antigas Publicado: 17/10/2007 | 09:21

Lula prevê a volta de Renan

Gustavo Krieger
Correio Braziliense

Em visita ao Congo, petista afirma que presidente do Senado pode reassumir após os 45 dias de licença. A declaração tem o objetivo de reduzir o conflito entre PT e PMDB, que disputam o cargo


 


O Palácio do Planalto não quer que Renan Calheiros (PMDB-AL) renuncie à Presidência do Senado por enquanto. O governo teme que um gesto nesse sentido precipite a disputa pela sucessão num momento politicamente delicado. Tudo que interessa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é aprovar a emenda constitucional que prorroga a CPMF. A missão já é complicada o suficiente. Ficará ainda pior se o PT e o PMDB, donos das duas maiores bancadas da base governista, se engalfinharem pela cadeira de Renan Calheiros. Ministros palacianos admitem que o governo não vê condições de ele reassumir o comando do Senado, mas consideram fundamental controlar o calendário sucessório.

Se Renan renunciar, o regimento do Senado prevê uma nova eleição no prazo máximo de cinco sessões ordinárias. É pouco tempo para consolidar um candidato de consenso. Para ter segurança, o governo teria de patrocinar um acordo antes de a cadeira ficar vaga. Para isso, interessa manter a fórmula atual, na qual ele está licenciado. Para começar, a licença é de 45 dias, mas o próprio Renan já anunciou a possibilidade de estendê-la.

Em conversas reservadas, Renan reconhece não ter condições de voltar à Presidência. Mas ele sabe que a possibilidade de renúncia é o último trunfo que lhe restou. Pode usá-la para negociar a salvação de seu mandato, tanto com o governo quanto com setores da oposição. Não por acaso, na segunda-feira deixou vazar boatos de que poderia renunciar a qualquer momento. Foi uma reação às atitudes do vice-presidente do Senado, o petista Tião Viana (AC). Tião assumiu o cargo interinamente, mas com ares de quem vai ficar. Despachou no gabinete da Presidência, usou o carro oficial e demitiu assessores. Irritado, Renan espalhou a notícia da renúncia. Se fizesse isso, encurtaria a interinidade de Tião e detonaria a sucessão antes que o governo estivesse preparado. O PMDB interpretou o movimento de Tião como mais um sinal de que o PT quer a presidência e ameaçou rebelar-se.

O presidente Lula agiu rápido. Do Congo, onde está em viagem oficial, mandou uma mensagem para acalmar Renan e o PMDB. Primeiro, disse que não comentaria a sucessão do Senado porque Renan afastou-se temporariamente e pode voltar ao cargo. Logo depois entrou no assunto e disse que o cargo é do PMDB. “A lógica do Congresso Nacional é de que quando um partido tem a presidência da Câmara, outro tem a Presidência do Senado”, disse. Foi um recado ao PT, que já tem Arlindo Chinaglia no comando da Câmara. Oficialmente, diz que o governo não vai se meter. “O problema surgiu dentro do Senado e a solução virá de dentro do Senado, afirmou.

Playboy


Apesar do discurso, o governo está em campo. Os ministros da coordenação política trabalham para evitar o conflito. O Planalto teme que a oposição incentive a candidatura de Tião Viana, para provocar uma disputa na base governista.Coincidência ou não, Tião Viana adotou um discurso mais cauteloso ontem. Disse que é cedo para falar em sucessão de Renan. “Esse debate é completamente inoportuno agora. O PT é a quarta bancada. Não sou candidato”.

Na entrevista concedida no Congo, Lula foi surpreendido por um repórter que perguntou se ele tinha visto a revista Playboy com as fotos da jornalista Mônica Veloso, ex-amante de Renan Calheiros. O presidente esquivou-se. “Não, não vi, desde que eu virei adulto, eu não vejo a Playboy.”

Gustavo Krieger
Correio Braziliense

Em visita ao Congo, petista afirma que presidente do Senado pode reassumir após os 45 dias de licença. A declaração tem o objetivo de reduzir o conflito entre PT e PMDB, que disputam o cargo


 


O Palácio do Planalto não quer que Renan Calheiros (PMDB-AL) renuncie à Presidência do Senado por enquanto. O governo teme que um gesto nesse sentido precipite a disputa pela sucessão num momento politicamente delicado. Tudo que interessa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é aprovar a emenda constitucional que prorroga a CPMF. A missão já é complicada o suficiente. Ficará ainda pior se o PT e o PMDB, donos das duas maiores bancadas da base governista, se engalfinharem pela cadeira de Renan Calheiros. Ministros palacianos admitem que o governo não vê condições de ele reassumir o comando do Senado, mas consideram fundamental controlar o calendário sucessório.

Se Renan renunciar, o regimento do Senado prevê uma nova eleição no prazo máximo de cinco sessões ordinárias. É pouco tempo para consolidar um candidato de consenso. Para ter segurança, o governo teria de patrocinar um acordo antes de a cadeira ficar vaga. Para isso, interessa manter a fórmula atual, na qual ele está licenciado. Para começar, a licença é de 45 dias, mas o próprio Renan já anunciou a possibilidade de estendê-la.

Em conversas reservadas, Renan reconhece não ter condições de voltar à Presidência. Mas ele sabe que a possibilidade de renúncia é o último trunfo que lhe restou. Pode usá-la para negociar a salvação de seu mandato, tanto com o governo quanto com setores da oposição. Não por acaso, na segunda-feira deixou vazar boatos de que poderia renunciar a qualquer momento. Foi uma reação às atitudes do vice-presidente do Senado, o petista Tião Viana (AC). Tião assumiu o cargo interinamente, mas com ares de quem vai ficar. Despachou no gabinete da Presidência, usou o carro oficial e demitiu assessores. Irritado, Renan espalhou a notícia da renúncia. Se fizesse isso, encurtaria a interinidade de Tião e detonaria a sucessão antes que o governo estivesse preparado. O PMDB interpretou o movimento de Tião como mais um sinal de que o PT quer a presidência e ameaçou rebelar-se.

O presidente Lula agiu rápido. Do Congo, onde está em viagem oficial, mandou uma mensagem para acalmar Renan e o PMDB. Primeiro, disse que não comentaria a sucessão do Senado porque Renan afastou-se temporariamente e pode voltar ao cargo. Logo depois entrou no assunto e disse que o cargo é do PMDB. “A lógica do Congresso Nacional é de que quando um partido tem a presidência da Câmara, outro tem a Presidência do Senado”, disse. Foi um recado ao PT, que já tem Arlindo Chinaglia no comando da Câmara. Oficialmente, diz que o governo não vai se meter. “O problema surgiu dentro do Senado e a solução virá de dentro do Senado, afirmou.

Playboy


Apesar do discurso, o governo está em campo. Os ministros da coordenação política trabalham para evitar o conflito. O Planalto teme que a oposição incentive a candidatura de Tião Viana, para provocar uma disputa na base governista.Coincidência ou não, Tião Viana adotou um discurso mais cauteloso ontem. Disse que é cedo para falar em sucessão de Renan. “Esse debate é completamente inoportuno agora. O PT é a quarta bancada. Não sou candidato”.

Na entrevista concedida no Congo, Lula foi surpreendido por um repórter que perguntou se ele tinha visto a revista Playboy com as fotos da jornalista Mônica Veloso, ex-amante de Renan Calheiros. O presidente esquivou-se. “Não, não vi, desde que eu virei adulto, eu não vejo a Playboy.”