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Publicado: 6/09/2007 | 09:44
Planalto prefere ficar longe do julgamento
Daniel Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Presidente Lula diz que Renan está sendo avaliado onde deveria, dentro do Congresso Nacional. Walfrido garante que governo não vai interferir na votação no plenário da Casa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a decisão do Conselho de Ética do Senado de aprovar a cassação do mandato do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior, mostra que as regras valem para todos os brasileiros. Com outras palavras, o discurso é igual ao entoado em reação à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de abrir processo contra os 40 suspeitos de participar do esquema do mensalão.
Naquela ocasião, Lula declarou que o acolhimento da denúncia comprovava o pleno funcionamento das instituições. Além disso, retomou a cantilena segundo a qual quem cometeu erros pagará por seus pecados. “As regras que foram estabelecidas pela sociedade brasileira valem ontem, hoje e amanhã. Portanto, todos nós estamos subordinados a essas regras”, afirmou o presidente, depois de cerimônia no Palácio do Planalto.
Como faz desde o início da crise que envolve o presidente do Senado, Lula voltou a garantir que o governo não interferirá no caso, apesar de Renan ser um dos principais aliados no Congresso. “Acho que (o processo) está sendo julgado onde precisa ser julgado, dentro do Congresso e dentro do Senado. É um problema do Congresso. Há uma acusação, o Renan tem mostrado as provas. Vamos ver a decisão”, disse Lula.
Depois de reunião com parlamentares na Câmara, o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, afirmou que a derrota de Renan no conselho já era esperada. Em linha com o presidente, o ministro reforçou a tese de que cabe ao Senado decidir sobre o processo. “O governo não pode ajudar. Esse é um assunto específico do Senado. É um outro poder, seria até desrespeitoso se fôssemos influir, nos intrometer nisso”, declarou Walfrido.
Para o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), o processo contra Renan não contaminará o trabalho dos deputados. “Qualquer avaliação de mérito vale aos senadores, mas a melhor coisa é resolver tudo de forma justa.”
Pronunciamento
O presidente gravou ontem de manhã, no Palácio da Alvorada, pronunciamento que será veiculado em cadeia nacional de televisão no feriado de Sete de Setembro, às 20h. Durante cerca de cinco minutos, discorrerá sobre as medidas adotadas para destravar a economia e fazer da área social uma marca do segundo mandato. Haverá menções otimistas, por exemplo, ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Lula também baterá o bumbo da chamada agenda social. Discutida na última reunião ministerial e antecipada pelo Correio, a agenda prevê, por exemplo, o aumento do número de beneficiários do Bolsa Família e investimentos para erradicar a pobreza até 2010 em 120 territórios agrícolas.
Doação de cervejaria
O deputado Sandes Júnior (PP-GO), que é relator no Conselho de Ética da Câmara de uma representação contra o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) motivada por negócios entre o peemedebista e a Schincariol, recebeu da cervejaria uma doação de R$ 50 mil na campanha eleitoral do ano passado. Segundo registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a doação foi feita no dia 11 de setembro e equivaleu a 11,6% do custo da campanha do deputado.
A representação contra Olavo Calheiros foi feita pelo PSol com base em denúncia publicada na revista Veja. Conforme a reportagem, Olavo Calheiros vendeu para a Schincariol, por R$ 27 milhões, uma fábrica de bebidas que não valia mais de R$ 10 milhões. Em troca, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), irmão do deputado, teria feito lobby para a cervejaria junto ao governo.
Ontem, Sandes Júnior afirmou não ver problemas em estar na relatoria. “O julgamento aqui não é da Schincariol, é de um deputado”, disse. Ele titubeou ao ser questionado se convocaria dirigentes da cervejaria para depor. Primeiro, disse que não, depois, afirmou que iria avaliar isso com a assessoria. Chico Alencar (RJ), líder do PSol, destacou que Sandes Júnior deveria “se considerar impedido”. Olavo Calheiros, que também recebeu uma doação da cervejaria, disse ontem ao Conselho que as acusações são fruto de rivalidades políticas regionais. Durante o depoimento houve poucos questionamentos e muitas críticas à imprensa e ao PSol.
Daniel Pereira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Presidente Lula diz que Renan está sendo avaliado onde deveria, dentro do Congresso Nacional. Walfrido garante que governo não vai interferir na votação no plenário da Casa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a decisão do Conselho de Ética do Senado de aprovar a cassação do mandato do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior, mostra que as regras valem para todos os brasileiros. Com outras palavras, o discurso é igual ao entoado em reação à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de abrir processo contra os 40 suspeitos de participar do esquema do mensalão.
Naquela ocasião, Lula declarou que o acolhimento da denúncia comprovava o pleno funcionamento das instituições. Além disso, retomou a cantilena segundo a qual quem cometeu erros pagará por seus pecados. “As regras que foram estabelecidas pela sociedade brasileira valem ontem, hoje e amanhã. Portanto, todos nós estamos subordinados a essas regras”, afirmou o presidente, depois de cerimônia no Palácio do Planalto.
Como faz desde o início da crise que envolve o presidente do Senado, Lula voltou a garantir que o governo não interferirá no caso, apesar de Renan ser um dos principais aliados no Congresso. “Acho que (o processo) está sendo julgado onde precisa ser julgado, dentro do Congresso e dentro do Senado. É um problema do Congresso. Há uma acusação, o Renan tem mostrado as provas. Vamos ver a decisão”, disse Lula.
Depois de reunião com parlamentares na Câmara, o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, afirmou que a derrota de Renan no conselho já era esperada. Em linha com o presidente, o ministro reforçou a tese de que cabe ao Senado decidir sobre o processo. “O governo não pode ajudar. Esse é um assunto específico do Senado. É um outro poder, seria até desrespeitoso se fôssemos influir, nos intrometer nisso”, declarou Walfrido.
Para o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), o processo contra Renan não contaminará o trabalho dos deputados. “Qualquer avaliação de mérito vale aos senadores, mas a melhor coisa é resolver tudo de forma justa.”
Pronunciamento
O presidente gravou ontem de manhã, no Palácio da Alvorada, pronunciamento que será veiculado em cadeia nacional de televisão no feriado de Sete de Setembro, às 20h. Durante cerca de cinco minutos, discorrerá sobre as medidas adotadas para destravar a economia e fazer da área social uma marca do segundo mandato. Haverá menções otimistas, por exemplo, ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Lula também baterá o bumbo da chamada agenda social. Discutida na última reunião ministerial e antecipada pelo Correio, a agenda prevê, por exemplo, o aumento do número de beneficiários do Bolsa Família e investimentos para erradicar a pobreza até 2010 em 120 territórios agrícolas.
Doação de cervejaria
O deputado Sandes Júnior (PP-GO), que é relator no Conselho de Ética da Câmara de uma representação contra o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) motivada por negócios entre o peemedebista e a Schincariol, recebeu da cervejaria uma doação de R$ 50 mil na campanha eleitoral do ano passado. Segundo registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a doação foi feita no dia 11 de setembro e equivaleu a 11,6% do custo da campanha do deputado.
A representação contra Olavo Calheiros foi feita pelo PSol com base em denúncia publicada na revista Veja. Conforme a reportagem, Olavo Calheiros vendeu para a Schincariol, por R$ 27 milhões, uma fábrica de bebidas que não valia mais de R$ 10 milhões. Em troca, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), irmão do deputado, teria feito lobby para a cervejaria junto ao governo.
Ontem, Sandes Júnior afirmou não ver problemas em estar na relatoria. “O julgamento aqui não é da Schincariol, é de um deputado”, disse. Ele titubeou ao ser questionado se convocaria dirigentes da cervejaria para depor. Primeiro, disse que não, depois, afirmou que iria avaliar isso com a assessoria. Chico Alencar (RJ), líder do PSol, destacou que Sandes Júnior deveria “se considerar impedido”. Olavo Calheiros, que também recebeu uma doação da cervejaria, disse ontem ao Conselho que as acusações são fruto de rivalidades políticas regionais. Durante o depoimento houve poucos questionamentos e muitas críticas à imprensa e ao PSol.