derrota na votação da CPMF. A DRU permite à União gastar livremente 20% da arrecadação dos principais impostos — algo em torno de R$ 90 bilhões do Orçamento de 2008.

Em troca do apoio do PSDB e do DEM, que haviam votado em bloco contra o imposto do cheque, o governo se comprometeu a engavetar rascunhos de planos econômicos, propostas de aumento de impostos ou esboços de mudanças radicais na economia que eventualmente estiverem sobre a mesa do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Especulava-se de ação do Planalto para compensar a perda de arrecadação, cerca de R$ 40 bilhões com o fim do imposto do cheque.

“O compromisso do presidente Lula é que não haverá pacote ou sobressaltos à economia. Nós trabalharemos com a palavra. Esse é o posicionamento do governo”, afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá, ao deixar o gabinete da liderança do PSDB, onde foi selado o acordo com tucanos e representantes do DEM. Depois do entendimento, a votação da DRU, que esteve ameaçada de não ocorrer no início da tarde, levou cerca de 30 minutos para ser concluída.

O Palácio do Planalto prometeu mais em troca da aprovação da DRU. O ajuste no Orçamento da União do próximo ano, uma decorrência do fim da CPMF, será discutido em parceria pelo governo e pela oposição no âmbito da Comissão Mista de Orçamento do Congresso. O órgão marcou o dia 11 de fevereiro para a votação da proposta orçamentária de 2008 para que, até lá, o governo federal possa definir os cortes que serão realizados como contrapartida ao fim do tributo.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), apresentou a Jucá uma das propostas que o partido defenderá no debate: cortes lineares de 60% nas emendas parlamentares para compensar a perda de arrecadação com a extinção do tributo. O senador tucano defende que essa economia seja transferida à saúde, uma vez que o imposto do cheque direcionava sua arrecadação para o setor.

“Estamos abrindo um crédito de confiança ao governo. Mas há compromissos que deverão ser cumpridos”, disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). “Votando a DRU, deixamos o governo com recursos na mão que ele pode destinar à Saúde se quiser. Nós continuamos desconfiados (do governo). Mas pior seria não aprovar a DRU”, argumentou Virgílio. O tucano afirmou também que o governo se comprometeu com a não reedição da CPMF ano que vem.

Emenda 29
Ficaram empenhados outros dois temas pelo acordo costurado nessa quarta-feira. Os governistas se comprometeram a discutir na retomada dos trabalhos legislativos, a partir de fevereiro, a Emenda 29, mecanismo que fixa os percentuais mínimos a serem investidos anualmente em saúde pela União, estados e municípios. Também será retomado o debate da reforma tributária.

A votação foi considerada pelo governo uma vitória parcial, já que a proposta estava vinculada ao texto que pedia a prorrogação da CPMF, derrotado pelo plenário há uma semana. “A aprovação da DRU contribui para o ajuste fiscal, para o superávit e dá a garantia de continuação de vários projetos prioritários”, comemorou Jucá.

O acordo entre governo e oposição permitiu a quebra de interstício — que determina prazo de cinco sessões ordinárias entre o primeiro e o segundo turno, além de mais três dias de discussões — e a matéria pôde ser votada. Na sessão de ontem, por exigência das normas da Casa, três sessões foram abertas e fechadas sucessivamente para cumprir o regimento.

O número
R$ 90 BILHÕES
do Orçamento de 2008 é a estimativa de quanto o governo terá para gastar livremente com a prorrogação da DRU até 2011


O número
60%
das emendas parlamentares apresentadas ao Orçamento da União de 2008 é o corte proposto pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM) para compensar a perda de arrecadação com o fim da CPMF

As promessas de Lula, segundo Romero Jucá

Saiba o que foi oferecido à oposição em troca de apoio para aprovar a prorrogação, até 2011, da Desvinculação de Receitas da União (DRU), que libera 20% das receitas para o governo gastar livremente:


Compromisso de que não haverá pacotes econômicos, aumento de impostos nem mudanças radicais na economia para compensar a perda de arrecadação com a derrubada da CPMF


O ajuste no Orçamento da União, decorrência do fim do imposto do cheque, será discutido pelo governo e pela oposição na Comissão Mista de Orçamento. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), propõe corte linear de 60% nas emendas parlamentares para compensar a perda de arrecadação com a extinção da CPMF
Discussão, a partir de fevereiro, da Emenda 29, que fixa os percentuais mínimos a serem investidos anualmente em saúde pela União, estados e municípios

Debate da reforma tributária também a partir de fevereiro