antigas Publicado: 24/09/2007 | 09:10

Brasil S.A - É possível ser otimista

Correio Braziliense

O emprego já vinha crescendo, mas as vagas com carteira assinada fecham o ciclo positivo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já imprimiu no país uma marca positiva. Fruto do aprofundamento dos conceitos econômicos conservadores, o mercado de trabalho floresce. Ao contrário do que gostariam petistas da ala à esquerda do partido, foi a manutenção e a ampliação de medidas tradicionais — como o superávit fiscal, o câmbio livre e, principalmente, uma política monetária ajustada — que levaram à mudança de patamar na geração de empregos.

Não só o volume de emprego está crescendo, mas sua qualidade também. O número de trabalhadores contratados com carteira assinada aumenta quase no dobro da velocidade dos informais, como mostra matéria do repórter Marcelo Tokarski nesta edição (Mais emprego formal). É uma mudança profunda. A economia abre 1,3 milhão de vagas por ano, e o recorde deve ser batido em 2007, como previu o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Notícias escondidas
Mesmo a última pesquisa mensal de emprego do IBGE, que apontou que não houve queda no percentual de desempregados, esconde boas notícias. Em agosto a desocupação permaneceu em 9,5%, mesmo nível de julho. Mas em uma massa maior de trabalhadores. Em julho havia 1% a menos de população com emprego. Ainda assim não houve crescimento percentual de desocupados em busca de colocação. Em relação há um ano antes — agosto de 2006 —, o salto é ainda mais expressivo: o desemprego era de 10,6%, havia 2,9% a menos de ocupados e o número de pessoas procurando trabalho era 8,4% mais alto (ver gráfico abaixo).

É uma mudança significativa. Ainda que a pesquisa sobre emprego do IBGE seja restrita porque feita em apenas seis regiões metropolitanas do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife), aponta uma tendência nacional. O mercado de trabalho vem se recuperando de forma progressiva nos últimos anos. Reflexo de uma economia mais dinâmica e com evolução consistente, que cresce a 5,5 anos (ou 22 trimestres, como calcula o IBGE) quase contínuos.

Círculo em formação
Mesmo frágil, aos poucos está se formando um círculo virtuoso. Mais gente empregada aumenta a soma de salários pagos. A estabilidade econômica estimula a confiança dos bancos. Seguras de que o trabalhador não vai ser demitido tão facilmente, as instituições financeiras fazem de tudo para emprestar dinheiro a ele. Com renda e crédito, o suor do trabalhador é transformado em fogões, geladeiras, TVs, passeios, roupas, reforma da casa ou compra do sonhado apartamento. Tanto consumo leva as indústrias a correrem para ampliar a produção. E a contratar mais pessoal...

A indústria automobilística é um bom exemplo. Perto de bater o recorde de produção e chegar a 2,3 milhões de unidades, foi pega no contrapé. Fábricas como a Fiat e a Pegeout-Citröen estão operando com três turnos e próximas da capacidade máxima. Boa parte das montadoras não consegue atender de imediato o desejo dos consumidores, como a Honda, que deixou os compradores em fila de espera de alguns meses.

Quadro completo
Muitas indústrias estão programando novos investimentos. O que atende outra ponta da conta do crescimento sustentado. Se as empresas não investem, corre-se o risco de faltarem produtos nas lojas. E, com dinheiro no bolso, muitos consumidores topam pagar mais por aquilo que procuram, permitindo pressão de preços e de inflação.

No segundo trimestre, entretanto, os investimentos tiveram forte expansão, de 7,2% em relação ao primeiro, atingindo 17,2% do PIB (Produto Interno Bruto), indica o IBGE. Também revelou aspectos abordados neste artigo. A demanda das famílias (1,5%) vem lastreando o crescimento. E a indústria, com a maior expansão (1,3%), acelera para não deixar os consumidores na mão.

Embora cedo para garantir que vamos finalmente atingir o idílico crescimento sustentando, aos poucos os indicadores formam um cenário que permite ser otimista. Para variar.

Correio Braziliense

O emprego já vinha crescendo, mas as vagas com carteira assinada fecham o ciclo positivo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já imprimiu no país uma marca positiva. Fruto do aprofundamento dos conceitos econômicos conservadores, o mercado de trabalho floresce. Ao contrário do que gostariam petistas da ala à esquerda do partido, foi a manutenção e a ampliação de medidas tradicionais — como o superávit fiscal, o câmbio livre e, principalmente, uma política monetária ajustada — que levaram à mudança de patamar na geração de empregos.

Não só o volume de emprego está crescendo, mas sua qualidade também. O número de trabalhadores contratados com carteira assinada aumenta quase no dobro da velocidade dos informais, como mostra matéria do repórter Marcelo Tokarski nesta edição (Mais emprego formal). É uma mudança profunda. A economia abre 1,3 milhão de vagas por ano, e o recorde deve ser batido em 2007, como previu o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Notícias escondidas
Mesmo a última pesquisa mensal de emprego do IBGE, que apontou que não houve queda no percentual de desempregados, esconde boas notícias. Em agosto a desocupação permaneceu em 9,5%, mesmo nível de julho. Mas em uma massa maior de trabalhadores. Em julho havia 1% a menos de população com emprego. Ainda assim não houve crescimento percentual de desocupados em busca de colocação. Em relação há um ano antes — agosto de 2006 —, o salto é ainda mais expressivo: o desemprego era de 10,6%, havia 2,9% a menos de ocupados e o número de pessoas procurando trabalho era 8,4% mais alto (ver gráfico abaixo).

É uma mudança significativa. Ainda que a pesquisa sobre emprego do IBGE seja restrita porque feita em apenas seis regiões metropolitanas do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife), aponta uma tendência nacional. O mercado de trabalho vem se recuperando de forma progressiva nos últimos anos. Reflexo de uma economia mais dinâmica e com evolução consistente, que cresce a 5,5 anos (ou 22 trimestres, como calcula o IBGE) quase contínuos.

Círculo em formação
Mesmo frágil, aos poucos está se formando um círculo virtuoso. Mais gente empregada aumenta a soma de salários pagos. A estabilidade econômica estimula a confiança dos bancos. Seguras de que o trabalhador não vai ser demitido tão facilmente, as instituições financeiras fazem de tudo para emprestar dinheiro a ele. Com renda e crédito, o suor do trabalhador é transformado em fogões, geladeiras, TVs, passeios, roupas, reforma da casa ou compra do sonhado apartamento. Tanto consumo leva as indústrias a correrem para ampliar a produção. E a contratar mais pessoal...

A indústria automobilística é um bom exemplo. Perto de bater o recorde de produção e chegar a 2,3 milhões de unidades, foi pega no contrapé. Fábricas como a Fiat e a Pegeout-Citröen estão operando com três turnos e próximas da capacidade máxima. Boa parte das montadoras não consegue atender de imediato o desejo dos consumidores, como a Honda, que deixou os compradores em fila de espera de alguns meses.

Quadro completo
Muitas indústrias estão programando novos investimentos. O que atende outra ponta da conta do crescimento sustentado. Se as empresas não investem, corre-se o risco de faltarem produtos nas lojas. E, com dinheiro no bolso, muitos consumidores topam pagar mais por aquilo que procuram, permitindo pressão de preços e de inflação.

No segundo trimestre, entretanto, os investimentos tiveram forte expansão, de 7,2% em relação ao primeiro, atingindo 17,2% do PIB (Produto Interno Bruto), indica o IBGE. Também revelou aspectos abordados neste artigo. A demanda das famílias (1,5%) vem lastreando o crescimento. E a indústria, com a maior expansão (1,3%), acelera para não deixar os consumidores na mão.

Embora cedo para garantir que vamos finalmente atingir o idílico crescimento sustentando, aos poucos os indicadores formam um cenário que permite ser otimista. Para variar.