antigas Publicado: 23/07/2007 | 09:32

Mais perto das respostas

Edson Luiz
Correio Braziliense

Nesta semana, PF entrega relatório preliminar que investiga se condições da pista contribuiu para acidente

A Polícia Federal deve ter, antes do final desta semana, resultados preliminares da perícia que está sendo realizada na pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde ocorreu o acidente com o Airbus 320 da TAM, na última terça-feira, onde morreram 187 pessoas. Desde a quinta passada, um delegado e oito peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF levantam evidências para medir a capacidade de atrito da pista e verificar se suas condições foram determinantes para desequilibrar o avião e provocar o acidente. Além da investigação da PF, a Aeronáutica conduz outra apuração para determinar as causas da tragédia.

A equipe de peritos – quatro deles formados em engenharia e com especialização em pavimentação – está recolhendo pedaços de asfalto de várias partes da pista de Congonhas, inclusive em locais próximos ao local do acidente. “A intenção é verificar como estava o asfalto em relação à pista”, afirma um dos investigadores. “Determinando a resistência do asfalto, poderemos saber como a obra foi realizada e se estava em condições de uso”, acrescenta.

Além disso, a Polícia Federal usa um software produzido nos Estados Unidos para confirmar os exames realizados no asfalto. O trabalho, que vem sendo feito em conjunto com técnicos da Aeronáutica e da Infraero, é feito com jatos de água na pista, principalmente em locais próximos ao acidente, para detectar o impacto não apenas da chuva, mas também mostrar se a área construída realmente tinha sensibilidade para suportar a aterrissagem de uma aeronave do porte do Airbus 320 da TAM.

“Pode ser a combinação de dois fatores: a pista e problemas na aeronave”, avalia um dos investigadores, ressaltando que a confirmação ou não da tese dependerá das conclusões tanto da perícia da Polícia Federal quanto da investigação da Aeronáutica. Um delegado da PF também está em Congonhas tomando depoimentos de funcionários da Infraero e pessoas que estavam próximas ao local do acidente, inclusive na área onde o Airbus explodiu. A Polícia Federal quer colher todas as informações possíveis para fazer um relatório final. No entanto, parte do resultado da perícia estará concluída esta semana.

Imagens
Outra linha de investigação da PF para avaliar as condições da pista do aeroporto será feita por meio de cruzamento de imagens. Os policiais estão recolhendo fotos e filmagens anteriores e no dia do acidente, inclusive a que aparece o Airbus aterrissando no aeroporto. Enquanto um outro avião levou 13 segundos para descer, o da TAM gastou apenas três segundos, o que é considerado estranho pelos investigadores que estão tomando imagens aéreas de Congonhas por vários ângulos e comparando-as com outras de dias anteriores ao acidente.

A reforma da pista de Congonhas foi entregue no dia 30 de junho sem que tenha sido concluída. A obra, que custou R$ 20 milhões à Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), foi necessária para corrigir uma depressão, mas ainda faltava fazer o grooving, espécie de ranhura que serve tanto para amenizar a descida dos aviões, como também para ajudar no desaguamento em dias de chuvas. A PF não vai investigar a possibilidade de a falta do grooving ter causado o acidente, mas será feita uma avaliação para saber se a reforma poderia ser entregue sem o equipamento.

 Vamos cobrar celeridade para que os dados sejam divulgados no menor tempo possível 

Efraim Filho (DEM-PB), deputado

caixa-preta está nos EUA

Guilherme Queiroz

Técnicos do National Transportation Safety Board (NTSB), órgão de segurança de tráfego aéreo dos Estados Unidos, receberam ontem a segunda parte da caixa-preta do Airbus A-320 da TAM, que caiu ao aterrissar no Aeroporto de Congonhas, na última terça-feira. O Gravador de Voz da Cabine (CVR, na sigla em inglês) só foi encontrado em meio aos destroços na manhã de sábado, quatro dias depois do acidente que matou 197 pessoas. Membros da comitiva brasileira que acompanha a análise do equipamento não sabem quando os trabalhos serão concluídos.

O CVR é uma das peças-chave nas investigações que apontarão as causas do desastre. O dispositivo contém os diálogos da cabine e os registros de som na hora do acidente. Uma trapalhada do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea responsável pela apuração do caso, fez com que um simples gravador de voz fosse enviado aos Estados Unidos no lugar do CVR, na semana passada. A primeira parte da caixa-preta, o Gravador dos Dados de Vôo (FDR) – que contém informações técnicas – já está sendo periciada.

Representante da CPI do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados na comitiva, o deputado Efraim Filho (DEM-PB) espera ter acesso aos primeiros dados do FDR a partir de hoje. A degravação completa do contéudo, no entanto, só deve ser liberada a partir quarta-feira. “Vamos cobrar celeridade para que os dados sejam divulgados no menor tempo possível para a CPI e para a população”, destaca.

De acordo com o deputado, os trabalhos do órgão de segurança americano se resumirão à depuração das 53 horas de gravações que incluem os comandos acionados na cabine de controle momentos antes do desastre. “As conclusões técnicas para a investigações serão concluídas no Brasil”, completa.

Edson Luiz
Correio Braziliense

Nesta semana, PF entrega relatório preliminar que investiga se condições da pista contribuiu para acidente

A Polícia Federal deve ter, antes do final desta semana, resultados preliminares da perícia que está sendo realizada na pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde ocorreu o acidente com o Airbus 320 da TAM, na última terça-feira, onde morreram 187 pessoas. Desde a quinta passada, um delegado e oito peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da PF levantam evidências para medir a capacidade de atrito da pista e verificar se suas condições foram determinantes para desequilibrar o avião e provocar o acidente. Além da investigação da PF, a Aeronáutica conduz outra apuração para determinar as causas da tragédia.

A equipe de peritos – quatro deles formados em engenharia e com especialização em pavimentação – está recolhendo pedaços de asfalto de várias partes da pista de Congonhas, inclusive em locais próximos ao local do acidente. “A intenção é verificar como estava o asfalto em relação à pista”, afirma um dos investigadores. “Determinando a resistência do asfalto, poderemos saber como a obra foi realizada e se estava em condições de uso”, acrescenta.

Além disso, a Polícia Federal usa um software produzido nos Estados Unidos para confirmar os exames realizados no asfalto. O trabalho, que vem sendo feito em conjunto com técnicos da Aeronáutica e da Infraero, é feito com jatos de água na pista, principalmente em locais próximos ao acidente, para detectar o impacto não apenas da chuva, mas também mostrar se a área construída realmente tinha sensibilidade para suportar a aterrissagem de uma aeronave do porte do Airbus 320 da TAM.

“Pode ser a combinação de dois fatores: a pista e problemas na aeronave”, avalia um dos investigadores, ressaltando que a confirmação ou não da tese dependerá das conclusões tanto da perícia da Polícia Federal quanto da investigação da Aeronáutica. Um delegado da PF também está em Congonhas tomando depoimentos de funcionários da Infraero e pessoas que estavam próximas ao local do acidente, inclusive na área onde o Airbus explodiu. A Polícia Federal quer colher todas as informações possíveis para fazer um relatório final. No entanto, parte do resultado da perícia estará concluída esta semana.

Imagens
Outra linha de investigação da PF para avaliar as condições da pista do aeroporto será feita por meio de cruzamento de imagens. Os policiais estão recolhendo fotos e filmagens anteriores e no dia do acidente, inclusive a que aparece o Airbus aterrissando no aeroporto. Enquanto um outro avião levou 13 segundos para descer, o da TAM gastou apenas três segundos, o que é considerado estranho pelos investigadores que estão tomando imagens aéreas de Congonhas por vários ângulos e comparando-as com outras de dias anteriores ao acidente.

A reforma da pista de Congonhas foi entregue no dia 30 de junho sem que tenha sido concluída. A obra, que custou R$ 20 milhões à Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), foi necessária para corrigir uma depressão, mas ainda faltava fazer o grooving, espécie de ranhura que serve tanto para amenizar a descida dos aviões, como também para ajudar no desaguamento em dias de chuvas. A PF não vai investigar a possibilidade de a falta do grooving ter causado o acidente, mas será feita uma avaliação para saber se a reforma poderia ser entregue sem o equipamento.

 Vamos cobrar celeridade para que os dados sejam divulgados no menor tempo possível 

Efraim Filho (DEM-PB), deputado

caixa-preta está nos EUA

Guilherme Queiroz

Técnicos do National Transportation Safety Board (NTSB), órgão de segurança de tráfego aéreo dos Estados Unidos, receberam ontem a segunda parte da caixa-preta do Airbus A-320 da TAM, que caiu ao aterrissar no Aeroporto de Congonhas, na última terça-feira. O Gravador de Voz da Cabine (CVR, na sigla em inglês) só foi encontrado em meio aos destroços na manhã de sábado, quatro dias depois do acidente que matou 197 pessoas. Membros da comitiva brasileira que acompanha a análise do equipamento não sabem quando os trabalhos serão concluídos.

O CVR é uma das peças-chave nas investigações que apontarão as causas do desastre. O dispositivo contém os diálogos da cabine e os registros de som na hora do acidente. Uma trapalhada do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea responsável pela apuração do caso, fez com que um simples gravador de voz fosse enviado aos Estados Unidos no lugar do CVR, na semana passada. A primeira parte da caixa-preta, o Gravador dos Dados de Vôo (FDR) – que contém informações técnicas – já está sendo periciada.

Representante da CPI do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados na comitiva, o deputado Efraim Filho (DEM-PB) espera ter acesso aos primeiros dados do FDR a partir de hoje. A degravação completa do contéudo, no entanto, só deve ser liberada a partir quarta-feira. “Vamos cobrar celeridade para que os dados sejam divulgados no menor tempo possível para a CPI e para a população”, destaca.

De acordo com o deputado, os trabalhos do órgão de segurança americano se resumirão à depuração das 53 horas de gravações que incluem os comandos acionados na cabine de controle momentos antes do desastre. “As conclusões técnicas para a investigações serão concluídas no Brasil”, completa.