antigas Publicado: 23/10/2007 | 08:45

Sem clima para voltar

Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

Isolado, Renan Calheiros pede uma licença médica de 10 dias e adia seu retorno ao Senado. Na Casa, a oposição discute abertamente um substituto para o senador peemedebista 
 
O senador Renan Calheiros pediu licença médica por 10 dias, período em que poderá faltar às sessões do Senado sem sofrer descontos no salário. O motivo alegado pelo presidente licenciado da Casa é a realização de exames médicos. Renan pretendia voltar ao plenário do Senado hoje, porém, segundo a assessoria do parlamentar, teria mudado de idéia na tarde de ontem. Nos bastidores, o senador tem se queixado do comportamento de antigos aliados, que hoje estão a favor de sua cassação. Também deixa claro que pretende “chutar o pau da barraca” se for abandonado pelo PT, embora com a ressalva de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula agiu corretamente com ele durante toda a crise.

Ontem, o presidente Lula discutiu a situação do Senado com o ex-líder do governo Aloizio Mercadante. Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, o petista se tornou um dos principais desafetos de Renan e insiste na sua renúncia ao cargo de presidente do Senado. Como a prioridade do governo é a aprovação da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF), a briga entre os dois preocupa o presidente da República, que não recebia o senador petista em audiência desde as eleições.

O governo até agora não reuniu forças para aprovar a prorrogação do imposto sem negociar com a oposição e corre o risco de uma derrota se os aliados de Renan decidirem fazer qualquer retaliação. Por enquanto, Renan simplesmente lava as mãos, pois considera a prorrogação da CPMF um abacaxi que o presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC), e o PT devem descascar.

Além de não se conformar com a atitude de Mercadante, Renan tem se queixado de Viana. Avalia que o presidente interino do Senado vem assumindo uma posição diligente demais em relação às denúncias do PSol contra ele. Não se conforma, por exemplo, com o fato de Viana ter aceitado de pronto a acusação de que teria espionado os senadores Marconi Perilo (PSDB-GO) e Demostenes Torres (DEM-GO), com base em denúncia de que o ex-senador Francisco Escórcio, então lotado em seu gabinete como assessor especial, teria ido a Goiânia para levantar supostas denúncias contra os dois parlamentares da oposição. Renan alega que não se responsabiliza pelas atividades de Escórcio, que nega a acusação.

Pressão
Renan também pressiona Viana para que não aceite a representação contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Disse a interlocutores que prescreveu a denúncia contra o senador, que teria utilizado um caixa 2 de campanha nas eleições de 1998, quando disputou e perdeu a reeleição para governo de Minas. Segundo Renan, a Mesa já rejeitou uma representação anterior sobre o assunto. É um recado de Renan para agradar aos tucanos, com quem busca uma aproximação por intermédio do senador João Tenório (PSDB-AL), em cuja residência assistiu ao último jogo da seleção brasileira, na quarta-feira.

Outro alvo das queixas de Renan é o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), que se articula com a oposição para tentar sucedê-lo. Renan mina as articulações do colega de bancada junto aos aliados. Segundo ele, Garibaldi não seria confiável porque mudou de posição na véspera de seu julgamento, um dia depois de ter garantido em conversa pessoal que votaria pela absolvição. Os senadores Gérson Camata (PMDB-ES) e Pedro Simon (PMDB-RS), também cotados para ocupar a presidência do senado, são vetados por Renan, considerado um grande eleitor na própria sucessão.

Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

Isolado, Renan Calheiros pede uma licença médica de 10 dias e adia seu retorno ao Senado. Na Casa, a oposição discute abertamente um substituto para o senador peemedebista 
 
O senador Renan Calheiros pediu licença médica por 10 dias, período em que poderá faltar às sessões do Senado sem sofrer descontos no salário. O motivo alegado pelo presidente licenciado da Casa é a realização de exames médicos. Renan pretendia voltar ao plenário do Senado hoje, porém, segundo a assessoria do parlamentar, teria mudado de idéia na tarde de ontem. Nos bastidores, o senador tem se queixado do comportamento de antigos aliados, que hoje estão a favor de sua cassação. Também deixa claro que pretende “chutar o pau da barraca” se for abandonado pelo PT, embora com a ressalva de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula agiu corretamente com ele durante toda a crise.

Ontem, o presidente Lula discutiu a situação do Senado com o ex-líder do governo Aloizio Mercadante. Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, o petista se tornou um dos principais desafetos de Renan e insiste na sua renúncia ao cargo de presidente do Senado. Como a prioridade do governo é a aprovação da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF), a briga entre os dois preocupa o presidente da República, que não recebia o senador petista em audiência desde as eleições.

O governo até agora não reuniu forças para aprovar a prorrogação do imposto sem negociar com a oposição e corre o risco de uma derrota se os aliados de Renan decidirem fazer qualquer retaliação. Por enquanto, Renan simplesmente lava as mãos, pois considera a prorrogação da CPMF um abacaxi que o presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC), e o PT devem descascar.

Além de não se conformar com a atitude de Mercadante, Renan tem se queixado de Viana. Avalia que o presidente interino do Senado vem assumindo uma posição diligente demais em relação às denúncias do PSol contra ele. Não se conforma, por exemplo, com o fato de Viana ter aceitado de pronto a acusação de que teria espionado os senadores Marconi Perilo (PSDB-GO) e Demostenes Torres (DEM-GO), com base em denúncia de que o ex-senador Francisco Escórcio, então lotado em seu gabinete como assessor especial, teria ido a Goiânia para levantar supostas denúncias contra os dois parlamentares da oposição. Renan alega que não se responsabiliza pelas atividades de Escórcio, que nega a acusação.

Pressão
Renan também pressiona Viana para que não aceite a representação contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Disse a interlocutores que prescreveu a denúncia contra o senador, que teria utilizado um caixa 2 de campanha nas eleições de 1998, quando disputou e perdeu a reeleição para governo de Minas. Segundo Renan, a Mesa já rejeitou uma representação anterior sobre o assunto. É um recado de Renan para agradar aos tucanos, com quem busca uma aproximação por intermédio do senador João Tenório (PSDB-AL), em cuja residência assistiu ao último jogo da seleção brasileira, na quarta-feira.

Outro alvo das queixas de Renan é o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), que se articula com a oposição para tentar sucedê-lo. Renan mina as articulações do colega de bancada junto aos aliados. Segundo ele, Garibaldi não seria confiável porque mudou de posição na véspera de seu julgamento, um dia depois de ter garantido em conversa pessoal que votaria pela absolvição. Os senadores Gérson Camata (PMDB-ES) e Pedro Simon (PMDB-RS), também cotados para ocupar a presidência do senado, são vetados por Renan, considerado um grande eleitor na própria sucessão.