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Publicado: 3/03/2008 | 09:27
Mensalão piora posição do Brasil em ranking
| Mariana Mainenti |
| Correio Braziliense |
Os escândalos que começaram com as denúncias sobre o mensalão fizeram com que o Brasil caísse duas posições em um importante critério do ranking que avalia as democracias de países em desenvolvimento, elaborado pela fundação alemã Bertelsmann. Na classificação anterior, divulgada no ano passado, o país ficou em 13º lugar na lista, segundo a avaliação da chamada “boa governança”, que mede a capacidade do governo e das elites de conduzirem o país para a democracia e a economia de mercado. Agora o Brasil aparece em 15º.
“Estabelecemos a democracia e a economia de mercado como as metas a serem alcançadas e, nesse sentido, o Brasil piorou muito em aspectos como a capacidade de implementar novas políticas e de aprender com as experiências”, disse ao Correio, em entrevista por telefone, o coordenador regional da Bertelsmann para América Latina, Peter Thiery, segundo o qual “a corrupção foi um ponto-chave” para essa piora na avaliação.
Base de dados
O resultado do Brasil no ranking de 2008 foi alcançado com base nos dados referentes aos acontecimentos no país até janeiro do ano passado, ou seja, no período equivalente ao auge das denúncias de corrupção envolvendo integrantes do governo federal. Thiery atribui parte dos casos de corrupção ao sistema político-partidário brasileiro. “Reconheço que é difícil modificar a estrutura da sociedade brasileira. Com o sistema eleitoral do país, não se pode construir a maioria sem comprar votos. Acho que o Brasil precisa de uma reforma política”, afirmou.
Apesar da queda na classificação do Brasil no critério que diz respeito ao comportamento das elites políticas, o país é considerado pela Bertelsmann um parceiro fidedigno e confiável. Pelo Índice de Transformação 2008, apurado pela fundação, o Brasil é a 20ª democracia mais avançada do mundo — mesma posição alcançada no ranking divulgado no ano passado. Isso significa que, na avaliação da Bertelsmann, a piora no conceito de “boa governança” não chegou a influenciar negativamente as instituições democráticas já estabelecidas. Na América Latina, o país fica atrás apenas de Chile, Costa Rica e Uruguai.
Desigualdades
A Bertelsmann faz, no entanto, fortes críticas à falta de avanços do Brasil em relação ao combate às desigualdades sociais. “No Brasil, falta uma melhor acentuação da política social. Nos últimos anos, o Brasil teve um crescimento forte, mas precisa fazer com que os frutos desse crescimento cheguem aos pobres”, afirmou Thiery.
O especialista em regimes políticos teme as conseqüências de uma possível recessão norte-americana para o Brasil. “Com uma recessão, a situação econômica tenderia a um estancamento das medidas sociais. Isso poderia, inclusive, ter um reflexo negativo para a democracia”, acrescentou.
Thiery afirma que o dado mais preocupante no caso brasileiro é que as desigualdades sociais associadas às denúncias de corrupção fazem com que caia a confiança dos cidadãos nos governos democráticos. “As ditaduras já acabaram há décadas e os países da América Latina não têm se mostrado capazes de lutar contra a pobreza. Como os cidadãos não estão vendo progressos, podem começar a querer a volta de governos mais autoritários”, afirmou.
| Mariana Mainenti |
| Correio Braziliense |
Os escândalos que começaram com as denúncias sobre o mensalão fizeram com que o Brasil caísse duas posições em um importante critério do ranking que avalia as democracias de países em desenvolvimento, elaborado pela fundação alemã Bertelsmann. Na classificação anterior, divulgada no ano passado, o país ficou em 13º lugar na lista, segundo a avaliação da chamada “boa governança”, que mede a capacidade do governo e das elites de conduzirem o país para a democracia e a economia de mercado. Agora o Brasil aparece em 15º.
“Estabelecemos a democracia e a economia de mercado como as metas a serem alcançadas e, nesse sentido, o Brasil piorou muito em aspectos como a capacidade de implementar novas políticas e de aprender com as experiências”, disse ao Correio, em entrevista por telefone, o coordenador regional da Bertelsmann para América Latina, Peter Thiery, segundo o qual “a corrupção foi um ponto-chave” para essa piora na avaliação.
Base de dados
O resultado do Brasil no ranking de 2008 foi alcançado com base nos dados referentes aos acontecimentos no país até janeiro do ano passado, ou seja, no período equivalente ao auge das denúncias de corrupção envolvendo integrantes do governo federal. Thiery atribui parte dos casos de corrupção ao sistema político-partidário brasileiro. “Reconheço que é difícil modificar a estrutura da sociedade brasileira. Com o sistema eleitoral do país, não se pode construir a maioria sem comprar votos. Acho que o Brasil precisa de uma reforma política”, afirmou.
Apesar da queda na classificação do Brasil no critério que diz respeito ao comportamento das elites políticas, o país é considerado pela Bertelsmann um parceiro fidedigno e confiável. Pelo Índice de Transformação 2008, apurado pela fundação, o Brasil é a 20ª democracia mais avançada do mundo — mesma posição alcançada no ranking divulgado no ano passado. Isso significa que, na avaliação da Bertelsmann, a piora no conceito de “boa governança” não chegou a influenciar negativamente as instituições democráticas já estabelecidas. Na América Latina, o país fica atrás apenas de Chile, Costa Rica e Uruguai.
Desigualdades
A Bertelsmann faz, no entanto, fortes críticas à falta de avanços do Brasil em relação ao combate às desigualdades sociais. “No Brasil, falta uma melhor acentuação da política social. Nos últimos anos, o Brasil teve um crescimento forte, mas precisa fazer com que os frutos desse crescimento cheguem aos pobres”, afirmou Thiery.
O especialista em regimes políticos teme as conseqüências de uma possível recessão norte-americana para o Brasil. “Com uma recessão, a situação econômica tenderia a um estancamento das medidas sociais. Isso poderia, inclusive, ter um reflexo negativo para a democracia”, acrescentou.
Thiery afirma que o dado mais preocupante no caso brasileiro é que as desigualdades sociais associadas às denúncias de corrupção fazem com que caia a confiança dos cidadãos nos governos democráticos. “As ditaduras já acabaram há décadas e os países da América Latina não têm se mostrado capazes de lutar contra a pobreza. Como os cidadãos não estão vendo progressos, podem começar a querer a volta de governos mais autoritários”, afirmou.