antigas Publicado: 27/09/2007 | 09:17

Na Câmara, votação da CPMF é retomada

Ugo Braga
Correio Braziliense

Após insatisfação entre partidos por nomeação de petistas para a Petrobras, deputados apreciam emendas à prorrogação do tributo 


 


 


Para salvar a pele do coordenador político do governo, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, a chamada base aliada na Câmara retomou ontem a votação da proposta que prorroga por mais quatro anos a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Na véspera, os deputados haviam se rebelado contra a nomeação da executiva Maria das Graças Foster para a diretoria de Gás e Energia da Petrobras e se negaram a votar as emendas e destaques ao texto básico, aprovado em primeiro turno na última quarta-feira.

As várias reuniões entre líderes e suas bancadas, nas últimas 72 horas, cristalizaram a crença de que, do ponto de vista político, a mexida na Petrobras fragilizava tão somente Mares Guia. Porque ele é o fiador de uma promessa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, de não fazer nenhuma nomeação nas estatais e no segundo escalão até que toda a matéria referente à CPMF seja aprovada e mandada ao Senado. Petista, Maria das Graças ganhou o cargo na sexta-feira, em meio, portanto, às votações da CPMF.

Mais do que isso, o ex-senador petista José Eduardo Dutra recebeu a presidência da BR Distribuidora na mesma levada. Os dois movimentos são creditados à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. E teriam por objetivo, além do mais óbvio — garantir pessoas do PT em cargos estratégicos do setor energético —, enfraquecer o coordenador Mares Guia.

Na terça-feira à tarde, depois de receberem vários recados furiosos da bancada, o líder e o presidente do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN) e Michel Temer (SP), respectivamente, foram ao Planalto avisar a Mares Guia o tamanho do estrago causado pela dança de cadeiras na Petrobras. O ministro respondeu garantindo que falava em nome do presidente Lula e da própria Dilma Rousseff e pediu aos dois que levassem à Câmara a explicação técnica que lhe fora dada: o antecessor de Maria das Graças Foster no cargo, Ildo Sauer, vinha criando problemas num projeto de energia, porque não concordava com as orientações de Dilma. Precisava ser trocado rapidamente por causa dos prazos do empreendimento. A promessa presidencial, de fazer as nomeações todas depois da votação da CPMF, estava, portanto, de pé.

Normalidade


Temer e Eduardo Alves voltaram ao Congresso, conversaram com os parlamentares e ontem de manhã todos já andavam sorridentes pelos corredores. A retórica oficial foi repassada aos demais partidos, sobretudo PP e PR, também rebelados na véspera, e a temperatura da base aliada voltou à normalidade.

Debelado o colapso nos aliados, o líder do governo, José Múcio Monteiro (PTB-PE), tentou negociar com a oposição uma forma de reduzir os mecanismos protelatórios — àquela altura, dezenas de destaques e emendas haviam sido apresentados e seriam necessárias várias sessões para votá-los todos. Eis que o vice-líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), levantou uma questão de ordem e, com base nela, o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), extinguiu um dos mecanismos que permitem à oposição atrasar as votações. Com a jogada, o número de emendas por votar caiu para seis. A oposição chiou. Até o fechamento desta edição, os parlamentares seguiam votando as emendas restantes.


Ugo Braga
Correio Braziliense

Após insatisfação entre partidos por nomeação de petistas para a Petrobras, deputados apreciam emendas à prorrogação do tributo 


 


 


Para salvar a pele do coordenador político do governo, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, a chamada base aliada na Câmara retomou ontem a votação da proposta que prorroga por mais quatro anos a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Na véspera, os deputados haviam se rebelado contra a nomeação da executiva Maria das Graças Foster para a diretoria de Gás e Energia da Petrobras e se negaram a votar as emendas e destaques ao texto básico, aprovado em primeiro turno na última quarta-feira.

As várias reuniões entre líderes e suas bancadas, nas últimas 72 horas, cristalizaram a crença de que, do ponto de vista político, a mexida na Petrobras fragilizava tão somente Mares Guia. Porque ele é o fiador de uma promessa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, de não fazer nenhuma nomeação nas estatais e no segundo escalão até que toda a matéria referente à CPMF seja aprovada e mandada ao Senado. Petista, Maria das Graças ganhou o cargo na sexta-feira, em meio, portanto, às votações da CPMF.

Mais do que isso, o ex-senador petista José Eduardo Dutra recebeu a presidência da BR Distribuidora na mesma levada. Os dois movimentos são creditados à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. E teriam por objetivo, além do mais óbvio — garantir pessoas do PT em cargos estratégicos do setor energético —, enfraquecer o coordenador Mares Guia.

Na terça-feira à tarde, depois de receberem vários recados furiosos da bancada, o líder e o presidente do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN) e Michel Temer (SP), respectivamente, foram ao Planalto avisar a Mares Guia o tamanho do estrago causado pela dança de cadeiras na Petrobras. O ministro respondeu garantindo que falava em nome do presidente Lula e da própria Dilma Rousseff e pediu aos dois que levassem à Câmara a explicação técnica que lhe fora dada: o antecessor de Maria das Graças Foster no cargo, Ildo Sauer, vinha criando problemas num projeto de energia, porque não concordava com as orientações de Dilma. Precisava ser trocado rapidamente por causa dos prazos do empreendimento. A promessa presidencial, de fazer as nomeações todas depois da votação da CPMF, estava, portanto, de pé.

Normalidade


Temer e Eduardo Alves voltaram ao Congresso, conversaram com os parlamentares e ontem de manhã todos já andavam sorridentes pelos corredores. A retórica oficial foi repassada aos demais partidos, sobretudo PP e PR, também rebelados na véspera, e a temperatura da base aliada voltou à normalidade.

Debelado o colapso nos aliados, o líder do governo, José Múcio Monteiro (PTB-PE), tentou negociar com a oposição uma forma de reduzir os mecanismos protelatórios — àquela altura, dezenas de destaques e emendas haviam sido apresentados e seriam necessárias várias sessões para votá-los todos. Eis que o vice-líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), levantou uma questão de ordem e, com base nela, o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), extinguiu um dos mecanismos que permitem à oposição atrasar as votações. Com a jogada, o número de emendas por votar caiu para seis. A oposição chiou. Até o fechamento desta edição, os parlamentares seguiam votando as emendas restantes.