antigas Publicado: 7/11/2008 | 10:54

Os homens de Obama

Correio Braziliense

Barack Obama dá hoje sua primeira entrevista depois da eleição sob grande expectativa para a definição do secretário do Tesouro. Robert Gibbs deve assumir a Secretaria de Comunicação

Os Estados Unidos e o mundo aguardam ansiosos o nome escolhido por Barack Obama para ser o próximo secretário do Tesouro do país. O anúncio pode ser feito na tarde de hoje, após uma reunião do presidente eleito com seus assessores políticos em Chicago. Será também a primeira entrevista de Obama após sua eleição, na terça-feira, e há a expectativa de que outros integrantes da equipe de governo sejam revelados na ocasião. Entre os principais cotados para assumir o Tesouro em uma economia em crise estão Larry Summers, que já ocupou essa mesma pasta durante o governo de Bill Clinton, o ex-presidente do Federal Reserve (FED, Banco Central americano) Paul Volcker, e o atual presidente do FED em Nova York, Timothy Geithner.

“Os três são excelentes opções e qualquer um deles será bem recebido pelo mercado. Obama terá uma difícil tarefa para escolher o melhor”, afirmou o ex-diretor do Banco Central do Brasil Carlos Eduardo de Freitas. Para o economista, a vantagem de Volcker vem da experiência de já ter enfrentado de forma brilhante uma época de crise durante os governos de Carter e Reagan, enquanto Summers tem a seu favor uma “solidez teórica extraordinária” e visão ampla para o cargo. Volcker, no entanto, conta com a desvantagem de brigar pelo cargo, aos 81 anos, com o proeminente Geithner, que, com apenas 47 anos, tem em seu histórico um importante posto de subsecretário do Tesouro para assuntos internacionais na administração de Clinton.

Volcker e Summers, que estiveram entre os principais assessores econômicos de Obama durante toda a campanha, devem participar da reunião de hoje com o mandatário eleito. Os outros nomes cotados para o cargo são o Prêmio Nobel de Economia deste ano, Paul Krugman, o diretor do Citigroup Robert Rubin e o governador de Nova Jersey, Jon Corzine. O economista Joel Naroff, no entanto, alerta que a escolha deverá ser muito bem pensada devido ao grave momento pelo qual passa a economia do país e do mundo. “O futuro secretário do Tesouro deverá ter um profundo conhecimento do funcionamento dos mercados financeiros e alguma experiência nesse âmbito, seja no setor privado ou no FED”, afirmou à agência de notícias France-Presse.

Em outros setores do governo, alguns nomes já começaram a ser definidos. O deputado democrata Rahm Emanuel confirmou ontem que será o chefe de gabinete de Obama. O site Politico.com também adiantou a escolha de Robert Gibbs, coordenador de imprensa da campanha do democrata, para a Secretaria de Comunicação da Casa Branca. Para o Departamento de Estado, as apostas estão entre o governador do Novo México, Bill Richardson, o senador John Kerry e o ex-embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas Richard Holbrooke. Na Defesa, o ex-chefe da diplomacia de Bush Colin Powell e até o atual titular do posto, Robert Gates, são os mais citados pela imprensa americana.

A assessoria de Obama pôs no ar o site www.change.gov, no qual os americanos poderão acompanhar as decisões tomadas por sua equipe de transição nos próximos dois meses e meio. Na segunda-feira, Obama visitará a Casa Branca, a convite de George W. Bush.


Lula teme desgaste

A maioria dos líderes latino-americanos esperava a chegada do democrata Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos para saber os rumos da crise financeira e como ela será enfrentada. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou suas expectativas ao participar da reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto.

“Espero que o Obama, que acabou de ganhar com uma força política inédita, não vá se desgastar em um ano sem resolver essa crise”, disse Lula. “Acho que o Obama é inteligente o suficiente para que tome as medidas logo e evite que a crise se propague e cresça ainda mais”, ressaltou. Lula destacou ainda que a crise pode ser debitada na conta do governo de George W. Bush, mas, um ano depois de Obama tomar posse, passará a ser dele também.

O presidente brasileiro afirmou que a competência da administração se mostra nos momentos de crise. Nesse sentido, ele acredita que o Brasil esteja fazendo sua parte. “O Brasil não quebrou e não vai quebrar.” Na última quarta-feira, ele demonstrou satisfação com a vitória de Obama e lembrou a questão racial. “Eu penso que nós, brasileiros, como segunda nação negra do mundo, depois da Nigéria, precisamos estar otimistas, esperançosos e com muito orgulho, porque não é pouca coisa eleger um negro para a Presidência dos EUA”, disse.

Lula também espera que o futuro governo norte-americano procure estreitar os laços com a América Latina e com o Brasil, inclusive para desenvolver projetos de apoio à África. Outra questão que preocupa Lula é a suspensão do embargo econômico a Cuba e a solução do impasse sobre subsídios agrícolas entre países desenvolvidos e emergentes.

Correio Braziliense

Barack Obama dá hoje sua primeira entrevista depois da eleição sob grande expectativa para a definição do secretário do Tesouro. Robert Gibbs deve assumir a Secretaria de Comunicação

Os Estados Unidos e o mundo aguardam ansiosos o nome escolhido por Barack Obama para ser o próximo secretário do Tesouro do país. O anúncio pode ser feito na tarde de hoje, após uma reunião do presidente eleito com seus assessores políticos em Chicago. Será também a primeira entrevista de Obama após sua eleição, na terça-feira, e há a expectativa de que outros integrantes da equipe de governo sejam revelados na ocasião. Entre os principais cotados para assumir o Tesouro em uma economia em crise estão Larry Summers, que já ocupou essa mesma pasta durante o governo de Bill Clinton, o ex-presidente do Federal Reserve (FED, Banco Central americano) Paul Volcker, e o atual presidente do FED em Nova York, Timothy Geithner.

“Os três são excelentes opções e qualquer um deles será bem recebido pelo mercado. Obama terá uma difícil tarefa para escolher o melhor”, afirmou o ex-diretor do Banco Central do Brasil Carlos Eduardo de Freitas. Para o economista, a vantagem de Volcker vem da experiência de já ter enfrentado de forma brilhante uma época de crise durante os governos de Carter e Reagan, enquanto Summers tem a seu favor uma “solidez teórica extraordinária” e visão ampla para o cargo. Volcker, no entanto, conta com a desvantagem de brigar pelo cargo, aos 81 anos, com o proeminente Geithner, que, com apenas 47 anos, tem em seu histórico um importante posto de subsecretário do Tesouro para assuntos internacionais na administração de Clinton.

Volcker e Summers, que estiveram entre os principais assessores econômicos de Obama durante toda a campanha, devem participar da reunião de hoje com o mandatário eleito. Os outros nomes cotados para o cargo são o Prêmio Nobel de Economia deste ano, Paul Krugman, o diretor do Citigroup Robert Rubin e o governador de Nova Jersey, Jon Corzine. O economista Joel Naroff, no entanto, alerta que a escolha deverá ser muito bem pensada devido ao grave momento pelo qual passa a economia do país e do mundo. “O futuro secretário do Tesouro deverá ter um profundo conhecimento do funcionamento dos mercados financeiros e alguma experiência nesse âmbito, seja no setor privado ou no FED”, afirmou à agência de notícias France-Presse.

Em outros setores do governo, alguns nomes já começaram a ser definidos. O deputado democrata Rahm Emanuel confirmou ontem que será o chefe de gabinete de Obama. O site Politico.com também adiantou a escolha de Robert Gibbs, coordenador de imprensa da campanha do democrata, para a Secretaria de Comunicação da Casa Branca. Para o Departamento de Estado, as apostas estão entre o governador do Novo México, Bill Richardson, o senador John Kerry e o ex-embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas Richard Holbrooke. Na Defesa, o ex-chefe da diplomacia de Bush Colin Powell e até o atual titular do posto, Robert Gates, são os mais citados pela imprensa americana.

A assessoria de Obama pôs no ar o site www.change.gov, no qual os americanos poderão acompanhar as decisões tomadas por sua equipe de transição nos próximos dois meses e meio. Na segunda-feira, Obama visitará a Casa Branca, a convite de George W. Bush.


Lula teme desgaste

A maioria dos líderes latino-americanos esperava a chegada do democrata Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos para saber os rumos da crise financeira e como ela será enfrentada. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou suas expectativas ao participar da reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto.

“Espero que o Obama, que acabou de ganhar com uma força política inédita, não vá se desgastar em um ano sem resolver essa crise”, disse Lula. “Acho que o Obama é inteligente o suficiente para que tome as medidas logo e evite que a crise se propague e cresça ainda mais”, ressaltou. Lula destacou ainda que a crise pode ser debitada na conta do governo de George W. Bush, mas, um ano depois de Obama tomar posse, passará a ser dele também.

O presidente brasileiro afirmou que a competência da administração se mostra nos momentos de crise. Nesse sentido, ele acredita que o Brasil esteja fazendo sua parte. “O Brasil não quebrou e não vai quebrar.” Na última quarta-feira, ele demonstrou satisfação com a vitória de Obama e lembrou a questão racial. “Eu penso que nós, brasileiros, como segunda nação negra do mundo, depois da Nigéria, precisamos estar otimistas, esperançosos e com muito orgulho, porque não é pouca coisa eleger um negro para a Presidência dos EUA”, disse.

Lula também espera que o futuro governo norte-americano procure estreitar os laços com a América Latina e com o Brasil, inclusive para desenvolver projetos de apoio à África. Outra questão que preocupa Lula é a suspensão do embargo econômico a Cuba e a solução do impasse sobre subsídios agrícolas entre países desenvolvidos e emergentes.