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Publicado: 31/03/2009 | 10:51
Avanço de Dilma ajuda Ciro Gomes
Política é interessante. Às vezes, apresenta resultados que parecem paradoxais. Por exemplo, essa pesquisa CNT/Sensus, que trouxe o crescimento da candidatura presidencial de Dilma Rousseff, pelo PT. A ministra ultrapassou, na preferência do eleitorado, até o governador de Minas Gerais , Aécio Neves, que disputa com o paulista José Serra a vaga de candidato do PSDB à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Então, se a ministra cresceu, perdeu fôlego a candidatura de seu principal oponente do campo governista, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Certo?
Errado, meu caro leitor. Parece um paradoxo, mas o crescimento de Dilma viabiliza a candidatura Ciro. E por quê? Porque uma parcela forte do PT e até do governo federal tem defendido a tese de que a candidatura Ciro, por concorrer com Dilma no campo governista, deveria ser desestimulada pelo presidente Lula. E, de fato, caso Lula queira Ciro Gomes fora do páreo, terá como aliado até mesmo o PSB. O partido de Ciro – especialmente o presidente da legenda e governador de Pernambuco, Eduardo Campos – nada fará contra o desejo do presidente da República. Se Lula pedir, o PSB tira Ciro da parada. Enquanto Ciro Gomes esteve na frente de Dilma na preferência do eleitorado, e a candidatura da ministra não deslanchava nas pesquisas, o raciocínio da turma que queria tirar o cearense da corrida presidencial imperava dentro do PT e do governo. Mas essa pesquisa CNT/Sensus mostrou que Dilma começa a estabelecer-se como o grande nome da área governista. Subiu, na pesquisa espontânea, de 2,5% das intenções de voto, em janeiro, para 3,6%, deixando para traz Aécio Neves, que caiu de 3,9% para 2,9%, e o próprio Ciro, que ficou com 1,5%. Dilma subiu, portanto, Ciro deixa de ser uma ameaça à candidatura da ministra dentro do campo governista, e com isso diminui a força dos argumentos dos que queriam seu afastamento da campanha. Livra-se o presidente Lula um pouco do fardo de ter que agir contra um aliado leal e que chegou a ser seu ministro da Integração. Mais. Ganha força no governo o argumento de que a presença de Ciro Gomes na disputa ajuda a que seja realizado um segundo turno. De fato, Dilma cresceu, mas também cresceu o principal candidato da oposição. O governador de São Paulo, José Serra, que tinha 42,8% das intenções de voto na pesquisa estimulada CNT/Sensus, em janeiro, agora passou a contar com 45,7% da preferência do eleitorado. Em geral, quem tem mais do que 40% nessas pesquisas acaba próximo dos 50% nas urnas, quando se descontam os votos invalidados e a ausência de eleitores no pleito. Portanto, com a contagem atual, há a possibilidade real de Serra vencer no primeiro turno. No entanto, se Serra tiver que disputar com dois candidatos que, juntos, detenham algo em torno de 40% das intenções de votos (20% para cada um, ou 30% para um e 10% para outro), aí diminuirão suas chances de vitória no primeiro turno. Ainda mais se um quarto provável candidato, como a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), for até o final na disputa. No início do mês, este colunista informou que Ciro estava inconformado com o fato de Lula não o ter consultado sobre as eleições de 2010. Pois bem, desde então Dilma Rousseff já chamou o ex-ministro para uma conversa. Mas o martelo final sobre a permanência da candidatura Ciro será batido numa série de encontros que o presidente da República deverá fazer, até o mês que vem, com Eduardo Campos, depois com a Executiva Nacional do PSB e, finalmente, com o próprio Ciro. O vice-presidente nacional do PSB, ex-ministro Roberto Amaral, reafirma que o partido não marchará contra Lula, mas diz que é cada vez mais forte, na Executiva, a tendência pela candidatura própria. Ou seja, por Ciro. – Para mim, está claro que a permanência de Ciro na disputa irá atrapalhar bastante o candidato da oposição. As pesquisas podem apontar o favoritismo de Serra, mas saber que ele terá de disputar contra dois nomes fortes é quase uma garantia de segundo turno – argumenta Roberto Amaral. Por isso é grande a expectativa no PSB em relação a essas reuniões com Lula. No PSB, e até no PCdoB e no PDT. Os dois partidos já falaram em marchar com Ciro e podem voltar a fazê-lo.
Política é interessante. Às vezes, apresenta resultados que parecem paradoxais. Por exemplo, essa pesquisa CNT/Sensus, que trouxe o crescimento da candidatura presidencial de Dilma Rousseff, pelo PT. A ministra ultrapassou, na preferência do eleitorado, até o governador de Minas Gerais , Aécio Neves, que disputa com o paulista José Serra a vaga de candidato do PSDB à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Então, se a ministra cresceu, perdeu fôlego a candidatura de seu principal oponente do campo governista, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Certo?
Errado, meu caro leitor. Parece um paradoxo, mas o crescimento de Dilma viabiliza a candidatura Ciro. E por quê? Porque uma parcela forte do PT e até do governo federal tem defendido a tese de que a candidatura Ciro, por concorrer com Dilma no campo governista, deveria ser desestimulada pelo presidente Lula. E, de fato, caso Lula queira Ciro Gomes fora do páreo, terá como aliado até mesmo o PSB. O partido de Ciro – especialmente o presidente da legenda e governador de Pernambuco, Eduardo Campos – nada fará contra o desejo do presidente da República. Se Lula pedir, o PSB tira Ciro da parada. Enquanto Ciro Gomes esteve na frente de Dilma na preferência do eleitorado, e a candidatura da ministra não deslanchava nas pesquisas, o raciocínio da turma que queria tirar o cearense da corrida presidencial imperava dentro do PT e do governo. Mas essa pesquisa CNT/Sensus mostrou que Dilma começa a estabelecer-se como o grande nome da área governista. Subiu, na pesquisa espontânea, de 2,5% das intenções de voto, em janeiro, para 3,6%, deixando para traz Aécio Neves, que caiu de 3,9% para 2,9%, e o próprio Ciro, que ficou com 1,5%. Dilma subiu, portanto, Ciro deixa de ser uma ameaça à candidatura da ministra dentro do campo governista, e com isso diminui a força dos argumentos dos que queriam seu afastamento da campanha. Livra-se o presidente Lula um pouco do fardo de ter que agir contra um aliado leal e que chegou a ser seu ministro da Integração. Mais. Ganha força no governo o argumento de que a presença de Ciro Gomes na disputa ajuda a que seja realizado um segundo turno. De fato, Dilma cresceu, mas também cresceu o principal candidato da oposição. O governador de São Paulo, José Serra, que tinha 42,8% das intenções de voto na pesquisa estimulada CNT/Sensus, em janeiro, agora passou a contar com 45,7% da preferência do eleitorado. Em geral, quem tem mais do que 40% nessas pesquisas acaba próximo dos 50% nas urnas, quando se descontam os votos invalidados e a ausência de eleitores no pleito. Portanto, com a contagem atual, há a possibilidade real de Serra vencer no primeiro turno. No entanto, se Serra tiver que disputar com dois candidatos que, juntos, detenham algo em torno de 40% das intenções de votos (20% para cada um, ou 30% para um e 10% para outro), aí diminuirão suas chances de vitória no primeiro turno. Ainda mais se um quarto provável candidato, como a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), for até o final na disputa. No início do mês, este colunista informou que Ciro estava inconformado com o fato de Lula não o ter consultado sobre as eleições de 2010. Pois bem, desde então Dilma Rousseff já chamou o ex-ministro para uma conversa. Mas o martelo final sobre a permanência da candidatura Ciro será batido numa série de encontros que o presidente da República deverá fazer, até o mês que vem, com Eduardo Campos, depois com a Executiva Nacional do PSB e, finalmente, com o próprio Ciro. O vice-presidente nacional do PSB, ex-ministro Roberto Amaral, reafirma que o partido não marchará contra Lula, mas diz que é cada vez mais forte, na Executiva, a tendência pela candidatura própria. Ou seja, por Ciro. – Para mim, está claro que a permanência de Ciro na disputa irá atrapalhar bastante o candidato da oposição. As pesquisas podem apontar o favoritismo de Serra, mas saber que ele terá de disputar contra dois nomes fortes é quase uma garantia de segundo turno – argumenta Roberto Amaral. Por isso é grande a expectativa no PSB em relação a essas reuniões com Lula. No PSB, e até no PCdoB e no PDT. Os dois partidos já falaram em marchar com Ciro e podem voltar a fazê-lo.