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Publicado: 25/07/2007 | 10:55
Melhor uso para as novas receitas
EDITORIAL
Gazeta Mercantil
O governo federal deve liberar R$ 6,8 bilhões de recursos orçamentários após identificar aumento na previsão de receitas para este ano. A liberalidade também ocorreu pela incorporação às contas do chamado Projeto Piloto de Investimentos (PPI), que, como se recorda, é a permissão dada pelo Fundo Monetário Internacional para que determinados investimentos em infra-estrutura não fossem contabilizados como gastos que incidissem nos cálculos do superávit primário. Isto quando as contas públicas brasileiras eram auditadas pelo fundo. Não são mais, mas a permissão se transformou em norma que o governo utilizou.
O anúncio dessas liberações de recursos constam do relatório de avaliação de receitas e despesas públicas do terceiro trimestre do Ministério do Planejamento. É fato que este desbloqueio (divulgado após o contingenciamento de R$ 16,4 bilhões de fevereiro) coincidiu com novas perspectivas do mercado sobre expansão da atividade econômica que devem refletir na arrecadação. Primeiro, o governo constatou um resultado recorde na arrecadação federal do primeiro semestre, com crescimento real de 10,1%, gerando montante de R$ 282,43 bilhões. O mercado captara os mesmos sinais, como mostra a pesquisa semanal Focus, divulgada anteontem pelo Banco Central, indicando aumento na estimativa de expansão do PIB para este ano de 4,5% para 4,7%. Consultorias recalcularam o PIB, prevendo expansão em torno de até 4,8%. Até a perspectiva para 2008 foi revista, passando de 4,1% para 4,4%.
Esta realidade orçamentária, no entanto, pode não se refletir em investimentos do setor público em infra-estrutura. Porém, como apontou o economista-chefe da corretora Ágora Senior, Álvaro Bandeira, nem a crise do setor aéreo, nem os demais gargalos bem conhecidos na infra-estrutura "não devem impedir o País de crescer acima de 4,5%".
Este é o ponto preocupante. O País cresce, apesar do baixo investimento do Estado, que nos últimos quatro anos nunca superou 0,5% do PIB. Há, obviamente, um pesado custo embutido neste baixo investimento do setor público, que aparece na malha rodoviária desgastada, nas ferrovias à espera dos aportes prometidos, nos aeroportos superados e, principalmente, nos portos com estrutura obsoleta. Há cálculos do custo deste descuido oficial.
O Centro de Estudos de Logística do Instituto Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostrou que entre 2004 e 2006 o preço da logística no Brasil aumentou 27,6%. Só o custo de manutenção de estoques gerado pelo lamentável estado das estradas representava R$ 70,7 bilhões em 2004 e passou a representar R$ 89,4 bilhões dois anos depois. Mas nenhum problema é pior que o dos portos. Segundo o Coppead, o tempo médio de espera dos navios nos portos brasileiros aumentou 78% entre 2004 e 2006.
O governo investe muito menos do que o País precisa em infra-estrutura. Na semana passada foi divulgado estudo da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib) revelando que os aportes em transportes (incluindo aéreo), nos últimos quatro anos, não alcançaram 35% do necessário. Na geração e distribuição de energia elétrica, petróleo e gás atingiu 69% do necessário. Porém, é preciso distinguir o investimento diferenciado em cada uma dessas matrizes energéticas. Óleo e gás são os primos ricos nessa história, enquanto o setor elétrico ficou bem abaixo desse índice.
O crescimento da economia gera demanda não atendida, como se vê nos aeroportos. A Infraero não esconde que seriam precisos mais de R$ 10 bilhões, só para adaptar os aeroportos para a nova demanda do sistema (ampliar Cumbica, por exemplo) e iniciar a construção do terceiro aeroporto em São Paulo. Isto sem contar outras impossibilidades, como a presença de 20 mil famílias que invadiram a área em que deve ser construída a terceira pista de Guarulhos, ou as oito mil famílias que fizeram o mesmo no espaço previsto para expansão de Viracopos.
A arrecadação subiu e o governo já previu desbloqueios de verbas. Porém, como os números mostram, os recursos estão muito aquém dos necessários para começar a recuperar a infra-estrutura do País.
kicker: Com o aumento da arrecadação, o governo sinalizou desbloqueios orçamentários que devem ser destinados a obras de infra-estrutura.
Gazeta Mercantil
O governo federal deve liberar R$ 6,8 bilhões de recursos orçamentários após identificar aumento na previsão de receitas para este ano. A liberalidade também ocorreu pela incorporação às contas do chamado Projeto Piloto de Investimentos (PPI), que, como se recorda, é a permissão dada pelo Fundo Monetário Internacional para que determinados investimentos em infra-estrutura não fossem contabilizados como gastos que incidissem nos cálculos do superávit primário. Isto quando as contas públicas brasileiras eram auditadas pelo fundo. Não são mais, mas a permissão se transformou em norma que o governo utilizou.
O anúncio dessas liberações de recursos constam do relatório de avaliação de receitas e despesas públicas do terceiro trimestre do Ministério do Planejamento. É fato que este desbloqueio (divulgado após o contingenciamento de R$ 16,4 bilhões de fevereiro) coincidiu com novas perspectivas do mercado sobre expansão da atividade econômica que devem refletir na arrecadação. Primeiro, o governo constatou um resultado recorde na arrecadação federal do primeiro semestre, com crescimento real de 10,1%, gerando montante de R$ 282,43 bilhões. O mercado captara os mesmos sinais, como mostra a pesquisa semanal Focus, divulgada anteontem pelo Banco Central, indicando aumento na estimativa de expansão do PIB para este ano de 4,5% para 4,7%. Consultorias recalcularam o PIB, prevendo expansão em torno de até 4,8%. Até a perspectiva para 2008 foi revista, passando de 4,1% para 4,4%.
Esta realidade orçamentária, no entanto, pode não se refletir em investimentos do setor público em infra-estrutura. Porém, como apontou o economista-chefe da corretora Ágora Senior, Álvaro Bandeira, nem a crise do setor aéreo, nem os demais gargalos bem conhecidos na infra-estrutura "não devem impedir o País de crescer acima de 4,5%".
Este é o ponto preocupante. O País cresce, apesar do baixo investimento do Estado, que nos últimos quatro anos nunca superou 0,5% do PIB. Há, obviamente, um pesado custo embutido neste baixo investimento do setor público, que aparece na malha rodoviária desgastada, nas ferrovias à espera dos aportes prometidos, nos aeroportos superados e, principalmente, nos portos com estrutura obsoleta. Há cálculos do custo deste descuido oficial.
O Centro de Estudos de Logística do Instituto Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostrou que entre 2004 e 2006 o preço da logística no Brasil aumentou 27,6%. Só o custo de manutenção de estoques gerado pelo lamentável estado das estradas representava R$ 70,7 bilhões em 2004 e passou a representar R$ 89,4 bilhões dois anos depois. Mas nenhum problema é pior que o dos portos. Segundo o Coppead, o tempo médio de espera dos navios nos portos brasileiros aumentou 78% entre 2004 e 2006.
O governo investe muito menos do que o País precisa em infra-estrutura. Na semana passada foi divulgado estudo da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib) revelando que os aportes em transportes (incluindo aéreo), nos últimos quatro anos, não alcançaram 35% do necessário. Na geração e distribuição de energia elétrica, petróleo e gás atingiu 69% do necessário. Porém, é preciso distinguir o investimento diferenciado em cada uma dessas matrizes energéticas. Óleo e gás são os primos ricos nessa história, enquanto o setor elétrico ficou bem abaixo desse índice.
O crescimento da economia gera demanda não atendida, como se vê nos aeroportos. A Infraero não esconde que seriam precisos mais de R$ 10 bilhões, só para adaptar os aeroportos para a nova demanda do sistema (ampliar Cumbica, por exemplo) e iniciar a construção do terceiro aeroporto em São Paulo. Isto sem contar outras impossibilidades, como a presença de 20 mil famílias que invadiram a área em que deve ser construída a terceira pista de Guarulhos, ou as oito mil famílias que fizeram o mesmo no espaço previsto para expansão de Viracopos.
A arrecadação subiu e o governo já previu desbloqueios de verbas. Porém, como os números mostram, os recursos estão muito aquém dos necessários para começar a recuperar a infra-estrutura do País.
kicker: Com o aumento da arrecadação, o governo sinalizou desbloqueios orçamentários que devem ser destinados a obras de infra-estrutura.
EDITORIAL
Gazeta Mercantil
O governo federal deve liberar R$ 6,8 bilhões de recursos orçamentários após identificar aumento na previsão de receitas para este ano. A liberalidade também ocorreu pela incorporação às contas do chamado Projeto Piloto de Investimentos (PPI), que, como se recorda, é a permissão dada pelo Fundo Monetário Internacional para que determinados investimentos em infra-estrutura não fossem contabilizados como gastos que incidissem nos cálculos do superávit primário. Isto quando as contas públicas brasileiras eram auditadas pelo fundo. Não são mais, mas a permissão se transformou em norma que o governo utilizou.
O anúncio dessas liberações de recursos constam do relatório de avaliação de receitas e despesas públicas do terceiro trimestre do Ministério do Planejamento. É fato que este desbloqueio (divulgado após o contingenciamento de R$ 16,4 bilhões de fevereiro) coincidiu com novas perspectivas do mercado sobre expansão da atividade econômica que devem refletir na arrecadação. Primeiro, o governo constatou um resultado recorde na arrecadação federal do primeiro semestre, com crescimento real de 10,1%, gerando montante de R$ 282,43 bilhões. O mercado captara os mesmos sinais, como mostra a pesquisa semanal Focus, divulgada anteontem pelo Banco Central, indicando aumento na estimativa de expansão do PIB para este ano de 4,5% para 4,7%. Consultorias recalcularam o PIB, prevendo expansão em torno de até 4,8%. Até a perspectiva para 2008 foi revista, passando de 4,1% para 4,4%.
Esta realidade orçamentária, no entanto, pode não se refletir em investimentos do setor público em infra-estrutura. Porém, como apontou o economista-chefe da corretora Ágora Senior, Álvaro Bandeira, nem a crise do setor aéreo, nem os demais gargalos bem conhecidos na infra-estrutura "não devem impedir o País de crescer acima de 4,5%".
Este é o ponto preocupante. O País cresce, apesar do baixo investimento do Estado, que nos últimos quatro anos nunca superou 0,5% do PIB. Há, obviamente, um pesado custo embutido neste baixo investimento do setor público, que aparece na malha rodoviária desgastada, nas ferrovias à espera dos aportes prometidos, nos aeroportos superados e, principalmente, nos portos com estrutura obsoleta. Há cálculos do custo deste descuido oficial.
O Centro de Estudos de Logística do Instituto Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostrou que entre 2004 e 2006 o preço da logística no Brasil aumentou 27,6%. Só o custo de manutenção de estoques gerado pelo lamentável estado das estradas representava R$ 70,7 bilhões em 2004 e passou a representar R$ 89,4 bilhões dois anos depois. Mas nenhum problema é pior que o dos portos. Segundo o Coppead, o tempo médio de espera dos navios nos portos brasileiros aumentou 78% entre 2004 e 2006.
O governo investe muito menos do que o País precisa em infra-estrutura. Na semana passada foi divulgado estudo da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib) revelando que os aportes em transportes (incluindo aéreo), nos últimos quatro anos, não alcançaram 35% do necessário. Na geração e distribuição de energia elétrica, petróleo e gás atingiu 69% do necessário. Porém, é preciso distinguir o investimento diferenciado em cada uma dessas matrizes energéticas. Óleo e gás são os primos ricos nessa história, enquanto o setor elétrico ficou bem abaixo desse índice.
O crescimento da economia gera demanda não atendida, como se vê nos aeroportos. A Infraero não esconde que seriam precisos mais de R$ 10 bilhões, só para adaptar os aeroportos para a nova demanda do sistema (ampliar Cumbica, por exemplo) e iniciar a construção do terceiro aeroporto em São Paulo. Isto sem contar outras impossibilidades, como a presença de 20 mil famílias que invadiram a área em que deve ser construída a terceira pista de Guarulhos, ou as oito mil famílias que fizeram o mesmo no espaço previsto para expansão de Viracopos.
A arrecadação subiu e o governo já previu desbloqueios de verbas. Porém, como os números mostram, os recursos estão muito aquém dos necessários para começar a recuperar a infra-estrutura do País.
kicker: Com o aumento da arrecadação, o governo sinalizou desbloqueios orçamentários que devem ser destinados a obras de infra-estrutura.
Gazeta Mercantil
O governo federal deve liberar R$ 6,8 bilhões de recursos orçamentários após identificar aumento na previsão de receitas para este ano. A liberalidade também ocorreu pela incorporação às contas do chamado Projeto Piloto de Investimentos (PPI), que, como se recorda, é a permissão dada pelo Fundo Monetário Internacional para que determinados investimentos em infra-estrutura não fossem contabilizados como gastos que incidissem nos cálculos do superávit primário. Isto quando as contas públicas brasileiras eram auditadas pelo fundo. Não são mais, mas a permissão se transformou em norma que o governo utilizou.
O anúncio dessas liberações de recursos constam do relatório de avaliação de receitas e despesas públicas do terceiro trimestre do Ministério do Planejamento. É fato que este desbloqueio (divulgado após o contingenciamento de R$ 16,4 bilhões de fevereiro) coincidiu com novas perspectivas do mercado sobre expansão da atividade econômica que devem refletir na arrecadação. Primeiro, o governo constatou um resultado recorde na arrecadação federal do primeiro semestre, com crescimento real de 10,1%, gerando montante de R$ 282,43 bilhões. O mercado captara os mesmos sinais, como mostra a pesquisa semanal Focus, divulgada anteontem pelo Banco Central, indicando aumento na estimativa de expansão do PIB para este ano de 4,5% para 4,7%. Consultorias recalcularam o PIB, prevendo expansão em torno de até 4,8%. Até a perspectiva para 2008 foi revista, passando de 4,1% para 4,4%.
Esta realidade orçamentária, no entanto, pode não se refletir em investimentos do setor público em infra-estrutura. Porém, como apontou o economista-chefe da corretora Ágora Senior, Álvaro Bandeira, nem a crise do setor aéreo, nem os demais gargalos bem conhecidos na infra-estrutura "não devem impedir o País de crescer acima de 4,5%".
Este é o ponto preocupante. O País cresce, apesar do baixo investimento do Estado, que nos últimos quatro anos nunca superou 0,5% do PIB. Há, obviamente, um pesado custo embutido neste baixo investimento do setor público, que aparece na malha rodoviária desgastada, nas ferrovias à espera dos aportes prometidos, nos aeroportos superados e, principalmente, nos portos com estrutura obsoleta. Há cálculos do custo deste descuido oficial.
O Centro de Estudos de Logística do Instituto Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostrou que entre 2004 e 2006 o preço da logística no Brasil aumentou 27,6%. Só o custo de manutenção de estoques gerado pelo lamentável estado das estradas representava R$ 70,7 bilhões em 2004 e passou a representar R$ 89,4 bilhões dois anos depois. Mas nenhum problema é pior que o dos portos. Segundo o Coppead, o tempo médio de espera dos navios nos portos brasileiros aumentou 78% entre 2004 e 2006.
O governo investe muito menos do que o País precisa em infra-estrutura. Na semana passada foi divulgado estudo da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib) revelando que os aportes em transportes (incluindo aéreo), nos últimos quatro anos, não alcançaram 35% do necessário. Na geração e distribuição de energia elétrica, petróleo e gás atingiu 69% do necessário. Porém, é preciso distinguir o investimento diferenciado em cada uma dessas matrizes energéticas. Óleo e gás são os primos ricos nessa história, enquanto o setor elétrico ficou bem abaixo desse índice.
O crescimento da economia gera demanda não atendida, como se vê nos aeroportos. A Infraero não esconde que seriam precisos mais de R$ 10 bilhões, só para adaptar os aeroportos para a nova demanda do sistema (ampliar Cumbica, por exemplo) e iniciar a construção do terceiro aeroporto em São Paulo. Isto sem contar outras impossibilidades, como a presença de 20 mil famílias que invadiram a área em que deve ser construída a terceira pista de Guarulhos, ou as oito mil famílias que fizeram o mesmo no espaço previsto para expansão de Viracopos.
A arrecadação subiu e o governo já previu desbloqueios de verbas. Porém, como os números mostram, os recursos estão muito aquém dos necessários para começar a recuperar a infra-estrutura do País.
kicker: Com o aumento da arrecadação, o governo sinalizou desbloqueios orçamentários que devem ser destinados a obras de infra-estrutura.