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Publicado: 28/11/2007 | 11:42
A vingança pelo regimento
Márcio Falcão
Jornal de Brasília
Jornal de Brasília
Calendário adia definição do imposto para janeiro. Seria suspenso por 90 dias
Enquanto o Palácio do Planalto endurece o discurso e pressiona em várias frentes para garantir a aprovação no Senado da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prorroga até 2011 a CPMF, a oposição prepara um contra-ataque regimental. Os oposicionistas sustentam que, se for necessário, podem adiar a votação do imposto do cheque, em segundo turno, para 2008, mais precisamente para o dia 11 de janeiro. Isso equivaleria suspender a cobrança da CPMF pelos primeiros 90 dias do próximo ano.
O esboço de um calendário circula pelos gabinetes de senadores da oposição e mostra todas as manobras permitidas no Regimento Interno do Senado que poderão ser utilizadas durante a tramitação da PEC no plenário da Casa. Apelidado de calendário "hipotético", as datas deixam qualquer governista em alerta.
Assim como ocorreu, o prazo previsto pela oposição para o início das discussões da CPMF era a sessão de ontem. Após apreciarem duas medidas provisórias que tracavam a pauta, os senadores abriram a análise em plenário da proposta, que foi aprovada por 12 votos a favor e nove contrários na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O texto é do líder do Governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), que defende a manutenção da CPMF.
Agora, oposicionistas e base aliada têm até a próxima terça-feira para apresentar emendas à proposta. Como o Governo tem pressa, a expectativa da oposição é de que Jucá apresente logo no dia seguinte seu relatório sobre as emendas. Um partido da oposição deverá pedir vistas e adiar por mais cinco sessões – portanto para 12 de dezembro – a votação do parecer das emendas. Pelo regimento, se quiser o presidente da CCJ pode demorar até 30 dias para emitir parecer sobre as emendas em primeiro turno.
O parecer tem que ser publicado no Diário Oficial, o que levará o primeiro turno da votação da CPMF para 17 de dezembro. Isso significa um atraso de quatro dias no calendário do presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC). Entre os dias 18 e 24 contariam os dias de intervalo necessários entre o primeiro e o segundo turno.
A estratégia dos oposicionistas para o segundo turno é mais intensa. Para começar, fazem questão de três dias de discussão da matéria, de 25 a 27 de dezembro. Querem ainda surpreender o Governo apresentando emendas de redação ao texto da CPMF, o que levaria a matéria de volta à CCJ. O presidente da Comissão, por sua vez, tem o limite de cinco dias para emitir parecer sobre as emendas de redação.
O bloco da oposição na Comissão deve fazer um novo pedido de vistas. Com essas medidas, que se desenrolariam de 28 de dezembro a 7 de janeiro, o parecer de Jucá na CCJ sobre as emendas de redação só seria analisado em 9 de janeiro. No dia seguinte, o parecer teria que ser publicado no Diário Oficial e, finalmente, em 11 de janeiro a PEC que prorroga a CPMF seria apreciada em segundo turno.
A idéia do Governo, dentro da previsão mais otimista, era colocar a segunda votação em plenário da CPMF em 21 de dezembro. A única saída para os aliados do presidente Lula derrubar as possíveis manobras regimentais que a oposição utilizará seria convocar sucessivas sessões extraordinárias para que os prazos regimentais fossem acelerados. Mas mesmo assim o segunto turno seria em 2008.
Oposição acredita ter 33 votos
A oposição não conta apenas com recursos regimentais para acabar com a continuidade da CPMF. Os líderes da oposição no Senado, José Agripino Maia (RN), do DEM, e Arthur Virgílio (AM), do PSDB, estão confiantes de que podem derrotar o Governo no voto. Eles acreditam que 33 senadores são contrários a CPMF, sendo 27 dos integrantes dos dois partidos – que já teriam se comprometido a votar contra a proposta do Palácio do Planalto –, além do apoio de até seis senadores da base aliada que sinalizam reprovar o imposto.
Seguiriam o voto da oposição os senadores: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Mão Santa (PMDB-PI), Pedro Simon (PMDB-RS), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), José Nery (PSOL-PA) e Geraldo Mesquita (PMDB-AC). Mesquita é o mais resistente a cravar um voto contra o Governo.
Com esses 33 votos para acabar a CPMF, a oposição derruba a prorrogação do imposto. São necessários 49 votos entre os 81 senadores para garantir sua prorrogação. "Temos hoje a faca e o queijo na mão para derrubar a matéria", argumentou o líder do PSDB no Senado.
A possível traição de senadores da base aliada é reconhecida até por lideranças alinhadas com o Planalto. Entre os senadores há o sentimento de desorganização em torno da CPMF. "Depois que ganhou na Comissão de Constituição e Justiça, o time se desarticulou. Deu uma relaxada. A oposição sabe disso. Se fosse hoje, (o Governo) perderia. Mas a votação ainda não aconteceu", avalia o líder do PSB, Renato Casagrande (ES).
A falta de entrosamento da base também chama atenção do líder do PMDB, Valdir Raupp (RO). Ele tem cobrado maior atenção de Lula aos senadores. "Concordo que a base está desarticulada. Há necessidade de reorganização. Mas ainda temos 15 dias", disse, esperançoso. (MF)
Planalto pára a Câmara
Faltando menos de um mês para o recesso do Congresso, o Governo jogou pesado e conseguiu travar a pauta de votação na Câmara dos Deputados. Tudo em nome de não atrapalhar a tramitação da CPMF. Mas isso quer dizer que os 513 parlamentares da Casa ficarão exatos 22 dias de braços cruzados, recebendo dinheiro público sem trabalhar.
A decisão foi anunciada ontem pelo líder do Governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), e contou com o aval do presidente da Casa, o também petista Arlindo Chinaglia (SP).
Fontana explicou que a base do Governo vai obstruir as votações no plenário até que o ambiente no Senado "se torne mais claro" em relação aos procedimentos de votação da prorrogação do imposto do cheque. Segundo ele, não é prudente enviar para o Senado medidas provisórias que dificultariam ainda mais a tramitação da CPMF.
Como as MPs estão trancando a pauta, se forem votadas na Câmara, terão prioridade de votação no Senado. Indagado sobre quanto tempo duraria essa obstrução, Fontana limitou-se a dizer que vai depender da estratégia adotada pela oposição no Senado.
Depois que a pauta da Câmara for destravada, deverão ganhar prioridade o projeto de lei que reformula o ProJovem e as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que disciplinam o número de vereadores e os limites de gastos com as câmaras municipais.
Nos bastidores do Planalto, aliados do presidente Lula já admitem uma possível derrota nas negociações da CPMF. Temendo perder a batalha, Lula tenta adiar agora projetos e programas importantes do Governo por julgar que, sem a contribuição, não se terá fôlego suficiente.
"Tínhamos o interesse de apresentar nos próximos 15 dias a política industrial, assim como queríamos apresentar a política tributaria e não vamos apresentar. E por que não? Por que eu não sei o que vai acontecer. Eu vou esperar para ver o que vai acontecer com a CPMF", reclamou Lula.
A manobra da base revoltou os líderes de oposição. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) criticou a estratégia do Governo e classificou a decisão como irresponsável. "Isso é inadmissível. É um desrespeito com o contribuinte".
Equipe econômica perdida
O impasse em torno da CPMF deixou a equipe econômica desorientada. Até a semana passada, os técnicos dos ministérios da Fazenda e do Planejamento vinham trabalhando com a ordem de "acelerar gastos" e preparar um pacote de desoneração tributária, mas a perspectiva de perder os R$ 40 bilhões do imposto do cheque em 2008 fez o Palácio do Planalto determinar a interrupção de todos os planos em discussão.
As novas desonerações poderiam somar R$ 5 bilhões já em 2007 e serviriam para o Governo mostrar uma carga tributária inferior a quem vem despontando nos relatórios da Receita Federal. Oficialmente, a estimativa do Governo é que as receitas de impostos e contribuições cheguem a R$ 411,6 bilhões neste ano, R$ 16,8 bilhões a mais do que a previsão do início do ano. Mas técnicos da equipe econômica admitem que o valor final poderá ficar ainda maior até 31 de dezembro.
A idéia na equipe econômica é que as desonerações já surtissem efeito neste ano. Ou seja, que os empresários pudessem usar os créditos acumulados de PIS/Cofins e IPI para abater da parcela que pagarão no próximo mês. Além disso, a redução da carga tributária poderia ajudar na negociação para aprovação da CPMF. Mas os acontecimentos da semana passada, quando o PSDB fechou posição contra a renovação do imposto, fez o Planalto recuar e criou um outro dilema para a equipe econômica: como administrar os gastos e o superávit primário neste final de ano.
Governo abre o cofre
Apenas nos últimos cinco dias, o Governo Federal liberou o pagamento de cerca de R$ 206,8 milhões em emendas orçamentárias. Levantamento feito pela Assessoria de Orçamento da liderança dos Democratas no Senado mostra que esse valor chega a cerca de R$ 515 milhões se forem considerados apenas os totais liberados pelo Governo durante novembro.
Para os dirigentes do DEM, esse processo indica que o Governo estaria liberando recursos para garantir votos para a aprovação da proposta de prorrogação da CPMF.
Segundo o levantamento, as emendas liberadas em novembro superam amplamente os recursos disponibilizados pelo Governo nos meses anteriores. Em outubro, esse tipo de liberação atingiu cerca de R$ 173, 3 milhões. Em setembro, esse valor foi um pouco maior: R$ 265 milhões. Em agosto, tinha sido de R$ 210,9 milhões.
As emendas contemplam todos os partidos, incluindo os de oposição, embora a maioria dos de recursos seja destinada aos integrantes da base de sustentação do presidente Lula no Congresso.
Márcio Falcão
Jornal de Brasília
Jornal de Brasília
Calendário adia definição do imposto para janeiro. Seria suspenso por 90 dias
Enquanto o Palácio do Planalto endurece o discurso e pressiona em várias frentes para garantir a aprovação no Senado da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prorroga até 2011 a CPMF, a oposição prepara um contra-ataque regimental. Os oposicionistas sustentam que, se for necessário, podem adiar a votação do imposto do cheque, em segundo turno, para 2008, mais precisamente para o dia 11 de janeiro. Isso equivaleria suspender a cobrança da CPMF pelos primeiros 90 dias do próximo ano.
O esboço de um calendário circula pelos gabinetes de senadores da oposição e mostra todas as manobras permitidas no Regimento Interno do Senado que poderão ser utilizadas durante a tramitação da PEC no plenário da Casa. Apelidado de calendário "hipotético", as datas deixam qualquer governista em alerta.
Assim como ocorreu, o prazo previsto pela oposição para o início das discussões da CPMF era a sessão de ontem. Após apreciarem duas medidas provisórias que tracavam a pauta, os senadores abriram a análise em plenário da proposta, que foi aprovada por 12 votos a favor e nove contrários na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O texto é do líder do Governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), que defende a manutenção da CPMF.
Agora, oposicionistas e base aliada têm até a próxima terça-feira para apresentar emendas à proposta. Como o Governo tem pressa, a expectativa da oposição é de que Jucá apresente logo no dia seguinte seu relatório sobre as emendas. Um partido da oposição deverá pedir vistas e adiar por mais cinco sessões – portanto para 12 de dezembro – a votação do parecer das emendas. Pelo regimento, se quiser o presidente da CCJ pode demorar até 30 dias para emitir parecer sobre as emendas em primeiro turno.
O parecer tem que ser publicado no Diário Oficial, o que levará o primeiro turno da votação da CPMF para 17 de dezembro. Isso significa um atraso de quatro dias no calendário do presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC). Entre os dias 18 e 24 contariam os dias de intervalo necessários entre o primeiro e o segundo turno.
A estratégia dos oposicionistas para o segundo turno é mais intensa. Para começar, fazem questão de três dias de discussão da matéria, de 25 a 27 de dezembro. Querem ainda surpreender o Governo apresentando emendas de redação ao texto da CPMF, o que levaria a matéria de volta à CCJ. O presidente da Comissão, por sua vez, tem o limite de cinco dias para emitir parecer sobre as emendas de redação.
O bloco da oposição na Comissão deve fazer um novo pedido de vistas. Com essas medidas, que se desenrolariam de 28 de dezembro a 7 de janeiro, o parecer de Jucá na CCJ sobre as emendas de redação só seria analisado em 9 de janeiro. No dia seguinte, o parecer teria que ser publicado no Diário Oficial e, finalmente, em 11 de janeiro a PEC que prorroga a CPMF seria apreciada em segundo turno.
A idéia do Governo, dentro da previsão mais otimista, era colocar a segunda votação em plenário da CPMF em 21 de dezembro. A única saída para os aliados do presidente Lula derrubar as possíveis manobras regimentais que a oposição utilizará seria convocar sucessivas sessões extraordinárias para que os prazos regimentais fossem acelerados. Mas mesmo assim o segunto turno seria em 2008.
Oposição acredita ter 33 votos
A oposição não conta apenas com recursos regimentais para acabar com a continuidade da CPMF. Os líderes da oposição no Senado, José Agripino Maia (RN), do DEM, e Arthur Virgílio (AM), do PSDB, estão confiantes de que podem derrotar o Governo no voto. Eles acreditam que 33 senadores são contrários a CPMF, sendo 27 dos integrantes dos dois partidos – que já teriam se comprometido a votar contra a proposta do Palácio do Planalto –, além do apoio de até seis senadores da base aliada que sinalizam reprovar o imposto.
Seguiriam o voto da oposição os senadores: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Mão Santa (PMDB-PI), Pedro Simon (PMDB-RS), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), José Nery (PSOL-PA) e Geraldo Mesquita (PMDB-AC). Mesquita é o mais resistente a cravar um voto contra o Governo.
Com esses 33 votos para acabar a CPMF, a oposição derruba a prorrogação do imposto. São necessários 49 votos entre os 81 senadores para garantir sua prorrogação. "Temos hoje a faca e o queijo na mão para derrubar a matéria", argumentou o líder do PSDB no Senado.
A possível traição de senadores da base aliada é reconhecida até por lideranças alinhadas com o Planalto. Entre os senadores há o sentimento de desorganização em torno da CPMF. "Depois que ganhou na Comissão de Constituição e Justiça, o time se desarticulou. Deu uma relaxada. A oposição sabe disso. Se fosse hoje, (o Governo) perderia. Mas a votação ainda não aconteceu", avalia o líder do PSB, Renato Casagrande (ES).
A falta de entrosamento da base também chama atenção do líder do PMDB, Valdir Raupp (RO). Ele tem cobrado maior atenção de Lula aos senadores. "Concordo que a base está desarticulada. Há necessidade de reorganização. Mas ainda temos 15 dias", disse, esperançoso. (MF)
Planalto pára a Câmara
Faltando menos de um mês para o recesso do Congresso, o Governo jogou pesado e conseguiu travar a pauta de votação na Câmara dos Deputados. Tudo em nome de não atrapalhar a tramitação da CPMF. Mas isso quer dizer que os 513 parlamentares da Casa ficarão exatos 22 dias de braços cruzados, recebendo dinheiro público sem trabalhar.
A decisão foi anunciada ontem pelo líder do Governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), e contou com o aval do presidente da Casa, o também petista Arlindo Chinaglia (SP).
Fontana explicou que a base do Governo vai obstruir as votações no plenário até que o ambiente no Senado "se torne mais claro" em relação aos procedimentos de votação da prorrogação do imposto do cheque. Segundo ele, não é prudente enviar para o Senado medidas provisórias que dificultariam ainda mais a tramitação da CPMF.
Como as MPs estão trancando a pauta, se forem votadas na Câmara, terão prioridade de votação no Senado. Indagado sobre quanto tempo duraria essa obstrução, Fontana limitou-se a dizer que vai depender da estratégia adotada pela oposição no Senado.
Depois que a pauta da Câmara for destravada, deverão ganhar prioridade o projeto de lei que reformula o ProJovem e as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que disciplinam o número de vereadores e os limites de gastos com as câmaras municipais.
Nos bastidores do Planalto, aliados do presidente Lula já admitem uma possível derrota nas negociações da CPMF. Temendo perder a batalha, Lula tenta adiar agora projetos e programas importantes do Governo por julgar que, sem a contribuição, não se terá fôlego suficiente.
"Tínhamos o interesse de apresentar nos próximos 15 dias a política industrial, assim como queríamos apresentar a política tributaria e não vamos apresentar. E por que não? Por que eu não sei o que vai acontecer. Eu vou esperar para ver o que vai acontecer com a CPMF", reclamou Lula.
A manobra da base revoltou os líderes de oposição. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) criticou a estratégia do Governo e classificou a decisão como irresponsável. "Isso é inadmissível. É um desrespeito com o contribuinte".
Equipe econômica perdida
O impasse em torno da CPMF deixou a equipe econômica desorientada. Até a semana passada, os técnicos dos ministérios da Fazenda e do Planejamento vinham trabalhando com a ordem de "acelerar gastos" e preparar um pacote de desoneração tributária, mas a perspectiva de perder os R$ 40 bilhões do imposto do cheque em 2008 fez o Palácio do Planalto determinar a interrupção de todos os planos em discussão.
As novas desonerações poderiam somar R$ 5 bilhões já em 2007 e serviriam para o Governo mostrar uma carga tributária inferior a quem vem despontando nos relatórios da Receita Federal. Oficialmente, a estimativa do Governo é que as receitas de impostos e contribuições cheguem a R$ 411,6 bilhões neste ano, R$ 16,8 bilhões a mais do que a previsão do início do ano. Mas técnicos da equipe econômica admitem que o valor final poderá ficar ainda maior até 31 de dezembro.
A idéia na equipe econômica é que as desonerações já surtissem efeito neste ano. Ou seja, que os empresários pudessem usar os créditos acumulados de PIS/Cofins e IPI para abater da parcela que pagarão no próximo mês. Além disso, a redução da carga tributária poderia ajudar na negociação para aprovação da CPMF. Mas os acontecimentos da semana passada, quando o PSDB fechou posição contra a renovação do imposto, fez o Planalto recuar e criou um outro dilema para a equipe econômica: como administrar os gastos e o superávit primário neste final de ano.
Governo abre o cofre
Apenas nos últimos cinco dias, o Governo Federal liberou o pagamento de cerca de R$ 206,8 milhões em emendas orçamentárias. Levantamento feito pela Assessoria de Orçamento da liderança dos Democratas no Senado mostra que esse valor chega a cerca de R$ 515 milhões se forem considerados apenas os totais liberados pelo Governo durante novembro.
Para os dirigentes do DEM, esse processo indica que o Governo estaria liberando recursos para garantir votos para a aprovação da proposta de prorrogação da CPMF.
Segundo o levantamento, as emendas liberadas em novembro superam amplamente os recursos disponibilizados pelo Governo nos meses anteriores. Em outubro, esse tipo de liberação atingiu cerca de R$ 173, 3 milhões. Em setembro, esse valor foi um pouco maior: R$ 265 milhões. Em agosto, tinha sido de R$ 210,9 milhões.
As emendas contemplam todos os partidos, incluindo os de oposição, embora a maioria dos de recursos seja destinada aos integrantes da base de sustentação do presidente Lula no Congresso.