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Publicado: 9/08/2007 | 09:00
Em defesa dos passageiros
Afonso Morais
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Jobim traça diretrizes para reorganização da aviação: segurança, pontualidade e regularidade
Antes mesmo de apresentar as diretrizes para reorganizar a aviação nacional, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, usou o próprio exemplo para defender os interesses dos passageiros. Em depoimento ontem aos senadores da CPI do Apagão Aéreo, Jobim prometeu cobrar das companhias aéreas uma recomposição no espaço interno das aeronaves. “Já determinei à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para elaborar um estudo do espaço entre as poltronas, que deverá respeitar a estatura média do brasileiro e levar em conta os interesses do usuário e não das empresas de carregar cada vez mais passageiros”, afirmou. O ministro disse que ele mesmo tem sentido dificuldade para se acomodar nas poltronas dos aviões por causa do seu 1,90m de altura.
De acordo com Jobim, o aperto nas aeronaves ocorreu porque a demanda de passageiros tem sido muito superior ao número de vôos oferecidos nos últimos anos. Para o ministro da Defesa, essa inversão motivou as companhias a operarem com aeronaves maiores, acomodando mais passageiros, o que eliminou os aviões de pequeno porte e a aviação regional do mercado. Ele reiterou que a prioridade do governo é a segurança dos passageiros, um dos três pilares de sua gestão, mas afirmou que o conforto não será esquecido. “Se tiver problema com comodidade, será um preço a pagar pela segurança”, avisou. Jobim destacou que a segurança é dever da autoridade estatal, que precisa oferecer melhor infra-estrutura para garantir o tráfego aéreo.
O ministro afirmou que pretende aplicar “multas vultosas” para as empresas aéreas que não fizerem manutenções periódicas nos equipamentos e não respeitarem a pontualidade nos vôos — tido como o segundo mandamento de sua cartilha. “Para exigir pontualidade, só existe um jeito: multas economicamente eficazes”, disse. Segundo Jobim, o valor será estipulado para impedir que a empresa calcule se é mais barato pagar a multa por conta do atraso ou pagar as despesas dos passageiros prejudicados. Ele disse que poderia criar um mecanismo para cassar a concessão da empresa que tiver um número elevado de multas.
Sobre a regularidade, o último paradigma mencionado por Jobim, o objetivo é garantir ao cidadão o direito constitucional de ir e vir. Para isso, ele reconheceu que é preciso investir em equipamentos que garantam a aproximação das aeronaves durante os pousos e aterrissagens nos aeroportos, mesmo sem visibilidade. “Temos de garantir a todos a possibilidade de programar o ir e vir dentro do país”, ressaltou. A fórmula de sucesso para reorganizar o sistema aéreo, segundo Jobim: segurança, regularidade e pontualidade.
Critérios
Outra preocupação do ministro para dar ordem ao caos aéreo é anular a sobreposição de autoridades e competências entre os órgãos da aviação civil brasileira. O que é um problema, na própria avaliação dele. “Quando acontece alguma coisa errada, o culpado é sempre o outro”, apontou. “Para evitar essa situação, ficou decidido que o Conac é o responsável pela formulação e fixação das diretrizes”. O ministro fez questão de ressaltar que cabe à Infraero (estatal que administra os aeroportos brasileiros) e à Anac apenas a execução das políticas públicas.
A saída encontrada pelo governo para fortalecer o Conac é a criação do cargo de secretário-executivo do órgão para coordenar todas as ações das instituições envolvidas no setor aéreo. Jobim determinou à Infraero e à Anac que prestem informações a cada 15 dias sobre as ações executadas e o cronograma de tarefas futuras. “O Conac é o órgão máximo da aviação civil, mas até agora não tem mecanismo para acompanhar a execução”, observou. “Vamos delegar, então, dentro da estrutura do Ministério da Defesa, alguém para fiscalizar”.
Jobim anunciou que, no próximo sábado, vai acompanhar o presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, em uma visita para avaliar as condições do aeroporto de Jundiaí, no interior de São Paulo.
O número
RELATOS PERIÓDICOS
15
dias é o prazo dado pelo ministro da Defesa para que Anac e Infraero prestem informações à pasta
Protesto no Rio de Janeiro
O cantor Tico Santa Cruz, da banda Detonautas, e o grupo Voluntários da Pátria fizeram uma manifestação bem humorada contra o caos aéreo e a impunidade, ontem, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Vestidos com camisas-de-força, eles distribuíram kits com nariz de palhaço, preservativos e maracujá. Os manifestantes explicaram que “o maracujá era para relaxar, camisinha para gozar e o nariz de palhaço para esperar, esperar, esperar”. Nas camisas-de-força, improvisados crachás identificavam as “autoridades Tam-Tams”: seriam funcionários da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Infraero. O cantor Wando, que estava no aeroporto pela manhã, foi abordado pelo grupo e aderiu ao protesto. Em junho passado, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, recomendou aos cidadãos afetados pela crise aérea que deveriam “relaxar e gozar”.
Afonso Morais
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Jobim traça diretrizes para reorganização da aviação: segurança, pontualidade e regularidade
Antes mesmo de apresentar as diretrizes para reorganizar a aviação nacional, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, usou o próprio exemplo para defender os interesses dos passageiros. Em depoimento ontem aos senadores da CPI do Apagão Aéreo, Jobim prometeu cobrar das companhias aéreas uma recomposição no espaço interno das aeronaves. “Já determinei à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para elaborar um estudo do espaço entre as poltronas, que deverá respeitar a estatura média do brasileiro e levar em conta os interesses do usuário e não das empresas de carregar cada vez mais passageiros”, afirmou. O ministro disse que ele mesmo tem sentido dificuldade para se acomodar nas poltronas dos aviões por causa do seu 1,90m de altura.
De acordo com Jobim, o aperto nas aeronaves ocorreu porque a demanda de passageiros tem sido muito superior ao número de vôos oferecidos nos últimos anos. Para o ministro da Defesa, essa inversão motivou as companhias a operarem com aeronaves maiores, acomodando mais passageiros, o que eliminou os aviões de pequeno porte e a aviação regional do mercado. Ele reiterou que a prioridade do governo é a segurança dos passageiros, um dos três pilares de sua gestão, mas afirmou que o conforto não será esquecido. “Se tiver problema com comodidade, será um preço a pagar pela segurança”, avisou. Jobim destacou que a segurança é dever da autoridade estatal, que precisa oferecer melhor infra-estrutura para garantir o tráfego aéreo.
O ministro afirmou que pretende aplicar “multas vultosas” para as empresas aéreas que não fizerem manutenções periódicas nos equipamentos e não respeitarem a pontualidade nos vôos — tido como o segundo mandamento de sua cartilha. “Para exigir pontualidade, só existe um jeito: multas economicamente eficazes”, disse. Segundo Jobim, o valor será estipulado para impedir que a empresa calcule se é mais barato pagar a multa por conta do atraso ou pagar as despesas dos passageiros prejudicados. Ele disse que poderia criar um mecanismo para cassar a concessão da empresa que tiver um número elevado de multas.
Sobre a regularidade, o último paradigma mencionado por Jobim, o objetivo é garantir ao cidadão o direito constitucional de ir e vir. Para isso, ele reconheceu que é preciso investir em equipamentos que garantam a aproximação das aeronaves durante os pousos e aterrissagens nos aeroportos, mesmo sem visibilidade. “Temos de garantir a todos a possibilidade de programar o ir e vir dentro do país”, ressaltou. A fórmula de sucesso para reorganizar o sistema aéreo, segundo Jobim: segurança, regularidade e pontualidade.
Critérios
Outra preocupação do ministro para dar ordem ao caos aéreo é anular a sobreposição de autoridades e competências entre os órgãos da aviação civil brasileira. O que é um problema, na própria avaliação dele. “Quando acontece alguma coisa errada, o culpado é sempre o outro”, apontou. “Para evitar essa situação, ficou decidido que o Conac é o responsável pela formulação e fixação das diretrizes”. O ministro fez questão de ressaltar que cabe à Infraero (estatal que administra os aeroportos brasileiros) e à Anac apenas a execução das políticas públicas.
A saída encontrada pelo governo para fortalecer o Conac é a criação do cargo de secretário-executivo do órgão para coordenar todas as ações das instituições envolvidas no setor aéreo. Jobim determinou à Infraero e à Anac que prestem informações a cada 15 dias sobre as ações executadas e o cronograma de tarefas futuras. “O Conac é o órgão máximo da aviação civil, mas até agora não tem mecanismo para acompanhar a execução”, observou. “Vamos delegar, então, dentro da estrutura do Ministério da Defesa, alguém para fiscalizar”.
Jobim anunciou que, no próximo sábado, vai acompanhar o presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, em uma visita para avaliar as condições do aeroporto de Jundiaí, no interior de São Paulo.
O número
RELATOS PERIÓDICOS
15
dias é o prazo dado pelo ministro da Defesa para que Anac e Infraero prestem informações à pasta
Protesto no Rio de Janeiro
O cantor Tico Santa Cruz, da banda Detonautas, e o grupo Voluntários da Pátria fizeram uma manifestação bem humorada contra o caos aéreo e a impunidade, ontem, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Vestidos com camisas-de-força, eles distribuíram kits com nariz de palhaço, preservativos e maracujá. Os manifestantes explicaram que “o maracujá era para relaxar, camisinha para gozar e o nariz de palhaço para esperar, esperar, esperar”. Nas camisas-de-força, improvisados crachás identificavam as “autoridades Tam-Tams”: seriam funcionários da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Infraero. O cantor Wando, que estava no aeroporto pela manhã, foi abordado pelo grupo e aderiu ao protesto. Em junho passado, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, recomendou aos cidadãos afetados pela crise aérea que deveriam “relaxar e gozar”.