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Publicado: 23/11/2007 | 09:17
PSDB unido contra o projeto da re-reeleição
Gustavo Krieger e Leandro Colon
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Partido coloca como bandeira política da legenda o desafio de impedir que o presidente Lula venha a disputar um terceiro mandato em 2010
A Convenção Nacional do PSDB deixou clara qual é a nova bandeira política dos tucanos: impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dispute um terceiro mandato em 2010. O medo de uma mudança constitucional que permita a continuidade de Lula no poder foi o principal assunto no discurso dos líderes partidários (leia mais na página 6). O pronunciamento mais duro foi do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele acusou os petistas de tentarem subverter a democracia ao propor que o presidente da República tenha o poder de convocar plebiscitos. “A democracia não pode ser substituída pela mera consulta de quem está lá em cima à massa popular”, advertiu. “Democracia não é massa”. Ele comparou a idéia de permitir sucessivas reeleições do presidente às mais duras ditaduras da história da humanidade. “Hitler foi eleito. Mussolini foi eleito. Até Stalin era eleito”.
A preocupação com o terceiro mandato já envolve os tucanos há um bom tempo, mas ganhou força ontem, depois que deputados governistas tentaram uma manobra na Comissão de Constituição e Justiça. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da CCJ, tentou inverter a pauta para permitir a votação de uma emenda constitucional que prevê o fim da reeleição e a ampliação para cinco anos dos mandatos do presidente da República, governadores e prefeitos. Embora a emenda fosse contra a reeleição, acendeu o alarme dos tucanos. Eles acham que os governistas tentavam uma jogada. Se a emenda começasse a tramitar, seria criada uma comissão especial para discutir o assunto. Lá, o governo poderia tentar a reeleição ilimitada.
A possibilidade acendeu a veia bélica dos tucanos. O líder do partido na Câmara, Antônio Carlos Panunzio (SP), lembrou a revolucionária espanhola Dolores Ibarruri. Durante a greve civil espanhola, ela cunhou a frase “Não passarão”, que tornou-se um lema dos republicanos. “Os que querem derrotar a democracia brasileira não passarão”, disse. O líder no Senado, Arthur Virgílio (AM) também apelou para uma metáfora de guerra. “O terceiro mandato será o Waterloo do presidente Lula”, afirmou numa referência à batalha em que o imperador francês Napoleão Bonaparte foi derrotado.
Ataques
A crítica ao governo Lula foi a marca dos discursos tucanos. Alguns militantes levavam faixas nas quais chamavam o presidente de “falastrão”. Um grupo de cerca de 30 integrantes da juventude do partido chegou a promover duas pequenas manifestações. Uma em frente ao prédio onde ocorria a convenção e outra em seu plenário. Ataques ao governo eram garantia de aplauso. E ninguém foi mais aplaudido que Fernando Henrique.
“Não podemos ficar parados diante do que acontece no país”, disse o ex-presidente. “Nós deixamos que a vulgaridade se transformasse em critério para tudo nesse país. Não é preciso ser vulgar para ser popular”. Ele acusou o governo de corrupção e de aparelhar a máquina pública.
Unidade dividida
Os discursos na convenção do PSDB não se cansaram de enfatizar a unidade no partido, mas não conseguiram disfarçar as divisões que ainda existem na cúpula tucana. Por mais que o partido negue, hoje se divide entre os adeptos dos três possíveis candidatos à presidência da República em 2010. Os governadores José Serra e Aécio Neves e o candidato derrotado na eleição passada, Geraldo
Alckmin. Essa divisão apareceu em algumas provocações nos discursos mas ficou clara na disputa por cargos na nova executiva nacional.
O primeiro embate foi cerimonial. Serra atrasou o quanto pôde sua chegada à convenção, para chegar depois de Aécio. Não conseguiu. O governador mineiro foi o último a chegar, alegando problemas com o avião. Entrou na sala quando Serra estava no meio do discurso. Quando chegou sua vez de falar, desculpou-se em tom provocativo. “Hoje é um dia muito especial para mim”, disse. “Estou me sentindo como o Serra. Cheguei atrasado e atrapalhei o orador. Peço desculpas ao Serra”.
Os tucanos provocaram-se com bom humor. Ao ver que Serra abraçava o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), Alckmin brincou: “a careca do Serra está igual à do Arruda”. O governador de São Paulo devolveu a brincadeira quando chegou sua vez de falar. “A careca do Geraldo Alckmin é mais brilhante”.
A poucas horas de definir sua nova executiva, o PSDB ainda tinha dúvidas sobre os nomes. Aliados de Serra, Alckmin e Aécio disputam cada espaço no comando do partido. Sobrou para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), sem ligação com nenhum dos três. Convidado inicialmente para assumir a secretaria-geral, Fruet perdeu a vaga para o deputado Rodrigo de Castro (MG), afilhado político de Aécio. Fruet então foi informado que ficaria com a primeira vice-presidência. Na última hora, teve que abrir mão para a senadora Marisa Serrano (MS). Em troca, avisaram-no que poderia disputar a liderança da bancada do partido na Câmara. Mas já está sabendo que aliados de Serra trabalham por um nome próximo do governador, e Alckmin mantém esperanças de emplacar alguém de seu grupo político. Fruet não escondeu a irritação. Em tom de brincadeira, revelou sua insatisfação. “Acabaram-se os tapetes para serem puxados”, disse.
Outro palco de disputa no PSDB foi o Instituto Teotônio Vilela, entidade responsável pela formação política do partido e que conta com grande verba financeira. Aliado de Alckmin, o deputado Paulo Renato Souza (SP) postulou a vaga. Perdeu para o deputado Luiz Paulo Veloso Lucas (ES), da tropa de choque de Serra. Paulo Renato se rebelou e chegou a dizer que não queria mais nenhum cargo no partido. Mas deve ser convencido a assumir uma secretaria. Até ontem à noite, a mais cotada era a de Relações Internacionais.
Gustavo Krieger e Leandro Colon
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Partido coloca como bandeira política da legenda o desafio de impedir que o presidente Lula venha a disputar um terceiro mandato em 2010
A Convenção Nacional do PSDB deixou clara qual é a nova bandeira política dos tucanos: impedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dispute um terceiro mandato em 2010. O medo de uma mudança constitucional que permita a continuidade de Lula no poder foi o principal assunto no discurso dos líderes partidários (leia mais na página 6). O pronunciamento mais duro foi do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele acusou os petistas de tentarem subverter a democracia ao propor que o presidente da República tenha o poder de convocar plebiscitos. “A democracia não pode ser substituída pela mera consulta de quem está lá em cima à massa popular”, advertiu. “Democracia não é massa”. Ele comparou a idéia de permitir sucessivas reeleições do presidente às mais duras ditaduras da história da humanidade. “Hitler foi eleito. Mussolini foi eleito. Até Stalin era eleito”.
A preocupação com o terceiro mandato já envolve os tucanos há um bom tempo, mas ganhou força ontem, depois que deputados governistas tentaram uma manobra na Comissão de Constituição e Justiça. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da CCJ, tentou inverter a pauta para permitir a votação de uma emenda constitucional que prevê o fim da reeleição e a ampliação para cinco anos dos mandatos do presidente da República, governadores e prefeitos. Embora a emenda fosse contra a reeleição, acendeu o alarme dos tucanos. Eles acham que os governistas tentavam uma jogada. Se a emenda começasse a tramitar, seria criada uma comissão especial para discutir o assunto. Lá, o governo poderia tentar a reeleição ilimitada.
A possibilidade acendeu a veia bélica dos tucanos. O líder do partido na Câmara, Antônio Carlos Panunzio (SP), lembrou a revolucionária espanhola Dolores Ibarruri. Durante a greve civil espanhola, ela cunhou a frase “Não passarão”, que tornou-se um lema dos republicanos. “Os que querem derrotar a democracia brasileira não passarão”, disse. O líder no Senado, Arthur Virgílio (AM) também apelou para uma metáfora de guerra. “O terceiro mandato será o Waterloo do presidente Lula”, afirmou numa referência à batalha em que o imperador francês Napoleão Bonaparte foi derrotado.
Ataques
A crítica ao governo Lula foi a marca dos discursos tucanos. Alguns militantes levavam faixas nas quais chamavam o presidente de “falastrão”. Um grupo de cerca de 30 integrantes da juventude do partido chegou a promover duas pequenas manifestações. Uma em frente ao prédio onde ocorria a convenção e outra em seu plenário. Ataques ao governo eram garantia de aplauso. E ninguém foi mais aplaudido que Fernando Henrique.
“Não podemos ficar parados diante do que acontece no país”, disse o ex-presidente. “Nós deixamos que a vulgaridade se transformasse em critério para tudo nesse país. Não é preciso ser vulgar para ser popular”. Ele acusou o governo de corrupção e de aparelhar a máquina pública.
Unidade dividida
Os discursos na convenção do PSDB não se cansaram de enfatizar a unidade no partido, mas não conseguiram disfarçar as divisões que ainda existem na cúpula tucana. Por mais que o partido negue, hoje se divide entre os adeptos dos três possíveis candidatos à presidência da República em 2010. Os governadores José Serra e Aécio Neves e o candidato derrotado na eleição passada, Geraldo
Alckmin. Essa divisão apareceu em algumas provocações nos discursos mas ficou clara na disputa por cargos na nova executiva nacional.
O primeiro embate foi cerimonial. Serra atrasou o quanto pôde sua chegada à convenção, para chegar depois de Aécio. Não conseguiu. O governador mineiro foi o último a chegar, alegando problemas com o avião. Entrou na sala quando Serra estava no meio do discurso. Quando chegou sua vez de falar, desculpou-se em tom provocativo. “Hoje é um dia muito especial para mim”, disse. “Estou me sentindo como o Serra. Cheguei atrasado e atrapalhei o orador. Peço desculpas ao Serra”.
Os tucanos provocaram-se com bom humor. Ao ver que Serra abraçava o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), Alckmin brincou: “a careca do Serra está igual à do Arruda”. O governador de São Paulo devolveu a brincadeira quando chegou sua vez de falar. “A careca do Geraldo Alckmin é mais brilhante”.
A poucas horas de definir sua nova executiva, o PSDB ainda tinha dúvidas sobre os nomes. Aliados de Serra, Alckmin e Aécio disputam cada espaço no comando do partido. Sobrou para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), sem ligação com nenhum dos três. Convidado inicialmente para assumir a secretaria-geral, Fruet perdeu a vaga para o deputado Rodrigo de Castro (MG), afilhado político de Aécio. Fruet então foi informado que ficaria com a primeira vice-presidência. Na última hora, teve que abrir mão para a senadora Marisa Serrano (MS). Em troca, avisaram-no que poderia disputar a liderança da bancada do partido na Câmara. Mas já está sabendo que aliados de Serra trabalham por um nome próximo do governador, e Alckmin mantém esperanças de emplacar alguém de seu grupo político. Fruet não escondeu a irritação. Em tom de brincadeira, revelou sua insatisfação. “Acabaram-se os tapetes para serem puxados”, disse.
Outro palco de disputa no PSDB foi o Instituto Teotônio Vilela, entidade responsável pela formação política do partido e que conta com grande verba financeira. Aliado de Alckmin, o deputado Paulo Renato Souza (SP) postulou a vaga. Perdeu para o deputado Luiz Paulo Veloso Lucas (ES), da tropa de choque de Serra. Paulo Renato se rebelou e chegou a dizer que não queria mais nenhum cargo no partido. Mas deve ser convencido a assumir uma secretaria. Até ontem à noite, a mais cotada era a de Relações Internacionais.