antigas Publicado: 24/03/2009 | 10:05

Crise já deixou 750 mil desempregados

 Resultado é divulgado em dia de otimismo com novo pacote dos EUA


Cerca de 750 mil trabalhadores brasileiros perderam o emprego entre novembro e fevereiro, resultado da crise internacional. Os números, divulgados ontem pelo Dieese, representam redução, no período, de 2,3% das vagas com carteira assinada. Ontem as principais bolsas do mundo - incluindo a Bovespa - registraram forte alta. A razão do otimismo foi o anúncio do novo pacote do governo americano, que permitirá a investidores comprarem até US$ 1 trilhão em ativos podres de bancos.

 

 

Indústrias de transformação e agropecuária foram os setores mais atingidos, segundo o Dieese

O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos (Dieese) apresentou ontem estudo indicando que 750 mil vagas de trabalho foram fechadas entre novembro de 2008 e fevereiro deste ano, o que representou uma queda de 2,3% do emprego formal no período.

A agropecuária foi o setor mais atingido, com queda de 7,9% dos empregos em dezembro e de 8,6% no acumulado até fevereiro. Em segundo lugar, as demissões tiveram impacto de 3,6% na indústria de transformação, em dezembro, e de 5% no acumulado até fevereiro.

Apesar disso, o Dieese informa em comunicado que o mercado de trabalho apresenta recuperação: "A crise atinge o Brasil em um momento de recuperação do mercado de trabalho, com crescimento do emprego, da renda e da massa salarial, fatores que se tornaram estratégicos para a dinâmica do crescimento econômico dos últimos anos".

"O fortalecimento do mercado interno contribuiu, de forma decisiva, para a trajetória do crescimento recente, e poderá continuar sendo uma dimensão importante de uma estratégia de combate à crise".

Dezembro

Por conta do agravamento da crise econômica mundial e o reflexo mais intenso dos problemas no Brasil, o mercado de emprego formal no país perdeu 655 mil vagas somente em dezembro do ano passado, o pior resultado em 10 anos. Caso não houvesse a crise, ainda assim haveria perda, mas da ordem de 350 mil vagas, segundo a análise do Dieese.

A instituição sindical destaca que dezembro é, tradicionalmente, um mês do ajuste geral do nível de emprego no mercado de trabalho. Por ajuste geral, entende-se um processo generalizado de demissões de trabalhadores, que atinge quase todos os setores da atividade econômica e regiões geográficas do país.

"A análise da movimentação do mercado formal de trabalho brasileiro indica, claramente, que o mês de dezembro é, em todos os anos, um mês de ajuste geral da mão-de-obra no mercado de trabalho brasileiro", afirma a entidade em nota técnica elaborada sobre dados recém divulgados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), um tipo de censo anual do mercado formal de trabalho.

Ajuste mais pesado

Com todas as ressalvas, entretanto, dezembro de 2008 foi atípico, com ‘ajuste sazonal’ mais pesado em função da queda do processo produtivo e decisões estratégicas relativas ao volume de emprego em função das quedas nas expectativas do mercado. "Seguindo a tendência corrente, era de se esperar que, em dezembro de 2008, o fechamento de vagas pelo "ajuste geral" atingisse cerca de 350 mil empregos. Entretanto, foram fechadas 655 mil vagas de trabalho com carteira assinada, quase dobrando negativamente o resultado sobre o ano anterior", destaca o Dieese.

Apesar da queda em dezembro – mês que pode ser considerado o mês do início da crise capitalista sobre o mercado de trabalho, o Dieese afirma que "o saldo anual foi ainda bastante significativo, com crescimento de 5,1% sobre o saldo de 2007, determinando o acréscimo de quase um milhão e meio de vagas".

A entidade destaca ainda que de novembro a fevereiro, houve uma queda de 2,3% nos empregos formais, o que corresponde a cerca de 750 mil trabalhadores.

"Com base no resultado do ano passado, estima-se que o mercado formal brasileiro projetado pela Rais-2008 será superior a 39 milhões de empregos formais, dentre os quais cerca de 31 milhões de trabalhadores serão celetistas, absorvidos na iniciativa privada, e contratados pelos órgãos públicos", afirma o estudo efetuado pelo departamento técnico do Dieese.

 Resultado é divulgado em dia de otimismo com novo pacote dos EUA


Cerca de 750 mil trabalhadores brasileiros perderam o emprego entre novembro e fevereiro, resultado da crise internacional. Os números, divulgados ontem pelo Dieese, representam redução, no período, de 2,3% das vagas com carteira assinada. Ontem as principais bolsas do mundo - incluindo a Bovespa - registraram forte alta. A razão do otimismo foi o anúncio do novo pacote do governo americano, que permitirá a investidores comprarem até US$ 1 trilhão em ativos podres de bancos.

 

 

Indústrias de transformação e agropecuária foram os setores mais atingidos, segundo o Dieese

O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos (Dieese) apresentou ontem estudo indicando que 750 mil vagas de trabalho foram fechadas entre novembro de 2008 e fevereiro deste ano, o que representou uma queda de 2,3% do emprego formal no período.

A agropecuária foi o setor mais atingido, com queda de 7,9% dos empregos em dezembro e de 8,6% no acumulado até fevereiro. Em segundo lugar, as demissões tiveram impacto de 3,6% na indústria de transformação, em dezembro, e de 5% no acumulado até fevereiro.

Apesar disso, o Dieese informa em comunicado que o mercado de trabalho apresenta recuperação: "A crise atinge o Brasil em um momento de recuperação do mercado de trabalho, com crescimento do emprego, da renda e da massa salarial, fatores que se tornaram estratégicos para a dinâmica do crescimento econômico dos últimos anos".

"O fortalecimento do mercado interno contribuiu, de forma decisiva, para a trajetória do crescimento recente, e poderá continuar sendo uma dimensão importante de uma estratégia de combate à crise".

Dezembro

Por conta do agravamento da crise econômica mundial e o reflexo mais intenso dos problemas no Brasil, o mercado de emprego formal no país perdeu 655 mil vagas somente em dezembro do ano passado, o pior resultado em 10 anos. Caso não houvesse a crise, ainda assim haveria perda, mas da ordem de 350 mil vagas, segundo a análise do Dieese.

A instituição sindical destaca que dezembro é, tradicionalmente, um mês do ajuste geral do nível de emprego no mercado de trabalho. Por ajuste geral, entende-se um processo generalizado de demissões de trabalhadores, que atinge quase todos os setores da atividade econômica e regiões geográficas do país.

"A análise da movimentação do mercado formal de trabalho brasileiro indica, claramente, que o mês de dezembro é, em todos os anos, um mês de ajuste geral da mão-de-obra no mercado de trabalho brasileiro", afirma a entidade em nota técnica elaborada sobre dados recém divulgados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), um tipo de censo anual do mercado formal de trabalho.

Ajuste mais pesado

Com todas as ressalvas, entretanto, dezembro de 2008 foi atípico, com ‘ajuste sazonal’ mais pesado em função da queda do processo produtivo e decisões estratégicas relativas ao volume de emprego em função das quedas nas expectativas do mercado. "Seguindo a tendência corrente, era de se esperar que, em dezembro de 2008, o fechamento de vagas pelo "ajuste geral" atingisse cerca de 350 mil empregos. Entretanto, foram fechadas 655 mil vagas de trabalho com carteira assinada, quase dobrando negativamente o resultado sobre o ano anterior", destaca o Dieese.

Apesar da queda em dezembro – mês que pode ser considerado o mês do início da crise capitalista sobre o mercado de trabalho, o Dieese afirma que "o saldo anual foi ainda bastante significativo, com crescimento de 5,1% sobre o saldo de 2007, determinando o acréscimo de quase um milhão e meio de vagas".

A entidade destaca ainda que de novembro a fevereiro, houve uma queda de 2,3% nos empregos formais, o que corresponde a cerca de 750 mil trabalhadores.

"Com base no resultado do ano passado, estima-se que o mercado formal brasileiro projetado pela Rais-2008 será superior a 39 milhões de empregos formais, dentre os quais cerca de 31 milhões de trabalhadores serão celetistas, absorvidos na iniciativa privada, e contratados pelos órgãos públicos", afirma o estudo efetuado pelo departamento técnico do Dieese.