antigas Publicado: 26/09/2007 | 08:48

Atrasa votação da CPMF

Ugo Braga
Correio Braziliense

Deputados se dizem traídos por causa de nomeações no segundo escalão e se negam a votar a prorrogação do imposto do cheque


 


A nomeação de Maria das Graças Foster para a diretoria de Gás e Energia da Petrobras, anunciada na sexta-feira, pôs em colapso a chamada base aliada do governo na Câmara. Sentindo-se traídos pelo Palácio do Planalto e destilando ódio da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, os deputados se negaram ontem a dar prosseguimento à votação da proposta que prorroga por mais quatro anos a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Não só isso. Obrigaram o líder do governo, José Múcio Monteiro (PTB-PE), a levar uma lista extensa de queixas e pedidos ao ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, e puseram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no canto do ringue. Agora, é entregar os cargos prometidos ou correr o risco de perder um naco dos R$ 40 bilhões em receitas esperadas para 2008 com o imposto do cheque.

Maria das Graças Foster assumiu na Petrobras e cedeu a presidência da BR Distribuidora ao ex-senador petista José Eduardo Dutra. A mexida é atribuída a Dilma Rousseff e teria por objetivo desestabilizar Mares Guia, além de ocupar espaços no setor energético com petistas de sua estrita confiança.

O problema é que 48 horas antes da mudança, ou seja, na última quarta-feira, o próprio presidente Lula garantira aos aliados que nenhuma nomeação seria feita antes de a Câmara votar toda a matéria referente à CPMF. Na ocasião, os partidos cobravam uma extensa lista de cargos prometidos e não entregues pelo governo. As vagas estavam e ainda estão ocupadas por petistas. Ao deslocar Maria das Graças Foster, o Planalto não só fez o que jurara que não faria, como movimentou seu tabuleiro em benefício do PT. Os outros partidos explodiram.

O líder do PR, Luciano Castro (RR), procurou José Múcio no meio da tarde para avisar que a bancada não votaria a CPMF. Ao sair do restaurante onde almoçava, cruzou com o vice-líder do governo Beto Albuquerque (PSB-RS), que apertou-lhe a mão e resmungou: “O nosso pessoal também não ajuda, não é? Tinha nada que nomear ninguém agora...”.

A Múcio, Castro lembrou que os aliados no Senado vêm se negando a aprovar Luiz Antonio Pagot para a diretoria do Departamento Nacional de Infra-Estrutura Terrestre (Dnit) e que, de mais a mais, o PT não entrega as superintendências do Dnit em Santa Catarina e em São Paulo, nem o governo tira o PMDB do mesmo cargo na Paraíba.

Tudo foi prometido ao PR na semana passada. Assim como o foram uma diretoria da Agência Nacional do Petróleo e as presidência e diretoria financeira da Refer, fundo de pensão dos ferroviários, onde aliados do deputado petista Carlos Santana (RJ) estão alojados — a esposa do parlamentar, Tânia Regina, também é diretora da fundação.

O PP também é um poço de mágoas. Tiveram que engolir a manutenção da petista Inês Magalhães na Secretaria de Habitação do Ministério das Cidades e agora vêem-se ameaçados de perder a diretoria de Abastecimento da Petrobras. Lá, despacha Paulo Roberto Costa, indicado pelos pepistas. E o PT manobra para pôr no lugar o atual superintendente de Refino, Alan Kardec Pinto. O partido recebeu a promessa de que poderá trocar o petista João Luis Dias por algum dos seus na Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), mas até agora nada.

O PMDB está em estado permanente de ebulição desde a semana passada. Briga para trocar o petista Nestor Cerverò por João Augusto Fernandes na diretoria Internacional da Petrobras e também por uma diretoria da Cobra, empresa de informática subsidiária do Banco do Brasil.


Ugo Braga
Correio Braziliense

Deputados se dizem traídos por causa de nomeações no segundo escalão e se negam a votar a prorrogação do imposto do cheque


 


A nomeação de Maria das Graças Foster para a diretoria de Gás e Energia da Petrobras, anunciada na sexta-feira, pôs em colapso a chamada base aliada do governo na Câmara. Sentindo-se traídos pelo Palácio do Planalto e destilando ódio da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, os deputados se negaram ontem a dar prosseguimento à votação da proposta que prorroga por mais quatro anos a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Não só isso. Obrigaram o líder do governo, José Múcio Monteiro (PTB-PE), a levar uma lista extensa de queixas e pedidos ao ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, e puseram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no canto do ringue. Agora, é entregar os cargos prometidos ou correr o risco de perder um naco dos R$ 40 bilhões em receitas esperadas para 2008 com o imposto do cheque.

Maria das Graças Foster assumiu na Petrobras e cedeu a presidência da BR Distribuidora ao ex-senador petista José Eduardo Dutra. A mexida é atribuída a Dilma Rousseff e teria por objetivo desestabilizar Mares Guia, além de ocupar espaços no setor energético com petistas de sua estrita confiança.

O problema é que 48 horas antes da mudança, ou seja, na última quarta-feira, o próprio presidente Lula garantira aos aliados que nenhuma nomeação seria feita antes de a Câmara votar toda a matéria referente à CPMF. Na ocasião, os partidos cobravam uma extensa lista de cargos prometidos e não entregues pelo governo. As vagas estavam e ainda estão ocupadas por petistas. Ao deslocar Maria das Graças Foster, o Planalto não só fez o que jurara que não faria, como movimentou seu tabuleiro em benefício do PT. Os outros partidos explodiram.

O líder do PR, Luciano Castro (RR), procurou José Múcio no meio da tarde para avisar que a bancada não votaria a CPMF. Ao sair do restaurante onde almoçava, cruzou com o vice-líder do governo Beto Albuquerque (PSB-RS), que apertou-lhe a mão e resmungou: “O nosso pessoal também não ajuda, não é? Tinha nada que nomear ninguém agora...”.

A Múcio, Castro lembrou que os aliados no Senado vêm se negando a aprovar Luiz Antonio Pagot para a diretoria do Departamento Nacional de Infra-Estrutura Terrestre (Dnit) e que, de mais a mais, o PT não entrega as superintendências do Dnit em Santa Catarina e em São Paulo, nem o governo tira o PMDB do mesmo cargo na Paraíba.

Tudo foi prometido ao PR na semana passada. Assim como o foram uma diretoria da Agência Nacional do Petróleo e as presidência e diretoria financeira da Refer, fundo de pensão dos ferroviários, onde aliados do deputado petista Carlos Santana (RJ) estão alojados — a esposa do parlamentar, Tânia Regina, também é diretora da fundação.

O PP também é um poço de mágoas. Tiveram que engolir a manutenção da petista Inês Magalhães na Secretaria de Habitação do Ministério das Cidades e agora vêem-se ameaçados de perder a diretoria de Abastecimento da Petrobras. Lá, despacha Paulo Roberto Costa, indicado pelos pepistas. E o PT manobra para pôr no lugar o atual superintendente de Refino, Alan Kardec Pinto. O partido recebeu a promessa de que poderá trocar o petista João Luis Dias por algum dos seus na Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), mas até agora nada.

O PMDB está em estado permanente de ebulição desde a semana passada. Briga para trocar o petista Nestor Cerverò por João Augusto Fernandes na diretoria Internacional da Petrobras e também por uma diretoria da Cobra, empresa de informática subsidiária do Banco do Brasil.