antigas Publicado: 25/03/2009 | 13:59

Desmatamento concentrado

 ista de municípios que mais desmataram a Amazônia aumentou para 43, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Juntas, essas cidades foram responsáveis por 55% dos cortes irregulares na floresta em 2008, área que corresponde a 11.900 mil quilômetros quadrados.

 

Juntas, cidades respondem por mais da metade da destruição da Amazônia

Luciana Abade

BRASÍLIA

A restrição de crédito para produtores que não seguem as normas ambientais, o aumento da fiscalização e os leilões de produtos do crime ambiental em 2008 não foram suficientes para impedir que a lista dos 36 municípios que mais desmataram a Amazônia aumentasse para 43, como anunciou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Juntas, as 43 cidades foram responsáveis por 55% do desmatamento da floresta no ano passado, uma área que corresponde a 11,9 mil quilômetros quadrados. O ministro, no entanto, nega que as ações do governo tenham sido ineficientes. Segundo Minc, o crescimento da lista deve-se ao estabelecimento de critérios mais rigorosos.

Entre os municípios incluídos, quatro estão no Pará – Marabá, Pacajá, Ituipiranga e Tailândia – um em Roraima – Mucajaí – um no Mato Grosso – Feliz Natal – e, pela primeira vez, um município do Maranhão entra na lista: Amarante do Maranhão. Juntos, eles devastaram 23.579 quilômetros quadrados de floresta nos últimos nove anos.

Sanções

Para serem incluídos, o ministério levou em consideração o aumento da taxa de desmatamento em pelo menos três, dos últimos cinco anos, devastação em 2008 igual ou superior a 200 quilômetros quadrados e a área total desmatada. Um vez com o nome na lista, fica proibida qualquer novo desmatamento, mesmo em casos em que a legislação ambiental permita. Os produtores da região ficam impedidos de conseguir novos financiamentos agrícolas e precisam fazer um novo georrefenciamento junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Divulgada no início do ano passado, a lista dos 36 municípios que mais desmatam foi instituída em dezembro de 2007 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo é levantar as cidades prioritárias para a realização de ações de prevenção e controle do desmatamento.

O ministro anunciou que três cidades deixarão a lista nos próximos dois meses: Alta Floretsa, Porto dos Gaúchos e Nova Maringá. Os três municípios de Mato Grosso conseguiram reduzir o desmatamento em 2008 para menos de 40 quilômetros quadrados, mas ainda precisam realizar o cadastro nacional rural em 80% de seus territórios. Além dessas duas condições, para sair da lista é preciso, ainda, que a média de desmatamento dos anos de 2007 e 2008 tenha sido igual ou inferior a 60% em relação à média do período de 2004 a 2006.

– Os 36 municípios desmatavam juntos 50% da floresta. Caiu para 42%, mas tá uma maravilha? Coisa nenhuma. A meta do governo é desmatamento ilegal a zero – afirmou Minc. –Se eu permito que possa desmatar até 100 quilômetros quadrados, a meta muda. Por isso reduzimos para 40. A gente podia aumentar para 100 e dizer que os municípios estão alcançando o objetivo. Mas queremos ser mais rigorosos.

Entre os novos integrantes da lista, Marabá-PA foi o que mais desmatou. Foram 338 quilômetros quadrados em 2008. Mais que o dobro do desmatamento de 2007, que foi de 155. Analisando os últimos nove anos, Marabá também foi o que mais desmatou entre os municípios incluídos. Foram 7.540 quilômetros quadrados de devastação desde 2000.

Apesar de dizer que são múltiplas as causas do desmatamento na região, como a criação de gado em áreas de preservação e a a exploração ilegal de madeira, Minc afirmou que a presença de assentamentos do Incra prejudica a conservação da floresta. Principalmente no município de Mucajaí, onde o desmatamento triplicou nos últimos três anos.

Minc reafirmou que reforçará a operação Arco Verde na região para que sejam criadas alternativas de desenvolvimento sustentável. As ações de fiscalização têm recebido diversas críticas porque não têm conseguido produzir empregos sustentáveis na mesma proporção do desemprego criado com o fim das atividades ilegais.

– Estava havendo um desequilíbrio entre as ações de fiscalização e as ações alternativas – reconheceu o ministro.

A regularização fundiária, considerada a principal causa do desmatamento desenfreado, terá prioridade nessa nova fase da Arco Verde. Para ajudar na produção sustentável, já foi fechada uma parceria com a Embrapa que levará para a região técnicas mais qualificadas de produção.

O Fundo Amazônia recebe hoje US$ 100 milhões do governo da Noruega. Os recursos são parte da doação de US$ 1 bilhão prevista para ser repassada integralmente até 2015. O dinheiro será aplicado em várias ações do ministério, com destaque para o combate ao desmatamento na Amazônia e a produção sustentável.

 ista de municípios que mais desmataram a Amazônia aumentou para 43, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Juntas, essas cidades foram responsáveis por 55% dos cortes irregulares na floresta em 2008, área que corresponde a 11.900 mil quilômetros quadrados.

 

Juntas, cidades respondem por mais da metade da destruição da Amazônia

Luciana Abade

BRASÍLIA

A restrição de crédito para produtores que não seguem as normas ambientais, o aumento da fiscalização e os leilões de produtos do crime ambiental em 2008 não foram suficientes para impedir que a lista dos 36 municípios que mais desmataram a Amazônia aumentasse para 43, como anunciou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Juntas, as 43 cidades foram responsáveis por 55% do desmatamento da floresta no ano passado, uma área que corresponde a 11,9 mil quilômetros quadrados. O ministro, no entanto, nega que as ações do governo tenham sido ineficientes. Segundo Minc, o crescimento da lista deve-se ao estabelecimento de critérios mais rigorosos.

Entre os municípios incluídos, quatro estão no Pará – Marabá, Pacajá, Ituipiranga e Tailândia – um em Roraima – Mucajaí – um no Mato Grosso – Feliz Natal – e, pela primeira vez, um município do Maranhão entra na lista: Amarante do Maranhão. Juntos, eles devastaram 23.579 quilômetros quadrados de floresta nos últimos nove anos.

Sanções

Para serem incluídos, o ministério levou em consideração o aumento da taxa de desmatamento em pelo menos três, dos últimos cinco anos, devastação em 2008 igual ou superior a 200 quilômetros quadrados e a área total desmatada. Um vez com o nome na lista, fica proibida qualquer novo desmatamento, mesmo em casos em que a legislação ambiental permita. Os produtores da região ficam impedidos de conseguir novos financiamentos agrícolas e precisam fazer um novo georrefenciamento junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Divulgada no início do ano passado, a lista dos 36 municípios que mais desmatam foi instituída em dezembro de 2007 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo é levantar as cidades prioritárias para a realização de ações de prevenção e controle do desmatamento.

O ministro anunciou que três cidades deixarão a lista nos próximos dois meses: Alta Floretsa, Porto dos Gaúchos e Nova Maringá. Os três municípios de Mato Grosso conseguiram reduzir o desmatamento em 2008 para menos de 40 quilômetros quadrados, mas ainda precisam realizar o cadastro nacional rural em 80% de seus territórios. Além dessas duas condições, para sair da lista é preciso, ainda, que a média de desmatamento dos anos de 2007 e 2008 tenha sido igual ou inferior a 60% em relação à média do período de 2004 a 2006.

– Os 36 municípios desmatavam juntos 50% da floresta. Caiu para 42%, mas tá uma maravilha? Coisa nenhuma. A meta do governo é desmatamento ilegal a zero – afirmou Minc. –Se eu permito que possa desmatar até 100 quilômetros quadrados, a meta muda. Por isso reduzimos para 40. A gente podia aumentar para 100 e dizer que os municípios estão alcançando o objetivo. Mas queremos ser mais rigorosos.

Entre os novos integrantes da lista, Marabá-PA foi o que mais desmatou. Foram 338 quilômetros quadrados em 2008. Mais que o dobro do desmatamento de 2007, que foi de 155. Analisando os últimos nove anos, Marabá também foi o que mais desmatou entre os municípios incluídos. Foram 7.540 quilômetros quadrados de devastação desde 2000.

Apesar de dizer que são múltiplas as causas do desmatamento na região, como a criação de gado em áreas de preservação e a a exploração ilegal de madeira, Minc afirmou que a presença de assentamentos do Incra prejudica a conservação da floresta. Principalmente no município de Mucajaí, onde o desmatamento triplicou nos últimos três anos.

Minc reafirmou que reforçará a operação Arco Verde na região para que sejam criadas alternativas de desenvolvimento sustentável. As ações de fiscalização têm recebido diversas críticas porque não têm conseguido produzir empregos sustentáveis na mesma proporção do desemprego criado com o fim das atividades ilegais.

– Estava havendo um desequilíbrio entre as ações de fiscalização e as ações alternativas – reconheceu o ministro.

A regularização fundiária, considerada a principal causa do desmatamento desenfreado, terá prioridade nessa nova fase da Arco Verde. Para ajudar na produção sustentável, já foi fechada uma parceria com a Embrapa que levará para a região técnicas mais qualificadas de produção.

O Fundo Amazônia recebe hoje US$ 100 milhões do governo da Noruega. Os recursos são parte da doação de US$ 1 bilhão prevista para ser repassada integralmente até 2015. O dinheiro será aplicado em várias ações do ministério, com destaque para o combate ao desmatamento na Amazônia e a produção sustentável.