antigas Publicado: 22/09/2008 | 10:02

Temporada de vagas

Letícia Nobre
Correio Braziliense

Maior parte dos postos é oferecida por shoppings e as funções mais solicitadas são estoquistas empacotadores, atendentes, etiquetadores, operadores de telemarketing e analistas de crédito

 
Está aberta a temporada dos empregos temporários, especialmente no comércio. Por isso, quem está à procura de trabalho pode arregaçar as mangas e cuidar do currículo. O Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista) estima que sejam abertos cinco mil novos postos de trabalho a partir deste mês. No país todo, o número pode chegar a 112.400, segundo levantamento da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings, um aumento de 15,8% comparado à temporada de Natal do ano passado.

“A contratação começa em outubro, mas já começamos um trabalho de preparação. Estamos em um momento de muita incerteza e essa crise externa pode refletir nos empregos temporários. Ainda assim, acredito que poderemos manter o mesmo número do ano passado”, explica o presidente do Sindivarejista, Antônio Augusto Carvalho de Moraes.

Segundo a gestora da Gelre Brasília, empresa especializada em recursos humanos, Maria José Ribeiro, as vagas temporárias que estão prestes a surgir podem ser um opção para quem nunca trabalhou. “O diferencial não é mais ter experiência. Desenvoltura e iniciativa são características que o comércio procura. Estamos em busca de pessoas que façam diferença, precisamos de gente comprometida e de bem com a vida”, diz Maria José, que ainda ressalta que a conclusão do ensino médio é importante. “Ninguém abre mão”, explica.

Apesar da experiência não pesar tanto no momento da seleção dos candidatos, conhecimentos básicos podem ser determinantes para garantir o trabalho. “Tem muita gente despreparada. Estou, por exemplo, com 40 vagas que não exigem experiência, mas tem uns testes de português e matemática que as pessoas não passam, inclusive gente com nível superior. E as empresas não querem abrir mão desses testes”, afirma a gestora da Gelre. A dica da consultora para os candidatos é aprender o básico de matemática financeira e gramática.

Elas têm preferência
Segundo o Sindvarejista, a seleção começa ainda neste mês. Os contratos duram em média 90 dias e devem ser encerrados até janeiro. A boa notícia é que o percentual de efetivados após os contratos temporários nos últimos anos ficou entre 20% e 25%, a expectativa para 2008 é que o quadro se repita.

Levantamento feito por representações de empresas do setor Serviços em todos os estados indica que os segmentos que abrirão mais vagas serão lojas de departamento (10,7%), seguidas do varejo de rua (8,8%), supermercados (7,6%) e shoppings (4,9%).

As funções mais solicitadas serão: fiscais de loja, empacotadores, atendentes, estoquistas, etiquetadores, operadores de telemarketing, auxiliares de crédito e analistas de crédito. Ainda segundo a pesquisa, a remuneração média nacional será de R$ 665,00. Entre as exigências, em metade das vagas serão requisitadas pessoas que possuem ensino médio completo e, na outra metade, nível fundamental. As mulheres representarão 55% dos empregados temporários. 
 
Onde estão as ocupações

Sindivarejista
Possui um banco de currículos que é oferecido aos lojistas que estão em busca de candidatos. O cadastro é feito no site do sindicato:
www.sindivarejista.com.br/balcao-empregos.php.

ParkShopping
Recebe currículos na administração. No local, há uma ficha de cadastro que pode ser preenchida.

Taguatinga Shopping

Na administração. Os interessados também têm a opção de enviar currículo para [email protected]. A expectativa é que 150 pessoas sejam contratadas este ano.

Alameda Shopping

Na administração.

Pátio Brasil
Balcão de oportunidades na entrada principal, virada para a W3.Shoping ID. Na administração.

Conjunto Nacional
No departamento de Recursos Humanos, localizado no terceiro piso

Liberty Mall
A partir de 1º de outubro, será aberto espaço para cadastro no site do shopping:
www.libertymall.com.br. Na mesma data, serão aceitos currículos na administração do local.

Brasília Shopping
Serão abertas 300 vagas temporárias. Os interessados podem enviar currículo para
[email protected]

Terraço Shopping
420 vagas temporárias. Os currículos devem ser enviados para
[email protected]

Currículo no capricho
O mercado está aquecido. Há oferta de postos para trabalhadores que possuem experiência, boa formação e também para aqueles que buscam pela primeira vez uma ocupação remunerada com carteira assinada. Entre janeiro e agosto, a economia gerou 1,8 milhão de empregos, número 6,23% maior em comparação a igual período do ano passado. Se considerados os 12 meses encerrados em agosto, o montante de vagas sobe para o recorde de dois milhões.

Os números vistosos são de encher os olhos e motivam os desempregados a disputar as vagas disponíveis e mesmo os que têm trabalho, mas querem melhorar a renda. Nesse processo, a concorrência começa com o currículo, que pode representar o passaporte para o cargo desejado.

Como essa apresentação de dados é o primeiro contato que a empresa tem com o candidato, especialistas em recursos humanos recomendam atenção na elaboração. “Para conseguir um emprego, o currículo bem feito significa 50%, a entrevista 25% e a oportunidade outros 25%”, explica a psicóloga da Catho em Brasília, Rose Mary Vargas Guidi. Ela alerta que, no momento da seleção, “não existe uma segunda chance para o candidato causar uma primeira boa impressão.”

O ideal é que ele seja feito no computador e de maneira sóbria. “Tudo se resume a bom senso, objetividade e clareza”, diz Rose. “Já vi currículos com montagem de fotos nas margens, papéis coloridos, mal formulados. Esses, nem passamos para a frente”, conta.

Números de documentos, raça, religião, características pessoais, hobbies, motivos de saída das empresas e referências não precisam constar. Quem explica é a consultora Flávia Rodrigues, da Ricardo Xavier Assessoria de Recursos Humanos. “É um equívoco dizer no currículo diversas coisas. São informações que acabam desabonando o candidato ou que só fazem sentido se ele for selecionado”, explica. “A finalidade do currículo é gerar um contato para entrevista, por isso, não podemos gerar dúvidas negativas ou elas podem custar a sua permanência no processo seletivo”, afirma Rodrigues.

Outro erro é estender demais as informações, colocar frases longas e não cuidar para que erros de português sejam corrigidos. “São detalhes que pesam negativamente, fazem diferença”, diz Rose Mary.
 
Aprimorar informações
O gestor de pessoas Alexandre Franjão, de 41 anos, não tem nenhum problema em seu currículo, mas decidiu procurar ajuda profissional para facilitar sua inserção no mercado de Brasília, onde pretende atuar. Ao longo de 12 anos, o engenheiro mecânico com MBA em marketing trabalhou em multinacional e no serviço público e conheceu a realidade profissional de 16 estados brasileiros. Certamente não teria problema em encontrar uma colocação, ainda assim, recorreu a ajuda especializada. “Vale investir no serviços de uma consultoria para adequar a experiência que tenho à realidade do mercado”, explica. Em sua avaliação, as consultorias em RH detêm as melhores informações sobre as exigências das empresas.

Rose Mary, da Catho, alerta que chegar para uma seleção só com vontade não resolve. “A empresa escolhe o funcionário e o funcionário também tem que escolher a empresa.” Ou seja, se o trabalhador não conhece onde pretende exercer suas funções terá dificuldade de atender ao que se espera dele.

Letícia Nobre
Correio Braziliense

Maior parte dos postos é oferecida por shoppings e as funções mais solicitadas são estoquistas empacotadores, atendentes, etiquetadores, operadores de telemarketing e analistas de crédito

 
Está aberta a temporada dos empregos temporários, especialmente no comércio. Por isso, quem está à procura de trabalho pode arregaçar as mangas e cuidar do currículo. O Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista) estima que sejam abertos cinco mil novos postos de trabalho a partir deste mês. No país todo, o número pode chegar a 112.400, segundo levantamento da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings, um aumento de 15,8% comparado à temporada de Natal do ano passado.

“A contratação começa em outubro, mas já começamos um trabalho de preparação. Estamos em um momento de muita incerteza e essa crise externa pode refletir nos empregos temporários. Ainda assim, acredito que poderemos manter o mesmo número do ano passado”, explica o presidente do Sindivarejista, Antônio Augusto Carvalho de Moraes.

Segundo a gestora da Gelre Brasília, empresa especializada em recursos humanos, Maria José Ribeiro, as vagas temporárias que estão prestes a surgir podem ser um opção para quem nunca trabalhou. “O diferencial não é mais ter experiência. Desenvoltura e iniciativa são características que o comércio procura. Estamos em busca de pessoas que façam diferença, precisamos de gente comprometida e de bem com a vida”, diz Maria José, que ainda ressalta que a conclusão do ensino médio é importante. “Ninguém abre mão”, explica.

Apesar da experiência não pesar tanto no momento da seleção dos candidatos, conhecimentos básicos podem ser determinantes para garantir o trabalho. “Tem muita gente despreparada. Estou, por exemplo, com 40 vagas que não exigem experiência, mas tem uns testes de português e matemática que as pessoas não passam, inclusive gente com nível superior. E as empresas não querem abrir mão desses testes”, afirma a gestora da Gelre. A dica da consultora para os candidatos é aprender o básico de matemática financeira e gramática.

Elas têm preferência
Segundo o Sindvarejista, a seleção começa ainda neste mês. Os contratos duram em média 90 dias e devem ser encerrados até janeiro. A boa notícia é que o percentual de efetivados após os contratos temporários nos últimos anos ficou entre 20% e 25%, a expectativa para 2008 é que o quadro se repita.

Levantamento feito por representações de empresas do setor Serviços em todos os estados indica que os segmentos que abrirão mais vagas serão lojas de departamento (10,7%), seguidas do varejo de rua (8,8%), supermercados (7,6%) e shoppings (4,9%).

As funções mais solicitadas serão: fiscais de loja, empacotadores, atendentes, estoquistas, etiquetadores, operadores de telemarketing, auxiliares de crédito e analistas de crédito. Ainda segundo a pesquisa, a remuneração média nacional será de R$ 665,00. Entre as exigências, em metade das vagas serão requisitadas pessoas que possuem ensino médio completo e, na outra metade, nível fundamental. As mulheres representarão 55% dos empregados temporários. 
 
Onde estão as ocupações

Sindivarejista
Possui um banco de currículos que é oferecido aos lojistas que estão em busca de candidatos. O cadastro é feito no site do sindicato:
www.sindivarejista.com.br/balcao-empregos.php.

ParkShopping
Recebe currículos na administração. No local, há uma ficha de cadastro que pode ser preenchida.

Taguatinga Shopping

Na administração. Os interessados também têm a opção de enviar currículo para [email protected]. A expectativa é que 150 pessoas sejam contratadas este ano.

Alameda Shopping

Na administração.

Pátio Brasil
Balcão de oportunidades na entrada principal, virada para a W3.Shoping ID. Na administração.

Conjunto Nacional
No departamento de Recursos Humanos, localizado no terceiro piso

Liberty Mall
A partir de 1º de outubro, será aberto espaço para cadastro no site do shopping:
www.libertymall.com.br. Na mesma data, serão aceitos currículos na administração do local.

Brasília Shopping
Serão abertas 300 vagas temporárias. Os interessados podem enviar currículo para
[email protected]

Terraço Shopping
420 vagas temporárias. Os currículos devem ser enviados para
[email protected]

Currículo no capricho
O mercado está aquecido. Há oferta de postos para trabalhadores que possuem experiência, boa formação e também para aqueles que buscam pela primeira vez uma ocupação remunerada com carteira assinada. Entre janeiro e agosto, a economia gerou 1,8 milhão de empregos, número 6,23% maior em comparação a igual período do ano passado. Se considerados os 12 meses encerrados em agosto, o montante de vagas sobe para o recorde de dois milhões.

Os números vistosos são de encher os olhos e motivam os desempregados a disputar as vagas disponíveis e mesmo os que têm trabalho, mas querem melhorar a renda. Nesse processo, a concorrência começa com o currículo, que pode representar o passaporte para o cargo desejado.

Como essa apresentação de dados é o primeiro contato que a empresa tem com o candidato, especialistas em recursos humanos recomendam atenção na elaboração. “Para conseguir um emprego, o currículo bem feito significa 50%, a entrevista 25% e a oportunidade outros 25%”, explica a psicóloga da Catho em Brasília, Rose Mary Vargas Guidi. Ela alerta que, no momento da seleção, “não existe uma segunda chance para o candidato causar uma primeira boa impressão.”

O ideal é que ele seja feito no computador e de maneira sóbria. “Tudo se resume a bom senso, objetividade e clareza”, diz Rose. “Já vi currículos com montagem de fotos nas margens, papéis coloridos, mal formulados. Esses, nem passamos para a frente”, conta.

Números de documentos, raça, religião, características pessoais, hobbies, motivos de saída das empresas e referências não precisam constar. Quem explica é a consultora Flávia Rodrigues, da Ricardo Xavier Assessoria de Recursos Humanos. “É um equívoco dizer no currículo diversas coisas. São informações que acabam desabonando o candidato ou que só fazem sentido se ele for selecionado”, explica. “A finalidade do currículo é gerar um contato para entrevista, por isso, não podemos gerar dúvidas negativas ou elas podem custar a sua permanência no processo seletivo”, afirma Rodrigues.

Outro erro é estender demais as informações, colocar frases longas e não cuidar para que erros de português sejam corrigidos. “São detalhes que pesam negativamente, fazem diferença”, diz Rose Mary.
 
Aprimorar informações
O gestor de pessoas Alexandre Franjão, de 41 anos, não tem nenhum problema em seu currículo, mas decidiu procurar ajuda profissional para facilitar sua inserção no mercado de Brasília, onde pretende atuar. Ao longo de 12 anos, o engenheiro mecânico com MBA em marketing trabalhou em multinacional e no serviço público e conheceu a realidade profissional de 16 estados brasileiros. Certamente não teria problema em encontrar uma colocação, ainda assim, recorreu a ajuda especializada. “Vale investir no serviços de uma consultoria para adequar a experiência que tenho à realidade do mercado”, explica. Em sua avaliação, as consultorias em RH detêm as melhores informações sobre as exigências das empresas.

Rose Mary, da Catho, alerta que chegar para uma seleção só com vontade não resolve. “A empresa escolhe o funcionário e o funcionário também tem que escolher a empresa.” Ou seja, se o trabalhador não conhece onde pretende exercer suas funções terá dificuldade de atender ao que se espera dele.