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Publicado: 16/01/2009 | 10:52
Avião pousa no rio em Nova York
Um milagre. Foi assim que os moradores e as autoridades de Nova York classificaram o acidente com o Airbus A320 da companhia aérea US Airways, ocorrido ontem à tarde na cidade norte-americana. As 155 pessoas a bordo sobreviveram à queda do avião nas águas geladas do Rio Hudson, na altura da Rua 48, cerca de cinco minutos depois de ter decolado do Aeroporto de LaGuardia com destino a Charlotte, na Carolina do Norte. A aeronave ficou parcialmente submersa e as pessoas a bordo se refugiaram nas asas, algumas com coletes salva-vidas.
Rapidamente, diversas embarcações que circulavam no rio se aproximaram para ajudar no resgate. Em poucos minutos, os sobreviventes foram retirados em barcos dos bombeiros e da Guarda Costeira e levados a um hospital. O voo 1549 transportava 150 passageiros e cinco tripulantes. Não houve ferimentos graves — apenas alguns resgatados foram internados com hipotermia, mas sem riscos aparentes de complicações.
As causas do acidente serão investigadas, mas a principal suspeita, de acordo com a Agência Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês), é a de que o avião tenha enfrentado problemas mecânicos depois de bater contra uma revoada de pássaros, e o piloto foi obrigado a fazer um pouso forçado. Na hora do acidente, às 15h31 (18h31, hora de Brasília), os termômetros marcavam 6ºC negativos, de acordo com o jornal The New York Times. A porta-voz do Departamento de Segurança dos EUA, Laura Brown, descartou qualquer possibilidade de ataque terrorista.
Tensão
Um dos passageiros do avião, Alberto Panero, disse à rede de TV norte-americana CNN que, ao perceber o problema técnico, o piloto pediu que todos se “preparassem para o impacto”. Logo em seguida, tocou a água. Um outro passageiro disse ter ouvido um barulho semelhante ao de uma explosão e um forte cheiro de fumaça. “O motor explodiu. Havia fogo em todos os lugares”, afirmou Jeff Kolodjay à agência de notícias Reuters.
De acordo com a CNN, o piloto teria informado à torre de comando, pouco depois da decolagem, que tinha ocorrido uma “dupla colisão” com pássaros e precisava voltar. Os controladores de voo começaram, então, a orientá-lo, indicando a possibilidade de pouso em Teterboro, em Nova Jersey, pista mais próxima.
Os sobreviventes ressaltaram a habilidade do piloto, que trabalha na US Airways há 29 anos. “Ele fez um trabalho maravilhoso”, disse Kolodjay. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, também ressaltou a habilidade do piloto inicialmente identificado como Chelsey B. “Sully” Sullenberger. “Ele fez um trabalho de mestre, pousando o avião no rio e salvando os passageiros.”
“Se alguém precisa pousar um avião na água, é exatamente daquele jeito que deve ser feito”, afirmou Ben Vonklemperrer, que estava no 25º andar de um prédio de escritórios à margem do rio e acompanhou o acidente. “Ele deslizou na água, de maneira bem gradual.” Outro passageiro do voo 1549, Fred Beretta, contou que depois do aviso do piloto sobre o impacto iminente, as pessoas “começaram a rezar e a se recolher”. “Foi muito impressionante”, contou.
Novo susto
O acidente assustou os moradores de Nova York, até hoje traumatizados com os ataques às Torres Gêmeas, em setembro de 2001. Houve um princípio de pânico nas pessoas que assistiram ao avião perdendo altitude e velocidade, antes de se chocar no rio. Logo depois do acidente, muitos correram ao Rio Hudson para assistir ao resgate das vítimas e ao rebocamento da aeronave.
Fulmer Duckworth estava no 29º andar de um prédio comercial na Rua 42 com a Sexta Avenida quando viu o avião caindo. Segundo contou ao The New York Times, ele viu o Airbus girando em sentido anti-horário na água e começando a ser arrastado pela correnteza. “Parecia que todo mundo estava muito calmo, como se estivesse na plataforma do metrô quando ele está realmente, realmente lotado”, disse Duckworth, referindo-se à cena dos passageiros amontoados sobre as asas do avião, aguardando o resgate.
| Memória Desastres na água A última vez que Nova York vivenciou um acidente aéreo foi em novembro de 2001, dois meses depois dos atentados às Torres Gêmeas. Todos os 260 passageiros e cinco pessoas no bairro Rockaway, no Queens, morreram quando o avião atingiu a região. O voo seguia em direção à República Dominicana e caiu três minutos depois da decolagem no aeroporto JFK. A história da aviação norte-americana inclui alguns acidentes que acabaram em tentativa de pouso na água, apesar de o desfecho geralmente não ter sido tão feliz quanto esse no Rio Hudson. Em 1982, um avião da Air Florida caiu no Rio Potomac, em Washington. Setenta e oito pessoas morreram e apenas cinco sobreviveram. As equipes de resgate levaram muito tempo para chegar ao avião em águas geladas. Em fevereiro de 1959, um avião da American Airlines caiu no Rio East, também em Nova York, matando 65 pessoas. Os raros casos de sobreviventes em tragédias assim demonstram como é complicado salvar uma aeronave quando esta deve pousar sobre a resistência da água. Em janeiro de 2004, um voo charter egípcio da Flash Airlines caiu no Mar Vermelho, matando todas as 141 pessoas a bordo. Dois anos depois, no Mar Negro, um Airbus A-320 se desintegrou, deixando 113 vítimas — todos os passageiros e tripulantes. Nova York foi cenário, ainda, de um dos acidentes aéreos mais catastróficos da história dos Estados Unidos. Em julho de 1996, pouco depois de decolar do aeroporto JFK, com destino a Paris, um Boeing 747 da TWA explodiu sobre o Oceano Atlântico. Morreram todos os 212 passageiros e 18 tripulantes. Peritos suspeitam que a explosão tenha ocorrido devido a uma faísca produzida em meio a um acúmulo de vapores inflamáveis, perto do tanque de combustível de uma das asas. Um relatório concluiu que isso caracterizaria uma falha no projeto da Boeing. |
Um milagre. Foi assim que os moradores e as autoridades de Nova York classificaram o acidente com o Airbus A320 da companhia aérea US Airways, ocorrido ontem à tarde na cidade norte-americana. As 155 pessoas a bordo sobreviveram à queda do avião nas águas geladas do Rio Hudson, na altura da Rua 48, cerca de cinco minutos depois de ter decolado do Aeroporto de LaGuardia com destino a Charlotte, na Carolina do Norte. A aeronave ficou parcialmente submersa e as pessoas a bordo se refugiaram nas asas, algumas com coletes salva-vidas.
Rapidamente, diversas embarcações que circulavam no rio se aproximaram para ajudar no resgate. Em poucos minutos, os sobreviventes foram retirados em barcos dos bombeiros e da Guarda Costeira e levados a um hospital. O voo 1549 transportava 150 passageiros e cinco tripulantes. Não houve ferimentos graves — apenas alguns resgatados foram internados com hipotermia, mas sem riscos aparentes de complicações.
As causas do acidente serão investigadas, mas a principal suspeita, de acordo com a Agência Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês), é a de que o avião tenha enfrentado problemas mecânicos depois de bater contra uma revoada de pássaros, e o piloto foi obrigado a fazer um pouso forçado. Na hora do acidente, às 15h31 (18h31, hora de Brasília), os termômetros marcavam 6ºC negativos, de acordo com o jornal The New York Times. A porta-voz do Departamento de Segurança dos EUA, Laura Brown, descartou qualquer possibilidade de ataque terrorista.
Tensão
Um dos passageiros do avião, Alberto Panero, disse à rede de TV norte-americana CNN que, ao perceber o problema técnico, o piloto pediu que todos se “preparassem para o impacto”. Logo em seguida, tocou a água. Um outro passageiro disse ter ouvido um barulho semelhante ao de uma explosão e um forte cheiro de fumaça. “O motor explodiu. Havia fogo em todos os lugares”, afirmou Jeff Kolodjay à agência de notícias Reuters.
De acordo com a CNN, o piloto teria informado à torre de comando, pouco depois da decolagem, que tinha ocorrido uma “dupla colisão” com pássaros e precisava voltar. Os controladores de voo começaram, então, a orientá-lo, indicando a possibilidade de pouso em Teterboro, em Nova Jersey, pista mais próxima.
Os sobreviventes ressaltaram a habilidade do piloto, que trabalha na US Airways há 29 anos. “Ele fez um trabalho maravilhoso”, disse Kolodjay. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, também ressaltou a habilidade do piloto inicialmente identificado como Chelsey B. “Sully” Sullenberger. “Ele fez um trabalho de mestre, pousando o avião no rio e salvando os passageiros.”
“Se alguém precisa pousar um avião na água, é exatamente daquele jeito que deve ser feito”, afirmou Ben Vonklemperrer, que estava no 25º andar de um prédio de escritórios à margem do rio e acompanhou o acidente. “Ele deslizou na água, de maneira bem gradual.” Outro passageiro do voo 1549, Fred Beretta, contou que depois do aviso do piloto sobre o impacto iminente, as pessoas “começaram a rezar e a se recolher”. “Foi muito impressionante”, contou.
Novo susto
O acidente assustou os moradores de Nova York, até hoje traumatizados com os ataques às Torres Gêmeas, em setembro de 2001. Houve um princípio de pânico nas pessoas que assistiram ao avião perdendo altitude e velocidade, antes de se chocar no rio. Logo depois do acidente, muitos correram ao Rio Hudson para assistir ao resgate das vítimas e ao rebocamento da aeronave.
Fulmer Duckworth estava no 29º andar de um prédio comercial na Rua 42 com a Sexta Avenida quando viu o avião caindo. Segundo contou ao The New York Times, ele viu o Airbus girando em sentido anti-horário na água e começando a ser arrastado pela correnteza. “Parecia que todo mundo estava muito calmo, como se estivesse na plataforma do metrô quando ele está realmente, realmente lotado”, disse Duckworth, referindo-se à cena dos passageiros amontoados sobre as asas do avião, aguardando o resgate.
| Memória Desastres na água A última vez que Nova York vivenciou um acidente aéreo foi em novembro de 2001, dois meses depois dos atentados às Torres Gêmeas. Todos os 260 passageiros e cinco pessoas no bairro Rockaway, no Queens, morreram quando o avião atingiu a região. O voo seguia em direção à República Dominicana e caiu três minutos depois da decolagem no aeroporto JFK. A história da aviação norte-americana inclui alguns acidentes que acabaram em tentativa de pouso na água, apesar de o desfecho geralmente não ter sido tão feliz quanto esse no Rio Hudson. Em 1982, um avião da Air Florida caiu no Rio Potomac, em Washington. Setenta e oito pessoas morreram e apenas cinco sobreviveram. As equipes de resgate levaram muito tempo para chegar ao avião em águas geladas. Em fevereiro de 1959, um avião da American Airlines caiu no Rio East, também em Nova York, matando 65 pessoas. Os raros casos de sobreviventes em tragédias assim demonstram como é complicado salvar uma aeronave quando esta deve pousar sobre a resistência da água. Em janeiro de 2004, um voo charter egípcio da Flash Airlines caiu no Mar Vermelho, matando todas as 141 pessoas a bordo. Dois anos depois, no Mar Negro, um Airbus A-320 se desintegrou, deixando 113 vítimas — todos os passageiros e tripulantes. Nova York foi cenário, ainda, de um dos acidentes aéreos mais catastróficos da história dos Estados Unidos. Em julho de 1996, pouco depois de decolar do aeroporto JFK, com destino a Paris, um Boeing 747 da TWA explodiu sobre o Oceano Atlântico. Morreram todos os 212 passageiros e 18 tripulantes. Peritos suspeitam que a explosão tenha ocorrido devido a uma faísca produzida em meio a um acúmulo de vapores inflamáveis, perto do tanque de combustível de uma das asas. Um relatório concluiu que isso caracterizaria uma falha no projeto da Boeing. |