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Publicado: 11/09/2007 | 10:01
Oposição tenta evitar traições
Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Depois que Renan Calheiros avisar que não renuncia ao comando da Casa, parlamentares do DEM e do PSDB próximos ao senador peemedebista sinalizam que devem votar pela cassação amanhã
Os amigos oposicionistas do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), jogaram a toalha. Vão acompanhar os líderes de bancada e votar pela cassação, a não ser que o peemedebista renuncie ao cargo de presidente da Casa e, graças a isso, se reduza a pressão sobre o Senado. Nesse caso, o desgaste é considerado menor, mas mesmo assim muitos acham que agora é tarde para um acordo desse tipo, pois a existência de outras representações contra o presidente do Senado manteria a todos na berlinda. A mesma tendência começa a tomar corpo na bancada do PT e, por incrível que pareça, na bancada do PMDB, onde a dissidência está crescendo. Renan, entretanto, permanece irredutível e não demonstra disposição de conversar sobre o assunto.
O recado de que os amigos estão ficando em posição insustentável nas bancadas do PSDB e do DEM foi dado a Renan na quinta-feira passada, pelo deputado Heráclito Fortes (DEM-PI), que até agora não se manifestou publicamente sobre o caso. Amigo do peemedebista, nordestino como ele, Heráclito conversou sobre o assunto com o senador José Sarney (PMDB-AP), ex-presidente da Casa, e foi estimulado por ele a revelar o que estava ocorrendo ao presidente do Senado. Renan rechaçou a proposta dos amigos oposicionistas e disse que não renuncia ao cargo, nem ao mandato, em nenhuma hipótese. Cotado para assumir o lugar do peemedebista, com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sarney é discreto nas manobras de bastidor. Ainda trabalha para salvar o mandato de Renan, de preferência mantendo-o no cargo, mas avalia que a liderança do senador alagoano estaria irremediavelmente comprometida.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), acusou o golpe. Rechaçou qualquer acordo que possa resultar na volta de Sarney à Presidência do Senado. “O PSDB não sabe o que quer, mas tem obrigação de saber o que não quer. Não dá para elegermos a omissão. Sarney foi o único brasileiro que não se manifestou sobre o caso Renan”, disse. Os tucanos não trabalham por uma candidatura oposicionista para o lugar do peemedebista, mas também não descartam a possibilidade de marcar posição com uma candidatura do PMDB dissidente. O assunto será discutido na bancada do PSDB ainda hoje, onde há três senadores aliados do alagoano: Flexa Ribeiro (PA), João Tenório (AL) e Papaléo Paes (AP). Eduardo Azeredo (MG), amigo de Renan, anunciou que votará pela cassação.
Na tribuna do Senado, Papaléo defendeu a tese que julgamentos dessa natureza deveriam ser feitos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e não pelo Senado: “De repente, podemos estar cometendo a maior injustiça, só por ouvir uma notícia aqui e ali. Uma suposição da imprensa vira uma condenação. Agora vem outra denuncia: supõe-se que tiraram dinheiro do Ministério da Previdência”, disse. Depois, no corredor do Senado, questionado por jornalistas, Papaléo anunciou que votaria pela cassação.
No PMDB, Pedro Simon (RS) disse que só não votará pela cassação se for convencido por Renan na sessão secreta que discutirá a cassação. Garibaldi Alves (RN), que faz parte do grupo de senadores que mantém segredo sobre sua posição, disse que pretende revelar seu voto ainda hoje e que Renan Calheiros terá surpresas na bancada do PMDB, onde o número de dissidentes estaria crescendo. “Ele não terá tantos votos quanto está contando”, revelou.
De repente, podemos estar cometendo a maior injustiça, só por ouvir uma notícia aqui e ali
Senador Papaléo Paes (PMDB-AP), ao defender o julgamento no STF
O julgamento
Acusação
Renan Calheiros é acusado de ter recebido ajuda de um lobista para pagar despesas pessoais. A perda do mandato foi aprovada pelo Conselho de Ética do Senado
Sessão do plenário
Será secreta, presidida pelo vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC)
Início 11h
Tempo de sessão
Quatro horas e meia, prorrogáveis.
Presentes
Os 81 senadores, a secretária-geral do Senado, Cláudia Lira, um advogado do PSol (autor da representação) e um de Renan
Procedimentos (*)
Advogados do PSol terão 30 minutos para defender a cassação de Renan. Logo depois, os advogados do senador e o próprio presidente do Senado terão 30 minutos para defesa. Começa a discussão do processo. Cada senador inscrito, inclusive os três relatores do processo Conselho de Ética, terão direito a 10 minutos cada um para usar a palavra. Renan pode participar desta fase da sessão. O regimento não prevê orientação por parte dos líderes das bancadas
Votação
Encerrada a discussão, inicia-se o processo de votação secreta e eletrônica. Os 81 senadores, incluindo o próprio Renan, podem votar. São necessários, pelo menos, 41 votos para que o senador seja cassado. Se isso ocorrer, o peemedebista perde o mandato e fica por oito anos impedido de disputar qualquer cargo eletivo. Em caso de absolvição, o processo é arquivado.
(*) Os prazos para o uso da palavra não constam no Regimento Interno do Senado. Foram estimados pelo vice-presidente da Casa, Tião Viana, e podem ser alterados até o início da sessão
Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Depois que Renan Calheiros avisar que não renuncia ao comando da Casa, parlamentares do DEM e do PSDB próximos ao senador peemedebista sinalizam que devem votar pela cassação amanhã
Os amigos oposicionistas do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), jogaram a toalha. Vão acompanhar os líderes de bancada e votar pela cassação, a não ser que o peemedebista renuncie ao cargo de presidente da Casa e, graças a isso, se reduza a pressão sobre o Senado. Nesse caso, o desgaste é considerado menor, mas mesmo assim muitos acham que agora é tarde para um acordo desse tipo, pois a existência de outras representações contra o presidente do Senado manteria a todos na berlinda. A mesma tendência começa a tomar corpo na bancada do PT e, por incrível que pareça, na bancada do PMDB, onde a dissidência está crescendo. Renan, entretanto, permanece irredutível e não demonstra disposição de conversar sobre o assunto.
O recado de que os amigos estão ficando em posição insustentável nas bancadas do PSDB e do DEM foi dado a Renan na quinta-feira passada, pelo deputado Heráclito Fortes (DEM-PI), que até agora não se manifestou publicamente sobre o caso. Amigo do peemedebista, nordestino como ele, Heráclito conversou sobre o assunto com o senador José Sarney (PMDB-AP), ex-presidente da Casa, e foi estimulado por ele a revelar o que estava ocorrendo ao presidente do Senado. Renan rechaçou a proposta dos amigos oposicionistas e disse que não renuncia ao cargo, nem ao mandato, em nenhuma hipótese. Cotado para assumir o lugar do peemedebista, com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sarney é discreto nas manobras de bastidor. Ainda trabalha para salvar o mandato de Renan, de preferência mantendo-o no cargo, mas avalia que a liderança do senador alagoano estaria irremediavelmente comprometida.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), acusou o golpe. Rechaçou qualquer acordo que possa resultar na volta de Sarney à Presidência do Senado. “O PSDB não sabe o que quer, mas tem obrigação de saber o que não quer. Não dá para elegermos a omissão. Sarney foi o único brasileiro que não se manifestou sobre o caso Renan”, disse. Os tucanos não trabalham por uma candidatura oposicionista para o lugar do peemedebista, mas também não descartam a possibilidade de marcar posição com uma candidatura do PMDB dissidente. O assunto será discutido na bancada do PSDB ainda hoje, onde há três senadores aliados do alagoano: Flexa Ribeiro (PA), João Tenório (AL) e Papaléo Paes (AP). Eduardo Azeredo (MG), amigo de Renan, anunciou que votará pela cassação.
Na tribuna do Senado, Papaléo defendeu a tese que julgamentos dessa natureza deveriam ser feitos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e não pelo Senado: “De repente, podemos estar cometendo a maior injustiça, só por ouvir uma notícia aqui e ali. Uma suposição da imprensa vira uma condenação. Agora vem outra denuncia: supõe-se que tiraram dinheiro do Ministério da Previdência”, disse. Depois, no corredor do Senado, questionado por jornalistas, Papaléo anunciou que votaria pela cassação.
No PMDB, Pedro Simon (RS) disse que só não votará pela cassação se for convencido por Renan na sessão secreta que discutirá a cassação. Garibaldi Alves (RN), que faz parte do grupo de senadores que mantém segredo sobre sua posição, disse que pretende revelar seu voto ainda hoje e que Renan Calheiros terá surpresas na bancada do PMDB, onde o número de dissidentes estaria crescendo. “Ele não terá tantos votos quanto está contando”, revelou.
De repente, podemos estar cometendo a maior injustiça, só por ouvir uma notícia aqui e ali
Senador Papaléo Paes (PMDB-AP), ao defender o julgamento no STF
O julgamento
Acusação
Renan Calheiros é acusado de ter recebido ajuda de um lobista para pagar despesas pessoais. A perda do mandato foi aprovada pelo Conselho de Ética do Senado
Sessão do plenário
Será secreta, presidida pelo vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC)
Início 11h
Tempo de sessão
Quatro horas e meia, prorrogáveis.
Presentes
Os 81 senadores, a secretária-geral do Senado, Cláudia Lira, um advogado do PSol (autor da representação) e um de Renan
Procedimentos (*)
Advogados do PSol terão 30 minutos para defender a cassação de Renan. Logo depois, os advogados do senador e o próprio presidente do Senado terão 30 minutos para defesa. Começa a discussão do processo. Cada senador inscrito, inclusive os três relatores do processo Conselho de Ética, terão direito a 10 minutos cada um para usar a palavra. Renan pode participar desta fase da sessão. O regimento não prevê orientação por parte dos líderes das bancadas
Votação
Encerrada a discussão, inicia-se o processo de votação secreta e eletrônica. Os 81 senadores, incluindo o próprio Renan, podem votar. São necessários, pelo menos, 41 votos para que o senador seja cassado. Se isso ocorrer, o peemedebista perde o mandato e fica por oito anos impedido de disputar qualquer cargo eletivo. Em caso de absolvição, o processo é arquivado.
(*) Os prazos para o uso da palavra não constam no Regimento Interno do Senado. Foram estimados pelo vice-presidente da Casa, Tião Viana, e podem ser alterados até o início da sessão
