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Esta semana o mundo conheceu o Nano, um carrinho produzido na Índia por incríveis US$ 1.979 — algo equivalente a R$ 4,6 mil. Mesmo que por alguns instantes, vocês, caros leitores, imaginaram-no rodando por aqui, não é verdade? Mas, infelizmente, precisamos ser realistas: o Nano jamais chegará ao Brasil. Não com tal preço. Não com tais especificações. E por duas razões.
A primeira, boa, é que o nível de exigência para se pôr um automóvel nas ruas brasileiras já é um dos melhores dos países emergentes — e o Nano certamente não passa em nenhum teste local de segurança ou de emissão de poluentes. Para cumprir nossa legislação, teria que sofrer inúmeras mudanças, o que o encareceria. Infelizmente, o Nano pode ser bom para os padrões indianos — onde apenas sete em cada 1 mil moradores têm condições de comprar um automóvel. Lá, o trânsito é um inferno e cada um se vira como pode, principalmente em triciclos.
Mas o que aumentaria o custo dele, e essa é a parte ruim, é a quantidade de impostos a que ele está sujeito. Seria aplicada de cara uma taxa de importação de 35%. Mais 27% de PIS, Cofins, IPI… Aí entram outros quinhentos. Quanto custa montar uma rede de concessionárias? E ela seria para apenas um carro? E a manutenção? Obviamente, por ser importado, terá alto custo. E nome no mercado, fundamental nesse setor? E a revenda, será fácil? Claro que não. A chance de virar um mico é grande. E por aí vai.
Levando-se em conta tudo isso, esse produto chegaria ao consumidor tupiniquim por uns R$ 20 mil. No Brasil, o carro mais barato é o Uno Mille, de uma montadora tradicional, que custa R$ 21.754, com frete para Brasília incluso. E, como sabemos, ele é para lá de robusto, econômico e até emite poucos poluentes. Para piorar, o Nano desenvolve apenas 33 cavalos de potência, contra o dobro do Uno, e tem um acabamento de segunda categoria. É econômico? É: faria 23,6km/l. Mas o nosso Uno faz o mesmo.
Apesar de tudo, seria justificável a importação? Talvez, se o governo quisesse realmente que os pobres tivessem acesso a carros zero quilômetro. Mas isso não ocorrerá, por razões óbvias — como o evidente lobby contrário das montadoras aqui instaladas. Além do mais, o Estado — com sua conhecida sanha arrecadatória — jamais abriria mão dos impostos.
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