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Publicado: 30/10/2007 | 08:56
Despesas em ritmo acelerado
Lilian Tahan
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Distritais consomem R$ 260 mil em verbas indenizatórias em setembro. E cada um tem uma explicação para os gastos com dinheiro público
O deputado distrital Wilson Lima (PR) recebe parte da verba indenizatória de R$ 11.250 por mês a que tem direito como parlamentar para distribuir favores. Entre os cinco políticos que apresentaram as faturas mais altas desse reembolso em setembro, Lima não tem nenhuma reserva para dizer como gastou a quantia de R$ 15,2 mil registrada no site da Câmara Legislativa (http://www.cl.df.gov.br/portal): “As pessoas têm muitas necessidades, se morre alguém de uma família pobre, eu não vou deixar de colocar os carros à disposição dos parentes para levá-los até o cemitério”, explica. Só em combustível, o parlamentar usou R$ 7,3 mil nos últimos 30 dias.
Wilson Lima conta também que seus escritórios políticos — um em Samambaia e outro no Gama — atendem a outros tipos de necessidades da comunidade. “Quando alguém precisa de um enxoval, a gente dá um jeito. Ligo para um, para outro até conseguir o favor”, conta. O deputado afirma ainda que utiliza parte do valor disponível da verba indenizatória para fazer propaganda de sua atuação. “Se tem uma obra para a qual consegui liberar alguma emenda, eu mando rodar uns panfletos para divulgar. Não perco essa oportunidade”, comenta.
As notas apresentadas pelo deputado do PR são parte de um conjunto de despesas dos 24 parlamentares que no mês de setembro somam R$ 260 mil. Levando em conta o trimestre, a quantia pula para mais de meio milhão (R$ 678 mil). Só em combustível, de julho a setembro, foram aplicados R$ 196 mil.
Uma das explicações para a concentração de recursos nesse quesito é comentada pelo deputado Berinaldo Pontes (PP). “Eu sou suplente e não tenho certeza até quando vou estar no cargo, apenas conto com uma previsão. Então tenho que andar mais que os outros para fazer tudo o que é preciso em um espaço de tempo limitado”, afirmou. O parlamentar utilizou R$ 7.150 dos R$ 11.250 permitidos por mês para abastecer os carros do gabinete. O montante compra 2,7 mil litros de gasolina o que em um carro que desenvolve 10 quilômetros com um litro é capaz de rodar 27,5 mil quilômetros ou ainda 916 quilômetros por dia durante um mês, contando com os sábados e os domingos.
Gasolina
A deputada Luzia de Paula diz como parte das explicações para o consumo de combustível (R$ 4.980) que só nesta segunda-feira foi duas vezes a Ceilândia e uma vez ao Novo Gama a serviço. No caso da deputada, o principal item de consumo, no entanto, foi em aluguel de veículo (R$ 7.600). A parlamentar argumenta que “cansou” de usar o seu próprio carro — um Siena — em missões da Câmara. E para colocar um ponto final na história resolveu alugar automóvel com o dinheiro da verba indenizatória, um Vectra.
Com o maior volume de reembolso em setembro, o deputado Cristiano Araújo (PTB) deu preferência à contratação de assessoria e consultoria parlamentar. Cada deputado tem R$ 80 mil para contratar técnicos, além da verba indenizatória. Mas mesmo assim, o petebista achou fundamental submeter um projeto de autoria do Executivo sobre taxa de lixo a especialistas fora da Câmara. “Ninguém é obrigado a saber tudo, os meus funcionários também não são. Eu busquei ajuda fora porque o tema era difícil e exigia conhecimento muito específico.”
Já Raad Massouh (DEM), que substitui a deputada Eliana Pedrosa no cargo — ela atualmente é secretária de Trabalho do GDF —, diz que poderia ter evitado gastar R$ 6 mil — quantia paga a consultores no último trimestre — se pudesse usar 100% da estrutura de seu próprio gabinete. “Assessor jurídico dos bons eu tenho dentro da minha sala, mas trabalhando para o titular da vaga”, lamentou.
O petista Cabo Patrício acumulou nos últimos dois meses R$ 26,5 mil com divulgação da atividade parlamentar. Ele explica que como tem uma base muito espalhada, usa como ferramenta de comunicação os panfletos e jornais. “No último dia 12 de outubro foi aniversário do Gama, onde tive a maior quantidade de votos. Achei por bem produzir um jornal específico para a cidade”, citou.
DEPOIMENTO ADIADO
O depoimento do deputado federal Tadeu Filippelli (PMDB) em favor do ex-distrital Pedro Passos (PMDB) estava agendado para a manhã de ontem. Mas Filippelli usou a prerrogativa de parlamentar para adiar o interrogatório no qual foi arrolado como testemunha de defesa em um processo que Passos responde por parcelamento irregular de terras na 1ª Vara de Justiça Criminal do DF. Antes dele, o distrital Benício Tavares (PMDB) havia sido chamado pelo mesmo motivo. Mas desistiu da tarefa depois de adiar cinco vezes o compromisso.
DEPOIMENTO ADIADO
O depoimento do deputado federal Tadeu Filippelli (PMDB) em favor do ex-distrital Pedro Passos (PMDB) estava agendado para a manhã de ontem. Mas Filippelli usou a prerrogativa de parlamentar para adiar o interrogatório no qual foi arrolado como testemunha de defesa em um processo que Passos responde por parcelamento irregular de terras na 1ª Vara de Justiça Criminal do DF. Antes dele, o distrital Benício Tavares (PMDB) havia sido chamado pelo mesmo motivo. Mas desistiu da tarefa depois de adiar cinco vezes o compromisso.
Lilian Tahan
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Distritais consomem R$ 260 mil em verbas indenizatórias em setembro. E cada um tem uma explicação para os gastos com dinheiro público
O deputado distrital Wilson Lima (PR) recebe parte da verba indenizatória de R$ 11.250 por mês a que tem direito como parlamentar para distribuir favores. Entre os cinco políticos que apresentaram as faturas mais altas desse reembolso em setembro, Lima não tem nenhuma reserva para dizer como gastou a quantia de R$ 15,2 mil registrada no site da Câmara Legislativa (http://www.cl.df.gov.br/portal): “As pessoas têm muitas necessidades, se morre alguém de uma família pobre, eu não vou deixar de colocar os carros à disposição dos parentes para levá-los até o cemitério”, explica. Só em combustível, o parlamentar usou R$ 7,3 mil nos últimos 30 dias.
Wilson Lima conta também que seus escritórios políticos — um em Samambaia e outro no Gama — atendem a outros tipos de necessidades da comunidade. “Quando alguém precisa de um enxoval, a gente dá um jeito. Ligo para um, para outro até conseguir o favor”, conta. O deputado afirma ainda que utiliza parte do valor disponível da verba indenizatória para fazer propaganda de sua atuação. “Se tem uma obra para a qual consegui liberar alguma emenda, eu mando rodar uns panfletos para divulgar. Não perco essa oportunidade”, comenta.
As notas apresentadas pelo deputado do PR são parte de um conjunto de despesas dos 24 parlamentares que no mês de setembro somam R$ 260 mil. Levando em conta o trimestre, a quantia pula para mais de meio milhão (R$ 678 mil). Só em combustível, de julho a setembro, foram aplicados R$ 196 mil.
Uma das explicações para a concentração de recursos nesse quesito é comentada pelo deputado Berinaldo Pontes (PP). “Eu sou suplente e não tenho certeza até quando vou estar no cargo, apenas conto com uma previsão. Então tenho que andar mais que os outros para fazer tudo o que é preciso em um espaço de tempo limitado”, afirmou. O parlamentar utilizou R$ 7.150 dos R$ 11.250 permitidos por mês para abastecer os carros do gabinete. O montante compra 2,7 mil litros de gasolina o que em um carro que desenvolve 10 quilômetros com um litro é capaz de rodar 27,5 mil quilômetros ou ainda 916 quilômetros por dia durante um mês, contando com os sábados e os domingos.
Gasolina
A deputada Luzia de Paula diz como parte das explicações para o consumo de combustível (R$ 4.980) que só nesta segunda-feira foi duas vezes a Ceilândia e uma vez ao Novo Gama a serviço. No caso da deputada, o principal item de consumo, no entanto, foi em aluguel de veículo (R$ 7.600). A parlamentar argumenta que “cansou” de usar o seu próprio carro — um Siena — em missões da Câmara. E para colocar um ponto final na história resolveu alugar automóvel com o dinheiro da verba indenizatória, um Vectra.
Com o maior volume de reembolso em setembro, o deputado Cristiano Araújo (PTB) deu preferência à contratação de assessoria e consultoria parlamentar. Cada deputado tem R$ 80 mil para contratar técnicos, além da verba indenizatória. Mas mesmo assim, o petebista achou fundamental submeter um projeto de autoria do Executivo sobre taxa de lixo a especialistas fora da Câmara. “Ninguém é obrigado a saber tudo, os meus funcionários também não são. Eu busquei ajuda fora porque o tema era difícil e exigia conhecimento muito específico.”
Já Raad Massouh (DEM), que substitui a deputada Eliana Pedrosa no cargo — ela atualmente é secretária de Trabalho do GDF —, diz que poderia ter evitado gastar R$ 6 mil — quantia paga a consultores no último trimestre — se pudesse usar 100% da estrutura de seu próprio gabinete. “Assessor jurídico dos bons eu tenho dentro da minha sala, mas trabalhando para o titular da vaga”, lamentou.
O petista Cabo Patrício acumulou nos últimos dois meses R$ 26,5 mil com divulgação da atividade parlamentar. Ele explica que como tem uma base muito espalhada, usa como ferramenta de comunicação os panfletos e jornais. “No último dia 12 de outubro foi aniversário do Gama, onde tive a maior quantidade de votos. Achei por bem produzir um jornal específico para a cidade”, citou.
DEPOIMENTO ADIADO
O depoimento do deputado federal Tadeu Filippelli (PMDB) em favor do ex-distrital Pedro Passos (PMDB) estava agendado para a manhã de ontem. Mas Filippelli usou a prerrogativa de parlamentar para adiar o interrogatório no qual foi arrolado como testemunha de defesa em um processo que Passos responde por parcelamento irregular de terras na 1ª Vara de Justiça Criminal do DF. Antes dele, o distrital Benício Tavares (PMDB) havia sido chamado pelo mesmo motivo. Mas desistiu da tarefa depois de adiar cinco vezes o compromisso.
DEPOIMENTO ADIADO
O depoimento do deputado federal Tadeu Filippelli (PMDB) em favor do ex-distrital Pedro Passos (PMDB) estava agendado para a manhã de ontem. Mas Filippelli usou a prerrogativa de parlamentar para adiar o interrogatório no qual foi arrolado como testemunha de defesa em um processo que Passos responde por parcelamento irregular de terras na 1ª Vara de Justiça Criminal do DF. Antes dele, o distrital Benício Tavares (PMDB) havia sido chamado pelo mesmo motivo. Mas desistiu da tarefa depois de adiar cinco vezes o compromisso.