antigas Publicado: 19/10/2007 | 10:01

Arrecadação recorde

Ricardo Allan
Correio Braziliense

Até setembro, a União recolheu 10% a mais em tributos do que no mesmo período de 2006. Resultado de R$ 378 bilhões é histórico
 
Apesar das negativas do governo de que a carga tributária aumentou, o recolhimento de impostos e contribuições vem crescendo num ritmo equivalente ao dobro da velocidade de expansão da economia. A arrecadação acumulada até setembro chegou a R$ 378,09 bilhões, numa elevação real (descontada a inflação medida pelo IPCA) de 10% na comparação com igual período do ano passado. Mais uma vez, o volume é recorde. Ao mesmo tempo, a economia não está crescendo mais do que 5%. O apurado no mês passado, num montante de R$ 48,48 bilhões, também atingiu uma marca inédita para meses de setembro.

Segundo o secretário-adjunto da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, o aumento da arrecadação tem sido “saudável”. “O crescimento das receitas advém da maior lucratividade das empresas, especialmente em alguns setores, e da expansão da economia como um todo. Não há aumento de alíquotas de impostos”, afirmou. Os setores que mais têm contribuído para o aumento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) são os de fabricação de automóveis, telecomunicações, metalurgia, eletricidade e o segmento financeiro. Esses setores têm uma carga maior. O IRPJ cresceu 13,61% em termos reais, apurando R$ 50,57 bilhões até agora.

O coordenador de Previsão e Análise da Receita, Raimundo Eloi de Carvalho, rebateu um dos argumentos mais usados pela oposição para rejeitar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011, como quer o governo. Os senadores afirmam que existe hoje um “excedente de arrecadação”. Segundo Carvalho, excluídas as restituições e a contribuição previdenciária, o orçamento do ano prevê uma arrecadação líquida de R$ 412 bilhões. A última estimativa é de que o governo conseguirá R$ 410 bilhões, R$ 2 bilhões a menos do que o necessário para o cumprimento total do orçamento.

“A arrecadação está comprometida com as despesas previstas no orçamento. Não há nenhum excedente. Há falta”, assegurou. Até setembro, a arrecadação líquida somou R$ 301,49 bilhões, o equivalente a 73,5% do esperado no ano. O argumento dos senadores é de que o governo vai economizar R$ 53 bilhões neste ano para pagar parte dos juros sobre a dívida. Além disso, vem ampliando as despesas, a exemplo da contratação de novos funcionários. 
 
Sobe déficit do INSS
Influenciado pela antecipação de metade do 13º salário de aposentados e pensionistas, o déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atingiu R$ 9,1 bilhões em setembro, o maior valor mensal da história. No entanto, na comparação com setembro do ano passado, quando também houve a antecipação, o crescimento foi de 1,9%. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, o saldo negativo das contas da Previdência está em R$ 36,1 bilhões, uma pequena elevação de 0,9% sobre igual período de 2006.

A relativa estabilidade vem sendo garantida pelo forte crescimento da arrecadação, de 9,5% no acumulado do ano — enquanto os gastos aumentaram em ritmo menor, em 7,1%. O governo, que no início do ano previa um rombo de R$ 47 bilhões para 2007, já fala em R$ 44,4 bilhões.

“A continuidade da melhora do mercado de trabalho, com crescimento da arrecadação acima da alta das despesas, está fazendo com que a gente caminhe para a estabilidade (do déficit)”, afirmou o secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer. 



Ricardo Allan
Correio Braziliense

Até setembro, a União recolheu 10% a mais em tributos do que no mesmo período de 2006. Resultado de R$ 378 bilhões é histórico
 
Apesar das negativas do governo de que a carga tributária aumentou, o recolhimento de impostos e contribuições vem crescendo num ritmo equivalente ao dobro da velocidade de expansão da economia. A arrecadação acumulada até setembro chegou a R$ 378,09 bilhões, numa elevação real (descontada a inflação medida pelo IPCA) de 10% na comparação com igual período do ano passado. Mais uma vez, o volume é recorde. Ao mesmo tempo, a economia não está crescendo mais do que 5%. O apurado no mês passado, num montante de R$ 48,48 bilhões, também atingiu uma marca inédita para meses de setembro.

Segundo o secretário-adjunto da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, o aumento da arrecadação tem sido “saudável”. “O crescimento das receitas advém da maior lucratividade das empresas, especialmente em alguns setores, e da expansão da economia como um todo. Não há aumento de alíquotas de impostos”, afirmou. Os setores que mais têm contribuído para o aumento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) são os de fabricação de automóveis, telecomunicações, metalurgia, eletricidade e o segmento financeiro. Esses setores têm uma carga maior. O IRPJ cresceu 13,61% em termos reais, apurando R$ 50,57 bilhões até agora.

O coordenador de Previsão e Análise da Receita, Raimundo Eloi de Carvalho, rebateu um dos argumentos mais usados pela oposição para rejeitar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011, como quer o governo. Os senadores afirmam que existe hoje um “excedente de arrecadação”. Segundo Carvalho, excluídas as restituições e a contribuição previdenciária, o orçamento do ano prevê uma arrecadação líquida de R$ 412 bilhões. A última estimativa é de que o governo conseguirá R$ 410 bilhões, R$ 2 bilhões a menos do que o necessário para o cumprimento total do orçamento.

“A arrecadação está comprometida com as despesas previstas no orçamento. Não há nenhum excedente. Há falta”, assegurou. Até setembro, a arrecadação líquida somou R$ 301,49 bilhões, o equivalente a 73,5% do esperado no ano. O argumento dos senadores é de que o governo vai economizar R$ 53 bilhões neste ano para pagar parte dos juros sobre a dívida. Além disso, vem ampliando as despesas, a exemplo da contratação de novos funcionários. 
 
Sobe déficit do INSS
Influenciado pela antecipação de metade do 13º salário de aposentados e pensionistas, o déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atingiu R$ 9,1 bilhões em setembro, o maior valor mensal da história. No entanto, na comparação com setembro do ano passado, quando também houve a antecipação, o crescimento foi de 1,9%. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, o saldo negativo das contas da Previdência está em R$ 36,1 bilhões, uma pequena elevação de 0,9% sobre igual período de 2006.

A relativa estabilidade vem sendo garantida pelo forte crescimento da arrecadação, de 9,5% no acumulado do ano — enquanto os gastos aumentaram em ritmo menor, em 7,1%. O governo, que no início do ano previa um rombo de R$ 47 bilhões para 2007, já fala em R$ 44,4 bilhões.

“A continuidade da melhora do mercado de trabalho, com crescimento da arrecadação acima da alta das despesas, está fazendo com que a gente caminhe para a estabilidade (do déficit)”, afirmou o secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer.