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Publicado: 19/10/2007 | 09:57
Infiéis pedem ajuda ao TSE
Izabelle Torres
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Pressionados pela direção do Democratas, senadores que deixaram a sigla para aderir ao governo procuram a Justiça tentando mudar prazo legal para cassação de mandatos
Desesperados com a possibilidade de perderem os respectivos mandatos, os senadores César Borges (PR-BA), Edison Lobão (PMDB-MA) e Romeu Tuma (PTB-SP), todos ex-integrantes do DEM, foram ontem apelar ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello. O trio queria convencer Mello a levar em conta a data de 16 de outubro como limite fatal para os infiéis — ou seja, só estariam passíveis de cassação aqueles que pularam de partido depois desse dia. O entendimento da Corte é que a data válida para o corte é 27 de março e o presidente do tribunal não deu nenhuma garantia aos parlamentares de que isso vá mudar.
“Os três senadores vieram com o coração batendo mais forte. Eles buscam o que apontam como segurança jurídica e solicitam que a data seja imposta pelo TSE com referência à consulta sobre eleições majoritárias no dia 16 e não sobre as eleições proporcionais, em março”, contou o presidente. O encontro, que durou cerca de meia hora, não surtiu os efeitos pleiteados pelos senadores. O ministro explicou-lhes que tem posição definida sobre o assunto e defende a data de 27 de março como o marco temporal para o fim das trocas. “O meu convencimento é de que o princípio que prevalece nas eleições proporcionais foi único e serve também para cargos majoritários. Aqueles que mudaram após o resultado da primeira consulta feita ao TSE, mudaram sabendo que estariam correndo risco. Expliquei isso a eles”, disse.
Os senadores não quiseram comentar a visita. De forma até estranha, o baiano César Borges chegou mesmo a negar ter ido ao encontro de Marco Aurélio, apesar de a reportagem do Correio tê-lo visto chegando ao Supremo às 13h45 e deixando o prédio meia hora depois. “Essa informação de que estive no Supremo é falsa. Não sei nada sobre isso. Não fui pedir nada ao ministro. Essa informação está errada”, insistiu o senador.
Mandatos
A assessoria de Edison Lobão disse que o senador tem evitado falar sobre o assunto. Ele apenas afirma estar convicto de que a data imposta pelo TSE para cassação dos parlamentares eleitos pelo sistema majoritário será 16 de outubro e não 27 de março. O encontro com o ministro Marco Aurélio foi confirmado pela assessoria de Romeu Tuma, mas ele não foi encontrado para falar sobre o assunto.
A preocupação dos senadores faz sentido. O presidente nacional do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse que aguarda a publicação da resolução do TSE com as normas referentes ao processo de cassação dos infiéis para pedir a declaração de vacância dos cargos do trio. Maia disse que os parlamentares pediram que o partido não solicite as cassações, mas o pedido não será atendido. “Essa direção nacional está muito radical. Vamos pedir a cassação de todos os infiéis”, comentou.
A resolução do TSE com as regras para normatizar o procedimento dos processos de cassação dos políticos que deixaram as legendas pelas quais se elegeram deverá ser publicada na próxima quinta-feira. O ministro Marco Aurélio Mello diz que a data limite para anistiar os infiéis constará na resolução para garantir a segurança jurídica.
César Borges (BA)
Partido de origem – DEM
Partido atual – PR
Data da troca – 24 de setembro de 2007
Motivo da troca – Alegou “falta de espaço” no diretório baiano do DEM, entregue ao ex-governador Paulo Souto, seu adversário interno. Por conta disso, temia ficar sem vaga para concorrer ao Senado em 2010.
Romeu Tuma (SP)
Partido de origem – DEM
Partido atual – PTB
Data da troca – 8 de outubro de 2007
Motivo da troca – Alegou “maus tratos” da cúpula partidária. Mas está mesmo atrás de uma sigla para disputar a prefeitura de São Paulo em 2008. O DEM cogita lançar o prefeito Gilberto Kassab à reeleição.
Edison Lobão (MA)
Partido de origem – DEM
Partido atual – PMDB
Data da troca – 9 de outubro de 2007
Motivo da troca – Não deu maiores explicações para a mudança. Disse que é candidato ao governo do Maranhão em 2010 e foi apontado como futuro ministro das Minas e Energia indicado pelo padrinho político, José Sarney.
Tira-dúvidas - ABC da fidelidade
Veja as respostas às principais dúvidas sobre as novas regras políticas
Em que casos a perda do mandato poderá ser solicitada ao TSE?
Segundo o entendimento da Corte, os partidos poderão tentar reaver os cargos de políticos que deixaram as legendas. Os ministros ainda analisam como a Corte se posicionará em casos de expulsão e desobediência da orientação do partido nas votações.
Quem são os legitimados para pedir a cassação dos mandatos?
A maioria dos ministros defende que a legitimidade deve ser garantida aos partidos políticos, ao Ministério Público e ao suplente do candidato eleito.
Qual será o prazo para que os acusados apresentem a defesa?
O presidente do TSE defende o prazo de cinco dias para que os acusados tentem provar que não foram movidos por interesses individuais.
Quais os critérios para declarar a perda do mandato?
Os ministros já afirmaram que somente perseguição política e mudança de ideologia por parte da legenda devem ser justificativas plausíveis para a troca de partido político.
Qual o prazo de tramitação dos processos?
Os ministros acreditam que em dois ou três meses os processos deverão ser julgados.
O que acontece se o TSE decidir pela perda do mandato?
Assumirá o vice ou suplente do titular cassado.
O que acontece se vices e suplentes trocarem de partido?
Eles perderão os cargos. Os titulares deverão ficar sem os substitutos.
Nos casos em que titulares e vices tiverem abandonado as legendas, o que acontecerá?
Deverá haver nova eleição.
Se o vice for de um partido diferente do titutal cassado por infidelidade, assumirá mesmo assim?
Sim. De acordo com entendimento dos ministros, a existência de uma coligação implica acordo prévio entre os partidos.
Depois que o TSE decidir sobre a cassação de um político não haverá mais recursos?
Se alguma das partes (partido ou político) ficar insatisfeito, poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O entendimento do TSE sobre fidelidade implica cassação imediata dos infiéis?
Não. A posição do TSE serve apenas como uma consulta ou referência. Para efetivar as cassações, os partidos terão que iniciar novo processo contra os infiéis.
Izabelle Torres
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Pressionados pela direção do Democratas, senadores que deixaram a sigla para aderir ao governo procuram a Justiça tentando mudar prazo legal para cassação de mandatos
Desesperados com a possibilidade de perderem os respectivos mandatos, os senadores César Borges (PR-BA), Edison Lobão (PMDB-MA) e Romeu Tuma (PTB-SP), todos ex-integrantes do DEM, foram ontem apelar ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello. O trio queria convencer Mello a levar em conta a data de 16 de outubro como limite fatal para os infiéis — ou seja, só estariam passíveis de cassação aqueles que pularam de partido depois desse dia. O entendimento da Corte é que a data válida para o corte é 27 de março e o presidente do tribunal não deu nenhuma garantia aos parlamentares de que isso vá mudar.
“Os três senadores vieram com o coração batendo mais forte. Eles buscam o que apontam como segurança jurídica e solicitam que a data seja imposta pelo TSE com referência à consulta sobre eleições majoritárias no dia 16 e não sobre as eleições proporcionais, em março”, contou o presidente. O encontro, que durou cerca de meia hora, não surtiu os efeitos pleiteados pelos senadores. O ministro explicou-lhes que tem posição definida sobre o assunto e defende a data de 27 de março como o marco temporal para o fim das trocas. “O meu convencimento é de que o princípio que prevalece nas eleições proporcionais foi único e serve também para cargos majoritários. Aqueles que mudaram após o resultado da primeira consulta feita ao TSE, mudaram sabendo que estariam correndo risco. Expliquei isso a eles”, disse.
Os senadores não quiseram comentar a visita. De forma até estranha, o baiano César Borges chegou mesmo a negar ter ido ao encontro de Marco Aurélio, apesar de a reportagem do Correio tê-lo visto chegando ao Supremo às 13h45 e deixando o prédio meia hora depois. “Essa informação de que estive no Supremo é falsa. Não sei nada sobre isso. Não fui pedir nada ao ministro. Essa informação está errada”, insistiu o senador.
Mandatos
A assessoria de Edison Lobão disse que o senador tem evitado falar sobre o assunto. Ele apenas afirma estar convicto de que a data imposta pelo TSE para cassação dos parlamentares eleitos pelo sistema majoritário será 16 de outubro e não 27 de março. O encontro com o ministro Marco Aurélio foi confirmado pela assessoria de Romeu Tuma, mas ele não foi encontrado para falar sobre o assunto.
A preocupação dos senadores faz sentido. O presidente nacional do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse que aguarda a publicação da resolução do TSE com as normas referentes ao processo de cassação dos infiéis para pedir a declaração de vacância dos cargos do trio. Maia disse que os parlamentares pediram que o partido não solicite as cassações, mas o pedido não será atendido. “Essa direção nacional está muito radical. Vamos pedir a cassação de todos os infiéis”, comentou.
A resolução do TSE com as regras para normatizar o procedimento dos processos de cassação dos políticos que deixaram as legendas pelas quais se elegeram deverá ser publicada na próxima quinta-feira. O ministro Marco Aurélio Mello diz que a data limite para anistiar os infiéis constará na resolução para garantir a segurança jurídica.
César Borges (BA)
Partido de origem – DEM
Partido atual – PR
Data da troca – 24 de setembro de 2007
Motivo da troca – Alegou “falta de espaço” no diretório baiano do DEM, entregue ao ex-governador Paulo Souto, seu adversário interno. Por conta disso, temia ficar sem vaga para concorrer ao Senado em 2010.
Romeu Tuma (SP)
Partido de origem – DEM
Partido atual – PTB
Data da troca – 8 de outubro de 2007
Motivo da troca – Alegou “maus tratos” da cúpula partidária. Mas está mesmo atrás de uma sigla para disputar a prefeitura de São Paulo em 2008. O DEM cogita lançar o prefeito Gilberto Kassab à reeleição.
Edison Lobão (MA)
Partido de origem – DEM
Partido atual – PMDB
Data da troca – 9 de outubro de 2007
Motivo da troca – Não deu maiores explicações para a mudança. Disse que é candidato ao governo do Maranhão em 2010 e foi apontado como futuro ministro das Minas e Energia indicado pelo padrinho político, José Sarney.
Tira-dúvidas - ABC da fidelidade
Veja as respostas às principais dúvidas sobre as novas regras políticas
Em que casos a perda do mandato poderá ser solicitada ao TSE?
Segundo o entendimento da Corte, os partidos poderão tentar reaver os cargos de políticos que deixaram as legendas. Os ministros ainda analisam como a Corte se posicionará em casos de expulsão e desobediência da orientação do partido nas votações.
Quem são os legitimados para pedir a cassação dos mandatos?
A maioria dos ministros defende que a legitimidade deve ser garantida aos partidos políticos, ao Ministério Público e ao suplente do candidato eleito.
Qual será o prazo para que os acusados apresentem a defesa?
O presidente do TSE defende o prazo de cinco dias para que os acusados tentem provar que não foram movidos por interesses individuais.
Quais os critérios para declarar a perda do mandato?
Os ministros já afirmaram que somente perseguição política e mudança de ideologia por parte da legenda devem ser justificativas plausíveis para a troca de partido político.
Qual o prazo de tramitação dos processos?
Os ministros acreditam que em dois ou três meses os processos deverão ser julgados.
O que acontece se o TSE decidir pela perda do mandato?
Assumirá o vice ou suplente do titular cassado.
O que acontece se vices e suplentes trocarem de partido?
Eles perderão os cargos. Os titulares deverão ficar sem os substitutos.
Nos casos em que titulares e vices tiverem abandonado as legendas, o que acontecerá?
Deverá haver nova eleição.
Se o vice for de um partido diferente do titutal cassado por infidelidade, assumirá mesmo assim?
Sim. De acordo com entendimento dos ministros, a existência de uma coligação implica acordo prévio entre os partidos.
Depois que o TSE decidir sobre a cassação de um político não haverá mais recursos?
Se alguma das partes (partido ou político) ficar insatisfeito, poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O entendimento do TSE sobre fidelidade implica cassação imediata dos infiéis?
Não. A posição do TSE serve apenas como uma consulta ou referência. Para efetivar as cassações, os partidos terão que iniciar novo processo contra os infiéis.