antigas Publicado: 1/08/2007 | 09:45

Últimos instantes

Sandro Lima e Fernanda Odilla
Correio Braziliense

CPI ouve hoje o áudio da caixa-preta do Airbus. Aeronáutica antecipa que conteúdo é “um filme de terror”
 
As circunstâncias do trágico acidente com o Airbus A-320 da TAM, que explodiu há 15 dias, após o choque com o prédio da própria empresa, situado nas proximidades do Aeroporto de Congonhas, devem começar a ser reveladas a partir de hoje. A CPI do Apagão Aéreo da Câmara se reúne nesta manhã, em sessão secreta, para checar o conteúdo das caixas-pretas da aeronave. Segundo relato de integrantes da CPI, os técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) recomendaram cuidado na manipulação dos dados, pois o conteúdo é chocante. “Disseram a mim que o áudio da caixa-preta é um filme de terror. É algo muito forte”, afirmou o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).

O áudio reproduz os 30 minutos que antecederam o choque do Airbus com o prédio da TAM Express. O acidente, ocorrido em 17 de julho, causou a morte de quase 200 pessoas. Pelos relatos de integrantes da Aeronáutica aos deputados, a gravação captou os gritos de passageiros nos segundos que antecederam a explosão. “Ao contrário do acidente da Gol, neste os pilotos e passageiros tinham consciência que o avião ia bater”, declarou Fruet. “O brigadeiro Átila Maia (assessor parlamentar da Aeronáutica) disse que é um filme de terror.”

Sigilo
A comissão recebeu ontem às 14h o conteúdo das caixas-pretas e, em uma reunião fechada, decidiu guardar o material no cofre da comissão. O presidente interino da CPI, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), assinou o lacre e o relator, deputado Marco Maia (PT-RS), levou o material até o cofre da CPI. Hoje, às 9h, os deputados se reúnem com o chefe do Cenipa, brigadeiro Jorge Kersul Filho, e com o coronel Fernando Camargo, responsável pela investigação, para obter explicações sobre os dados. Logo depois, a CPI decidirá, em outra sessão secreta, o que será divulgado para a imprensa. “A minha posição é de que tudo deve ser divulgado. Se aprovar a divulgação, será em entrevista coletiva para toda a imprensa”, afirmou Cunha.

Os deputados decidiram divulgar os dados para a imprensa para evitar vazamentos. “Não tem como não divulgar. O dano maior será o vazamento”, disse Fruet. No encontro, a deputada Luciana Genro (PSol-RS) cobrou de Cunha o compromisso de que o conteúdo das caixas-pretas será preservado até ocorrer o encontro com os oficiais do Cenipa. “O presidente assegurou que não haverá vazamento”, disse a deputada. Para o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), a CPI agiu corretamente ao preservar o sigilo das informações antes de definir o que fará com os dados. “Foi uma decisão prudente, porque para haver o vazamento, é melhor que ocorra uma divulgação correta das informações contidas nas caixas-pretas”, afirmou. Os deputados evitarão divulgar os trechos mais fortes do áudio. “O que for chocante — como choro, gritos — é melhor que não se divulgue. Temos que respeitar as famílias”, defendeu Fruet. “Imagine a dor das famílias. É preciso ter respeito”, pediu Vanderlei Macris (PSDB-SP). O brigadeiro Kersul disse ainda que não ouviu as gravações entre os pilotos por não ter “curiosidade mórbida”. “Eu fiz questão de não ouvir, porque não interessa a mim conhecer os diálogos”, afirmou.

Hipóteses
Com base num acidente com uma aeronave do mesmo modelo — Airbus A-320 —, ocorrido em junho de 1988 na França, as análises da caixas-pretas do avião da TAM podem revelar que o piloto não conseguiu desprogramar o computador a tempo. “Falha humana é 50% de chance, mas também tem a falha técnica”, apontou Vic Pires Franco (DEM-PA). O deputado explica que as análises do acidente na França mostraram que a aeronave estava pronta para aterrissar. Ao tentar arremeter manualmente, por avaliar que não seria possível o pouso, o piloto não conseguiu mudar a programação. Acabou batendo na copa de árvores durante uma demonstração de vôo em Habsheim. Três passageiros morreram.

Nos testes em um simulador, chamado de link, pilotos também tiveram problemas para conseguir arremeter o A-320. Todos que tentaram usar as manetes, comentou o deputado Miguel Martini (PHS-MG), não conseguiram evitar a queda. O único piloto que reverteu a situação da aeronave foi o que não mexeu nos comandos, permitindo ao computador, programado para voar em determinada altitude, resolver o problema sozinho, sem interferência humana. “Não digo que foi isso o que aconteceu, mas relatos recentes podem nos fazer cogitar possibilidades”, comentou.

Sandro Lima e Fernanda Odilla
Correio Braziliense

CPI ouve hoje o áudio da caixa-preta do Airbus. Aeronáutica antecipa que conteúdo é “um filme de terror”
 
As circunstâncias do trágico acidente com o Airbus A-320 da TAM, que explodiu há 15 dias, após o choque com o prédio da própria empresa, situado nas proximidades do Aeroporto de Congonhas, devem começar a ser reveladas a partir de hoje. A CPI do Apagão Aéreo da Câmara se reúne nesta manhã, em sessão secreta, para checar o conteúdo das caixas-pretas da aeronave. Segundo relato de integrantes da CPI, os técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) recomendaram cuidado na manipulação dos dados, pois o conteúdo é chocante. “Disseram a mim que o áudio da caixa-preta é um filme de terror. É algo muito forte”, afirmou o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).

O áudio reproduz os 30 minutos que antecederam o choque do Airbus com o prédio da TAM Express. O acidente, ocorrido em 17 de julho, causou a morte de quase 200 pessoas. Pelos relatos de integrantes da Aeronáutica aos deputados, a gravação captou os gritos de passageiros nos segundos que antecederam a explosão. “Ao contrário do acidente da Gol, neste os pilotos e passageiros tinham consciência que o avião ia bater”, declarou Fruet. “O brigadeiro Átila Maia (assessor parlamentar da Aeronáutica) disse que é um filme de terror.”

Sigilo
A comissão recebeu ontem às 14h o conteúdo das caixas-pretas e, em uma reunião fechada, decidiu guardar o material no cofre da comissão. O presidente interino da CPI, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), assinou o lacre e o relator, deputado Marco Maia (PT-RS), levou o material até o cofre da CPI. Hoje, às 9h, os deputados se reúnem com o chefe do Cenipa, brigadeiro Jorge Kersul Filho, e com o coronel Fernando Camargo, responsável pela investigação, para obter explicações sobre os dados. Logo depois, a CPI decidirá, em outra sessão secreta, o que será divulgado para a imprensa. “A minha posição é de que tudo deve ser divulgado. Se aprovar a divulgação, será em entrevista coletiva para toda a imprensa”, afirmou Cunha.

Os deputados decidiram divulgar os dados para a imprensa para evitar vazamentos. “Não tem como não divulgar. O dano maior será o vazamento”, disse Fruet. No encontro, a deputada Luciana Genro (PSol-RS) cobrou de Cunha o compromisso de que o conteúdo das caixas-pretas será preservado até ocorrer o encontro com os oficiais do Cenipa. “O presidente assegurou que não haverá vazamento”, disse a deputada. Para o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), a CPI agiu corretamente ao preservar o sigilo das informações antes de definir o que fará com os dados. “Foi uma decisão prudente, porque para haver o vazamento, é melhor que ocorra uma divulgação correta das informações contidas nas caixas-pretas”, afirmou. Os deputados evitarão divulgar os trechos mais fortes do áudio. “O que for chocante — como choro, gritos — é melhor que não se divulgue. Temos que respeitar as famílias”, defendeu Fruet. “Imagine a dor das famílias. É preciso ter respeito”, pediu Vanderlei Macris (PSDB-SP). O brigadeiro Kersul disse ainda que não ouviu as gravações entre os pilotos por não ter “curiosidade mórbida”. “Eu fiz questão de não ouvir, porque não interessa a mim conhecer os diálogos”, afirmou.

Hipóteses
Com base num acidente com uma aeronave do mesmo modelo — Airbus A-320 —, ocorrido em junho de 1988 na França, as análises da caixas-pretas do avião da TAM podem revelar que o piloto não conseguiu desprogramar o computador a tempo. “Falha humana é 50% de chance, mas também tem a falha técnica”, apontou Vic Pires Franco (DEM-PA). O deputado explica que as análises do acidente na França mostraram que a aeronave estava pronta para aterrissar. Ao tentar arremeter manualmente, por avaliar que não seria possível o pouso, o piloto não conseguiu mudar a programação. Acabou batendo na copa de árvores durante uma demonstração de vôo em Habsheim. Três passageiros morreram.

Nos testes em um simulador, chamado de link, pilotos também tiveram problemas para conseguir arremeter o A-320. Todos que tentaram usar as manetes, comentou o deputado Miguel Martini (PHS-MG), não conseguiram evitar a queda. O único piloto que reverteu a situação da aeronave foi o que não mexeu nos comandos, permitindo ao computador, programado para voar em determinada altitude, resolver o problema sozinho, sem interferência humana. “Não digo que foi isso o que aconteceu, mas relatos recentes podem nos fazer cogitar possibilidades”, comentou.