antigas Publicado: 12/09/2007 | 11:32

Nome de Garibaldi ganha força no Senado

Leandro Mazzini
Jornal do Brasil

No pior cenário para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), caso seja cassado hoje, a Casa não sofrerá uma baixa que lhe emperre os trabalhos nos próximos dias. Os bastidores de uma negociação envolvendo as bancadas do PMDB, do PSDB e do DEM, com um possível aval do Palácio do Planalto, vêm à tona simultaneamente às indecisões que rondam o Congresso. E o nome do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) aparece como possível substituto de Renan, caso o alagoano perca o mandato.

Ontem, Garibaldi chegou ao Congresso munido com um discurso preparado especialmente para cacifar-se com os aliados que lhe garantem o apoio. Até então relegado ao fundo do plenário, esquecido pelos caciques e mudo sobre a crise vivida pela Casa, Garibaldi - conhecido pela relatoria da CPI dos Bingos - subiu à tribuna e foi taxativo. O correligionário do presidente do Senado confirmou que será menos um voto a favor de Renan.

Não condeno explicitamente o senador, mas quero absolver o Senado - discursou Garibaldi. - Creio ser este o meu dever e não vejo alternativa outra senão impedir que persista indefinidamente esta sangria mortal da credibilidade de nossa instituição.

Antes de discursar, Garibaldi avisou sobre a decisão a José Sarney (PMDB-AP), o mais próximo a Renan, e ao próprio presidente da Casa, que pouco se importou. Pouco depois de descer da tribuna, foi cumprimentado por aliados, entre eles o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que nega ser potencial candidato caso Renan saia de cena. Preferiu elogiar o colega e apontá-lo como um grande quadro para o cargo.

É um bom nome - sintetizou Jarbas.

Outro elogio partiu mais tarde do líder do PSDB na Casa, senador Arthur Virgílio (AM).

Ele fez um discurso de estadista - elogiou Virgílio.

Não foi um mero comentário. Foi Virgílio quem, há poucas semanas, procurou Garibaldi e o consultou sobre a possibilidade de aceitar o desafio, com o apoio dos tucanos e do próprio PMDB. Garibaldi desconversou.

É tudo muito precoce - esquivou-se o parlamentar. - Mas posso pensar no convite.

Garibaldi aparece como nome de consenso entre os três partidos que praticamente mandam no Senado - PMDB, DEM e PSDB, com 39 dos 81 senadores - daí a expectativa em torno de seu nome nas tramas dos bastidores. Jarbas Vasconcelos não tem a simpatia do Planalto. Gerson Camata (PMDB-ES), outro cotado, tem resistências dentro do próprio partido. O ex-presidente do Congresso José Sarney é carta fora de jogo para o PSDB e o DEM - que ficou irritado com a saída de Roseana Sarney para o PMDB. Os Sarney não têm apoio tampouco dos tucanos.

José Sarney não é mais um grande líder - alfinetou Virgílio. - Não manifestou-se durante todo o caso Renan. Como iremos deixá-lo nos liderar?

O nome de Garibaldi apareceu respaldado pelo líder do DEM, José Agripino Maia (RN), conterrâneo dele. Ambos são aliados no Estado, e planejam apoiar juntos um candidato à sucessão municipal do ano que vem em Natal. Agripino, ponderado, preferiu não se antecipar.

Não vou discutir nenhuma alternativa antes da votação. Mas não descarto essa possibilidade. Garibalde entra no ról.

Sem o apoio do DEM, nenhum outro nome, por mais avalizado pelo Planalto que seja, não vira presidente. Para o senador Pedro Simon (PMDB-RS), a questão do regionalismo pode mudar votos hoje. Foi o que aconteceu com Garibaldi, com 40 anos de vida pública - 16 de deputado estadual - não só por almejar a vaga de Renan, disse Simon.

Leandro Mazzini
Jornal do Brasil

No pior cenário para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), caso seja cassado hoje, a Casa não sofrerá uma baixa que lhe emperre os trabalhos nos próximos dias. Os bastidores de uma negociação envolvendo as bancadas do PMDB, do PSDB e do DEM, com um possível aval do Palácio do Planalto, vêm à tona simultaneamente às indecisões que rondam o Congresso. E o nome do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) aparece como possível substituto de Renan, caso o alagoano perca o mandato.

Ontem, Garibaldi chegou ao Congresso munido com um discurso preparado especialmente para cacifar-se com os aliados que lhe garantem o apoio. Até então relegado ao fundo do plenário, esquecido pelos caciques e mudo sobre a crise vivida pela Casa, Garibaldi - conhecido pela relatoria da CPI dos Bingos - subiu à tribuna e foi taxativo. O correligionário do presidente do Senado confirmou que será menos um voto a favor de Renan.

Não condeno explicitamente o senador, mas quero absolver o Senado - discursou Garibaldi. - Creio ser este o meu dever e não vejo alternativa outra senão impedir que persista indefinidamente esta sangria mortal da credibilidade de nossa instituição.

Antes de discursar, Garibaldi avisou sobre a decisão a José Sarney (PMDB-AP), o mais próximo a Renan, e ao próprio presidente da Casa, que pouco se importou. Pouco depois de descer da tribuna, foi cumprimentado por aliados, entre eles o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que nega ser potencial candidato caso Renan saia de cena. Preferiu elogiar o colega e apontá-lo como um grande quadro para o cargo.

É um bom nome - sintetizou Jarbas.

Outro elogio partiu mais tarde do líder do PSDB na Casa, senador Arthur Virgílio (AM).

Ele fez um discurso de estadista - elogiou Virgílio.

Não foi um mero comentário. Foi Virgílio quem, há poucas semanas, procurou Garibaldi e o consultou sobre a possibilidade de aceitar o desafio, com o apoio dos tucanos e do próprio PMDB. Garibaldi desconversou.

É tudo muito precoce - esquivou-se o parlamentar. - Mas posso pensar no convite.

Garibaldi aparece como nome de consenso entre os três partidos que praticamente mandam no Senado - PMDB, DEM e PSDB, com 39 dos 81 senadores - daí a expectativa em torno de seu nome nas tramas dos bastidores. Jarbas Vasconcelos não tem a simpatia do Planalto. Gerson Camata (PMDB-ES), outro cotado, tem resistências dentro do próprio partido. O ex-presidente do Congresso José Sarney é carta fora de jogo para o PSDB e o DEM - que ficou irritado com a saída de Roseana Sarney para o PMDB. Os Sarney não têm apoio tampouco dos tucanos.

José Sarney não é mais um grande líder - alfinetou Virgílio. - Não manifestou-se durante todo o caso Renan. Como iremos deixá-lo nos liderar?

O nome de Garibaldi apareceu respaldado pelo líder do DEM, José Agripino Maia (RN), conterrâneo dele. Ambos são aliados no Estado, e planejam apoiar juntos um candidato à sucessão municipal do ano que vem em Natal. Agripino, ponderado, preferiu não se antecipar.

Não vou discutir nenhuma alternativa antes da votação. Mas não descarto essa possibilidade. Garibalde entra no ról.

Sem o apoio do DEM, nenhum outro nome, por mais avalizado pelo Planalto que seja, não vira presidente. Para o senador Pedro Simon (PMDB-RS), a questão do regionalismo pode mudar votos hoje. Foi o que aconteceu com Garibaldi, com 40 anos de vida pública - 16 de deputado estadual - não só por almejar a vaga de Renan, disse Simon.