antigas Publicado: 2/08/2007 | 10:04

Porteira aberta

Ugo Braga e Daniel Pereira
Correio Braziliense

Depois de muita pressão, o PMDB consegue ocupar postos de segundo escalão prometidos por Lula. Luiz Paulo Conde vai presidir Furnas e a bancada mineira também será contemplada com 100 cargos 


 


Posto no canto do ringue pelos deputados do PMDB fluminense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sucumbiu à pressão, recebeu ontem de manhã o ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde, no Palácio do Planalto, e o convidou para presidir Furnas Centrais Elétricas, a estatal energética de R$ 1,2 bilhão no caixa para investimentos neste ano. Não só isso. Avisou aos peemedebistas que lhes entregará a cabeça do diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerverò, para pôr no lugar dele o ex-diretor da BR Distribuidora João Augusto Rodrigues, indicado pela bancada mineira da sigla. A porteira de nomeações políticas no segundo e terceiro escalões do governo está definitivamente aberta.

O ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, marcou para as 14h de hoje uma reunião com parlamentares do PMDB mineiro, coordenados pelos deputados Mauro Lopes e Carlos William (do coligado PTC). Discutirá com eles a nomeação de nove cargos de terceiro escalão — presidência e diretoria financeira da Ceasa-MG, superintendência da Codevasf, em Montes Claros, superintendência do Ministério da Agricultura em Minas, chefia do escritório do Departamento Nacional de Produção Mineral no estado, superintendência da Caixa Econômica Federal na região leste do estado, presidência da Companhia de Abastecimento do Estado de Minas Gerais, direção regional da Anvisa e direção da Fundação de Seguridade Social. Mares Guia diz que 100 pessoas indicadas pelos aliados já receberam sinal verde e serão nomeadas até a próxima semana.

O caso de Conde era o mais complicado. Quarenta e um deputados do PMDB, liderados pelos fluminenses, haviam feito a indicação em março passado. Desde então, o nome era cozinhado pelo governo. Nos bastidores, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, tratava de atrasar o processo. Ela se opõe a nomeação de políticos para postos que julga técnicos. Em reação, o “grupo do Rio”, como passou a ser chamado, articulou uma ofensiva aos planos do governo para a CPMF (leia mais na página 3). E obrigou o governo a ceder.

Na reunião da manhã, na qual estava acompanhado pelo ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, Conde ouviu de Lula a determinação para executar os projetos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Depois de aceitar o convite, saiu a campo para rebater críticas sobre sua indicação. “É tudo mentira. Não existe pressão do PMDB sobre a questão da CPMF”, declarou Conde. E disse mais, referindo-se à sua alegada falta de qualificação técnica para comandar Furnas: “O presidente me disse que não quer um eletricista, e sim um gestor”.

“Todo governo tem que nomear”, disse Walfrido. Ontem, o ministro recebeu mais um líder de partido. Foi a vez de Mário Negromonte (PP-BA) reclamar da demora na liberação de emendas e no rateio de cargos públicos. O PP quer emplacar indicados em postos sob o guarda-chuva do Ministério das Cidades, na diretoria da Anvisa e nos Dnits nos estados. Além disso, trava disputa renhida com o PT pela diretoria de Abastecimento da Petrobras. 


 


A Estatal



Criada em fevereiro de 1957, a empresa conta com 11 usinas hidrelétricas e 2 termelétricas, com potência de 9.919MW. Além disso, tem 19.227km de linhas de transmissão de 46 subestações.


Fornece energia elétrica para regiões que respondem por 65% do Produto Interno Bruto (PIB) e nas quais estão 51% das residências do país.


O orçamento para investimento neste ano é de R$ 1,2 bilhão.


Tem 4.525 empregados.


perfil - LUIZ PAULO CONDE


Um político sempre ao lado do governo

O carioca Luiz Paulo Conde, 72 anos de idade, carrega na biografia duas características típicas do político profissional brasileiro: a mudança de partido ao sabor das conveniências pessoais e a capacidade de manter-se no governo, seja ele qual for. Formado em arquitetura, Conde foi secretário municipal na primeira gestão de Cesar Maia (PFL), na década de 1990, no Rio.

Com a bênção do chefe, concorreu e venceu a sucessão para a prefeitura. No meio do mandato, decidiu disputar o governo do estado. Perdeu para Anthony Garotinho, então no PDT, e rompeu com Maia, que rumou para o PTB. Criador e criatura voltariam a se encontrar no páreo pela prefeitura em 2000. Maia levou a melhor, voltou para o PFL e obrigou Conde a se alojar no PSB, junto com Garotinho.

A proximidade com este antigo adversário lhe garantiu o posto de vice na chapa encabeçada por Rosinha Matheus (PMDB) ao governo do Rio em 2002. Vitória assegurada, ele e Garotinho migraram para o PMDB em 2003. Graças à nova legenda, Conde conseguiu o posto de secretário de Cultura no governo do Rio, que foi ocupado com discrição enquanto a pressão da bancada do PMDB na Câmara não o alçava à presidência de Furnas.


Ugo Braga e Daniel Pereira
Correio Braziliense

Depois de muita pressão, o PMDB consegue ocupar postos de segundo escalão prometidos por Lula. Luiz Paulo Conde vai presidir Furnas e a bancada mineira também será contemplada com 100 cargos 


 


Posto no canto do ringue pelos deputados do PMDB fluminense, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sucumbiu à pressão, recebeu ontem de manhã o ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde, no Palácio do Planalto, e o convidou para presidir Furnas Centrais Elétricas, a estatal energética de R$ 1,2 bilhão no caixa para investimentos neste ano. Não só isso. Avisou aos peemedebistas que lhes entregará a cabeça do diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerverò, para pôr no lugar dele o ex-diretor da BR Distribuidora João Augusto Rodrigues, indicado pela bancada mineira da sigla. A porteira de nomeações políticas no segundo e terceiro escalões do governo está definitivamente aberta.

O ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, marcou para as 14h de hoje uma reunião com parlamentares do PMDB mineiro, coordenados pelos deputados Mauro Lopes e Carlos William (do coligado PTC). Discutirá com eles a nomeação de nove cargos de terceiro escalão — presidência e diretoria financeira da Ceasa-MG, superintendência da Codevasf, em Montes Claros, superintendência do Ministério da Agricultura em Minas, chefia do escritório do Departamento Nacional de Produção Mineral no estado, superintendência da Caixa Econômica Federal na região leste do estado, presidência da Companhia de Abastecimento do Estado de Minas Gerais, direção regional da Anvisa e direção da Fundação de Seguridade Social. Mares Guia diz que 100 pessoas indicadas pelos aliados já receberam sinal verde e serão nomeadas até a próxima semana.

O caso de Conde era o mais complicado. Quarenta e um deputados do PMDB, liderados pelos fluminenses, haviam feito a indicação em março passado. Desde então, o nome era cozinhado pelo governo. Nos bastidores, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, tratava de atrasar o processo. Ela se opõe a nomeação de políticos para postos que julga técnicos. Em reação, o “grupo do Rio”, como passou a ser chamado, articulou uma ofensiva aos planos do governo para a CPMF (leia mais na página 3). E obrigou o governo a ceder.

Na reunião da manhã, na qual estava acompanhado pelo ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, Conde ouviu de Lula a determinação para executar os projetos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Depois de aceitar o convite, saiu a campo para rebater críticas sobre sua indicação. “É tudo mentira. Não existe pressão do PMDB sobre a questão da CPMF”, declarou Conde. E disse mais, referindo-se à sua alegada falta de qualificação técnica para comandar Furnas: “O presidente me disse que não quer um eletricista, e sim um gestor”.

“Todo governo tem que nomear”, disse Walfrido. Ontem, o ministro recebeu mais um líder de partido. Foi a vez de Mário Negromonte (PP-BA) reclamar da demora na liberação de emendas e no rateio de cargos públicos. O PP quer emplacar indicados em postos sob o guarda-chuva do Ministério das Cidades, na diretoria da Anvisa e nos Dnits nos estados. Além disso, trava disputa renhida com o PT pela diretoria de Abastecimento da Petrobras. 


 


A Estatal



Criada em fevereiro de 1957, a empresa conta com 11 usinas hidrelétricas e 2 termelétricas, com potência de 9.919MW. Além disso, tem 19.227km de linhas de transmissão de 46 subestações.


Fornece energia elétrica para regiões que respondem por 65% do Produto Interno Bruto (PIB) e nas quais estão 51% das residências do país.


O orçamento para investimento neste ano é de R$ 1,2 bilhão.


Tem 4.525 empregados.


perfil - LUIZ PAULO CONDE


Um político sempre ao lado do governo

O carioca Luiz Paulo Conde, 72 anos de idade, carrega na biografia duas características típicas do político profissional brasileiro: a mudança de partido ao sabor das conveniências pessoais e a capacidade de manter-se no governo, seja ele qual for. Formado em arquitetura, Conde foi secretário municipal na primeira gestão de Cesar Maia (PFL), na década de 1990, no Rio.

Com a bênção do chefe, concorreu e venceu a sucessão para a prefeitura. No meio do mandato, decidiu disputar o governo do estado. Perdeu para Anthony Garotinho, então no PDT, e rompeu com Maia, que rumou para o PTB. Criador e criatura voltariam a se encontrar no páreo pela prefeitura em 2000. Maia levou a melhor, voltou para o PFL e obrigou Conde a se alojar no PSB, junto com Garotinho.

A proximidade com este antigo adversário lhe garantiu o posto de vice na chapa encabeçada por Rosinha Matheus (PMDB) ao governo do Rio em 2002. Vitória assegurada, ele e Garotinho migraram para o PMDB em 2003. Graças à nova legenda, Conde conseguiu o posto de secretário de Cultura no governo do Rio, que foi ocupado com discrição enquanto a pressão da bancada do PMDB na Câmara não o alçava à presidência de Furnas.