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Publicado: 24/09/2007 | 08:45
Partidos de família
Lúcio Vaz
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Lideranças do PMN e PSB na Câmara dos Deputados têm seis parentes de dirigentes das legendas. Gasto com o salário desses funcionários é de R$ 452 mil por ano
A Câmara proibiu neste ano a contratação de parentes de deputados para os cargos de natureza especial (CNEs), mas deixou a porta escancarada para outro tipo de nepotismo: a contratação de familiares de dirigentes dos partidos políticos. A liderança do Partido da Mobilização Nacional (PMN) acomoda quatro desses parentes, entre eles as gêmeas Bruna e Camila, de 27 anos, filhas da secretária-adjunta da Executiva Nacional do PMN, Maria da Graça Lara Fortes, também presidente estadual da legenda no Rio de Janeiro.
Bruna e Camila vieram juntas do Rio, em julho deste ano. Bruna é técnica em eletrônica, mas pretende cursar a faculdade de direito a partir do próximo ano. Com a formação que tem, arranjou um cargo de assistente técnica adjunta B (CNE-11), com salário de R$ 3,9 mil. Camila tem um cargo de assessora técnica (CNE-07), com salário de R$ 8,2 mil. É formada em turismo. No próximo ano, quer fazer uma pós-graduação na área ambiental. Por enquanto, as duas assessoram os deputados do partido nas comissões técnicas e no plenário.
Elas vieram do Rio em companhia de Cínthia Yuri Simões, filha de Marcelo Ferraz Simões, outro secretário-adjunto da Executiva Nacional do PMN. Com apenas segundo grau completo, ela teve que se contentar com um cargo de assistente técnica adjunta D (CNE-15), com salário de R$ 1,9 mil. A liderança do partido também abriga Mauro Sérgio Bosco Massarollo, irmão do vice-presidente nacional do PMN, Antônio Carlos Bosco Massarollo. Ele ocupa o cargo de assessor técnico adjunto B (CNE-10), com salário de R$ 4,3 mil. Os quatro funcionários custam, em salários, R$ 18,4 mil à Câmara — uma despesa de R$ 239 mil ao ano.
Na liderança do PSB, trabalha a advogada Helena Maria de Almeida, filha do secretário especial da Executiva Nacional José Antônio Almeida, ex-líder do PSB na Câmara. Com um CNE-07, ela presta assessoria a deputados nas comissões de Seguridade Social e Direitos Humanos. Outro CNE-07 é ocupado por Mari Trindade Machado, secretária especial da Executiva. Ela afirma que foi contratada em agosto para preparar as solenidades de comemoração dos 60 anos no PSB. Deve ser exonerada no final do mês. Os dois funcionários recebem em salários R$ 16,4 mil mensais — são R$ 213 mil por ano.
“Pessoas de confiança”
O gabinete da liderança, instalado em duas salas do Anexo 1 (uma das torres gêmeas do Congresso), tem um quadro de 25 pessoas —17 CNEs e oito funcionários da casa. Não há espaço para todos, mas apenas 11 CNEs foram preenchidos por enquanto. Os cargos foram criados em 26 de junho deste ano por um Ato do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Naquele dia, em quatro canetadas, foram criados 154 cargos para as lideranças do PMN, PV, PPS e PSC, sendo 102 CNEs. A Câmara afirma que os cargos foram remanejados de lideranças de outros partidos.
Maria da Graça Lara Fortes não considera nepotismo a contratação de parentes dos dirigentes nacionais pela liderança do partido na Câmara. Segundo ela, nepotismo seria a contratação de parentes de deputados para os seus gabinetes. “Se achássemos que fosse nepotismo, não agiríamos assim. Todos são aptos e estão trabalhando. Não sou deputado, sou dirigente de um partido político. No gabinete da liderança, quem indica as pessoas é o diretório correspondente”, explicou a dirigente, afirmando que essa norma está prevista no estatuto do partido.
A secretária adjunta do PMN tentou justificar a contratação das filhas: “Temos que indicar pessoas de confiança do partido. A Camila ficou muitos anos dando suporte ao partido aqui no Rio. São pessoas que fazem parte da direção estadual. O Carlos (Lara Fortes) é secretário estadual do partido”. Ela citou o nome de outro filho, que é dirigente do PMN, mas não trabalha na Câmara. Questionada sobre a contratação de Bruna, que não tem curso superior, afirmou que “a direção nacional se reuniu para indicar. Foi uma decisão da Executiva Nacional, que queria pessoas que tivessem disponibilidade para desempenhar essas funções”.
Maria da Graça afirmou que a direção estadual fez indicações para a liderança do partido na Assembléia Legislativa do Rio, seguindo o estatuto do partido, mas não foi atendida pelo líder da bancada, Geraldo Moreira: “Fizemos indicações de três nomes, mas o deputado está usurpando o direito de indicar, que é nosso”.
Encerrada a entrevista, a dirigente do PMN fez uma sondagem com o repórter. “Me diz uma coisa. Nós estamos procurando, o PMN está procurando alguém, algum jornalista, porque nós vimos que seria muito importante termos esse aporte, para podermos lançar no nosso site, na imprensa, os projetos que os nossos deputados estão apresentando. Você trabalha direto no jornal, você é freelancer? Você teria alguém, algum jornalista que pudesse nos indicar? Porque nós estamos querendo ter um jornalista indicado no gabinete de liderança para dar esse suporte”. Como o repórter não demonstrou interesse, ela respondeu: “As pessoas são reticentes quanto à política. Grande parte da população tem horror, não é?”
Memória
Cabides em excesso
Reportagem publicada no Correio no dia 3 deste mês mostrou que as lideranças do Partido Social Cristão (PSC) e do Partido Verde (PV) viraram cabide de emprego, com vários casos de desvio de função e contratação de parentes. A liderança do PSC serve de encosto para o filho de um ex-deputado, Costa Ferreira (PSC-MA). Com um salário de R$ 2,9 mil, Antônio Costa Ferreira Filho trabalha só pela manhã. À tarde, ele cursa a faculdade de direito. Era funcionário do gabinete do pai até fevereiro deste ano. Com o fim do mandato, a bolsa de estudos foi transferida para a liderança. Outros ocupantes de CNEs estão cedidos para gabinetes de deputados, o que é proibido pelas normas da Casa. O nepotismo entre funcionários é praticado no PV. O gabinete do líder do PV, Marcelo Ortiz (SP), abriga a família do chefe de gabinete, Enildo Cardozo. Trabalham ali o irmão Ades Cardozo, o sobrinho Diogo Oliveira e a ex-cunhada Maria Cristina Bastos. Não satisfeito, Enildo acomodou a mulher, Denise Guardieiro, na liderança do partido, ocupando um CNE-7. Ocupantes de CNEs na liderança também estão cedidos para gabinetes de deputados. O Correio também encontrou irregularidades na Procuradoria Parlamentar e no Conselho de Ética da Câmara. São casos de desvio de função, nepotismo e até de funcionários fantasmas. A direção da Câmara abriu sindicância para apurar a responsabilidade por essas contratações.
Memória
Cabides em excesso
Reportagem publicada no Correio no dia 3 deste mês mostrou que as lideranças do Partido Social Cristão (PSC) e do Partido Verde (PV) viraram cabide de emprego, com vários casos de desvio de função e contratação de parentes. A liderança do PSC serve de encosto para o filho de um ex-deputado, Costa Ferreira (PSC-MA). Com um salário de R$ 2,9 mil, Antônio Costa Ferreira Filho trabalha só pela manhã. À tarde, ele cursa a faculdade de direito. Era funcionário do gabinete do pai até fevereiro deste ano. Com o fim do mandato, a bolsa de estudos foi transferida para a liderança. Outros ocupantes de CNEs estão cedidos para gabinetes de deputados, o que é proibido pelas normas da Casa. O nepotismo entre funcionários é praticado no PV. O gabinete do líder do PV, Marcelo Ortiz (SP), abriga a família do chefe de gabinete, Enildo Cardozo. Trabalham ali o irmão Ades Cardozo, o sobrinho Diogo Oliveira e a ex-cunhada Maria Cristina Bastos. Não satisfeito, Enildo acomodou a mulher, Denise Guardieiro, na liderança do partido, ocupando um CNE-7. Ocupantes de CNEs na liderança também estão cedidos para gabinetes de deputados. O Correio também encontrou irregularidades na Procuradoria Parlamentar e no Conselho de Ética da Câmara. São casos de desvio de função, nepotismo e até de funcionários fantasmas. A direção da Câmara abriu sindicância para apurar a responsabilidade por essas contratações.
Lúcio Vaz
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Lideranças do PMN e PSB na Câmara dos Deputados têm seis parentes de dirigentes das legendas. Gasto com o salário desses funcionários é de R$ 452 mil por ano
A Câmara proibiu neste ano a contratação de parentes de deputados para os cargos de natureza especial (CNEs), mas deixou a porta escancarada para outro tipo de nepotismo: a contratação de familiares de dirigentes dos partidos políticos. A liderança do Partido da Mobilização Nacional (PMN) acomoda quatro desses parentes, entre eles as gêmeas Bruna e Camila, de 27 anos, filhas da secretária-adjunta da Executiva Nacional do PMN, Maria da Graça Lara Fortes, também presidente estadual da legenda no Rio de Janeiro.
Bruna e Camila vieram juntas do Rio, em julho deste ano. Bruna é técnica em eletrônica, mas pretende cursar a faculdade de direito a partir do próximo ano. Com a formação que tem, arranjou um cargo de assistente técnica adjunta B (CNE-11), com salário de R$ 3,9 mil. Camila tem um cargo de assessora técnica (CNE-07), com salário de R$ 8,2 mil. É formada em turismo. No próximo ano, quer fazer uma pós-graduação na área ambiental. Por enquanto, as duas assessoram os deputados do partido nas comissões técnicas e no plenário.
Elas vieram do Rio em companhia de Cínthia Yuri Simões, filha de Marcelo Ferraz Simões, outro secretário-adjunto da Executiva Nacional do PMN. Com apenas segundo grau completo, ela teve que se contentar com um cargo de assistente técnica adjunta D (CNE-15), com salário de R$ 1,9 mil. A liderança do partido também abriga Mauro Sérgio Bosco Massarollo, irmão do vice-presidente nacional do PMN, Antônio Carlos Bosco Massarollo. Ele ocupa o cargo de assessor técnico adjunto B (CNE-10), com salário de R$ 4,3 mil. Os quatro funcionários custam, em salários, R$ 18,4 mil à Câmara — uma despesa de R$ 239 mil ao ano.
Na liderança do PSB, trabalha a advogada Helena Maria de Almeida, filha do secretário especial da Executiva Nacional José Antônio Almeida, ex-líder do PSB na Câmara. Com um CNE-07, ela presta assessoria a deputados nas comissões de Seguridade Social e Direitos Humanos. Outro CNE-07 é ocupado por Mari Trindade Machado, secretária especial da Executiva. Ela afirma que foi contratada em agosto para preparar as solenidades de comemoração dos 60 anos no PSB. Deve ser exonerada no final do mês. Os dois funcionários recebem em salários R$ 16,4 mil mensais — são R$ 213 mil por ano.
“Pessoas de confiança”
O gabinete da liderança, instalado em duas salas do Anexo 1 (uma das torres gêmeas do Congresso), tem um quadro de 25 pessoas —17 CNEs e oito funcionários da casa. Não há espaço para todos, mas apenas 11 CNEs foram preenchidos por enquanto. Os cargos foram criados em 26 de junho deste ano por um Ato do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Naquele dia, em quatro canetadas, foram criados 154 cargos para as lideranças do PMN, PV, PPS e PSC, sendo 102 CNEs. A Câmara afirma que os cargos foram remanejados de lideranças de outros partidos.
Maria da Graça Lara Fortes não considera nepotismo a contratação de parentes dos dirigentes nacionais pela liderança do partido na Câmara. Segundo ela, nepotismo seria a contratação de parentes de deputados para os seus gabinetes. “Se achássemos que fosse nepotismo, não agiríamos assim. Todos são aptos e estão trabalhando. Não sou deputado, sou dirigente de um partido político. No gabinete da liderança, quem indica as pessoas é o diretório correspondente”, explicou a dirigente, afirmando que essa norma está prevista no estatuto do partido.
A secretária adjunta do PMN tentou justificar a contratação das filhas: “Temos que indicar pessoas de confiança do partido. A Camila ficou muitos anos dando suporte ao partido aqui no Rio. São pessoas que fazem parte da direção estadual. O Carlos (Lara Fortes) é secretário estadual do partido”. Ela citou o nome de outro filho, que é dirigente do PMN, mas não trabalha na Câmara. Questionada sobre a contratação de Bruna, que não tem curso superior, afirmou que “a direção nacional se reuniu para indicar. Foi uma decisão da Executiva Nacional, que queria pessoas que tivessem disponibilidade para desempenhar essas funções”.
Maria da Graça afirmou que a direção estadual fez indicações para a liderança do partido na Assembléia Legislativa do Rio, seguindo o estatuto do partido, mas não foi atendida pelo líder da bancada, Geraldo Moreira: “Fizemos indicações de três nomes, mas o deputado está usurpando o direito de indicar, que é nosso”.
Encerrada a entrevista, a dirigente do PMN fez uma sondagem com o repórter. “Me diz uma coisa. Nós estamos procurando, o PMN está procurando alguém, algum jornalista, porque nós vimos que seria muito importante termos esse aporte, para podermos lançar no nosso site, na imprensa, os projetos que os nossos deputados estão apresentando. Você trabalha direto no jornal, você é freelancer? Você teria alguém, algum jornalista que pudesse nos indicar? Porque nós estamos querendo ter um jornalista indicado no gabinete de liderança para dar esse suporte”. Como o repórter não demonstrou interesse, ela respondeu: “As pessoas são reticentes quanto à política. Grande parte da população tem horror, não é?”
Memória
Cabides em excesso
Reportagem publicada no Correio no dia 3 deste mês mostrou que as lideranças do Partido Social Cristão (PSC) e do Partido Verde (PV) viraram cabide de emprego, com vários casos de desvio de função e contratação de parentes. A liderança do PSC serve de encosto para o filho de um ex-deputado, Costa Ferreira (PSC-MA). Com um salário de R$ 2,9 mil, Antônio Costa Ferreira Filho trabalha só pela manhã. À tarde, ele cursa a faculdade de direito. Era funcionário do gabinete do pai até fevereiro deste ano. Com o fim do mandato, a bolsa de estudos foi transferida para a liderança. Outros ocupantes de CNEs estão cedidos para gabinetes de deputados, o que é proibido pelas normas da Casa. O nepotismo entre funcionários é praticado no PV. O gabinete do líder do PV, Marcelo Ortiz (SP), abriga a família do chefe de gabinete, Enildo Cardozo. Trabalham ali o irmão Ades Cardozo, o sobrinho Diogo Oliveira e a ex-cunhada Maria Cristina Bastos. Não satisfeito, Enildo acomodou a mulher, Denise Guardieiro, na liderança do partido, ocupando um CNE-7. Ocupantes de CNEs na liderança também estão cedidos para gabinetes de deputados. O Correio também encontrou irregularidades na Procuradoria Parlamentar e no Conselho de Ética da Câmara. São casos de desvio de função, nepotismo e até de funcionários fantasmas. A direção da Câmara abriu sindicância para apurar a responsabilidade por essas contratações.
Memória
Cabides em excesso
Reportagem publicada no Correio no dia 3 deste mês mostrou que as lideranças do Partido Social Cristão (PSC) e do Partido Verde (PV) viraram cabide de emprego, com vários casos de desvio de função e contratação de parentes. A liderança do PSC serve de encosto para o filho de um ex-deputado, Costa Ferreira (PSC-MA). Com um salário de R$ 2,9 mil, Antônio Costa Ferreira Filho trabalha só pela manhã. À tarde, ele cursa a faculdade de direito. Era funcionário do gabinete do pai até fevereiro deste ano. Com o fim do mandato, a bolsa de estudos foi transferida para a liderança. Outros ocupantes de CNEs estão cedidos para gabinetes de deputados, o que é proibido pelas normas da Casa. O nepotismo entre funcionários é praticado no PV. O gabinete do líder do PV, Marcelo Ortiz (SP), abriga a família do chefe de gabinete, Enildo Cardozo. Trabalham ali o irmão Ades Cardozo, o sobrinho Diogo Oliveira e a ex-cunhada Maria Cristina Bastos. Não satisfeito, Enildo acomodou a mulher, Denise Guardieiro, na liderança do partido, ocupando um CNE-7. Ocupantes de CNEs na liderança também estão cedidos para gabinetes de deputados. O Correio também encontrou irregularidades na Procuradoria Parlamentar e no Conselho de Ética da Câmara. São casos de desvio de função, nepotismo e até de funcionários fantasmas. A direção da Câmara abriu sindicância para apurar a responsabilidade por essas contratações.