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Publicado: 3/08/2007 | 10:06
Lula vê confusão. E pode aumentá-la
Veja On Line
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta-feira que há órgãos públicos em excesso para regulamentar, planejar e controlar o setor de aviação. "Cachorro que tem muitos donos morre de fome porque ninguém cuida", comparou ele, durante reunião de seu conselho político. Quase ao mesmo tempo, em outra reunião, o novo ministro da Justiça, Nelson Jobim -- que ganhou "carta-branca" de Lula para mexer no setor -- defendia a criação de mais um órgão público para controlar a aviação.
"Já estamos com o desenho para criar uma secretaria executiva da aviação civil, que funcionaria como secretaria executiva do próprio Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac)", disse Jobim na saída de um fórum sobre a crise aérea na sede do BNDES. No discurso, Jobim deixou claro que não pretende abrir mão de suas propostas para o setor: usou várias vezes os termos "autoridade" e "centralidade de decisões" enquanto prometia conduzir todos os aspectos da tentativa de resolver a crise.
Na reunião comandada por Lula, o próprio presidente repetiu que Jobim tem "carta-branca" para agir, fazendo as mudanças necessárias e acabando com a burocracia. Ele reclamou da falta de organização adequada no ministério -- que, segundo ele, só cuida de segurança nacional e não está preparado para lidar com as falhas na aviação. As declarações de Lula foram relatadas ao jornal O Estado de S. Paulo por participantes do encontro do conselho político. Jobim deverá falar ao conselho em breve.
Atualmente, o governo já tem pelo menos seis órgãos públicos com algum tipo de responsabilidade pelo setor aéreo. O Ministério da Defesa, que comanda a Aeronáutica, está acima de todos. A própria Aeronáutica vem a seguir, com a tarefa de controlar tráfego e investigar acidentes. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deveria cuidar do serviço das companhias e a Infraero, dos Aeroportos. Há ainda o Conac, o Decea (controle do espaço aéreo) e o CGNA (conselho de gerenciamento de vôos).
Não sabia - Na mesma reunião de quinta, Lula da Silva voltou a fugir da responsabilidade por uma crise importante de seu governo. Ele reconheceu que o governo não sabia da gravidade dos problemas do setor aéreo. Não foi a primeira vez que o presidente justificou um escândalo em sua gestão dizendo que não tinha conhecimento de nada: nos casos do "mensalão", dos "aloprados" do dossiê, dos negócios do irmão Vavá e da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo, fez a mesma coisa.
Conforme relato de participantes do encontro, Lula admitiu que a questão aérea não era motivo de preocupação para o governo até o acidente com o Boeing da Gol, há dez meses, quando começou o caos aéreo no país. "Foi como uma metástase que o paciente não sabia existir", disse ele, comparando o problema com um câncer. Lula também reconheceu que o problema é de "gestão", mas, também repetindo uma estratégia freqüente em seu governo, culpou os antecessores, fugindo da culpa.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na quinta-feira que há órgãos públicos em excesso para regulamentar, planejar e controlar o setor de aviação. "Cachorro que tem muitos donos morre de fome porque ninguém cuida", comparou ele, durante reunião de seu conselho político. Quase ao mesmo tempo, em outra reunião, o novo ministro da Justiça, Nelson Jobim -- que ganhou "carta-branca" de Lula para mexer no setor -- defendia a criação de mais um órgão público para controlar a aviação.
"Já estamos com o desenho para criar uma secretaria executiva da aviação civil, que funcionaria como secretaria executiva do próprio Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac)", disse Jobim na saída de um fórum sobre a crise aérea na sede do BNDES. No discurso, Jobim deixou claro que não pretende abrir mão de suas propostas para o setor: usou várias vezes os termos "autoridade" e "centralidade de decisões" enquanto prometia conduzir todos os aspectos da tentativa de resolver a crise.
Na reunião comandada por Lula, o próprio presidente repetiu que Jobim tem "carta-branca" para agir, fazendo as mudanças necessárias e acabando com a burocracia. Ele reclamou da falta de organização adequada no ministério -- que, segundo ele, só cuida de segurança nacional e não está preparado para lidar com as falhas na aviação. As declarações de Lula foram relatadas ao jornal O Estado de S. Paulo por participantes do encontro do conselho político. Jobim deverá falar ao conselho em breve.
Atualmente, o governo já tem pelo menos seis órgãos públicos com algum tipo de responsabilidade pelo setor aéreo. O Ministério da Defesa, que comanda a Aeronáutica, está acima de todos. A própria Aeronáutica vem a seguir, com a tarefa de controlar tráfego e investigar acidentes. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deveria cuidar do serviço das companhias e a Infraero, dos Aeroportos. Há ainda o Conac, o Decea (controle do espaço aéreo) e o CGNA (conselho de gerenciamento de vôos).
Não sabia - Na mesma reunião de quinta, Lula da Silva voltou a fugir da responsabilidade por uma crise importante de seu governo. Ele reconheceu que o governo não sabia da gravidade dos problemas do setor aéreo. Não foi a primeira vez que o presidente justificou um escândalo em sua gestão dizendo que não tinha conhecimento de nada: nos casos do "mensalão", dos "aloprados" do dossiê, dos negócios do irmão Vavá e da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo, fez a mesma coisa.
Conforme relato de participantes do encontro, Lula admitiu que a questão aérea não era motivo de preocupação para o governo até o acidente com o Boeing da Gol, há dez meses, quando começou o caos aéreo no país. "Foi como uma metástase que o paciente não sabia existir", disse ele, comparando o problema com um câncer. Lula também reconheceu que o problema é de "gestão", mas, também repetindo uma estratégia freqüente em seu governo, culpou os antecessores, fugindo da culpa.