antigas Publicado: 9/01/2009 | 12:01

Planalto dá como certo Sarney à frente do Senado

  Palácio do Planalto passou a considerar como certa a eleição de José Sarney (PMDB/AP) como o próximo presidente do Senado. Depois de forte reação inicial, Sarney deu sinais, nos últimos dias, de que estaria disposto a rever sua posição diante do ambiente de consenso que começa a ser criado em torno do seu nome. Segundo interlocutores do ex-presidente, evoluíram bastante as conversas de Sarney com seu grupo político e com aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Este movimento faz sentido, mesmo não parecendo crível que o PMDB possa dirigir as duas Casas do Congresso. O partido já estava cotado para comandar a Câmara, pois a eleição de Arlindo Chinaglia (PT/SP) para o biênio 2006-2008 só foi possível porque o PMDB abriu mão de disputar o cargo para apoiá-lo, com o compromisso de o PT apoiar um nome do PMDB na terceira sessão legislativa.

Quanto ao PMDB presidir o Senado, em detrimento de um nome do PT, isso não estava no script. Mas, se o PMDB desembarcar de um ministério para um petista embarcar, ainda mais sendo uma pasta tão importante quanto a Saúde, aí "dá liga", e essa articulação pode serenar os confrontos e apaziguar os ânimos da base aliada. Melhor para o Governo e o seu projeto para 2010, se o PMDB não resolver botar as "mangas de fora" na última hora e chantagear o Planalto.

Mas o anúncio do nome de Sarney só deve ocorrer na segunda quinzena de janeiro, depois de uma articulação política. Como gesto simbólico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversará com Sarney assim que voltar de férias na Bahia, na próxima semana.

A articulação para criar um clima de consenso no Senado deve incluir a retirada da candidatura à reeleição do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB/RN), que tem forte resistência do Planalto.

Como a candidatura de Garibaldi sofre questionamentos jurídicos, não só a base aliada, mas até setores da oposição entraram na articulação para convencer Sarney a assumir o que classificam de "missão" num momento delicado de crise financeira internacional e ano pré-eleitoral.

Ontem, um ministro comentou que, numa gestão de Sarney, não teria acontecido os atritos e embates entre o Legislativo e o Judiciário. Outro argumento utilizado em favor do ex-presidente é que ele daria estabilidade política e institucional ao governo nesta reta final do mandato de Lula.

"Não podemos trabalhar a economia, se estamos brigando na política. É preciso criar um clima de estabilidade", ponderou o ministro, em defesa da eleição de Sarney.

Dentro do cronograma para articular a candidatura de Sarney está prevista uma reunião do presidente Lula com os seis ministros do PMDB. Até mesmo caciques tucanos admitiram ontem que a decisão de Sarney levaria a bancada do PSDB a apoiá-lo.

Mas um problema que o Planalto terá que enfrentar para viabilizar Sarney é o de encontrar uma solução para a candidatura do senador Tião Viana (PT/AC). Hoje, a constatação é de que Tião teria dificuldades de vencer a disputa no Senado.

E o Governo não deseja correr riscos. Por isso, cresce o movimento para que Tião seja recompensado, provavelmente com uma vaga no primeiro escalão do Governo - o Ministério da Saúde é o mais citado nessas negociações. (Com O Globo)

  Palácio do Planalto passou a considerar como certa a eleição de José Sarney (PMDB/AP) como o próximo presidente do Senado. Depois de forte reação inicial, Sarney deu sinais, nos últimos dias, de que estaria disposto a rever sua posição diante do ambiente de consenso que começa a ser criado em torno do seu nome. Segundo interlocutores do ex-presidente, evoluíram bastante as conversas de Sarney com seu grupo político e com aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Este movimento faz sentido, mesmo não parecendo crível que o PMDB possa dirigir as duas Casas do Congresso. O partido já estava cotado para comandar a Câmara, pois a eleição de Arlindo Chinaglia (PT/SP) para o biênio 2006-2008 só foi possível porque o PMDB abriu mão de disputar o cargo para apoiá-lo, com o compromisso de o PT apoiar um nome do PMDB na terceira sessão legislativa.

Quanto ao PMDB presidir o Senado, em detrimento de um nome do PT, isso não estava no script. Mas, se o PMDB desembarcar de um ministério para um petista embarcar, ainda mais sendo uma pasta tão importante quanto a Saúde, aí "dá liga", e essa articulação pode serenar os confrontos e apaziguar os ânimos da base aliada. Melhor para o Governo e o seu projeto para 2010, se o PMDB não resolver botar as "mangas de fora" na última hora e chantagear o Planalto.

Mas o anúncio do nome de Sarney só deve ocorrer na segunda quinzena de janeiro, depois de uma articulação política. Como gesto simbólico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversará com Sarney assim que voltar de férias na Bahia, na próxima semana.

A articulação para criar um clima de consenso no Senado deve incluir a retirada da candidatura à reeleição do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB/RN), que tem forte resistência do Planalto.

Como a candidatura de Garibaldi sofre questionamentos jurídicos, não só a base aliada, mas até setores da oposição entraram na articulação para convencer Sarney a assumir o que classificam de "missão" num momento delicado de crise financeira internacional e ano pré-eleitoral.

Ontem, um ministro comentou que, numa gestão de Sarney, não teria acontecido os atritos e embates entre o Legislativo e o Judiciário. Outro argumento utilizado em favor do ex-presidente é que ele daria estabilidade política e institucional ao governo nesta reta final do mandato de Lula.

"Não podemos trabalhar a economia, se estamos brigando na política. É preciso criar um clima de estabilidade", ponderou o ministro, em defesa da eleição de Sarney.

Dentro do cronograma para articular a candidatura de Sarney está prevista uma reunião do presidente Lula com os seis ministros do PMDB. Até mesmo caciques tucanos admitiram ontem que a decisão de Sarney levaria a bancada do PSDB a apoiá-lo.

Mas um problema que o Planalto terá que enfrentar para viabilizar Sarney é o de encontrar uma solução para a candidatura do senador Tião Viana (PT/AC). Hoje, a constatação é de que Tião teria dificuldades de vencer a disputa no Senado.

E o Governo não deseja correr riscos. Por isso, cresce o movimento para que Tião seja recompensado, provavelmente com uma vaga no primeiro escalão do Governo - o Ministério da Saúde é o mais citado nessas negociações. (Com O Globo)