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Publicado: 13/02/2009 | 09:56
Ações do documento A mãe do PAC deslanchou?
Planalto tenta aproveitar o momento da ministra-chefe para potencializar sua força política com vistas à disputa eleitoral do ano que vem. Oposicionistas querem ir ao TSE para limitar visibilidade e exposição
| Ricardo Stuckert/PR |
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| O presidente Lula com governadores e a ministra-chefe da casa civil em visita a uma frente da ferrovia transnordestina |
José Cruz/Agência Senado - 28/1/09 |
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| Arthur Virgílio, líder do PSDB no senado: Dilma não deve fazer política |
Glaicon Covre/Agência RBS/AE - 24/11/08 |
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| ´´A ministra cuida do PAC como uma mãe deve tratar seu filho: carinhosa e estabelecendo metas`` Geddel Vieira Lima, ministro da Integração Nacional |
“O governo passou de todos os limites. Está usando a máquina pública na pré-campanha da Dilma”, acusa o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). “É impossível imaginar como será a campanha do PT. Já em 2009 assistimos perplexos à campanha de uma candidata que sequer foi lançada. É uma total falta de responsabilidade e completo desrespeito à luta democrática”, reforça o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Os oposicionistas resolveram reagir à escalada da “mãe do PAC” depois da repercussão do Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas, realizado na terça e na quarta-feira passadas.
Organizado pela Presidência da República, a reunião garantiu ao presidente Lula e a Dilma, nos dois dias, uma plateia de 5,3 mil dos 5,6 mil prefeitos do país, segundo os responsáveis pelo evento. A ministra discorreu sobre o PAC e conclamou os governantes municipais a anteciparem a realização de obras para gerar empregos e movimentar a roda da economia. Fez um discurso de viés técnico, conforme governistas, o que rechaçaria a tese de campanha antecipada esgrimida por tucanos e democratas. “A oposição está preocupada porque a cada pesquisa sobem os índices de intenção de voto em Dilma. Isso resulta da exposição dela na mídia correspondente ao cargo que ocupa”, afirma o deputado Vieira da Cunha (RS), presidente em exercício do PDT.
Em fevereiro de 2008, a ministra tinha 4,5% em levantamento da CNT/Sensus. Em janeiro passado, saltou para 13,5%. Nas duas situações, o candidato do PSDB é o governador de São Paulo, José Serra. “É só analisar o conteúdo dos pronunciamentos da ministra. São técnicos. Ela tem o direito e o dever de expor os programas do governo”, acrescenta o pedetista.
Agenda puxada
É com base nesse argumento que o Planalto reserva o papel de protagonista para Dilma no anúncio de dois novos pacotes. Um deles é o Plano Nacional de Habitação, cuja meta é a construção de 1 milhão de casas até 2010 e será lançado ainda neste mês. O outro é o chamado PAC da Mobilidade Urbana. Previsto para março, listará investimentos na infraestrutura das capitais, sobretudo na área de transporte público. “A ministra está mais à vontade. Está em marcha batida para crescer”, declara o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).
Conforme o Correio antecipou, a Presidência montou uma espécie de agenda futura para a ministra, recheada de eventos públicos. A ideia é que ela participe ao lado de Lula de inaugurações das principais entre as 257 obras com conclusão prevista em 2009, das quais 157 são do PAC e o restante de escolas técnicas. Ontem, a “mãe do PAC” esteve em Salgueiro (PE) com o presidente, que assinou ali ordem de serviço para construção de trecho da ferrovia Transnordestina. A ministra não discursou. Mas foi elogiada pelos colegas Alfredo Nascimento (Transportes) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). Do palanque, os dois destacaram a capacidade gerencial de Dilma.
Cotado para vice na chapa encabeçada pelo PT, Geddel foi além e disse que a colega cuida de cada projeto do PAC “da mesma forma que uma mãe deve tratar seu filho: carinhosa e estabelecendo metas”. “A Dilma veio a ser ministra para fazer o papel de gerentona, não para fazer política. De repente, o governo perde quem o controla”, critica o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Para o tucano, o partido tem de frear o avanço da chefe da Casa Civil no TSE. Isso garantiria a tranquilidade necessária para a realização das prévias destinadas a definir o concorrente do PSDB à Presidência. A consulta aos filiados é defendida pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves.
Ontem, o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), protocolou no Tribunal de Contas da União (TCU) pedido de investigação sobre os gastos do governo com a organização do encontro com os prefeitos.
FORÇAS E FRAQUEZAS DE DILMA, PELA OPOSIÇÃO
Pontos fortes
- Apoio do presidente Lula, que registra índices de aprovação popular acima de 80%
- Consolidação de uma imagem de gestora eficiente
- Bom trânsito no setor produtivo, que influencia numa eleição presidencial
Pontos fracos - Desconhecida de grande parte da população
- Falta de experiência eleitoral e de preparo para lidar com políticos e eleitores
- Hoje não tem o apoio dos partidos que integram a coalizão governista
| análise da notícia Hora de acordar A oposição acordou. E já não desdenha mais da pré-candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. Tucanos e democratas deixaram de lado as piadas sobre os powerpoints usados por ela para discorrer sobre o Programa de Aceleração do Crescimento. Abandonaram a tese segundo a qual a “mãe do PAC” — por excessivamente técnica e enfadonha — não teria capacidade para disputar votos numa corrida presidencial. O anúncio de recursos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retrata essa mudança de percepção. Com certo atraso, o PSDB descobriu que o jogo não está ganho. Que precisa impedir a ministra de correr sozinha na raia enquanto não decide quem rivalizará com ela: o governador de São Paulo, José Serra, ou o de Minas Gerais, Aécio Neves. A ordem é descer do salto alto e, enquanto os embates internos não produzem vencedores, construir um discurso a ser apresentado ao eleitorado. Líderes oposicionistas reconhecem que estão sem bandeiras novas para desfraldar em público. O próprio Aécio admitiu isso ao deixar uma reunião, na sexta-feira passada, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Beneficiado pela inércia do adversário, Lula e Dilma monopolizam o debate. Apresentam-se como comandantes da reação brasileira à crise, baseada no aumento dos investimentos públicos e da defesa do emprego. “O Estado agora é parte da solução, e não do problema como em governos anteriores, quando cortava gastos a mando do Fundo Monetário Internacional”, repete insistentemente a ministra, tentando marcar uma diferença. A retórica rendeu dividendos segundo a última pesquisa CNT/Sensus, que revelou novo recorde de aprovação popular do governo. E, junto com a desenvoltura de Dilma no encontro com prefeitos, despertou a oposição. Resta saber se o racha no ninho tucano, parceiro notório da indecisão, permitirá uma reação. (DP) |
Planalto tenta aproveitar o momento da ministra-chefe para potencializar sua força política com vistas à disputa eleitoral do ano que vem. Oposicionistas querem ir ao TSE para limitar visibilidade e exposição
| Ricardo Stuckert/PR |
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| O presidente Lula com governadores e a ministra-chefe da casa civil em visita a uma frente da ferrovia transnordestina |
José Cruz/Agência Senado - 28/1/09 |
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| Arthur Virgílio, líder do PSDB no senado: Dilma não deve fazer política |
Glaicon Covre/Agência RBS/AE - 24/11/08 |
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| ´´A ministra cuida do PAC como uma mãe deve tratar seu filho: carinhosa e estabelecendo metas`` Geddel Vieira Lima, ministro da Integração Nacional |
“O governo passou de todos os limites. Está usando a máquina pública na pré-campanha da Dilma”, acusa o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). “É impossível imaginar como será a campanha do PT. Já em 2009 assistimos perplexos à campanha de uma candidata que sequer foi lançada. É uma total falta de responsabilidade e completo desrespeito à luta democrática”, reforça o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Os oposicionistas resolveram reagir à escalada da “mãe do PAC” depois da repercussão do Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas, realizado na terça e na quarta-feira passadas.
Organizado pela Presidência da República, a reunião garantiu ao presidente Lula e a Dilma, nos dois dias, uma plateia de 5,3 mil dos 5,6 mil prefeitos do país, segundo os responsáveis pelo evento. A ministra discorreu sobre o PAC e conclamou os governantes municipais a anteciparem a realização de obras para gerar empregos e movimentar a roda da economia. Fez um discurso de viés técnico, conforme governistas, o que rechaçaria a tese de campanha antecipada esgrimida por tucanos e democratas. “A oposição está preocupada porque a cada pesquisa sobem os índices de intenção de voto em Dilma. Isso resulta da exposição dela na mídia correspondente ao cargo que ocupa”, afirma o deputado Vieira da Cunha (RS), presidente em exercício do PDT.
Em fevereiro de 2008, a ministra tinha 4,5% em levantamento da CNT/Sensus. Em janeiro passado, saltou para 13,5%. Nas duas situações, o candidato do PSDB é o governador de São Paulo, José Serra. “É só analisar o conteúdo dos pronunciamentos da ministra. São técnicos. Ela tem o direito e o dever de expor os programas do governo”, acrescenta o pedetista.
Agenda puxada
É com base nesse argumento que o Planalto reserva o papel de protagonista para Dilma no anúncio de dois novos pacotes. Um deles é o Plano Nacional de Habitação, cuja meta é a construção de 1 milhão de casas até 2010 e será lançado ainda neste mês. O outro é o chamado PAC da Mobilidade Urbana. Previsto para março, listará investimentos na infraestrutura das capitais, sobretudo na área de transporte público. “A ministra está mais à vontade. Está em marcha batida para crescer”, declara o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).
Conforme o Correio antecipou, a Presidência montou uma espécie de agenda futura para a ministra, recheada de eventos públicos. A ideia é que ela participe ao lado de Lula de inaugurações das principais entre as 257 obras com conclusão prevista em 2009, das quais 157 são do PAC e o restante de escolas técnicas. Ontem, a “mãe do PAC” esteve em Salgueiro (PE) com o presidente, que assinou ali ordem de serviço para construção de trecho da ferrovia Transnordestina. A ministra não discursou. Mas foi elogiada pelos colegas Alfredo Nascimento (Transportes) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). Do palanque, os dois destacaram a capacidade gerencial de Dilma.
Cotado para vice na chapa encabeçada pelo PT, Geddel foi além e disse que a colega cuida de cada projeto do PAC “da mesma forma que uma mãe deve tratar seu filho: carinhosa e estabelecendo metas”. “A Dilma veio a ser ministra para fazer o papel de gerentona, não para fazer política. De repente, o governo perde quem o controla”, critica o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Para o tucano, o partido tem de frear o avanço da chefe da Casa Civil no TSE. Isso garantiria a tranquilidade necessária para a realização das prévias destinadas a definir o concorrente do PSDB à Presidência. A consulta aos filiados é defendida pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves.
Ontem, o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), protocolou no Tribunal de Contas da União (TCU) pedido de investigação sobre os gastos do governo com a organização do encontro com os prefeitos.
FORÇAS E FRAQUEZAS DE DILMA, PELA OPOSIÇÃO
Pontos fortes
- Apoio do presidente Lula, que registra índices de aprovação popular acima de 80%
- Consolidação de uma imagem de gestora eficiente
- Bom trânsito no setor produtivo, que influencia numa eleição presidencial
Pontos fracos - Desconhecida de grande parte da população
- Falta de experiência eleitoral e de preparo para lidar com políticos e eleitores
- Hoje não tem o apoio dos partidos que integram a coalizão governista
| análise da notícia Hora de acordar A oposição acordou. E já não desdenha mais da pré-candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. Tucanos e democratas deixaram de lado as piadas sobre os powerpoints usados por ela para discorrer sobre o Programa de Aceleração do Crescimento. Abandonaram a tese segundo a qual a “mãe do PAC” — por excessivamente técnica e enfadonha — não teria capacidade para disputar votos numa corrida presidencial. O anúncio de recursos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retrata essa mudança de percepção. Com certo atraso, o PSDB descobriu que o jogo não está ganho. Que precisa impedir a ministra de correr sozinha na raia enquanto não decide quem rivalizará com ela: o governador de São Paulo, José Serra, ou o de Minas Gerais, Aécio Neves. A ordem é descer do salto alto e, enquanto os embates internos não produzem vencedores, construir um discurso a ser apresentado ao eleitorado. Líderes oposicionistas reconhecem que estão sem bandeiras novas para desfraldar em público. O próprio Aécio admitiu isso ao deixar uma reunião, na sexta-feira passada, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Beneficiado pela inércia do adversário, Lula e Dilma monopolizam o debate. Apresentam-se como comandantes da reação brasileira à crise, baseada no aumento dos investimentos públicos e da defesa do emprego. “O Estado agora é parte da solução, e não do problema como em governos anteriores, quando cortava gastos a mando do Fundo Monetário Internacional”, repete insistentemente a ministra, tentando marcar uma diferença. A retórica rendeu dividendos segundo a última pesquisa CNT/Sensus, que revelou novo recorde de aprovação popular do governo. E, junto com a desenvoltura de Dilma no encontro com prefeitos, despertou a oposição. Resta saber se o racha no ninho tucano, parceiro notório da indecisão, permitirá uma reação. (DP) |


