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Publicado: 27/09/2007 | 08:53
Brasil perde duas posições
Mariana Mainenti
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Nota brasileira no estudo da Transparência Internacional aumenta pela primeira vez desde o começo do governo Lula. Mas a inclusão de novos participantes na pesquisa faz o país cair para o 72º posto
A organização não-governamental Transparência Internacional divulgou ontem um relatório que aponta uma ligeira melhora na nota do Brasil em relação ao combate à corrupção. Do grau 3,3 obtido no ano passado (o pior da história do país), o Brasil passou ao grau 3,5. Esta é a primeira elevação em todo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda assim, a nota é considerada baixa, dentro da escala que vai de 1 a 10. Ela coloca o país na 72ª posição no ranking mundial (num total de 180), duas posições abaixo da conseguida em 2006. Essa queda, segundo explica a organização, é relativa porque se deve ao fato de outros países terem passado a integrar o estudo.
“Essa diferença entre a nota do Brasil no ano passado e a nota deste ano é pequena porque está dentro da margem de erro da pesquisa. No entanto, a pequena elevação é importante porque, se a nota continuasse com uma tendência de queda, a percepção de que haveria uma piora no combate à corrupção no país sairia do campo da incerteza e poderia ser considerada, então, uma mudança significativa”, afirmou ao Correio o professor de ciências políticas da Unicamp e porta-voz da ONG no Brasil, Bruno Speck. Ainda assim, Speck diz que a nota é baixa levando-se em conta o desempenho de outros países. “O Brasil está cerca de seis pontos atrás dos líderes do ranking, como Suécia, Finlândia, Dinamarca e Suíça. Por outro lado, está apenas dois pontos acima dos países que apresentam pior desempenho no combate à corrupção, como Afeganistão, Sudão e Mianmar”, comparou.
Combate fica em evidência
Mesmo tendo obtido uma ligeira elevação em sua nota neste ano, o Brasil ainda vem apresentando durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desempenho inferior no ranking da Transparência Internacional ao registrado no final do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso — quando obteve nota próxima de 4,0 no combate à corrupção. “Esse percentual de diferença é pequeno, mas tem de ser levado em conta”, afirma Marcus Figueiredo, professor de ciências políticas do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ).
O especialista, no entanto, afirma que a questão deve ser analisada levando-se em conta o fato de que, quando um governo tem ações de combate à corrupção, surgem mais notícias a respeito, o que aumenta a sensação na população de que há um aumento no número de casos. “Ou seja, pode estar havendo mais combate à corrupção do que aumento real da corrupção”, explica o especialista que critica, no entanto, os critérios utilizados pela ONG para elaborar o estudo.
“Acho difícil trabalhar com essas informações porque não são procedentes de estatísticas de resultados de casos conhecidos, mas apenas em percepção”, disse Figueiredo. O cientista político e porta-voz da ONG no Brasil, Bruno Speck, contesta esse argumento. “A percepção das pessoas é algo importante no mundo dos negócios e da política. Os eleitores votam por percepção”, lembrou. A pesquisa deste ano foi feita antes da absolvição do senador Renan Calheiros e do julgamento, no STF, dos envolvidos no mensalão.
No ranking, o Brasil divide a 72ª posição com México, Peru, Marrocos, China, Índia, Suriname. O país é classificado como mais corrupto que muitas nações em desenvolvimento, como Colômbia, Gana e Senegal. Na América Latina, o Chile está na melhor posição (22ª), seguido pelo Uruguai (25ª). A Venezuela é o pior, em 162º lugar, com apenas 2,0 pontos. A lista é liderada por Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia, Cingapura e Suécia. No pé, estão Mianmar e Somália.
Para saber mais
Levantamentos compõem o estudo
Para elaborar o ranking mundial de combate à corrupção, a organização não-governamental Transparência Internacional baseia-se em levantamentos feitos por outras organizações, em vez de realizar sondagens de opinião por conta própria. Uma parte do trabalho, segundo afirma o porta-voz da organização no Brasil, Bruno Speck, é feita a partir de relatório de análises sobre o chamado risco-país, elaborados por agências de rating internacionais. Essas pesquisas são realizadas com investidores e empresários, que respondem sobre sua percepção acerca da corrupção e da estabilidade institucional do país.
Outra fonte de pesquisa são relatórios feitos por organizações internacionais, como o Fórum Econômico Mundial, que tem um levantamento sobre a incidência do pagamento de propina e taxas ilegais no mundo. Cerca de 11 mil empresários respondem à sondagem. Para Speck, esse público tem uma percepção sensível a esse tipo de questão. “Hoje em dia, um dos principais aspectos que os homens de negócios levam em conta na hora de decidir investir em um país são os níveis de corrupção, além da estabilidade política”, disse. “Eles não levam em conta apenas o custo econômico, mas também o custo social e político”, afirmou o especialista, para quem casos como a absolvição do senador Renan Calheiros danificam a imagem das instituições democráticas.
Mariana Mainenti
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Nota brasileira no estudo da Transparência Internacional aumenta pela primeira vez desde o começo do governo Lula. Mas a inclusão de novos participantes na pesquisa faz o país cair para o 72º posto
A organização não-governamental Transparência Internacional divulgou ontem um relatório que aponta uma ligeira melhora na nota do Brasil em relação ao combate à corrupção. Do grau 3,3 obtido no ano passado (o pior da história do país), o Brasil passou ao grau 3,5. Esta é a primeira elevação em todo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda assim, a nota é considerada baixa, dentro da escala que vai de 1 a 10. Ela coloca o país na 72ª posição no ranking mundial (num total de 180), duas posições abaixo da conseguida em 2006. Essa queda, segundo explica a organização, é relativa porque se deve ao fato de outros países terem passado a integrar o estudo.
“Essa diferença entre a nota do Brasil no ano passado e a nota deste ano é pequena porque está dentro da margem de erro da pesquisa. No entanto, a pequena elevação é importante porque, se a nota continuasse com uma tendência de queda, a percepção de que haveria uma piora no combate à corrupção no país sairia do campo da incerteza e poderia ser considerada, então, uma mudança significativa”, afirmou ao Correio o professor de ciências políticas da Unicamp e porta-voz da ONG no Brasil, Bruno Speck. Ainda assim, Speck diz que a nota é baixa levando-se em conta o desempenho de outros países. “O Brasil está cerca de seis pontos atrás dos líderes do ranking, como Suécia, Finlândia, Dinamarca e Suíça. Por outro lado, está apenas dois pontos acima dos países que apresentam pior desempenho no combate à corrupção, como Afeganistão, Sudão e Mianmar”, comparou.
Combate fica em evidência
Mesmo tendo obtido uma ligeira elevação em sua nota neste ano, o Brasil ainda vem apresentando durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desempenho inferior no ranking da Transparência Internacional ao registrado no final do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso — quando obteve nota próxima de 4,0 no combate à corrupção. “Esse percentual de diferença é pequeno, mas tem de ser levado em conta”, afirma Marcus Figueiredo, professor de ciências políticas do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ).
O especialista, no entanto, afirma que a questão deve ser analisada levando-se em conta o fato de que, quando um governo tem ações de combate à corrupção, surgem mais notícias a respeito, o que aumenta a sensação na população de que há um aumento no número de casos. “Ou seja, pode estar havendo mais combate à corrupção do que aumento real da corrupção”, explica o especialista que critica, no entanto, os critérios utilizados pela ONG para elaborar o estudo.
“Acho difícil trabalhar com essas informações porque não são procedentes de estatísticas de resultados de casos conhecidos, mas apenas em percepção”, disse Figueiredo. O cientista político e porta-voz da ONG no Brasil, Bruno Speck, contesta esse argumento. “A percepção das pessoas é algo importante no mundo dos negócios e da política. Os eleitores votam por percepção”, lembrou. A pesquisa deste ano foi feita antes da absolvição do senador Renan Calheiros e do julgamento, no STF, dos envolvidos no mensalão.
No ranking, o Brasil divide a 72ª posição com México, Peru, Marrocos, China, Índia, Suriname. O país é classificado como mais corrupto que muitas nações em desenvolvimento, como Colômbia, Gana e Senegal. Na América Latina, o Chile está na melhor posição (22ª), seguido pelo Uruguai (25ª). A Venezuela é o pior, em 162º lugar, com apenas 2,0 pontos. A lista é liderada por Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia, Cingapura e Suécia. No pé, estão Mianmar e Somália.
Para saber mais
Levantamentos compõem o estudo
Para elaborar o ranking mundial de combate à corrupção, a organização não-governamental Transparência Internacional baseia-se em levantamentos feitos por outras organizações, em vez de realizar sondagens de opinião por conta própria. Uma parte do trabalho, segundo afirma o porta-voz da organização no Brasil, Bruno Speck, é feita a partir de relatório de análises sobre o chamado risco-país, elaborados por agências de rating internacionais. Essas pesquisas são realizadas com investidores e empresários, que respondem sobre sua percepção acerca da corrupção e da estabilidade institucional do país.
Outra fonte de pesquisa são relatórios feitos por organizações internacionais, como o Fórum Econômico Mundial, que tem um levantamento sobre a incidência do pagamento de propina e taxas ilegais no mundo. Cerca de 11 mil empresários respondem à sondagem. Para Speck, esse público tem uma percepção sensível a esse tipo de questão. “Hoje em dia, um dos principais aspectos que os homens de negócios levam em conta na hora de decidir investir em um país são os níveis de corrupção, além da estabilidade política”, disse. “Eles não levam em conta apenas o custo econômico, mas também o custo social e político”, afirmou o especialista, para quem casos como a absolvição do senador Renan Calheiros danificam a imagem das instituições democráticas.