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Publicado: 13/09/2007 | 10:59
Voto secreto salva Renan da guilhotina
Gustavo Krieger e Leandro Colon
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Senador escapa, mas aliados trabalham para que ele se afaste da Presidência da Casa
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), conseguiu preservar seu mandato ontem, na votação secreta em plenário. Foram 40 votos pela absolvição, 35 pela cassação e seis abstenções. O resultado não encerrou a crise política na Casa. Renan ainda responde a outros processos por quebra de decoro no Conselho de Ética. Aliados políticos e o governo Lula querem que ele se afaste da Presidência até o julgamento de todas as representações. Ele resiste. Espera ser fortalecido pelo resultado de ontem e pretende retomar o diálogo com os partidos para manter o cargo. Vencida, a oposição aposta na pressão da opinião pública para continuar o cerco sobre ele.
O resultado de ontem criou um complicado equilíbrio dentro do Senado. A oposição ficou longe dos 41 votos necessários para a cassação. Mas Renan tampouco obteve a maioria absoluta. Menos da metade dos 81 senadores votou por sua absolvição. Tudo por conta das seis abstenções. Esses votos foram um recado político de aliados que não queriam cassá-lo, mas também não desejam sua permanência na Presidência da Casa.
Um deles foi Aloizio Mercadante (PT-SP). Ele chegou a levar para a sessão requerimento no qual propunha um acordo: o Senado adiaria o julgamento de Renan até que todas as representações contra ele estivessem apuradas. Em troca, o presidente do Senado se licenciaria. Não chegou a apresentar a proposta. A avaliação entre os aliados de Renan é de que a maioria das abstenções teve esse perfil. Veio de senadores que pretendiam que ele se sentisse enfraquecido e renunciasse à Presidência após salvar o mandato. “Acho que Renan deveria se licenciar”, sugere Mercadante.
O Palácio do Planalto pensa do mesmo jeito. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi escolhido para tentar convencer o colega alagoano. Tentará convencê-lo a licenciar-se por 30 dias. “Temos de trabalhar pela pacificação da Casa”, diz. A preocupação do governo é que a permanência do peemedebista prolongue a crise e atrapalhe a aprovação da emenda que prorroga a CPMF.
Se Renan licenciar-se, o cargo seria assumido pelo vice-presidente, Tião Viana (PT-AC). Ele poderia responder interinamente por até 120 dias, prazo mais que suficiente para votar a CPMF. E evitaria o processo complicado e arriscado de uma nova eleição para a Presidência do Senado.
Discurso
Não será fácil convencer Renan. Ao longo dos últimos 100 dias ele resistiu a todas as tentativas para afastar-se da Presidência. Avalia que só venceu porque manteve-se no cargo. No discurso em que fez sua defesa, ele deixou claro que não pretende renunciar. Repetiu isso nas conversas que teve com aliados após a vitória.
A estratégia do peemedebista tem dois focos. O primeiro é pacificar a Casa. Quer retomar as votações e esfriar os ânimos. Ontem mesmo conversou no plenário e depois por telefone com líderes de partidos. Acredita que pode recompor-se com as legendas da base aliada e até com o PSDB. Sua segunda aposta é no calendário. Ele quer que as representações que ainda existem contra ele no Conselho andem lentamente. Espera que, aos poucos, seu caso perca a atenção da mídia. Com isso, ficaria mais fácil derrubar as novas representações contra ele ainda no Conselho de Ética.
O painel absolveu Renan, mas mostra que a crise o desidratou politicamente. Em fevereiro, ele foi reeleito presidente do Senado com 51 votos, também em escrutínio secreto. Depois da crise, teve apenas 40 votos. O tempo tem trabalhado contra ele, em parte por seus próprios erros políticos. Ao longo do processo, tentou manobras protelatórias desastradas, que só aumentaram o desgaste. O resultado de ontem indica que ele não tem mais margem para erros.
A oposição saiu da sessão com um discurso agressivo. Seus líderes prometem que vão acelerar as outras investigações contra o presidente da Casa e lutar pela aprovação da emenda constitucional que estabelece o voto abert em casos de cassação. Ameaçam boicotar a Presidência de Renan. “Não há clima para votações e nem mesmo para uma reunião de líderes”, avisa José Agripino (DEM-RN).
Reservadamente, reconhecem que a situação ficou bem mais difícil. A vitória de ontem foi uma demonstração de que Renan ainda é forte no plenário e tem efeito interno. Senadores que estiveram contra ele desta vez podem alinhar-se com o lado vencedor. Apostam na pressão da mídia. “A reação da opinião pública será devastadora”, torce Demostenes Torres (DEM-GO). “Quem venceu foi a crise”, garante o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
O placar
Absolvição 40
Cassação 35
Abstenção 6
Por que o peemedebista escapou
Votação secreta
O presidente do Senado foi derrotado todas as vezes em que seu caso foi julgado em votações abertas. Sempre confiou que venceria em plenário, quando chegasse a hora do voto secreto, longe da pressão da mídia
Corporativismo
Renan apresentou-se como vítima da perseguição da imprensa e em vários momentos fez alertas velados aos senadores. Disse que qualquer um poderia ser a próxima vítima, caso ele fosse cassado
Apoio do Planalto
O presidente Lula deu várias manifestações públicas de apoio a Renan durante a crise. Isso ajudou a impedir dissidências dentro da base governista
Oposição dividida
Renan cultivou o tempo todo votos dentro do PSDB e do DEM. Em sua contabilidade, teve três votos entre os tucanos e cinco entre os democratas
Trapalhada dos deputados
Senadores avaliam que a pressão feita pelos deputados, que brigaram com seguranças e obtiveram na Justiça uma liminar para assistir à sessão secreta, acabou ajudando Renan, ao dar a sensação de que o Senado estava sob cerco
Heloisa Helena
O PSol escolheu a ex-senadora para fazer o ataque a Renan no plenário. Ela é inimiga regional de Renan e alguns senadores não gostaram de ver uma disputa paroquial ser levada para o centro do julgamento do peemedebista.
Gustavo Krieger e Leandro Colon
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Senador escapa, mas aliados trabalham para que ele se afaste da Presidência da Casa
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), conseguiu preservar seu mandato ontem, na votação secreta em plenário. Foram 40 votos pela absolvição, 35 pela cassação e seis abstenções. O resultado não encerrou a crise política na Casa. Renan ainda responde a outros processos por quebra de decoro no Conselho de Ética. Aliados políticos e o governo Lula querem que ele se afaste da Presidência até o julgamento de todas as representações. Ele resiste. Espera ser fortalecido pelo resultado de ontem e pretende retomar o diálogo com os partidos para manter o cargo. Vencida, a oposição aposta na pressão da opinião pública para continuar o cerco sobre ele.
O resultado de ontem criou um complicado equilíbrio dentro do Senado. A oposição ficou longe dos 41 votos necessários para a cassação. Mas Renan tampouco obteve a maioria absoluta. Menos da metade dos 81 senadores votou por sua absolvição. Tudo por conta das seis abstenções. Esses votos foram um recado político de aliados que não queriam cassá-lo, mas também não desejam sua permanência na Presidência da Casa.
Um deles foi Aloizio Mercadante (PT-SP). Ele chegou a levar para a sessão requerimento no qual propunha um acordo: o Senado adiaria o julgamento de Renan até que todas as representações contra ele estivessem apuradas. Em troca, o presidente do Senado se licenciaria. Não chegou a apresentar a proposta. A avaliação entre os aliados de Renan é de que a maioria das abstenções teve esse perfil. Veio de senadores que pretendiam que ele se sentisse enfraquecido e renunciasse à Presidência após salvar o mandato. “Acho que Renan deveria se licenciar”, sugere Mercadante.
O Palácio do Planalto pensa do mesmo jeito. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi escolhido para tentar convencer o colega alagoano. Tentará convencê-lo a licenciar-se por 30 dias. “Temos de trabalhar pela pacificação da Casa”, diz. A preocupação do governo é que a permanência do peemedebista prolongue a crise e atrapalhe a aprovação da emenda que prorroga a CPMF.
Se Renan licenciar-se, o cargo seria assumido pelo vice-presidente, Tião Viana (PT-AC). Ele poderia responder interinamente por até 120 dias, prazo mais que suficiente para votar a CPMF. E evitaria o processo complicado e arriscado de uma nova eleição para a Presidência do Senado.
Discurso
Não será fácil convencer Renan. Ao longo dos últimos 100 dias ele resistiu a todas as tentativas para afastar-se da Presidência. Avalia que só venceu porque manteve-se no cargo. No discurso em que fez sua defesa, ele deixou claro que não pretende renunciar. Repetiu isso nas conversas que teve com aliados após a vitória.
A estratégia do peemedebista tem dois focos. O primeiro é pacificar a Casa. Quer retomar as votações e esfriar os ânimos. Ontem mesmo conversou no plenário e depois por telefone com líderes de partidos. Acredita que pode recompor-se com as legendas da base aliada e até com o PSDB. Sua segunda aposta é no calendário. Ele quer que as representações que ainda existem contra ele no Conselho andem lentamente. Espera que, aos poucos, seu caso perca a atenção da mídia. Com isso, ficaria mais fácil derrubar as novas representações contra ele ainda no Conselho de Ética.
O painel absolveu Renan, mas mostra que a crise o desidratou politicamente. Em fevereiro, ele foi reeleito presidente do Senado com 51 votos, também em escrutínio secreto. Depois da crise, teve apenas 40 votos. O tempo tem trabalhado contra ele, em parte por seus próprios erros políticos. Ao longo do processo, tentou manobras protelatórias desastradas, que só aumentaram o desgaste. O resultado de ontem indica que ele não tem mais margem para erros.
A oposição saiu da sessão com um discurso agressivo. Seus líderes prometem que vão acelerar as outras investigações contra o presidente da Casa e lutar pela aprovação da emenda constitucional que estabelece o voto abert em casos de cassação. Ameaçam boicotar a Presidência de Renan. “Não há clima para votações e nem mesmo para uma reunião de líderes”, avisa José Agripino (DEM-RN).
Reservadamente, reconhecem que a situação ficou bem mais difícil. A vitória de ontem foi uma demonstração de que Renan ainda é forte no plenário e tem efeito interno. Senadores que estiveram contra ele desta vez podem alinhar-se com o lado vencedor. Apostam na pressão da mídia. “A reação da opinião pública será devastadora”, torce Demostenes Torres (DEM-GO). “Quem venceu foi a crise”, garante o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
O placar
Absolvição 40
Cassação 35
Abstenção 6
Por que o peemedebista escapou
Votação secreta
O presidente do Senado foi derrotado todas as vezes em que seu caso foi julgado em votações abertas. Sempre confiou que venceria em plenário, quando chegasse a hora do voto secreto, longe da pressão da mídia
Corporativismo
Renan apresentou-se como vítima da perseguição da imprensa e em vários momentos fez alertas velados aos senadores. Disse que qualquer um poderia ser a próxima vítima, caso ele fosse cassado
Apoio do Planalto
O presidente Lula deu várias manifestações públicas de apoio a Renan durante a crise. Isso ajudou a impedir dissidências dentro da base governista
Oposição dividida
Renan cultivou o tempo todo votos dentro do PSDB e do DEM. Em sua contabilidade, teve três votos entre os tucanos e cinco entre os democratas
Trapalhada dos deputados
Senadores avaliam que a pressão feita pelos deputados, que brigaram com seguranças e obtiveram na Justiça uma liminar para assistir à sessão secreta, acabou ajudando Renan, ao dar a sensação de que o Senado estava sob cerco
Heloisa Helena
O PSol escolheu a ex-senadora para fazer o ataque a Renan no plenário. Ela é inimiga regional de Renan e alguns senadores não gostaram de ver uma disputa paroquial ser levada para o centro do julgamento do peemedebista.