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Publicado: 25/01/2008 | 10:09
Emprego, alta histórica
Mariana Flores
Correio Braziliense
Correio Braziliense
País fecha 2007 com a menor taxa de desocupação já registrada — 7,4% em dezembro — e com o melhor rendimento médio desde 2003. Especialistas temem que incerteza internacional afete indicador este ano
Apesar de ainda aglomerar 2,1 milhões de desempregados em apenas seis regiões metropolitanas, o Brasil fechou 2007 com a menor taxa de desocupação já registrada e o melhor rendimento médio desde 2003. Além da vantagem quantitativa, as vagas geradas demonstram uma melhora na qualidade dos empregos. Aumentaram a formalização e a escolaridade dos ocupados, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, que engloba as regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Na opinião de especialistas, os resultados de 2007 são a consolidação de um processo de recuperação iniciado a partir de 2003, mas que corre riscos este ano, em função das incertezas que rondam a economia internacional e a brasileira.
A taxa de desemprego de dezembro foi a menor da série histórica da pesquisa, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir de março de 2002. O índice, que começou 2007 em 9,3%, chegou a 7,4% no mês passado. No ano, a média foi de 9,3%, bem inferior à de 2003, quando 12,3% da População Economicamente Ativa (PEA) estava em busca de um emprego. A redução está ligada à melhora do cenário econômico brasileiro, segundo a técnica do IBGE Adriana Beringuy, uma das responsáveis pela elaboração da pesquisa. “Nota-se uma consistência maior no mercado de trabalho. Um conjunto de fatores se interligam e oferecem as condições necessárias para essa melhora, como uma maior disposição das empresas para produzir, uma vez que o consumo aumentou. Produzindo mais, elas empregam mais”.
O aumento na demanda foi o que motivou o empresário brasiliense João Batista de Brito Machado, proprietário de uma das maiores lojas de materiais de construção da capital federal, a investir na expansão. Somente no ano passado, contratou 85 trabalhadores, um incremento de 30% no quadro de funcionários em apenas um ano. Em 2008, o otimismo permanece. Sua intenção é empregar, no mínimo, 50 pessoas até dezembro. “O aumento dos prazos de financiamento, a queda dos juros e o ambiente positivo foram fatores preponderantes para que eu decidisse ampliar os negócios. O empresário depende desse ambiente positivo”, afirma.
O temor de especialistas, diante de um futuro ainda obscuro, é de que neste ano a confiança do empresariado não se mantenha. Três fatores colocam em risco os bons resultados em 2008, de acordo com o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Mol. Segundo ele, a expectativa de os alimentos continuarem aumentando de preços, a turbulência norte-americana e a possibilidade de uma crise no setor energético podem prejudicar a criação de empregos. “Estamos vindo de uma situação privilegiada, a atividade econômica está muito forte, no entanto, começamos o ano com algumas interrogações que podem prejudicar esse desempenho”.
Ninguém se arrisca a fazer projeções para o ano. Em todo o mundo, a expectativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) é de que 5 milhões de vagas deixem de ser geradas apenas pela crise que ronda a economia norte-americana e os impactos que podem ter no restante do mundo.
Formalização cresce 19,5%
O cenário econômico otimista levou os empresários brasileiros a aumentarem a formalização do mercado de trabalho nos últimos cinco anos. As contratações com carteira assinada cresceram 19,5% entre 2003 e 2007, enquanto a geração de emprego seguiu ritmo mais lento e aumentou 11,9%, segundo o estudo comparativo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados da Pesquisa Mensal de Emprego. Dos 20,8 milhões de trabalhadores ocupados nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, 8,8 milhões são funcionários de empresas do setor privado e têm os direitos trabalhistas garantidos em carteira. Eles representam 42,4% do total. Em 2003 equivaliam a 39,7% do total.
“O aumento da formalização está ligado à expectativa do empresariado. Se estão mais confiantes, têm maior propensão a assumir formalmente o funcionário, mas se acham que podem ter que despedir, não formalizam logo”, analisa o técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carlos Henrique Corseuil. Na esteira da contratação com carteira assinada, também cresceram os salários pagos aos trabalhadores brasileiros. Na média, em 2007, o rendimento ficou em R$ 1.143,72, 7,7% a mais que em 2003.
Mariana Flores
Correio Braziliense
Correio Braziliense
País fecha 2007 com a menor taxa de desocupação já registrada — 7,4% em dezembro — e com o melhor rendimento médio desde 2003. Especialistas temem que incerteza internacional afete indicador este ano
Apesar de ainda aglomerar 2,1 milhões de desempregados em apenas seis regiões metropolitanas, o Brasil fechou 2007 com a menor taxa de desocupação já registrada e o melhor rendimento médio desde 2003. Além da vantagem quantitativa, as vagas geradas demonstram uma melhora na qualidade dos empregos. Aumentaram a formalização e a escolaridade dos ocupados, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, que engloba as regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Na opinião de especialistas, os resultados de 2007 são a consolidação de um processo de recuperação iniciado a partir de 2003, mas que corre riscos este ano, em função das incertezas que rondam a economia internacional e a brasileira.
A taxa de desemprego de dezembro foi a menor da série histórica da pesquisa, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir de março de 2002. O índice, que começou 2007 em 9,3%, chegou a 7,4% no mês passado. No ano, a média foi de 9,3%, bem inferior à de 2003, quando 12,3% da População Economicamente Ativa (PEA) estava em busca de um emprego. A redução está ligada à melhora do cenário econômico brasileiro, segundo a técnica do IBGE Adriana Beringuy, uma das responsáveis pela elaboração da pesquisa. “Nota-se uma consistência maior no mercado de trabalho. Um conjunto de fatores se interligam e oferecem as condições necessárias para essa melhora, como uma maior disposição das empresas para produzir, uma vez que o consumo aumentou. Produzindo mais, elas empregam mais”.
O aumento na demanda foi o que motivou o empresário brasiliense João Batista de Brito Machado, proprietário de uma das maiores lojas de materiais de construção da capital federal, a investir na expansão. Somente no ano passado, contratou 85 trabalhadores, um incremento de 30% no quadro de funcionários em apenas um ano. Em 2008, o otimismo permanece. Sua intenção é empregar, no mínimo, 50 pessoas até dezembro. “O aumento dos prazos de financiamento, a queda dos juros e o ambiente positivo foram fatores preponderantes para que eu decidisse ampliar os negócios. O empresário depende desse ambiente positivo”, afirma.
O temor de especialistas, diante de um futuro ainda obscuro, é de que neste ano a confiança do empresariado não se mantenha. Três fatores colocam em risco os bons resultados em 2008, de acordo com o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Mol. Segundo ele, a expectativa de os alimentos continuarem aumentando de preços, a turbulência norte-americana e a possibilidade de uma crise no setor energético podem prejudicar a criação de empregos. “Estamos vindo de uma situação privilegiada, a atividade econômica está muito forte, no entanto, começamos o ano com algumas interrogações que podem prejudicar esse desempenho”.
Ninguém se arrisca a fazer projeções para o ano. Em todo o mundo, a expectativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) é de que 5 milhões de vagas deixem de ser geradas apenas pela crise que ronda a economia norte-americana e os impactos que podem ter no restante do mundo.
Formalização cresce 19,5%
O cenário econômico otimista levou os empresários brasileiros a aumentarem a formalização do mercado de trabalho nos últimos cinco anos. As contratações com carteira assinada cresceram 19,5% entre 2003 e 2007, enquanto a geração de emprego seguiu ritmo mais lento e aumentou 11,9%, segundo o estudo comparativo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados da Pesquisa Mensal de Emprego. Dos 20,8 milhões de trabalhadores ocupados nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, 8,8 milhões são funcionários de empresas do setor privado e têm os direitos trabalhistas garantidos em carteira. Eles representam 42,4% do total. Em 2003 equivaliam a 39,7% do total.
“O aumento da formalização está ligado à expectativa do empresariado. Se estão mais confiantes, têm maior propensão a assumir formalmente o funcionário, mas se acham que podem ter que despedir, não formalizam logo”, analisa o técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carlos Henrique Corseuil. Na esteira da contratação com carteira assinada, também cresceram os salários pagos aos trabalhadores brasileiros. Na média, em 2007, o rendimento ficou em R$ 1.143,72, 7,7% a mais que em 2003.