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Publicado: 17/07/2007 | 09:18
Senador tenta barrar investigação
Gustavo Krieger
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Mesa Diretora do Senado deve decidir hoje se aceita pedido de perícia da Polícia Federal em documentos apresentados pela defesa do presidente da Casa.
Ao chegar ao prédio do Senado, Renan Calheiros foi mais uma vez cercado pelos repórteres e jurou que não vai interferir no processo
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ainda não desistiu de tentar limitar a investigação da Polícia Federal sobre sua contabilidade. Tentará uma vitória política na reunião de hoje da Mesa Diretora da Casa. A Mesa precisa decidir o destino do pedido feito pelo Conselho de Ética para que a PF faça uma perícia em documentos e notas fiscais das fazendas de Renan. Ontem à noite, ele se esforçava para angariar apoio para uma decisão que restrinja o alcance da investigação policial. O Conselho quer que a polícia faça uma devassa nas operações de venda de gado usadas por Renan para justificar seus rendimentos, incluindo uma investigação nas empresas compradoras. O senador quer que a polícia limite-se a fazer uma perícia sobre a autenticidade dos documentos que ele reuniu em sua defesa.
A solução não era a desejada por Renan, mas parece ser a única alternativa que sobrou. Nos últimos dias, ele teve uma série de derrotas políticas, que limitaram seu raio de ação. As opções foram se esgotando aos poucos. O senador pensou até em recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a reunião da Mesa, mas ontem à noite descartou publicamente a idéia. Avaliou que o desgaste político seria muito alto. Foi o próprio Renan quem assinou a convocação da reunião, depois de muita pressão política. Se ele apelasse ao Supremo contra ela, estaria recorrendo de uma decisão dele mesmo. Além disso, levar o processo ao Judiciário poderia ser mal visto entre os senadores e ampliar o desgaste do presidente da Casa entre os colegas, a quem caberá julgá-lo.
Até ontem à noite, não havia clima político e muito menos um voluntário para a outra manobra possível, que seria convencer um dos integrantes da Mesa a pedir vista do processo. Como o Congresso entrará em recesso amanhã, o artifício poderia adiar a decisão para agosto. O problema é o desgaste político. O senador Magno Malta (PR-ES), sondado para a missão de pedir vista, recusou. E o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), a quem caberá presidir a reunião, também está sob pressão. Ele avisou que se houver um pedido de vistas, poderá dar um prazo curto, de menos de um dia. Nesse caso, todo o desgaste seria por nada.
Restou a Renan a aposta política e juramentos de que não vai interferir no processo. Ontem, de seu gabinete, ele acompanhou pela televisão a sessão que acontecia no plenário. Viu o líder do DEM, José Agripino (RN), fazer um discurso prevendo que ele tentaria alguma manobra para adiar a decisão. “Se houver pedido de vista, terá sido orientação do Palácio do Planalto. Não vamos aceitar isso. Em nome da credibilidade do Senado, não vamos aceitar votar nada sob a presidência de Renan Calheiros. Vamos nos retirar do plenário”, disse o potiguar.
Renan, então, mandou um bilhete ao senador Valter Pereira (PMDB-MS), que presidia a sessão, garantindo que a reunião da Mesa acontecerá hoje, no horário marcado e com a presença de todos os integrantes. Menos a dele. Renan encaminhou um ofício ao presidente do Conselho de Ética, seu aliado Leomar Quintanilha (PMDB-TO), no qual se declara impedido para tomar qualquer decisão sobre o próprio processo. Pediu que qualquer documento relativo ao caso seja encaminhado a Tião Viana. Com isso, espera diminuir a pressão dos adversários, que o acusam de manipulação e pedem seu afastamento da presidência do Senado.
Por ironia, a perícia que tanto preocupa Renan foi sugerida por ele mesmo há poucas semanas. Acusado de ter a ajuda de um lobista para pagar despesas pessoais, ele apresentou um calhamaço de notas fiscais e recibos de venda de gado. O objetivo era comprovar seus rendimentos, mas o tiro saiu pela culatra e as informações da papelada até hoje estão sob suspeição.
Gustavo Krieger
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Mesa Diretora do Senado deve decidir hoje se aceita pedido de perícia da Polícia Federal em documentos apresentados pela defesa do presidente da Casa.
Ao chegar ao prédio do Senado, Renan Calheiros foi mais uma vez cercado pelos repórteres e jurou que não vai interferir no processo
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ainda não desistiu de tentar limitar a investigação da Polícia Federal sobre sua contabilidade. Tentará uma vitória política na reunião de hoje da Mesa Diretora da Casa. A Mesa precisa decidir o destino do pedido feito pelo Conselho de Ética para que a PF faça uma perícia em documentos e notas fiscais das fazendas de Renan. Ontem à noite, ele se esforçava para angariar apoio para uma decisão que restrinja o alcance da investigação policial. O Conselho quer que a polícia faça uma devassa nas operações de venda de gado usadas por Renan para justificar seus rendimentos, incluindo uma investigação nas empresas compradoras. O senador quer que a polícia limite-se a fazer uma perícia sobre a autenticidade dos documentos que ele reuniu em sua defesa.
A solução não era a desejada por Renan, mas parece ser a única alternativa que sobrou. Nos últimos dias, ele teve uma série de derrotas políticas, que limitaram seu raio de ação. As opções foram se esgotando aos poucos. O senador pensou até em recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a reunião da Mesa, mas ontem à noite descartou publicamente a idéia. Avaliou que o desgaste político seria muito alto. Foi o próprio Renan quem assinou a convocação da reunião, depois de muita pressão política. Se ele apelasse ao Supremo contra ela, estaria recorrendo de uma decisão dele mesmo. Além disso, levar o processo ao Judiciário poderia ser mal visto entre os senadores e ampliar o desgaste do presidente da Casa entre os colegas, a quem caberá julgá-lo.
Até ontem à noite, não havia clima político e muito menos um voluntário para a outra manobra possível, que seria convencer um dos integrantes da Mesa a pedir vista do processo. Como o Congresso entrará em recesso amanhã, o artifício poderia adiar a decisão para agosto. O problema é o desgaste político. O senador Magno Malta (PR-ES), sondado para a missão de pedir vista, recusou. E o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), a quem caberá presidir a reunião, também está sob pressão. Ele avisou que se houver um pedido de vistas, poderá dar um prazo curto, de menos de um dia. Nesse caso, todo o desgaste seria por nada.
Restou a Renan a aposta política e juramentos de que não vai interferir no processo. Ontem, de seu gabinete, ele acompanhou pela televisão a sessão que acontecia no plenário. Viu o líder do DEM, José Agripino (RN), fazer um discurso prevendo que ele tentaria alguma manobra para adiar a decisão. “Se houver pedido de vista, terá sido orientação do Palácio do Planalto. Não vamos aceitar isso. Em nome da credibilidade do Senado, não vamos aceitar votar nada sob a presidência de Renan Calheiros. Vamos nos retirar do plenário”, disse o potiguar.
Renan, então, mandou um bilhete ao senador Valter Pereira (PMDB-MS), que presidia a sessão, garantindo que a reunião da Mesa acontecerá hoje, no horário marcado e com a presença de todos os integrantes. Menos a dele. Renan encaminhou um ofício ao presidente do Conselho de Ética, seu aliado Leomar Quintanilha (PMDB-TO), no qual se declara impedido para tomar qualquer decisão sobre o próprio processo. Pediu que qualquer documento relativo ao caso seja encaminhado a Tião Viana. Com isso, espera diminuir a pressão dos adversários, que o acusam de manipulação e pedem seu afastamento da presidência do Senado.
Por ironia, a perícia que tanto preocupa Renan foi sugerida por ele mesmo há poucas semanas. Acusado de ter a ajuda de um lobista para pagar despesas pessoais, ele apresentou um calhamaço de notas fiscais e recibos de venda de gado. O objetivo era comprovar seus rendimentos, mas o tiro saiu pela culatra e as informações da papelada até hoje estão sob suspeição.