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Publicado: 22/10/2007 | 08:54
Tião Viana tenta mostrar serviço
Leandro Colon
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Presidente interino do Senado acorda às 6h, sai cedo para trabalhar e se movimenta com a desenvoltura de quem não está ali só de passagem. Pode pleitear o comando da Casa, nem que seja em 2009
Senado, 8h. Funcionários do site e da TV da Casa aguardam no estacionamento o presidente interino, Tião Viana (PT-AC). Foram destacados para pegar a primeira declaração do dia do petista. No cargo há uma semana, Viana mudou a rotina de servidores do Senado. Logo no primeiro dia, chegou às 8h. Pegou de surpresa os integrantes do gabinete de Renan Calheiros (PMDB-AL), licenciado por 45 dias da Presidência do Senado após quase cinco meses de crise e processos no Conselho de Ética.
No mesmo dia em que assumiu o cargo, Viana deu ordens e trocou funcionários de confiança do peemedebista. E repetiu a rotina de amanhecer na Casa nos dias seguintes. Criticado por aliados de Renan, negou que esteja em movimento para ser efetivado no cargo. “A meta é cumprir minha obrigação neste período”, repete todos os dias.
Médico e casado com uma arquiteta, Viana, 46 anos, mora em um apartamento funcional do Senado com dois filhos pequenos. Outra filha, de 17 anos, estuda no exterior. Ao lado da família, frequenta restaurantes discretos nos finais de semana. A partir de segunda-feira, o petista acorda às 6h. Lê o noticiário até as 7h15 e, logo depois, vai para o Senado com o carro oficial da Presidência.
Embora tente disfarçar, seus passos nem sempre são de um interino. Se não for para ficar no cargo numa eventual sucessão de Renan, o petista quer mostrar serviço neste período para, pelo menos, se cacifar a uma disputa pelo comando do Senado em fevereiro de 2009. Até lá, o PT avalia se tem condições de colocar o Senado no acordo feito com o PMDB na Câmara.
Os deputados dos dois partidos fizeram aliança para a eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) no comando na Casa, em fevereiro deste ano. Em troca, o PT apoiará um nome do PMDB em 2009 para a sucessão de Chinaglia. Os petistas sonham com a possibilidade da mesma retribuição no Senado. E os 45 dias de Viana podem fazer parte dessa estratégia.
A CPMF
O senador estabeleceu prioridades durante sua permanência na Presidência da Casa. A principal é aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) num clima de negociação e tranqüilidade. Ele também promete, por exemplo, tentar votar nesta semana a emenda constitucional que acaba com o voto secreto no Congresso.
A interinidade de Viana pode até passar dos 45 dias se Renan prorrogar sua licença. Isso dependerá de o PMDB encontrar um nome para suceder o senador alagoano, que já avisou que não retomará o cargo. Como maior bancada do Senado, o partido não abre mão de escolher o substituto. O próprio Renan trabalha para isso. Quer alguém que o ajude nos processos que ainda sofre no Conselho de Ética.
O primeiro nome a surgir, José Sarney (PMDB-AP), perdeu força. Vetado pelo PSDB, Sarney disse que não pretende voltar ao cargo que já ocupou no passado. Outros senadores aparecem na bolsa de apostas do Senado: Garibaldi Alves Filho (RN), Pedro Simon (RS), José Maranhão (PB) e até o ministro das Comunicações, Hélio Costa (MG), licenciado do mandato.
Todos, entretanto, enfrentam resistências que prejudicam um consenso, não só em outros partidos, como na própria bancada. Senadores do PMDB avaliam que está difícil encontrar alguém com o perfil de Renan antes da crise: um político com força dentro da bancada, que tem boa circulação na base aliada do governo e na oposição — e que agrade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A meta é cumprir minha obrigação
Tião Viana (PT-AC), presidente interino do Senado.
Leandro Colon
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Presidente interino do Senado acorda às 6h, sai cedo para trabalhar e se movimenta com a desenvoltura de quem não está ali só de passagem. Pode pleitear o comando da Casa, nem que seja em 2009
Senado, 8h. Funcionários do site e da TV da Casa aguardam no estacionamento o presidente interino, Tião Viana (PT-AC). Foram destacados para pegar a primeira declaração do dia do petista. No cargo há uma semana, Viana mudou a rotina de servidores do Senado. Logo no primeiro dia, chegou às 8h. Pegou de surpresa os integrantes do gabinete de Renan Calheiros (PMDB-AL), licenciado por 45 dias da Presidência do Senado após quase cinco meses de crise e processos no Conselho de Ética.
No mesmo dia em que assumiu o cargo, Viana deu ordens e trocou funcionários de confiança do peemedebista. E repetiu a rotina de amanhecer na Casa nos dias seguintes. Criticado por aliados de Renan, negou que esteja em movimento para ser efetivado no cargo. “A meta é cumprir minha obrigação neste período”, repete todos os dias.
Médico e casado com uma arquiteta, Viana, 46 anos, mora em um apartamento funcional do Senado com dois filhos pequenos. Outra filha, de 17 anos, estuda no exterior. Ao lado da família, frequenta restaurantes discretos nos finais de semana. A partir de segunda-feira, o petista acorda às 6h. Lê o noticiário até as 7h15 e, logo depois, vai para o Senado com o carro oficial da Presidência.
Embora tente disfarçar, seus passos nem sempre são de um interino. Se não for para ficar no cargo numa eventual sucessão de Renan, o petista quer mostrar serviço neste período para, pelo menos, se cacifar a uma disputa pelo comando do Senado em fevereiro de 2009. Até lá, o PT avalia se tem condições de colocar o Senado no acordo feito com o PMDB na Câmara.
Os deputados dos dois partidos fizeram aliança para a eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) no comando na Casa, em fevereiro deste ano. Em troca, o PT apoiará um nome do PMDB em 2009 para a sucessão de Chinaglia. Os petistas sonham com a possibilidade da mesma retribuição no Senado. E os 45 dias de Viana podem fazer parte dessa estratégia.
A CPMF
O senador estabeleceu prioridades durante sua permanência na Presidência da Casa. A principal é aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) num clima de negociação e tranqüilidade. Ele também promete, por exemplo, tentar votar nesta semana a emenda constitucional que acaba com o voto secreto no Congresso.
A interinidade de Viana pode até passar dos 45 dias se Renan prorrogar sua licença. Isso dependerá de o PMDB encontrar um nome para suceder o senador alagoano, que já avisou que não retomará o cargo. Como maior bancada do Senado, o partido não abre mão de escolher o substituto. O próprio Renan trabalha para isso. Quer alguém que o ajude nos processos que ainda sofre no Conselho de Ética.
O primeiro nome a surgir, José Sarney (PMDB-AP), perdeu força. Vetado pelo PSDB, Sarney disse que não pretende voltar ao cargo que já ocupou no passado. Outros senadores aparecem na bolsa de apostas do Senado: Garibaldi Alves Filho (RN), Pedro Simon (RS), José Maranhão (PB) e até o ministro das Comunicações, Hélio Costa (MG), licenciado do mandato.
Todos, entretanto, enfrentam resistências que prejudicam um consenso, não só em outros partidos, como na própria bancada. Senadores do PMDB avaliam que está difícil encontrar alguém com o perfil de Renan antes da crise: um político com força dentro da bancada, que tem boa circulação na base aliada do governo e na oposição — e que agrade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A meta é cumprir minha obrigação
Tião Viana (PT-AC), presidente interino do Senado.