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Publicado: 28/09/2007 | 08:54
Banco Central revê para cima estimativa de inflação no ano
Juliana Rocha
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil
O aumento dos preços dos alimentos e o aquecimento do consumo fizeram o Banco Central aumentar a projeção de inflação para este e o próximo ano. A revisão reforça a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai parar de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 11,25%, como já era esperado pelos especialistas desde o início do mês. A autoridade monetária passou a trabalhar com um cenário de aumento de 4% do IPCA este ano e de 4,2% em 2008. No relatório de inflação de junho, o cenário era de inflação de 3,5% neste ano e 4,1% no ano que vem. As novas projeções estão abaixo da meta estabelecida em 4,5% pelo governo até 2009.
Uma novidade nas expectativas do BC é a preocupação com o crescimento econômico. Ao mesmo tempo em que ressalta como o Brasil passou sem maiores problemas pelo auge da turbulência financeira internacional, porque a economia está fortemente ancorada pelo crescimento interno, os diretores do BC mostram preocupação com esse mesmo aquecimento da demanda doméstica.
Para o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, mesmo com a redução da taxa de juros desde setembro de 2005 e o aumento dos investimentos, a utilização da capacidade das indústrias está muito elevada. Com a demanda aquecida, abrem-se espaço para que a indústria reajuste os preços.
A utilização da capacidade instalada está em níveis que no passado apresentaram pressão inflacionária. Mostra que o aumento do investimento tem sido insuficiente para impedir esse aumento - avaliou Mesquita. - É certo que esse aquecimento da economia favorece o poder de fixação dos preços pelas empresas.
O indicador da Fundação Getúlio Vargas informa que a indústria está próxima a 85% de utilização da capacidade instalada. Significa que só tem espaço para aumentar a produção em mais 15%. Isso para chegar ao limite da produção, o que não é recomendável em qualquer economia. O diretor admite que leva tempo entre o empresário fazer investimentos e ter mais capacidade instalada. Mas garante que esse é um dado acompanhado de perto pelo Banco Central ao tomar decisões sobre as taxas de juros.
No segundo trimestre, a taxa de investimentos no país cresceu 13,8%. O BC espera aumento de 9,6% neste ano. No relatório de inflação anterior, a projeção era de 8,6%. A expectativa de consumo das famílias foi ligeiramente reduzida, de 6,1% para 6%. Mas a projeção de consumo do governo subiu de 2,9% para 3,6%. Porém, Mesquita evitou creditar ao aumento de gastos do governo a culpa pela preocupação com a demanda.
Juliana Rocha
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil
O aumento dos preços dos alimentos e o aquecimento do consumo fizeram o Banco Central aumentar a projeção de inflação para este e o próximo ano. A revisão reforça a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai parar de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 11,25%, como já era esperado pelos especialistas desde o início do mês. A autoridade monetária passou a trabalhar com um cenário de aumento de 4% do IPCA este ano e de 4,2% em 2008. No relatório de inflação de junho, o cenário era de inflação de 3,5% neste ano e 4,1% no ano que vem. As novas projeções estão abaixo da meta estabelecida em 4,5% pelo governo até 2009.
Uma novidade nas expectativas do BC é a preocupação com o crescimento econômico. Ao mesmo tempo em que ressalta como o Brasil passou sem maiores problemas pelo auge da turbulência financeira internacional, porque a economia está fortemente ancorada pelo crescimento interno, os diretores do BC mostram preocupação com esse mesmo aquecimento da demanda doméstica.
Para o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, mesmo com a redução da taxa de juros desde setembro de 2005 e o aumento dos investimentos, a utilização da capacidade das indústrias está muito elevada. Com a demanda aquecida, abrem-se espaço para que a indústria reajuste os preços.
A utilização da capacidade instalada está em níveis que no passado apresentaram pressão inflacionária. Mostra que o aumento do investimento tem sido insuficiente para impedir esse aumento - avaliou Mesquita. - É certo que esse aquecimento da economia favorece o poder de fixação dos preços pelas empresas.
O indicador da Fundação Getúlio Vargas informa que a indústria está próxima a 85% de utilização da capacidade instalada. Significa que só tem espaço para aumentar a produção em mais 15%. Isso para chegar ao limite da produção, o que não é recomendável em qualquer economia. O diretor admite que leva tempo entre o empresário fazer investimentos e ter mais capacidade instalada. Mas garante que esse é um dado acompanhado de perto pelo Banco Central ao tomar decisões sobre as taxas de juros.
No segundo trimestre, a taxa de investimentos no país cresceu 13,8%. O BC espera aumento de 9,6% neste ano. No relatório de inflação anterior, a projeção era de 8,6%. A expectativa de consumo das famílias foi ligeiramente reduzida, de 6,1% para 6%. Mas a projeção de consumo do governo subiu de 2,9% para 3,6%. Porém, Mesquita evitou creditar ao aumento de gastos do governo a culpa pela preocupação com a demanda.